"Quando a coragem se torna a única opção, até mesmo o mais frágil dos corações encontra força para enfrentar a tempestade.
Em cada desafio, o verdadeiro teste não é o tamanho do inimigo, mas a determinação que reside dentro de nós."
---Após a refeição, todos ficaram sérios ao considerar o real perigo que enfrentariam.
— Lobos Bestias, não é!? O que exatamente aconteceu para que eles estejam literalmente nos observando lá de baixo? — perguntou Ryfer, o Cão.
— É uma história longa... basicamente, eu caí nessa montanha... Eu estava com a minha família, quando caí de uma passagem íngreme e curta. Ao cair em um buraco, fui arremessada de um lugar alto. Quando acordei, estava nesta montanha. Ouvi uivos de lobos e comecei a correr em direção a uma luz. Foi então que conheci a Alada. Os lobos já estavam me seguindo — um lobo e um Cão Bestial. A Alada me abrigou sob suas asas, matou o Cão e fez o lobo escapar. Depois que a Rimei veio morar aqui, os lobos nos encontraram, e agora estamos neste impasse. — explicou Kiay.
— Essa montanha onde você estava com sua família é a mesma em que estamos agora? — perguntou Wima.
— Não, é outra. — respondeu Kiay.
— Você sabia disso, Rimei? — Igris sussurrou no ouvido de Rimei.
— Não, eu não... Eu nunca perguntei. — respondeu Rimei.
— Então como você estava lá e acabou aqui? — Mitis indagou.
— Eu não sei. O lugar onde eu estava era diferente deste. As montanhas, os animais e as pessoas eram diferentes. Só havia humanos e animais... Nunca vi seres humanos semelhantes a vocês. Parece até que eu vi um mundo diferente. Um mundo que não é humano, e eu sou a única assim. — Kiay estava visivelmente triste.
— Um mundo diferente... Isso parece impossível, mas vendo você aqui, acredito que seja possível. — Rimei fez cafuné em Kiay.
— Então, sua família está naquele mundo, e você neste... Será que podemos ir e vir entre seu mundo e o nosso? — perguntou Ryfer.
— Não sei. Não tenho ideia de como vim e se posso voltar. Mas, se eu puder voltar, vou mostrar meu mundo para vocês. Eu também não o conheço bem. — Kiay respondeu.
— Conhecer novos mundos parece algo incrível, não importa como seja dito! Se você souber como, podemos ir! Quem iria querer?! — Jul estava empolgada.
— Eu quero! Ver um mundo novo deve ser algo que ninguém da minha tribo sonhou em fazer! — Mavies exclamou.
— Eu também quero! Quero um dia ver seu mundo, líder! — Wima também se animou.
— Sim, líder! Um dia levaremos todos até lá. — Ryfer concordou.
— Sim, nossa líder, queremos ver esse lugar. — Rimei reafirmou.
— Mitis, você não quer conhecer o mundo da líder? — Igris perguntou.
— Sim, eu quero. Vamos levar todos lá um dia, líder. — Mitis respondeu.
— Eu vou tentar... — Kiay agradeceu a todos. — Obrigada por quererem isso.
Os Lobos Bestias eram conhecidos por serem mais do que grandes; eram também extremamente fortes e inteligentes, além de extremamente vingativos. Quem matasse um deles se tornaria um alvo perpétuo de sua fúria. Eles nunca desistiriam de se vingar. Por isso, todas as tribos tinham três regras: nunca enfrentar o pássaro Deus vermelho (Fênix), o pássaro invencível azulado (Alada) ou matar um Lobo Bestial.
De fato, todos eram inimigos que não se podiam enfrentar e sair vivo, mas Kiay estava disposta a enfrentar cada um deles e não deixar um único escapar. Ela ordenou que armas fossem feitas, pedras fossem coletadas, e cordas e flechas preparadas para a caçada. O plano era surpreender os lobos Bestias enquanto se dirigiam para seu abrigo, um lugar semelhante a uma caverna subterrânea que os lobos haviam escavado para criar um santuário e abrigo. Esse local era conhecido como Covil dos Lobos Bestias, ou, como muitos o chamavam, Covil da Morte, pois ninguém que fosse capturado ali saía com vida.
— Então, estamos planejando caçar e matar todos esses lobos sozinhos? Apenas nós? — Ingrid, a loba, perguntou, com um tom de preocupação.
