Quando Priscila percebeu que não estava em mais um pesadelo com o seu passado , veio a vergonha de ter deixado que alguém a visse tão vulnerável e esse alguém era justamente o seu patrão . Se ele a mandasse embora , não saberia o que fazer , seria o seu fim.
Assim que ele se afastou, levantou-se e saiu correndo para segurança do seu quarto, foi para o banheiro onde ficou embaixo da água morna tentando lavar o passado que ainda habitava nela.
Chorou por tudo o que sua vida havia se transformado,ficou sentada no chão de gelado do box,chorando e soluçando, abraçada aos próprios joelhos . Aos poucos foi se acalmando, retirou o lenço, deixando que os cabelos caíssem sobre os seus ombros . Tocou os cabelos sem vida por conta da falta de cuidados. Chorou mais ainda por se ver dessa forma deprimente.
Levantou-se, enquanto tomava uma decisão:"Se não fosse mandada embora, iria tentar voltar a viver". Não poderia viver o resto da sua vida escondida como se tivesse cometido um crime grave.Precisava ter vida! Retirou o seu uniforme molhado e lavou-se como se lavasse a própria alma.
Secou-se lentamente em frente ao espelho do quarto. Pela primeira vez em meses, teve coragem de olhar o seu reflexo. Tornara-se irreconhecível, algumas daquelas marcas na sua pele provavelmente ficaria para sempre, as queimaduras nos pulsos já eram quase invisíveis. A marca dos dentes de Nicolas ainda estavam no seu seio, provavelmente as suas nadeg@s deveriam ter a mesma marca.
Colocou uma camiseta que servia de pijama, tinha poucas opções para se vestir. Na fuga, pegou apenas o que julgou necessário entre as poucas coisas que Nicolas ainda não havia dado um fim.
Deitou-se em sua cama ainda com medo , mas disposta a tentar ao menos ser a sombra do que foi um dia.
Precisava ter um rumo , não poderia se esconder para sempre e o primeiro passo seria pegar o seu ordenado e comprar algo para si mesma , não tinha perfumes , cremes ou roupas íntimas , que se resumiam em cinco peças . Adormeceu com o firme pensamento de tornar-se alguém novamente , por ela mesma.
Ao acordar, um certo receio de ser demitida ainda estava com ela, mas procurou tirar esse pensamento da sua cabeça,afinal não havia feito nada de tão grave. Não estava lidando com Nicolas e nem tudo poderia resumir-se em maldade humana. Abriu a porta do seu quarto e lá estava os seus sapatos que ela via esquecido no andar superior." Será que foi ele quem trouxe?". Esse Pensamento deixou-a um pouco constrangida, mas logo tirou isso da cabeça, a casa era enorme, eles não se encontrariam com tanta frequência. Rute havia comentado que o patrão era um homem muito ocupado.
Guardou os sapatos e foi para a cozinha, de onde já vinha o cheiro delicioso de café , o que era um sinal de que a governanta já estava por ali. Tomou o seu café da manhã sozinha, visto que os outros funcionários chegavam apenas às 8 horas da manhã e Priscila procurava ter o mínimo de contato com os outros. Ainda tinha medo de que Nicolas a encontrasse, mesmo estando em outra cidade.
Ajudou Rute a pôr a mesa do café da manhã e voltou para a cozinha e lavou a louça enquanto não era o horário de subir e acordar as crianças, que deveriam ser acordadas às 9 horas da manhã, fariam as tarefas escolares e depois teriam um tempo para o lazer antes de ir para a escola.
Quando Priscila foi até o andar superior para acordar as crianças, teve um certo receio de encontrar o senhor Leonardo pelo caminho, mas não encontrou ninguém. Abriu a porta do quarto de Roberto e o menino estava ainda dormindo.
Puxou lentamente as cortinas para que a luz daquela manhã entrasse, foi até a cama e com as pontas dos dedos acariciou o rostinho do menino que abriu os olhos gradualmente, primeiro franziu a testa sem entender, depois deixou claro que estava já acordado:
— Bom dia Roberto! Dormiu bem? São nove horas da manhã e está no nosso horário. — falou Priscila calmamente para não assustar a criança.
— Bom dia! Mariana já acordou?
— Não. Vim primeiro acordar você que já sabe se cuidar, a menos que precise da minha ajuda com algo.
— Eu sou mais velho, eu consigo fazer tudo.
Priscila percebeu que o pequeno chamou para si a responsabilidade por sua irmã como se fosse um adulto teria que fazer algo por essa criança.
— Está bem vou acordar a sua irmã. Então nos encontre no quarto dela, assim voce pode mostrar-me o caminho, ainda não conheço tudo. — falando isso Priscila beijou a testa da criança e viu o brilho de contentamento no olhar do pequeno.
Priscila entrou no quarto de Mariana, que ainda dormia, então abriu lentamente as cortinas para que a luz não incomodasse a criança. Foi até a cama e acordou a pequena com beijinhos pelo rosto, e com voz suave chamou:
— Acorda princesinha das borboletas! Vamos acordar para mais um dia.
A menina abriu os olhinhos piscando e com um sorriso lindo e puro falou:
— Cê voltou!
— Onde mais eu poderia ir? Sabe que não existe outra princesa das borboletas nesse mundo eu preciso ficar perto dessa princesa.
— Eu sô princesa?
— Sim, a princesa mais linda do meu mundo encantado! — ela falou a sorrir, pegou a criança no colo e saiu a rodopiar com ela até o banheiro.
Escovou os dentes da menina com carinho, depois lavou o pequeno rosto e secou. Escovou os cabelos e os prendeu num rabinho de cavalo no alto da cabeça.
Ao voltar para o quarto, Priscila aproveitou já arrumou a cama da menina, seguiram após mãos dadas até o quarto de Roberto. Os três foram para sala de jantar, onde a mesa estava posta para as crianças. Cada uma das delas sentaram-se nos seus lugares. Priscila serviu cereais para Mariana, torrada e uvas. Roberto preferiu leite e torradas, comeu banana por insistência na babá.
Depois foram para a sala de estudos, onde rapidamente fizeram os seus deveres e ficaram livres. Roberto preferiu assistir desenhos, já Mariana quis ir para o jardim para brincar, o que para Priscila era uma boa opção, pois assim tomavam um pouco de sol. Pegaram uma bola e brincavam no gramado quando Roberto apareceu e juntou-se a brincadeira. Brincaram muito que bem viram o tempo passar, quando se cansaram, jogaram-se no chão rindo alegremente. Priscila admirou-se do belo sorriso do menino, ele era tão sério, mas estava descontraído como um menino de seis anos deveria ser.
💥💥💥
AMADINHAS...
POR FAVOR , CURTAM COM 👍 CADA CAPÍTULO. ESSE ROMANCE ESTÁ CONCORRENDO NUM EVENTO...
BJS DE Luz 💓💓
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Atualizado até capítulo 44
Comments
Pra Elaine Maria
estou lendo pela segunda vez é ótima o tema abordado.
2025-01-21
1
Tânia Principe Dos Santos
aos poucos as crianças vão se abrindo e Priscila vai retornando a luz
2025-02-15
0
Vera Lucia Ribeiro De Carvalho
issooooooo solta essa mulher forte que existe aí dentro
2025-02-16
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