Dois anos se passaram e enfim Felipe retorna da Europa. Marina já o conhecia, das férias que ele passava na casa dos pais, mas ele praticamente não ficava em casa. Felipe, com os seus 24 anos, era lindo e se parecia com a mãe, moreno, cabelos negros e não muito alto, só não tinha os olhos azuis como os dela.
Alguns meses depois que ele chegou, passou a assediar Marina, sempre dizendo ser sincero o seu interesse por ela, mas o que Marina menos queria era problemas. Vivia fugindo dele, o evitando, mas ele continuava insistindo.
Angela percebendo o que estava acontecendo, um dia aconselhou Marina a se manter longe dele, pois conhecia a fama do jovem da família.
— Não se iluda com ele, Felipe sempre foi uma criança mimada, e sempre disposto a tudo para conseguir o que queria.
— Pode deixar dona Angela, eu não vou me iludir, sei que ele é o filho dos patrões.
— Faça isso, não se iluda, mas acredite ele vai continuar insistindo.
E foi exatamente o que aconteceu e Marina aos poucos acaba se redendo aos encantos de Felipe, acreditando em suas doces palavras. Depois de meses de insistência por parte de Felipe eles começam a namorar escondido, ele adorava fugir para o quarto dela de madrugada, mas Marina se negava a se entregar a ele.
— Você não me ama? — Felipe pergunta irritado por mais uma vez ela dizer não.
— Eu não sei, quero apenas ter certeza, não quero me arrepender depois.
— Amor, estamos há quase um ano juntos — Ele a beija — Eu vou conversar com os meus pais, mas eu não posso agir precipitado, tente me entender.
— Tudo bem, não quero te forçar a nada.
Os meses passam e Felipe continua insistindo até que um dia ela se rende, se entregando a ele sem reservas. Depois de Marina ter cedido aos seus encantos e ter feito o que ele queria, Felipe deixou de ir em seu quarto, deixou de procurá-la e nem para ela olhava.
Até que um dia, em uma festa que ele estava dando na casa, percebeu os amigos dele olhando para ela e rindo. 'Felipe deve ter contado a eles o que houve entre nós' Marina pensa vendo aqueles rapazes rindo sem disfarçar, eles estavam rindo dela.
Dois meses depois de ter dormido com Felipe, lá estava Marina vomitando e sentindo enjoous, depois de um teste de farmácia veio a confirmação, ela estava grávida. Decide procurar Felipe para contar a ele que teriam um filho.
— Você é louca, garota — Ele fala com ela irritado — Filho? Acorda, eu jamais terei um filho com você. Faça um aborto, tire essa criança.
— Eu não posso fazer isso. — Marina responde nervosa, só em pensar nessa possibilidade.
— Você não pode é ter esse filho, será que você não entende isso? Meus pais me matarão se souberem que transei com você, a empregada. E acredite, você será expulsa dessa casa.
— Mas você disse...
— Esquece o que eu disse. Você é apenas uma empregada, uma órfã sem família. Me esquece! Eu vou te dar o dinheiro para você dá um fim a essa história. — Felipe sai do quarto dela sem nem mesmo olhar para ela.
Marina fica olhando para a porta ainda aberta, ele nunca sentiu nada por ela, como ela pode se iludir? Como pode acreditar que ele, sendo filho de uma família rica, se apaixonaria por ela? Mas o que mais lhe doeu foi ouvir ele mandando ela abortar "Faça um aborto, tire essa criança" ela coloca as mãos em seu ventre e não consegue pensar na possibilidade de dá fim aquela vida que crescia dentro dela.
Na manhã seguinte ela estava arrumando os quartos no andar de cima. Tinha passado a noite em claro, pensando no que fazer. Felipe se aproxima de onde ela está e tira um envelope da jaqueta, que estava usando, e estende para ela.
— Aqui está o dinheiro. O que tem aqui dá para você procurar uma boa clínica para fazer isso, sabemos que muitas fazem esse procedimento, basta agora você procurar uma delas. Em alguns dias poderá voltar ao trabalho, se perguntarem diga que está doente.
Marina sente o seu corpo enrijecer, suas mãos suam e por um momento ela não sabe o que fazer, em suas mãos um envelope com dinheiro, em seu ventre uma criança não planejada, a sua frente o homem em quem acreditou, a quem se entregou por acreditar que fosse amor o que sentia por ele, mas ao olhar para ele ali parado, só consegue sentir ódio e desprezo. A dúvida logo se dissipa e Marina joga o envelope com o dinheiro na cara dele e pede demissão do trabalho.
