Classificações

— Claro, suba lá— Vivian

Caminhei nervosamente em direção ao palco. Ao me sentar no banco do piano, as luzes suaves destacavam as teclas reluzentes à minha frente .

Toquei "Canon in D". Sempre senti uma conexão profunda com a melodia, minhas mãos dançam sobre as teclas, uma sensação de realização me envolvia.

Ao encerrar a última nota, o silêncio se quebrou em aplausos calorosos. Olhei ao redor e vi centenas de rostos sorridentes, realizei um sonho que sempre tive.

Antes que pudesse descer do palco Vivian diz:

— Incrível! A plateia quer mais não é mesmo?— ela sorri maliciosamente

Os aplausos entusiasmados concordam.Antes que eu pudesse responder , Vivian continua:

— Toque " Comptine d'un autre été!"—Ordena

Iniciei a peça, mais algo no sorriso dela indicava algo além. Ao terminar ela soltou:

— Acho que podemos dar um pouco mais de música para todos aqui, que tal mais algumas?

A plateia aplaudia animadamente e antes que eu percebesse, estava mergulhando em uma série de músicas, percebi que Vivian estava me desafiando. Dedos doloridos , cheios de calos , mais toquei cada nota sem um único erro.

Exausta encerrei a última música.

—Você é surpreendente ! Uma noite inesquecível não é mesmo?

A plateia aplaude.

Meu sangue esquentou, a raiva borbulhava dentro de mim, mas mantive a compostura. O sorriso falso de Vivian permaneceu na minha mente, deixando um gosto amargo na experiência musical que deveria ter sido simples e prazerosa.

Ao retomar a minha mesa, o zumbido de conversas animadas e o calor dos elogios me acolheram. Pessoas ao redor cumprimentavam e expressavam admiração pela apresentação, isso trouxe um brilho de animação aos meus olhos, apesar do cansaço.

Ao me sentar, percebi que a comida está fria, vítima do tempo que passei no palco. A sobremesa já estava sendo servida, e todos à mesa continuaram aa elogiar minha performace.

— Amiga o que foi isso? — Courtney diz de queixo caído

— Escondeu direitinho, você nunca tinha contado que sabia tocar piano.— John

— Foi belíssimo — Oliver

— Depois podemos conversar lá Dora?— Mike

—Claro

Fomos a um lugar reservado sob a luz do luar. Mike começa a me elogiar pelo espetáculo no piano e depois solta a pergunta que pairava no ar:

— Noah porque você nunca contou que sabia tocar piano?— perguntou com a voz carregada de curiosidade

— Achei que não valia a pena mencionar

— Entendi... é que eu achei que seu único hobbie é talento fosse desenhar e matar zumbis— brinca

— Acontece que eu nunca pude investir nisso porque meu pai tinha outros planos pra mim, ele disse que não valia a pena investir nisso porque não me daria futuro e faria eu perder meu tempo. Mas eu não ouvi ele, então fiz um curso escondido— Sorri de emoção— Meu maior sonho sempre foi ser pianista, mais a vida teve outros planos para mim.

Mike sem jeito finalmente soltou:

—Posso te dar um abraço?

Respondi sorrindo:

—Você ama abraços né?— e o abracei

— Mudando de assunto, o que você achou do lugar?— Mike

Mudo minha posição na varanda apoiando-me no parapeito e apoiando a perna entre os abstratos do parapeito.

— Muitas coisas aqui são desnecessárias. Parece que Vivian está montando uma nova sociedade, esse lugar é enorme! Mas me dá nos nervos pensar que estamos aqui festejando enquanto lá fora tem pessoas sofrendo e morrendo. Essa mulher é uma sociopata!

Mike percebendo a minha raiva brincou:

— Percebi, você está com tanta raiva que até veio armada para o jantar

Sem perceber, mostrei sem querer meu canivete amarrado na minha coxa sem o ferimento. Mike rindo pegou o canivete e provocou:

— Tentando esconder isso daqui? Bem que eu reparei que tinha um relevo na sua coxa, você tem que ser mais discreta sabia?

