"No confronto com o desconhecido, a verdadeira vitória não está em derrotar o inimigo, mas em superar a dúvida e a insegurança que habitam dentro de nós.
É a coragem de enfrentar o temível que revela o verdadeiro valor da bravura."
Após inúmeras preparações, medidas e planos secundários para lidar com os diversos cenários que poderiam levar à morte de toda a pequena tribo de Kiay, eles amarraram cordas e pedras afiadas, além de criar uma rede com pedras cortantes no meio e pedras posicionadas ao redor do abrigo.
Havia apenas 30 pedras grandes disponíveis, e até mesmo Alada teve dificuldades em colocá-las no alto.
Igris e Mitis, armadas com flechas e zarabatanas carregadas com veneno paralisante, desceram cuidadosamente por um estreito caminho de pedras frágeis.
Elas se separaram e atacaram a uma distância segura, usando zarabatanas para envenenar porcos, lebres e cervos — presas que os lobos costumavam caçar e comer. Elas subiram em árvores para ter melhor visão e alcance e lançaram cinco ataques para garantir que o veneno afetasse o máximo possível de lobos.
O veneno era feito a partir de um sapo roxo conhecido por seu veneno mortal, misturado com ervas que intensificavam seus efeitos paralisantes, atingindo o sistema respiratório e circulatório das vítimas.
Enquanto estavam em meio à preparação, um grito de alerta fez com que Igris e Mitis se desviassem de sua tarefa e corressem desesperadamente em direção à montanha, que ficava a cerca de cinco quilômetros do local. O grito havia atraído a atenção dos lobos, e eles começaram a correr atrás das duas.
O líder dos lobos, ao ouvir o uivo do seu subordinado, ordenou um ataque implacável. Um lobo Bestial avistou as duas e começou a escalá-las com determinação feroz. Igris e Mitis, em pânico, tentavam subir a montanha o mais rápido possível.
“Nãooo! Se afaste!” gritou Mitis, em desespero.
“Calma! Sobe! Se não, eles nos pegarão!” Igris gritou de volta, dando um tapa em Mitis para trazê-la de volta à realidade.
Alada, ouvindo o uivo, imediatamente voou para resgatar as duas. No entanto, um dos lobos a mordeu e feriu suas garras. Enfurecida, Alada bicou o lobo com força, arrancando-lhe a cabeça e jogando o corpo em direção ao Alfa dos lobos, o que apenas serviu para aumentar a raiva do líder.
“Todos matem eles! Não deixem nenhum deles sobreviver!” o Alfa uivou para sua alcateia.
Os lobos começaram a tentar subir a montanha para atacar a caverna e os que estavam no ninho. Alada usou suas poderosas asas para derrubar os lobos e causar a morte de vários deles pela queda.
Kiay, vendo a situação crítica, pediu a Alada que curasse Igris e Mitis, enquanto Jul e Rimei cuidavam dos ferimentos da ave e procuravam comida para as cansadas guerreiras.
“Bom trabalho, todas vocês. Jul e Rimei, cuidem das feridas e tragam comida. Vocês devem estar exaustas. Alada, como está?” Kiay perguntou com preocupação.
“Estou bem, criança. Esta não é minha primeira batalha, e certamente não será a última,” respondeu Alada, apesar das feridas.
“Ótimo, sinto muito por ter que te enviar para enfrentar isso, mas sua ajuda foi crucial.” Kiay respondeu, aliviada.
Com as feridas das guerreiras começando a cicatrizar, Kiay ordenou:
“Todos se preparem! Joguem as redes! Vamos prender e matar o máximo de lobos possível. Mandem os primeiros ataques!”
Ryfer e Jul começaram o contra-ataque, utilizando as pedras grandes e afiadas para atacar os lobos que tentavam subir. A rede de fibras de plantas, feita por Rimei, foi lançada e conseguiu prender quinze lobos de uma só vez.
“Agora, as pedras!” ordenou Kiay, enquanto todos empurravam mais cinco pedras grandes, mirando nos lobos presos e nos que ainda tentavam escalar.
Ryfer usava uma besta enorme para lançar pedras afiadas, enquanto Jul soltava uma armadilha que despejava pedras com veneno paralisante e de sangramento sobre os lobos. Muitos foram atingidos e morreram.
“Na primeira área, acertamos uns 30 lobos. Os restantes foram atingidos, mas não foram mortos. Cerca de 20 morreram com pedras na cabeça e 10 com pedras grandes no pescoço. Líder Kiay, qual é a próxima ordem?” informou Wima.
“Posicionem as pedras e troncos e miram nos lobos que ainda se movem. Matem-os com flechas grandes. Igris e Mitis, vocês devem atacar o líder da alcateia com flechas de veneno paralisante. Matem-no!” Kiay ordenou.
“Sim, usarei meu trunfo,” disse Igris, segurando uma bola negra com traços vermelhos.
“Isso não é extremamente valioso? Tem certeza?” perguntou Mitis.
“Sim, matar o líder vale a pena. E este preço é barato comparado às vidas de todos nós,” respondeu Igris.