Antes que ela deixe a casa Felipe a faz jurar que nunca dirá que o filho que ela estava esperando era dele, caso ela insistisse com aquela gravidez.
Uma pessoa observa a cena de longe, e já pode imaginar o que levou Marina a tomar tal decisão. Um sorriso surge nos lábios de quem os observa.
Com o dinheiro que recebeu e o que tinha conseguido economizar, durante os três anos que trabalhou na casa, alugou um quarto para ela e comprou: uma cama usada, um berço também usado e um fogão com a botija de gás. Ainda não tinha conseguido comprar uma geladeira, mas estava juntando dinheiro para isso, mesmo sabendo que seria difícil.
Durante a gravidez ela recebeu ajuda dos vizinhos e quando perguntavam pelo pai da criança, dizia apenas que tinha a abandonado, não entrando em detalhes. Ganhou várias coisas para o bebê e mesmo estando grávida precisava trabalhar para se manter, por isso ela passou roupa para fora, deu faxina enquanto pode e até como atendente de lanchonete ela trabalhou.
Bella ganhou muitos pacotes de fraldas, com isso Marina conseguiu adiantar três meses de aluguel era o tempo que ela precisava para ter Bella e se recuperar do resguardo. Trabalhou enquanto pôde, no dia que foi para o hospital ganhar Bella, estava em um engarrafamento vendendo água com um morador da vila. Ele a ajudou a chegar ao hospital, mas não pôde ficar com ela, pois havia deixado as suas mercadorias com uma outra pessoa na estrada.
Naquele hospital ela esteve sozinha, até Bella nascer, pois quando ouviu o choro da filha e olhou para o seu rostinho, depois de sentir muitas dores, ela sentiu o seu coração se aquecer, ela não estava mais só, agora ela tinha uma família, ela tinha a sua Bella.
Bella nasceu parecida com ela, apenas os olhos eram parecidos com os da avó Carolina, azuis.
Escolheu o nome da filha quando assistia ao filme "A vida é bela", ela estava passando roupa em uma casa e alguém assistia ao filme no quarto onde ela passava a roupa. Ela quase chorou, ao ver o final do filme, mas ali ela sabia que sua filha se chamaria Bella, como a vida. Mesmo que os dias fossem difíceis, ela teria motivos para sorrir, pois não estaria mais sozinha, ela teria a sua filha ao seu lado.
Quando Bella fez dois meses, ela conseguiu um emprego, por indicação de um dos moradores da vila, nessa agência de diaristas. A senhora que era responsável, conhecendo a história de Marina e a necessidade dela trabalhar, sempre a mandava para as residências onde os donos da casa não estariam presente durante a limpeza, para que ela pudesse levar a filha.
Aaron era cliente dessa agência, mas não tinha alguém fixo para ir fazer a limpeza, pois os que iam reclamavam do tamanho da casa. Ela não ficou surpresa quando a sua chefe pediu que ela fosse limpar a casa dele novamente, pois ela nunca reclamou de nenhuma casa, mas ficou surpresa ao saber que foi a pedido do contratante por ter gostado do serviço prestado por ela.
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"A Vida é Bela"
Filme Italiano Ganhador de três Oscar : Melhor Ator, Melhor trilha sonora e Melhor filme estrangeiro.
Lançamento no Brasil, 1999.
Conta a história do judeu Guido e seu filho Giosué. Durante a Segunda Guerra Mundial eles são levados para um campo de concentração. Guido usa a imaginação para convencer o filho que estão participando de uma brincadeira como forma de protegê-lo do terror da guerra.
Vale muito a pena assistir. 📺
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Atualizado até capítulo 67
Comments
Rosineli Barbosa
esse Felipe é a escória de um babaca 😡😡😡😡 curiosidade quem estava vendo com um sorriso no rosto 🤔🤔🤔🤔🤔 MISTÉRIO!!!!!😂😂😂😂😂
2025-03-21
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Euridice Neta
Já assisti e amei, me emocionei muito,fiquei horrorizada com a crueldade que aquelas pessoas passaram...
2025-03-20
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Tânia Principe Dos Santos
marina é uma guerreira.
esse Filipe é um escroto
2025-02-24
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