Dia de Azar

No silêncio opressivo da noite, uma bruma densa envolvia a cidade transformando as ruas outrora movimentadas em um labirinto sombrio. A lua pairava no céu, lançando uma luz fraca que mal iluminava os contornos dos prédios abandonados. Me encontro sozinha.

A cada passo, o eco dos meus passos criam uma sinfonia sinistra. De repente um rangido distante ressou, seguido por passos arrastados. Procuro meu facão, mas estou desarmada, meu coração dispara e uma sensação de pânico toma conta de mim

A silhueta de uma figura cambaleante emerge das sombras, logo me vejo correndo. Entro em um beco e fico em silêncio. De repente uma luz fraca brilha à distância revelando uma saída. Uma porta semiaberta em um beco estreito. Ao chegar a porta, um ambiente apertado e claustrofóbico. A sensação de alívio é momentânea pois percebo que agora estou presa em um corredor escuro.

Avanço pelo corredor escuro, tateando as portas em busca de uma saída.

Passando as mãos pelas portas, uma delas cede ao toque revelando um quarto envolto em trevas. A escuridão dentro é tão densa que parece absorver a luz que tenta penetrar. A atmosfera é carregada com uma energia sombria e um arrepio percorre minha espinha enquanto hesito adentrar.

Ao cruzar o limiar, uma luz fraca e pulsando ilumina o espaço. O ambiente é uma reprodução distorcida do quarto do meu irmão.

O silêncio é interrompido por sussurros inquietantes no centro do quarto, há uma figura emaranhada em sombras, revelando-se aos poucos. Yuri. Seu rosto está pálido, seus olhos vazios, no lugar onde a mordida ocorreu, uma ferida escura e grotesca se estende, emitindo uma aura sinistra.

— Você devia ter me salvado- Diz se aproximando - Finn não devia ter ido buscar o robô... A culpa é sua.

A sombra que o envolve parece se intensificar. O quarto estremece. As vozes sussurram acusações.

Me vejo presa em um ciclo infernal, revivendo o momento em que tudo deu errado. O ambiente torna-se cada vez mais distorcido e surreal.

- É verdade?- Uma voz doce e leve aparece. Lizzie- Você também vai fazer isso comigo?

— Não, e-eu...

— Eu vou morrer em suas mãos?- Lizzie grita

— Chega! Eu não aguento mais- Disse angustiada e chorando- Chega! Chega!- Com as mãos tapando os ouvidos.

Uma figura vem correndo em minha direção. Meu padrasto. Fiquei imóvel. Com toda força e impacto ele me derruba da janela.

— AAAAAAAA!!!!

Acordei. Levantando-me rapidamente buscando ar para respirar.

— Você tá bem?Teve um pesadelo?- Finn pergunta com a expressão assustada- Você tava gritando.

— Mais que merda! Até nos mês sonhos esses pensamentos me perseguem!Eu achei que se eu dormisse eu poderia escapar da realidade!

Levanto e saio para pegar um ar. Vou até Luke e dou um chute nele que solta um gemido de dor.

— Aí o que foi? Ta me chutando porque pirralha?- Luke

— Já tá de dia, tira logo essa corda de mim que tá machucando meu pulso e eu quero comer!

Estávamos há cinco horas de viagem. Ao longe avistamos um veículo enferrujado bloqueando a estrada. Conscientemente Luke diminui a velocidade. De repente surgiram 5 indivíduos armas até os dentes.

— O que temos aqui?- Disse um homem que parecia ser o líder do grupo com uma aparência cruel e um sorriso sádico- Parece que vocês tem algo que queremos- Se aproximando.

Trocamos olhares, sentindo a tensão no ar.

— Vocês tem comida, munição, mulheres... E uma criança. Que sorte a nossa! - Zombou outro membro membro deste grupo.

— Podemos compartilhar nossas coisas mais não machuquem ninguém- Luke

Eles riem.

— Compartilhar? Não,não,não,nós queremos tudo. Se quiserem sair ilesos entreguem tudo agora!

Ele se aproxima parando ao lado de Luke levantando e apontando a arma diretamente para ele. Luke engole seco.

Ergo-me de meu assento e caminho até eles

— Vocês acham que podem nos julgar assim tão facilmente?

Eles trocam olhares de desconfiança.

— Parece que a garotinha quer brincar. Vamos ver que você tem a oferecer.

Adoto uma postura como se fosse me render. Me aproximo dele levantando meus pés para ficar a altura do ouvido dele. Sussuro em seu ouvido:

— Vamos fazer um acordo? Eu fico com vocês e vocês deixam o resto ir embora ein?

— Me parece um bom acordo- Diz passando a mão pela minha cintura, e antes que possa descer mais um pouquinho pego o meu facão e corto a mão dele fora.

