10.

..."Eu te daria outra chance, eu cairia, eu levaria um tiro por você. Preciso de você assim como um coração precisa bater."...

**Apologize - Justin Timberlake**

Quatro dias, quatros dias que não vejo nem sinal do Ryder, quando pergunto a única coisa que Lucca responde é que ele foi resolver problemas particulares. Me levanto cedo e coloco um cropped e um macaquinho jeans que nunca tinha reparado que estava no guarda-roupa.

- Bom dia Amélia! - Entro na cozinha bocejando.

- Bom dia menina, seu café da manhã está pronto. - Amélia coloca ovos mexidos, bacon e suco de laranja.

Lucca entra na cozinha com uma camiseta regata, uma bermuda jeans e chinelo nos pés.

- Bom dia meninas! - Nós duas respondemos ao mesmo tempo.

- Feliz aniversário meu filho… - Amélia abraça Lucca, fico feliz por se sentir tão à vontade com ele.

- Não me diga que está ficando mais velho hoje Lucca, parabéns! - Me levanto e lhe dou um abraço sincero, é muito difícil não gostar dele, diria impossível até.

- Hoje vai rolar uma festa aqui, Ryder deve voltar só amanhã então dá tempo de arrumar tudo antes dele chegar, por favor, não apronta, pode ser? - Ele junta as duas mãos me implorando. Reviro os olhos.

- Como se eu desse trabalho para vocês né, claro que vou me comportar. Mas como vai fazer com as câmeras?

- Ele tá ocupado, e quando se der conta a festa já vai estar rolando, aguento as consequências depois. - Ele se senta e começa a devorar o prato que Amélia colocou na sua frente.

- Lucca, deixa eu te perguntar uma coisa, ainda estamos no Brasil, né?

Ele ri e confirma com a cabeça.

- Você não tá no México, relaxa.

Levanto o dedo do meio em sua direção.

Finalmente termino de me arrumar, a música no jardim está alta e pela quantidade de vozes lá fora, parece ter muita gente. Me olho no espelho analisando a vestido que Lucca deixou aqui no quarto hoje à tarde, ele é rosa e se ajusta perfeitamente no meu corpo, dando mais volume aos meus seios e coxas.

Quando desço as escadas percebo que a casa está vazia, pelo menos Lucca manteve a festa só no jardim, facilitando a limpeza depois. Passo pelas portas de vidro e vejo as luzes coloridas em volta da piscina, mulheres apenas com a parte debaixo do biquíni se jogam na piscina, há poucos homens. Encontro Lucca sentado em uma cadeira com uma mulher morena no colo.

-Que gata! - Ele berra acima da música me olhando e batendo palmas, a mulher faz cara feia. Sorrio.

Ando até a enorme mesa que nunca vi antes nessa casa, em cima tem uma grande variedade de petiscos e uma enorme variedade de bebidas.

Depois do sexto Sex on the Beach sinto meus olhos ficarem levemente mais pesados, meu corpo dança no mesmo ritmo da música. Já passa das três horas da manhã, Lucca está nadando totalmente pelado, enquanto danço com meninas que conheci, os três únicos caras da festa se aproximaram de mim mas saíram assim que Lucca alertava perigo, bom, já seriam dispensados mesmo.

Minha bexiga aperta e sinto que farei xixi na roupa a qualquer momento, ando o mais rápido que consigo com os saltos gigantes que estou usando, e entro no banheiro de hóspedes que tem perto da cozinha, quando passo pela porta de vidro e a fecho o silêncio da casa me trás paz, consigo ignorar totalmente a bagunça lá fora. Assim que saio do banheiro aliviada grito ao ver Ryder sentado na mesa mexendo no notebook, entrei tão desesperada que nem o notei ali.

- Então você também está metida nisso… - Ele desvia os olhos do notebook até mim, seu olhar desceu até meus saltos e sobe medindo casa parte do meu corpo, dessa vez sua máscara de desdém não estava lá.

- Eu sou só a sequestrada, não tenho nada a ver com isso. - Levanto as duas mãos fazendo cara de inocente. Ele não ri, está sério, vou até a mesa e me sento ao lado dele, tropeço duas vezes até chegar na cadeira.

- Aconteceu alguma coisa? - Meu pai me vem à mente. - É com meu pai?

Ryder percebe minha angústia e logo me acalma:

- Não, fique tranquila. São só problemas pessoais. - Ele respira fundo e joga a cabeça para trás parecendo realmente mal.

- Caso queira conversar, estou aqui, sabe, não vou pensar mais mal de você do que já penso, você me sequestrou então já te julgo desde quando te conheci. - Ele sorri e me sinto feliz por conseguir isso.

- Eu fui me vingar de uma pessoa, a pessoa que matou meu pai e essa pessoa também é filho do meu pai. E aí, tem certeza que não vai pensar mais mal de mim do que já pensa? - Ele suspira olhando para o jardim pelo vidro.

- Você foi matar seu irmão? - A bebida me faz falar mais alto que o normal. Ele confirma com a cabeça. Droga.

- Ele é meu meio irmão, se vingou do meu pai porque ele matou sua mãe. Eu sempre soube dessa história, meu pai me contou quando fiz dez anos, disse que matou seu grande amor. Mas não pense que eu quis vingança porque meu pai era bom, meu pai mexia com tudo que mais odeio no mundo, prostituição, drogas e tráfico humano. Mas não tive mãe, então toda minha criação foi com os poucos momentos bons que ele me deu. - Ele fala as palavras ao vento, encarando as portas de vidro o tempo inteiro, preciso me lembrar de respirar enquanto meu olho arde com suas palavras.

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