" Acho que esqueci de como ser feliz
É algo que não sou, mas posso ser.
Algo que espero
Algo para que fui feita."
What Was I Made For? - Billie Eilish
Depois de só levantar da banheira quando a água se tornou fria, me enrolei na toalha para finalmente sair do banheiro. Olho as roupas que parecem novas e pego a calça jeans preta e a blusa de seda salmon, começo a tirar a toalha quando me lembro das câmeras e a aperto contra meu corpo novamente, seguro as roupas em um braço e com o outro levando meu dedo do meio apontando para as quatro paredes do quarto antes de me trancar novamente no banheiro.
Quando termino de pentear meus cabelos não me preocupo em passar as maquiagens que encontrei na nécessaire, se estou aqui contra a minha vontade, não me esforçarei para ficar bonita. Saio do quarto e desço as escadas tentando lembrar o caminho para a cozinha, olho pelos vidros e vejo o enorme jardim todo iluminado por luzes brancas. Ouço os dois homens conversando e vou indo devagar para a sala de jantar.
A mesa de vidro preta de doze lugares está coberta de comida quando entro na sala, os pratos estão vazios e percebo que estavam me esperando para comer. O homem loiro sorri quando me sento e o homem sombrio que não faz questão nem de me encarar faz sinal para Amélia para que ela nos sirva vinho.
- Já que não vou ter nenhum tipo de informação sobre o motivo de estar sendo mantida nessa casa contra minha vontade, vou pelo menos saber o nome de vocês?
O loiro sorri.
- Me chamo Lucca, e esse é o Ryde. - Ele aponta na direção do homem sombrio que bebe um pouco do vinho despreocupadamente.
Os dois começam a se servir da comida, não toco em nada.
- Você deveria comer, está muito magra. O cretino do seu pai não te alimentava? - Lucca diz enquanto enfia duas garfadas de algum tipo de massa na boca.
- Preciso de algumas respostas antes.
- Não terá nenhuma. Coma. - Ryder diz ríspido enquanto corta o bife que colocou em seu prato, cruzo os braços. - Coma!
O corpo do Lucca se enrijece quando o tom do Ryder fica mais alto, ignoro sem olhar para nenhum dos dois.
- Sabe de uma coisa Lohana, eu costumo ler bem as pessoas. - Ryder para de cortar e me encara puxando meu olhar para si. - Você não é tão durona quanto quer parecer. Desde que chegou aqui, não perguntou se iríamos te matar, não nos pediu para falar com seu pai, você não gritou, tentou fugir abrindo a porta da sala e nem ao menos pediu ajuda a Amélia. Sabe o que vejo quando te olho? Uma garota completamente quebrada, ser sequestrada foi seu ponto alto em o quê? um ano? Dois? Você não parece nem ao menos fazer questão de estar viva. - Ele cruza as mãos e apoia o queixo em cima delas. - É decisão sua não comer, mas amanhã ficará no soro, não porque me importo com você, mas porque preciso lhe entregar viva ao seu pai, nem que eu precise fazer isso a força com uma sonda ou alguma merda do tipo. Você decide a forma mais fácil de se manter vida.
Lágrimas de ódio brotam em meus olhos enquanto me levanto e saio da mesa não rápido o suficiente para não ouvir quando Ryder fala:
- E pare de me mostrar seu dedo. - Canalha, canalha, canalha.
Bato a porta do quarto com força quando entro e me jogo na cama. Não vou chorar, não vou chorar. Respiro fundo enquanto tento me acalmar entre os edredons. As palavras de Ryder invadem minha mente como se quisesse me torturar, eu quero estar viva,prova disso é que ainda estou aqui, não é?!
…
- Você precisa comer, eu sei que é um momento delicado mas já se passaram três dias, sua mãe não iria querer te ver assim Lohana! - Meu pai grita em uma súplica ajoelhado ao lado da minha cama.
- Eu não quero pai, não aguento sem ela, não dá! Sai daqui. Me deixe aqui por favor! - Meu grito com certeza foi ouvido por todos os vizinhos. Lágrimas caem do rosto do meu pai.
- Você não foi a única que a perdeu Lohana, você não é a única destruída aqui! - Ele se levanta e sai do quarto batendo a porta.
...
A voz feminina no andar de baixo me acorda, pego meu celular e vejo que não deu três horas da manhã ainda, o barulho da mesa sendo arrastada me faz levantar em um pulo, pode ser um ladrão. Corro até a sala e paro quando vejo meu pai com o rosto no decote de sua secretária, ela desce da mesa em que estava sentada assim que me vê, meu pai olha para a direção que ela estava olhando e seus olhos se arregalam quando me vê parada sem reação.
- Lohana... - Sua voz arrastada me alerta que ele está bêbado, ele se afasta da mulher e tenta vir em minha direção mas tropeça no próprio pé, muito bêbado.
…
Encaro as duas caixas de remédios vazias e espero, espero a dor, espero o arrependimento, espero o fim. Nada acontece, a primeira fisgada de dor atinge meu estômago me trazendo a primeira onda de arrependimento, a segunda onda veio quando senti a sonda entrando pelo meu nariz e indo até meu estômago.
…
As batidas da porta me tiram das lembranças dolorosas, me sento na cama e levanto o dedo do meio bem alto torcendo para que alguma câmera possa ver. Não respondo as batidas, o que claro, não impede a porta de ser aberta.
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Atualizado até capítulo 72
Comments
Maria Pinheiro
Não deve ser fácil ter a vida virada de ponta cabeça sem explicação
nenhuma mas ele está certo ela tem que comer não vai adiantar de nada fazer greve de fome , ela tem que se manter forte para descobrir o que está acontecendo .
2023-09-02
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