— Rimei, é impossível fazer isso apenas com nós sete, ainda mais contra pelo menos noventa lobos Bestias. — Wima, a gata, concordou.
— Acalmem-se as duas. — Rimei tentou acalmá-las. — Confiem mais na sua líder. Não perceberam que temos uma vantagem significativa? Temos um medo absoluto do nosso lado, com o nome de Alada, a guardiã dessas montanhas. Além disso, temos vantagem territorial. Estamos muito distantes do solo; mesmo que tentem muito, apenas um de cada vez conseguirá passar. E ainda temos caçadores e criadores de armadilhas, além de inúmeras pedras grandes nas cavernas, incluindo aquelas que foram fechadas para ninguém entrar.
Kiay apontou para o lugar onde ela havia chegado. — Verdade, havia uma passagem gigante por ali. A Alada a fechou facilmente, como se fosse a coisa mais simples do mundo.
— Era de se esperar dela. Vamos fazer com que a Alada use as montanhas como artilharia. Ela cortará as rochas e usaremos inúmeras pedras afiadas para atacá-los. Mas, antes, precisamos deixá-los imóveis. É aí que entram vocês duas. Vão aplicar veneno paralisante em todos os animais próximos daqui. Assim que eles estiverem paralisados, vamos cortar os tendões do maior número possível e atirar as pedras neles. Alguma dúvida? — Kiay olhou para todos os sete com seriedade e calma.
— Que plano louco, mas muito eficaz. Vamos fazer isso, certo, Igris? — Mitis perguntou.
— Faremos isso. Agora parece muito mais possível, mas espero que tudo dê certo. Se uma etapa falhar, estaremos em perigo, certo, Mitis? — Igris respondeu.
— Melhor morrer lutando do que chorar e ser devorado sem lutar, não concordam? — Kiay concluiu.
— Sim, minha líder. Ambas farão isso. E você, cão... desculpe, esqueci seu nome. Você e mais alguém vão pegar as pedras em excesso e tampar a entrada de forma segura. A senhora Alada cuidará de vocês. Assim que terminarem, usaremos as pedras do lado de dentro. Entenderam? — Rimei orientou.
— Sim, senhora Rimei. Farei o meu melhor. Meu nome é Ryfer. Por favor, lembre-se ou tente se lembrar. — Ryfer, o cão, respondeu.
— Ryfer... Contamos com você e com você também, Wima. Não tente fugir. — Rimei a encarou com um tom de irritação.
— Sim, farei o meu melhor. É seguro, não é? — Wima tentou escapar, quase chorando.
Kiay se aproximou e disse: — Sim, é seguro. Veja a Alada; ela literalmente deu seu sangue para isso. Não só tampou o buraco, como também destruiu todos os meios de acesso e a estrada que conduzia a este lugar. Só temos a Alada para entrar e sair daqui. Não há mais como entrar ou sair, apenas ela.
— Ela cortou uma estrada? Feita de rochas sólidas, e deixou uma parede íngreme para impedir o acesso? — Wima estava embasbacada.
— Sim, ela fez em menos de cinco horas o que levaria uma vida inteira para várias pessoas fazerem. Às vezes esquecemos o quão poderosa ela é. Lembrem-se, ela destruiu inúmeras tribos, enfrentou todas elas e ainda assim venceu. Ela é tudo, menos fraca. — Rimei afirmou.
— Sim, Alada é a nossa maior força. Pode descansar o máximo possível, amiga. Vamos protegê-la. — Kiay tranquilizou a Alada. — Durma bem, querida amiga.
Todos estavam ansiosos e temerosos para a batalha que se aproximava. A luta não seria fácil nem rápida, mas todos tinham confiança na liderança de Kiay, uma jovem que não demonstrava qualquer medo diante da perspectiva de uma batalha que poderia resultar na morte de todos. Para aquela pequena e corajosa líder, enfrentar o perigo de frente era apenas uma questão de coragem.
Final do Capítulo Nove.
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Atualizado até capítulo 111
Comments
Leydiane Cristina Aprinio Gonçaves
esse pessoal só vai vencer essa batalha se estiver unido pois é a união que faz a força não é a alada ou a kiei que vai fazer com que eles vençam essa batalha mas sim a união entre eles como diz o ditado né a união faz a força eu já entendi qual é o propósito da kiei nessa montanha é salvar a todos que aí estão
2024-07-17
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