Sangue, suor e Lágrimas

A luz fraca do amanhecer mal iluminava o ambiente quando despertei com o som áspero da voz de Garrett ecoando em meus ouvidos

—Acorda sua inútil!

Com um suspiro resignado, verifiquei o relógio digital ao lado da minha beliche. Quatro da manhã. Parecia que mal havia fechado os olhos antes que o ciclo infernal de mais um dia começasse.

Vesti-me rapidamente, o tecido áspero do uniforme grudando na minha pele suada. Cada movimento era uma lembrança dolorosa da minha própria impotência, da minha completa falta de controle sobre minha própria vida.

Segui em direção ao helicóptero, o som ensurdecedor das hélices cortando o silêncio da madrugada. Garrett estava lá, sua figura imponente destacada contra o céu ainda escuro.

—Vamos vamos logo!—ele ordenou, sua voz ressoando com autoridade inquestionável—Temos uma missão para cumprir.

O voo foi curto e silencioso, cada um de nós imerso em seus próprios pensamentos sombrios. O prédio à nossa frente se erguia como uma sentinela solitária, suas janelas escuras e vazias uma lembrança sombria da vida que um dia existiu ali.

prédio, o vento frio da manhã cortando minha pele exposta. Garrett estava na frente, seus olhos brilhando com uma determinação cruel.

—Quatro sobreviventes— ele anunciou, apontando para uma pequena figura encolhida no canto. — Natalie, Jake Peguem-nos e tragam-nos aqui para dentro, deem água ,comida para eles  os cubram com o cobertor térmico e chequem eles. Noah e Mason venham comigo.

Enquanto estávamos no terraço do prédio, Garrett examinou o ambiente com uma expressão sombria, seus olhos escuros analisando cada canto em busca de perigo iminente.

—O som do helicóptero deve ter atraído mais zumbis para o prédio—ele murmurou, sua voz carregada de preocupação—Torna a missão muito mais perigosa para nós entrarmos agora. Precisamos esperar um pouco, a ajuda já está a caminho.

Assenti em silêncio, compreendendo a gravidade da situação. Enquanto esperávamos, o tempo parecia se arrastar lentamente, cada segundo uma tortura agonizante de antecipação e medo.

Finalmente, após uma espera angustiante, outro helicóptero surgiu no horizonte. Ao se aproximar, pude ver mais soldados a bordo, prontos para nos auxiliar na missão.

Mas foi a ajuda especial que chamou minha atenção: um drone equipado com um alto-falante, pronto para emitir um som agudo que afastaria os zumbis do prédio.

Os soldados da outra equipe rapidamente colocaram o plano em ação, ligando o drone e iniciando o som estridente que ecoou pelos corredores vazios do prédio. Era como se um rugido ensurdecedor ecoasse pelo ar, afastando os mortos-vivos de nossas imediações.

Os zumbis começaram a se mover, atraídos pelo som agudo e perturbador. Observamos com cautela enquanto o drone descia lentamente pelos andares do prédio, seu som ecoando cada vez mais alto e distante.

Quando finalmente os zumbis estavam longe o suficiente, Garrett olhou para nós com determinação em seus olhos

—"Preparem-se"—ele disse, sua voz firme e decidida.

Enquanto descíamos pelo prédio, cada um de nós se preparava para entrar em um apartamento diferente. Garrett deu as instruções finais, enfatizando a importância de agir rapidamente e com precisão.

— Vamos lá, pessoal—ele disse, sua voz ecoando pelo corredor vazio. —Cada um pega um apartamento e revista o mais rápido possível. Noah, você vai arrombar o primeiro apartamento à esquerda. Todos fiquem atentos aos zumbis

Sem hesitar, corri em direção à porta do apartamento designado, meu coração batendo descontroladamente no peito. Com um chute rápido e certeiro, a porta se abriu, revelando um interior escuro e sombrio.

— Vamos acabar com isso— murmurei para mim mesma, minha arma em punho enquanto adentrava o apartamento.

O cheiro de decomposição e morte me atingiu assim que entrei, mas eu sabia que não podia hesitar. Com movimentos rápidos e precisos, vasculhei o local em busca de zumbis, atirando sempre que necessário para garantir minha segurança.

Um a um, revistei os apartamentos, encontrando apenas corpos sem vida e silêncio perturbador. Mas finalmente, no último apartamento, encontrei o que procurava: sobreviventes.

— Está tudo bem, vocês estão seguros agora—eu disse, minha voz soando mais firme do que eu me sentia. —"Vamos sair daqui."

Guiando os sobreviventes em direção à escada que levava ao terraço, eu me preparei para subir junto com eles.Eles subiram em segurança mas antes que eu pudesse alcançar a porta, Mason apareceu e a fechou com força na minha frente.

O impacto da porta se fechando reverberou pelo corredor, ecoando como um sinal de desespero. Eu estava sozinha, presa dentro do prédio com os zumbis se aproximando rapidamente.

—Não!— Eu gritei, batendo na porta com força.— Mason, abra essa porta agora!

Mas não houve resposta. O som dos zumbis se aproximando preencheu meus ouvidos, e eu soube que estava completamente sozinha, enfrentando o perigo  sem nenhuma ajuda.

Com o coração batendo descompassado no peito e o suor escorrendo pelo meu rosto, olhei desesperadamente ao redor, procurando por uma maneira de escapar da morte que se aproximava. Meus olhos se fixaram na varanda dos apartamentos vizinhos, e uma ideia desesperada começou a se formar em minha mente.