O grupo percebendo a gravidade da situação tentou reagir. Mais eu uso o meu facão com mestria desarmando eles com movimentos rápidos e precisos. Acerto pontos vitais com uma precisão mortal imobilizando eles. Luke me ajuda.

— Vocês subestimaram a garotinha treinada pelo governo.

Derrotados e humilhados eles recuam.

— Você foi bem- Luke elogia estendendo e me dando um aperto de mãos- Você fingiu direitinho

— Valeu!

— Isso é só o começo, moleques. O que passaram até agora é fichinha.A vida ainda vai arrancar muito de vocês. E depois de nós virão outros, e outros, vocês podem até se acharem invensiveis agora mas essa é só a ponta do ice berg, vocês ainda vão perder- Disse o homem com a mão arrancada.

Fiquei pensativa. Essas palavras trouxeram a tona incerteza e medo do desconhecido. " Vocês ainda vão perder".

Todos no carro parecem pensar o mesmo. Até que Luke quebra o silêncio.

— Estamos precisando de comida e gasolina

— Da para segurar um pouco?

— Não, já vou procurar um posto por aqui.

Luke parecia estar com dificuldades para encontrar um posto já que estamos num local totalmente isolado.

— Gente, vamos ter que sair um pouquinho da rota.

Um tempo depois encontramos um posto mais Luke checa e esta sem gasolina, então andamos à procura de carros que tem gasolina. Andando e andando Chegamos no centro,o que não parece ser bom ,tem vários carros parados e abandonados num engarrafamento o que me faz pensar que os donos do carro não estão muito longe.

Andando entre os carros posso ver pessoas mortas, malas espalhadas, vidros quebrados,carros queimados, me senti mal por essas pessoas não terem tido a mesma sorte que eu tive.

— Vamos ser rápidos aqui é perigoso, Finn, Courtney me ajudem aqui, Noah pode pegar comida?- Luke

— Beleza,então Mike, John vem comigo, luke pode ficar com a Lizzie?

— Eu fico com ela!- Courtney

— Ok,vamos voltar então esperem a gente .

Com cuidado e muita cautela olhamos antes de entrar em uma rua então vemos uma mochila cheia de comidas jogada no chão em uma esquina.

— Aê! Vem pro papai-iiii !!!!- John pega aa bolsa e sai correndo sem explicar nada. Logo depois vejo um montarel de zumbis surgindo.

— Sujou, Corre!- Mike

Quanto mais tentar vamos fugir mais zumbis apareciam pelas ruas. estávamos confusos, não conhecíamos aquele lugar então eu não sabiamos as ruas certas para entrar. Entramos numa rua sem saída, nunca senti meu coração tão acelerado como agora.

— Bom foi um prazer conhecer vocês, nunca pensei que fosse morrer tão rápido assim mais...

— Tem uma escada! Rápido!- Mike

Havia uma escada na lateral de um prédio levando apenas para laje do prédio. Subi na maior velocidade possível para que John não ficasse à altura dos zumbis,Mas passou apenas alguns segundos e senti as escadas balançarem parecendo que iam cair.

— Aí! Eles estão pegando no meu tênis- John

— Chuta eles!

— Não consigo são muitos, tô perdendo o equilíbrio! tão me puxando para baixo ! - John

- Tira o tênis!

— E se eles morderem meu pé?- John

— Calma aí!

Tentei descer a escada para ficar no mesmo nível que ele mas simplesmente não cabe em duas pessoas lado a lado numa escada quase caindo e com zumbis em baixo! começou a aparecer mais zumbis então comecei a atirar nos zumbis que estavam agarrando John. Consegui mas não por muito tempo pois outros zumbis assumiram aquela posição novamente .

— Toma John, faz você agora - Dei a arma à ele- Vou subir denovo atira neles.

Voltei a subir e John parece ter conseguido. Estávamos quase ao topo quando alguns parafusos se soltam e a escada fica ainda mais bamba.Olhei para baixo e os zumbis estavam subindo um em cima do outro para nós alcançar.

-Ferrou!

John olha para baixo - Era só o que me faltava, sobe logo! Mike acelera aí!

— Calma, eles não vão conseguir subir aqui em cima, o edifício é muito alto- Mike

— Fala quem ta quae no topo, não sei se você percebeu mais eu ainda estou aqui em baixo!

— Tô quase lá- Mike

Se tem uma coisa que eu aprendi como sobrevivente foi: A alegria do sobreviventes dura pouco!

Sim. A escada se soltou e tombou para traz. Mais como estávamos como que num beco, uma rua apertada a escada apenas parou no edifício que estava atrás de nós nos fazendo bater as costas e a cabeça contra a parede

- E agora?

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