Charles entra com algumas bolsas, sendo seguido por um outro segurança com uma caixa.
— Não precisava senhor. — Marina vê várias bolsas com coisas para a sua bebê.
— Charles, monte o carrinho para que a menininha já possa ir nele.
— Senhor eu não posso aceitar... — Marina fica sem ação por ver tanta coisa.
— Não seja orgulhosa, acredito que a sua filha mereça roupas novas e um carrinho novo. — Aaron fala se abaixando em frente a Bella que o olha com lindos olhos azuis.
— Não é isso, é que eu não tenho como pagar por tudo isso.
Aaron volta a ficar de pé e fica de frente para Marina, ela era muito baixinha, sua cabeça não chegava nem no seu ombro.
— Não há necessidade de me pagar nada, apenas aceite. Esse carrinho está muito velho, deve ser difícil até para você empurrar pois, uma das rodas parece está quebrada. — Ele pega um macacão azul que tinha uma saia por cima, em um tom mais escuro, e mostra a ela — Acredito que a menininha ficará ainda mais linda com essa roupinha.
Marina sente vontade de chorar de gratidão, ela sempre quis comprar uma roupinha bonita para a filha, mas o dinheiro não sobrava, até a roupa que saiu do hospital foi doação de roupa usada. A sua filha merecia e ela aceitaria por ela.
— Eu vou aceitar. Muito obrigada. — Marina agradece com um sorriso tímido e com os olhos marejados.
— Charles, quando acabar de montar o carrinho, leve Marina em casa, não tem como ela levar tanta coisa de ônibus.
Aaron sai da cozinha sem dá chance de Marina responder, mas faz um carinho no rosto de Bella que ri para ele o fazendo ri também.
Charles a leva até um bairro pobre, ela morava em um quarto em uma vila com vários quartos minúsculos. Charles a ajuda com as bolsas levando para dentro, deixa tudo no único cômodo, era um quarto que tinha uma cama de solteiro, um berço e algumas caixas, onde provavelmente ela guardava as suas roupas e as da bebê. Tinha dois pacotes de fralda em cima de uma das caixas, um deles já estava aberto. Além disso tinha um talco e uma pomada de assadura. Parecia ser tudo o que Bella tinha, o coração de Charles doeu ao ver aquilo, se a cama era de solteiro, significava que Marina era mãe solteira. Onde estava o pai dessa criança? Ele se pergunta.
— Obrigada Charles, que Deus recompense vocês pelo que fizeram.
Charles apenas sorri para ela e após acenar com a cabeça volta para a casa do seu chefe. Ele vai embora com vontade de contar para o patrão a situação daquela jovem, mas muda de ideia. Ele ficou surpreso ao receber uma ligação de Aaron pedindo que levasse almoço, de um dos restaurantes que ele costumava frequentar, para a pessoa que estava fazendo limpeza em sua casa. Ficou ainda mais surpreso em saber que a pessoa estava trabalhando na casa dele com uma bebê recém bascida.
Depois de levar o almoço, Aaron o fez acompanhá-lo em várias lojas para poder comprar roupas e produtos de bebê. A cena o fez lembrar de uma outra época, mas diferente do momento atual, a filha era do próprio Aaron.
Quando Charles vai embora, Marina começa a olhar o que tem nas bolsas, uma delas era só com fraldas, outra tinha produtos de higiene, sabonete líquido, sabonete em barra, shampoo e até uma loção infantil. Tinha também talco e pomadas para assaduras, além de lenços umedecidos.
— Olha filha, shampoo bebê, veja como é cheiroso, a minha princesinha vai ficar linda e cheirosa.
Marina ficou encantada com as roupinhas que a filha ganhou, eram vestidos, macacões, conjuntos e até meia calça e calcinhas.
— Obrigada senhor Aaron, muito obrigada. — Ela sussurra segurando um vestidinho nas mãos, permitindo que as lágrimas saiam, mas dessa vez de felicidade.