— Andou olhando minha coxa é? Da próxima eu não uso um vestido com um rasgo na perna, e outra, você que tem que ser discreto, abaixa isso aí!

—Abaixar o que? Isso aqui?

— Mike é sério! Se alguém ver , vou jogar a culpa todinha em você.

Ele joga o canivete para Finn que passava por perto. Assustado, ele tenta pegar sem se ferir

— Se resolvam aí— Mike sai deixando eu e Finn à sós.

— Aí meu Deus, você se machucou?

Finn confuso responde:

— Não — e ficou me encarando com os olhos arregalados, expressando dúvida e exigindo uma explicação.

Constrangida, disse:

— Esse vai ser o nosso segredinho, tudo bem?- sorri

Finn rindo exclamou:

— Sério? Você trouxe um canivete pra cá?!

— Pois é né?—ri e acenei com a cabeça enquanto pegava lentamente o canivete da mão dele, me afastando.

Virei de costas.

—Noah, espera, posso falar com você?

Me viro de volta e dou atenção.

— Então... Eu queria te pedir desculpas sobre aquele negócio... Por te irritar, e te jogar num riacho, eu não devia ter feito aquilo, eu não estava muito bem por causa da minha família, aí eu tentei me distrair pata esquecer, me desculpa por ter te incomodado, de verdade.— Finn

—Imagina,  desculpa eu ter pegado pesado com você,  eu não estava muito bem no momento  e não devia ter sido tão maldosa com você.

— Então agora estamos de bem? Não vai mais tentar me matar com seu facão né? Nem puxar meu cabelo —Estende a mão

—Prometo, e você ve se da m tempo em me tirar do sério viu?E da próxima vez que você me jogar de um riacho eu te afogo junto!— Apertamos a mão um do outro

— Combinado— Finn

Ambos sorrimos.

A noite foi encerrada de uma forma alegre, eu, Mike e Finn conversando normalmente , a partir de hoje vou parar com aquele plano de maltratar Finn para ele se afastar de mim. Vou mante-lo como amigo, afinal gosto do Mike.

Courtney e eu nos preparamos para o treinamento com os outros jovens conforme sugerido por Vivian. Vestimos nossos uniformes, uma espécie de roupa de academia, predominantemente preta, complementada por um bracelete azul e nosso crachá com a foto tirada na noite anterior. Optei por um cropped e um short saia para maior conforto.

Deixamos Lizzie aos cuidados de Oliver, que a levaria para interagir com outras crianças, e nos dirigimos ao local do treinamento. Segurei firme meu facão, sentindo a necessidade de estar preparada para qualquer eventualidade.

Ao chegarmos, deparamo-nos com uma impressionante reunião de jovens, facilmente ultrapassando a marca dos cem. O espaço era amplo e dividido em duas partes distintas: uma com vários equipamentos de exercícios físicos e estruturas para treinamento, e a outra mais simples, coberta, exibindo um painel com nomes e cores. Todos os alunos aguardavam em uma área designada, e nos juntamos a eles.

Ficamos perdidas no meio de tanta gente, estavam todos nos olhando e eu não sabia se isso era bom ou ruim .

— Bom gente,já deu o nosso horário, hoje vamos fazer uma coisa diferente, pela primeira vez na instituição recebemos pessoas de fora, e queremos conhecer eles não é mesmo? Por favor subam aqui Courtney Reynolds, Finn Sullivan, John Reynolds, Mike Cooper, e Noah Banks— ele aguarda um tempo até subirmos— muito bem, prazer vou ser o treinador de vocês me chamo Cristopher, mais podem me chamar de Criss, por favor, se apresentem aos seus colegas, falem seus nomes, idade e o que gostam de fazer Courtney pode começar — eles dão um microfone à ela

As apresentações começaram, e cada um de nós compartilhou um pouco mais sobre nossas vidas antes daquele mundo se desmoronar.

Courtney: Olá, pessoal! Sou a Courtney Reynolds, tenho 16 anos. Gosto de cozinhar, amo andar e bater perna por aí.