Com a determinação renovada, corri em direção à varanda mais próxima, ignorando a dor e a exaustão que se acumulavam em cada músculo do meu corpo. Ao chegar lá, me deparei com a visão das barras de ferro que corriam ao longo da lateral do prédio, oferecendo uma tênue esperança de salvação.

Mas os zumbis foram mais rápidos, vários começaram a entrar no apartamento e sem tempo para pensar fechei a porta da varanda que é de vidro, o que me deu um pouco mais de tempo para pensar. O vidro começou a rachar eu não tinha muito tempo. A barra de ferro estava muito longe e mesmo que eu me esticasse eu não alcançaria.

Numa fração de segundos me vi saltando em direção à barra mais próxima, minhas mãos suando e escorregando na superfície fria e metálica. Por um instante agonizante, temi que não conseguisse me segurar, mas finalmente consegui agarrar a barra com firmeza, sentindo meu coração disparar de alívio. Os zumbis quebram o vidro e começam a cair.

Com os músculos tremendo de esforço, comecei a me puxar para cima, cada movimento uma batalha contra a gravidade e o medo que ameaçavam me arrastar para baixo. Os zumbis abaixo de mim uivavam e grasnavam, seus braços estendidos em minha direção como garras ávidas pela minha carne.

Cada centímetro de progresso era conquistado com uma mistura de desespero e resolução, meus dedos sangrando e minhas pernas tremendo enquanto eu lutava para continuar subindo. A barra de ferro parecia uma corda bamba sobre o abismo da morte, mas eu me recusava a desistir.

Com as últimas reservas de energia, consegui me puxar para cima e lançar meu corpo exausto sobre o terraço do prédio. Meus músculos latejavam de dor, mas uma onda de alívio me inundou quando me dei conta de que havia escapado do perigo  que me cercava.

No entanto, minha alegria foi efêmera quando percebi que minha equipe havia partido, deixando-me para trás. Olhei em volta e vi apenas a equipe de reforço, que ainda estava no terraço, recolhendo os equipamentos.

Sem alternativa, engoli meu orgulho ferido e me aproximei deles, pedindo para ser levada de volta ao abrigo. O silêncio constrangedor pairava no ar enquanto subíamos no helicóptero, minha mente fervilhando com a traição da minha própria equipe.

Quando finalmente chegamos ao abrigo, desci do helicóptero com uma determinação sombria. "Essa foi a gota d'água", murmurei para mim mesma, o calor da raiva pulsando em minhas veias.

Sem hesitar, avancei na direção de Mason, o único responsável pelo golpe final que me deixara sozinha naquele prédio infestado de zumbis. Com um rugido de fúria, desferi um soco poderoso em seu rosto, o impacto ressoando no ar como um trovão.

Mason cambaleou para trás, atordoado pela violência inesperada, mas logo se recuperou e avançou na minha direção, seus punhos cerrados em punhos de ira. Uma luta feroz irrompeu entre nós, os golpes voando enquanto nos engalfinhávamos no chão frio do abrigo.

No meio da confusão, Garrett apareceu, seu rosto contorcido de raiva ao ver seus subordinados se enfrentando. Com um movimento rápido, ele nos separou, sua força esmagadora nos mantendo afastados.

—Chega disso! Isso é inaceitável!

Antes que pudesse protestar, senti o punho de Garrett se chocar contra meu rosto, o impacto fazendo minha visão turvar-se com dor lancinante. Meu corpo caiu no chão, impotente diante da autoridade esmagadora do meu superior.

—Você é um completo desastre, Noah, é um fardo.

Suas palavras cortaram-me como facas afiadas, mas eu engoli o nó que se formava em minha garganta, recusando-me a mostrar fraqueza diante dele. Eu enfrentaria suas acusações com a mesma coragem que enfrentei os zumbis naquele prédio.

Depois de mais alguns minutos de repreensões, Garrett finalmente ordenou que me dessem algo para comer. Eu aceitei a refeição em silêncio, minha mente ainda zumbindo com a intensidade da briga. Enquanto mastigava minha comida sem gosto, senti um aperto na barriga, uma sensação de opressão que se intensificava a cada momento que passava.

Um tempo depois, enquanto eu estava ajoelhada diante do vaso sanitário, senti uma onda de náusea tomar conta de mim. Eu segurei firmemente na borda do vaso, as lágrimas escorrendo pelo meu rosto sujo de suor. Cada respiração era um esforço, cada batida do meu coração parecia um eco ensurdecedor no silêncio sufocante do banheiro.

Vomitei.

Enquanto eu soluçava, abraçada ao vaso sanitário, as batidas persistentes na porta ecoavam no banheiro, interrompendo meus pensamentos dolorosos. Mason estava do lado de fora, impaciente e insensível às minhas aflições.

—Saia logo daí Noah eu quero usar o banheiro!

—Estou passando mal Mason. Por favor.

—Não quero saber! Abra esta porta agora mesmo!

As lágrimas continuavam a escorrer pelo meu rosto, enquanto eu me sentia mais sozinha e desamparada do que nunca. Cada batida na porta era como um golpe no meu coração, um lembrete cruel da minha solidão e desespero.

Enquanto eu lutava para conter o choro, uma onda avassaladora de saudade varreu meu ser. Meus amigos, com suas risadas contagiantes e abraços reconfortantes, agora pareciam tão distantes e inatingíveis.

Será que eu vou aguentar mais 28 dias assim?

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Comments

Pão com Batata

Pão com Batata

Ah não, tão judiando demais dela!!!

2024-09-06

2

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