Aaron deixou a casa pela manhã decidido a ir fazer compras, não para ele, mas para uma menininha que estava em sua casa. Ao ver aquela criança seu coração se aqueceu, não conseguiu evitar pensar em sua filha, o seu coração ainda doia quando pensava no que aconteceu. Ao ver aquela bebezinha dormindo em um carrinho velho, com roupas gastas pensou como as vezes as coisas eram inversas, a criança que poderia ter do bom e do melhor não pode usufruir das coisas que foram compradas para ela, mas ali estava uma mãe trabalhando com a filha deitada em um carrinho velho e deplorável.
Em um ato impensado ele vai as compras na companhia de seu segurança e amigo, Charles. O mesmo que o acompanhou quando ele foi comprar o enxoval da filha.
Ao chegar com as coisas que foram compradas e ver a emoção nos olhos daquela mãe sofrida, soube que fez a coisa certa. Ela foi embora levando o novo carrinho e nem se preocupou de deixar o velho quebrado para trás no meio de sua cozinha, talvez ela nem tenha percebido o que fez, ele pensa.
Depois que ela se foi, ele ficou olhando aquele carrinho velho, não que os seus olhos estivessem vendo o carrinho, mas ele podia vê a criança que estava dentro dele há pouco. Aquele bebezinho tão inocente, que lhe sorriu sem entender como a vida de sua mãe parecia ser difícil.
Uma semana depois Aaron pede ao seu assistente que peça a agência que enviem Marina para fazer a limpeza em sua casa, ele não estaria em casa, mas pelo menos ela teria almoço, e dessa vez ela não iria precisar levar só as sobras, ele pensou. Seria preparado duas refeições para ela.
Ele tinha um desfile de sua marca, seria o lançamento da coleção outono inverno, e iria ser em um hotel na cidade com uma recepção ao final do desfile para os convidados, por isso, ele não tinha como ir em casa vê a menininha.
Ele não pôde deixar de pensar em Marina e Bella. Bella, a bebê que o encantou com aqueles olhos azuis, iguais aos seus. Marina que em meio a dificuldade não abandonava a filha.
Quando estava indo embora, depois do evento, Aaron decide perguntar sobre Marina. Charles estava dirigindo e o olha pelo retrovisor, Aaron pergunta primeiro se ele tinha levado o almoço conforme havia pedido.
— Sim, eu levei, mas ela não parecia está bem, acho que estava gripada.
— Como ela foi trabalhar estando doente? A menininha estava com ela?
— Sim, e estava muito linda de roupa nova. — Charles ri ao se lembrar da bebê arrumada em seu carrinho novo.
— Onde está o marido que não vê isso?
— Eu acho que ela não tem marido. — Aaron estava vendo as fotos do evento no celular, e olha para Charles pelo retrovisor.
— Como assim? E o pai da criança? — Charles aproveita a oportunidade para contar a Aaron as condições que Marina vivia.
— Ela mora em um quarto praticamente vazio. A cama é de solteiro, por isso acredito que ela não tem marido. Vive em condições precárias, nem geladeira ela tem, apenas um fogão e um berço velho. As roupas, acredito que, ficam guardadas em caixas de papelão, pois era o que estava no quarto ao invés de guarda roupas.
Aaron não fala nada e depois de pensar por um pouco ele liga para o seu assistente.
— Quero que descubra tudo a respeito de Marina, a mulher da agência que limpa a minha casa. Quando eu digo tudo é tudo, preciso saber tudo sobre ela, passado e presente — Ele suspira — 'O futuro veremos depois' completa em pensamentos.
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Atualizado até capítulo 67
Comments
Rosenilce Silva Ferreira
não passei por isso mais conheço muitas Marina
2025-01-15
0
Pedrelina Brito
eu ainda acho q essa criança é filha do aaron
2025-01-01
0
Nayy
já tô apaixonada pela história.
2024-12-27
0