Uma risada suave percorreu o grupo, dissipando a tensão inicial. Finn pegou o microfone, pronto para revelar um pouco mais de si mesmo.

Finn: E aí, galera! Finn Sullivan, também com 16 anos. Gosto de conversar, zuar e, bom, atirar.

Um murmúrio de surpresa ecoou entre os alunos. John pegou o microfone, revelando um talento inesperado.

John: Sou John Reynolds, irmão gêmeo da Courtney, com 16 anos. Antes de tudo isso, gostava de tocar violão e guitarra.

Olhares surpresos se voltaram para John, que revelava um lado mais musical. Mike, com seu jeito descontraído, trouxe outra reviravolta.

Mike: E aí, galera, sou Mike Cooper, com surpreendentes 15 anos —uma surpresa atrás da outra, todos olharam espantados para Mike— e gosto de jogar basquete.

A juventude surpreendente de Mike adicionou um toque de leveza à atmosfera. Por fim, o microfone chegou a mim.

Noah: Olá, pessoal. Sou a Noah Banks, com 16 anos. Gosto de desenhar e tocar piano.

— Muito bem, sejam bem-vindos! — Criss exclama enquanto todos batem palmas.

— Como vocês são novos aqui, vou explicar como as coisas funcionam. Estão vendo esses braceletes em seus braços? A cor de vocês está em azul porque é a nossa cor neutra. Ainda não sabemos da habilidade de combate de vocês, mas temos vermelho como horrível, rosa como ruim. As outras cores têm significados diversos: amarelo representa habilidade média, azul denota habilidade acima da média, verde significa habilidade excepcional, roxo indica habilidade extraordinária e preto é reservado para perfeição máxima. Nos dias da semana, temos treinamento; aos sábados, temos luta, e aos domingos, jogos.

Criss olha para nós com uma expressão séria.

— Para descobrir em que classificação vocês, novatos, se encontram, hoje teremos luta. Cada um de vocês vai lutar sete vezes, uma vez com uma pessoa de cada classificação. Estão prontos? — Criss pergunta, desafiador.

Courtney foi a primeira.

— Courtney, você vai começar lutando com uma garota de classificação vermelha. Conforme você for vencendo, você vai subindo sua classificação. As regras são as seguintes: Vocês não podem matar seu oponente, pelo amor de Deus! Também não podem usar nenhum objeto para lutar. Isso serve para você, Noah; pode guardar esse seu facão na mochila, que a gente não vai usar isso. — Criss aponta para mim.

Me senti envergonhada, todo mundo me encarando feio. Me senti uma psicopata.

— A luta só acaba quando alguém sentir que não aguenta mais e quiser desistir. Entendido? Meninas, podem começar! — Criss anuncia, preparando-nos para o confronto.

Courtney derrota facilmente a garota de classificação vermelha e outra de classificação rosa, mas não consegue vencer a de classificação azul.

— Courtney Reynolds, classificação Amarela, venha pegar seu novo bracelete — Criss anuncia.

Finn conquista a classificação verde, uma ótima posição. John também alcança a classificação verde, enquanto Mike atinge a classificação azul.

Chega a minha vez, e fico nervosa. Não sei por que lembrei do treinamento que tive como espiã. Não sei se lembrar disso é algo bom ou ruim. Tenho medo de mostrar minhas habilidades em combate e eles desconfiarem de mim. Além disso, ainda estou ferida na coxa, o que pode dificultar um pouco. Perfeito!

— Noah, Noah! — chama Courtney. — Você não sabe!

— O que? Conta tudo e não esconda nada.

— O pessoal está todo falando que vão te vencer facinho. Aquelas meninas ali, tá vendo? — ela aponta. — Falaram que vão acabar com você, que como você toca piano, não deve saber lutar, e que, como você está machucada, qualquer um te vence.

Ri. Coitadas, não sabem de nada. Justo as meninas da loja de roupa.

— Não me diga — dei um sorrisinho malvado.

— O pior são os meninos, eles te acharam bonita e não querem bater em você.

— Ah, mas aí não vai ter graça...

— Noah Banks, preparada? — Criss pergunta.

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