“Ambas, posicionem-se para atacar agora,", ordenou Kiay.
Ryfer usou uma besta gigantesca para atacar lobos que estavam na frente, enquanto Igris e Mitis se preparavam para usar suas flechas de veneno. O Alfa dos lobos, enfurecido, avançou com sua alcateia.
“Agora!” gritou Mitis.
Igris lançou a bola negra, que explodiu e lançou vários lobos para fora do ninho de Alada. No entanto, o Alfa e mais oito lobos permaneceram e avançaram em direção a Igris.
A batalha estava longe de terminar, e o confronto estava apenas começando.
O Alfa dos lobos Bestias, ferido e enfurecido, avançava com seus oito subordinados restantes em direção ao ninho de Alada. As pedras afiadas e as armadilhas já haviam causado grandes perdas entre os lobos, mas o líder e sua elite eram uma ameaça formidável. Kiay observava a cena com um misto de ansiedade e determinação.
“Todos, mantenham-se firmes!” Kiay gritou. “Não deixem o Alfa chegar até nós! Protejam a entrada e continuem atacando!”
Os lobos restantes, embora feridos, avançavam com uma feroz determinação, lutando para superar as barreiras e alcançar o ninho. A batalha estava se intensificando. As flechas de Ryfer e as pedras afiadas de Jul eram lançadas sem parar, atingindo os lobos que tentavam escalar.
Alada, ainda debilitada pelas feridas, se posicionou estrategicamente. Com suas poderosas asas, ela começava a cortar os lobos que se aproximavam da entrada do ninho. Seu bico afiado e suas garras, embora feridas, ainda eram mortais. Cada ataque era acompanhado por um grito desafiador:
“Venham e enfrentem-me, covardes! Sejam testemunhas da força da verdadeira guardiã!”
Os lobos, embora enfurecidos, estavam sendo sistematicamente abatidos pela combinação da astúcia da tribo e a força de Alada. O Alfa, irritado e determinado a vencer, avançava com um rugido ensurdecedor, sua presença ameaçadora visível até mesmo à distância.
Igris e Mitis, posicionadas estrategicamente, prepararam suas flechas com veneno paralisante. A tensão era palpável enquanto as duas se preparavam para um ataque decisivo. Igris, com sua bola negra ainda na mão, olhou para Mitis com uma expressão resoluta.
“Agora é a hora,” disse Igris, “Vamos dar o golpe final no Alfa. Nosso destino depende disso.”
“Sim, vamos terminar com isso", confirmou Mitis, posicionando a flecha em sua arma.
Enquanto as duas se preparavam para o ataque final, Kiay observava com atenção. Ela sabia que o momento era crítico. O sucesso da missão dependia não apenas de suas habilidades individuais, mas da coordenação e do espírito de luta de todos.
O Alfa, já visivelmente ferido por ataques anteriores, continuava avançando, ignorando as feridas. Ele rosnava e avançava com uma fúria implacável, determinado a destruir qualquer obstáculo em seu caminho.
“Preparem-se!” Kiay ordenou. “Concentrem-se no líder! Não deixem que ele se aproxime mais!”
Igris e Mitis lançaram suas flechas, que se cravaram com precisão no corpo do Alfa. O veneno paralisante começou a fazer efeito, e o líder dos lobos tentou, sem sucesso, avançar. Ele caiu, enfraquecido, mas ainda tentava se erguer, lutando contra o veneno que paralisava seus músculos e o forçava a parar.
Os lobos restantes, vendo seu líder enfraquecido, começaram a hesitar. Alguns tentaram atacar, mas foram rapidamente neutralizados pelos ataques contínuos dos membros da tribo. Outros começaram a recuar, percebendo que a batalha estava se voltando contra eles.
Com o Alfa finalmente incapacitado e a maioria dos lobos derrotados ou em retirada, Kiay deu a última ordem:
“Não parem! Acabem com os que restam! Garantam que não haja mais ameaças!”
Os membros da tribo continuaram o ataque com fervor renovado, assegurando que todos os lobos fossem eliminados. Finalmente, após uma luta extenuante, o silêncio começou a tomar conta da montanha. O combate tinha sido brutal, mas a vitória era clara.
Alada, exausta, pousou ao lado de Kiay e das demais. Seus ferimentos estavam cicatrizando, e embora ainda fosse visível a dor, sua presença inspirava alívio e gratidão.
“Parabéns a todos,” disse Kiay, olhando para sua equipe com orgulho. “Vocês enfrentaram o impossível e venceram. A tribo está segura graças a vocês.”
Enquanto os membros da tribo começavam a limpar o campo de batalha e tratar dos feridos, Kiay se aproximou de Alada.
“Obrigada por tudo, Alada. Sem você, não teríamos conseguido.”
“Foi um esforço de todos,” respondeu Alada. “Agora é hora de descansar e nos prepararmos para o que vem a seguir. Mas, por hoje, celebramos a nossa vitória.”
Com a batalha finalmente terminada, a tribo começou a se recuperar e a se preparar para os desafios futuros, unidas e mais fortes do que nunca.
Final do capítulo Dez.
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Atualizado até capítulo 111
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