Quando cheguei no orfanato foi um choque de realidade. Lembro-me que não me deixaram despedir-me de
minha mãe, eu tinha 9 anos e mesmo sem ter o carinho que toda a criança precisa, ela era a minha única família.
Estava na escola quando recebi notícias da morte dela por atropelamento, ela estava vagando embriagada pelas ruas , como sempre .
Autoridades vieram e levaram-me como se eu fosse uma criminosa, sem direito a nada, mandaram-me para um orfanato onde as aulas eram administradas ali. Eu não posso dizer ser ruim, mas as regras rígidas incomodavam e os castigos eram severos.
Como nem tudo é sofrimento nessa vida , existia a irmã Dulce que sempre tinha um afago para mim, uma palavra de carinho e as vezes, até algum doce escondido,era assim a minha infância e adolescência. Eu nunca fui adotada. Afinal quem iria querer uma filha que não fosse um bebê? Eu nunca tive esperanças de um dia ter um lar e o medo de completar 18 anos era grande, pois nessa idade éramos convidadas a sair.
No ano em que eu iria completar 18 anos, as freiras arrumaram-me um emprego numa loja de shopping. Irmã Dulce apresentou-me a três moças recém-saídas da instituição, elas dividiam o aluguel e estavam dispostas a aceitar-me para que a despesa diminuísse.
Ao completar 21 anos já é a gerente da loja, tinha um bom salário e vida estável. Nesse dia resolvi comemorar essa data importante para mim num barzinho com algumas amigas da loja, mesmo não bebendo nada de álcool, o suco e a música ao vivo era maravilhosa e quando começaram a tocar uma seleção de músicas românticas, um rapaz educado e bonito chamou-me para dançar, com o incentivo das amigas, eu fui e desse dia em diante,a minha vida mudou por completo. Comecei a namorar o Nicolas que era muito carinhoso e atencioso, um sonho para qualquer jovem, o meu primeiro namorado. Ele foi meu primeiro beijo, primeiro amasso, foi o primeiro homem na minha vida e mesmo a nossa primeira vez ter sido horrível, ele convenceu-me a morarmos juntos com apenas quatro meses de namoro, afinal eu não era mais virgem, quem iria querer-me?
Iríamos dividir as nossas vidas como num conto de fadas, afinal eu não tinha família e ele também não. Por um tempo, vivemos relativamente bem, mas quando eu falava que o sonho era ser mãe, ele desconversava. Com o passar do tempo, ele começou a chegar tarde em casa, já não era mais o companheiro tão carinhoso. Também percebi que ele andava bebendo diariamente, isso me incomodava, pois, traziam lembranças do meu passado com a minha mãe alcoólatra e isso me machucava. Certa noite, quando chegou tarde eu questionei-o, em resposta levei um soco no meu rosto e tive que carregar na maquiagem por 15 dias. No dia seguinte a agressão, ele levou café da manhã na cama junto com um pedido de desculpas e beijos apaixonados. Então eu perdoei-o, mas aí vieram os empurrões, os beliscões... Mas quando eu pensava em ir embora, ele podia perdão e os olhos dele enchiam-se de lágrimas. Falava em construirmos uma família linda, teríamos dois filhos e um cachorrinho.
Certa vez,resgatei um filhotezinho e levei para casa toda feliz, iria dizer-lhe que estávamos iniciando os nossos sonhos de ter uma família completa, pois, eu suspeitava estar grávida. Quando falei, eu não sofri uma punição, mas o pobre do filhotezinho teve a sua cabeça e esmagada com o impacto ao se chocar contra a parede.
Naquela noite ele usou-me com brutalidade, mesmo eu estando ainda em choque pela morte do cãozinho. Esperei que ele dormisse e fiz uma pequena cova no jardim, onde enterrei aquele pequenino. Chorei em silêncio com toda aquela brutalidade, mas como sempre, culpei a bebida e continuei.
Quando eu completei 22 anos, ele não me deixou sair com as minhas amigas da loja para comemorar ,dizia que: "mulher minha não fica andando por aí". Arrumei uma desculpa para as amigas para não ir. Naquela noite, cheguei em casa com um buquê de rosas e uma pizza para comermos juntos. Tomei um banho, me perfumei e esperei por ele até adormecer no sofá. Fui acordada com tapas na cabeça e ele fedia não só ao costumeiro álcool , mas também a perfume barato. Enfurecida reclamei dizendo que esperei para comemorar com ele o meu aniversário e que a pizza esfriou em cima da mesa. Ele surtou e gritou:
— Não arrumei mulher para comer pizza quero uma janta decente, agora!
Levei mais alguns algum chutes e socos enquanto estava no chão, depois ele me arrastou até o fogão para cozinhar. Fiz a comida , mas planejava meu futuro, seria meu último dia ali,no dia seguinte eu iria embora , não seria mais maltratada dessa forma.
Mas não, no dia seguinte ele viu-me pronta, com as malas feitas e aquele foi o meu fim. Tentei explicar, mas não adiantou. Ele espancou-me de cinto, pedi que parasse, disse que provavelmente estaria grávida levei socos na barriga e chutes violentos, desmaiei...
Quando eu abri lentamente os meus olhos, percebi que já estava escurecendo, tentei levantar e senti tinha uma corrente presa aos meus tornozelos e estava deitada em meio a uma poça de sangue, eu havia perdido o meu bebê! Chorei, tentei soltar-me e nada. Passaram-se três dias quando ele apareceu, arrastou-me até o banheiro, ligou o chuveiro e violentou-me ali mesmo. Sentia-me suja, nojenta e cada vez que ele invadia o meu corpo, eu vomitava.
Não fui mais ao trabalho e à minha esperança era que alguém viesse procurar-me. Mas ninguém sentiu a minha falta, a corrente do meu pé em um ano de uso, aumentou de tamanho para eu poder limpar a casa e cuidar dos afazeres domésticos.
As vezes durante a noite ele usava-me para não apanhar eu aceitava e fingia prazër, mas eu tinha nojo, nojo dele e de mim mesma. Não tinha mais o meu celular, televisão muito menos o rádio. Eu apenas continuava viva por saber que não devia tirar a minha própria vida. Nunca entendi como fui chegar a esse ponto, eu era um nada, um ser sem vida, sem perspetiva de melhorar.
Com o passar dos meses comecei a ter um fio de esperança. Quando ele estava embriagado, dormia como uma pedra e as vezes até se esquecia de colocar a corrente novamente nos meus pés após me usar. Eu já estava juntando algumas moedas há algum tempo que eu encontrava sempre nos seus bolsos ou caídas pela casa.
Escondi num local seguro os meus documentos e a pequena economia, esperando por uma oportunidade. Tentava não falar, não questionar e apenas obedecer, os meus dias se resumiam em esperar...
💥💥💥
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BJS DE Luz 💓💓
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Atualizado até capítulo 44
Comments
Dinanci Macorin Ferreira
Autora que tema maravilhoso, ela conseguirá, fugir e reconstruir sua vida?
Estou muito ansiosa, mais, mais mais mais por favor querida.
2025-01-23
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Sonia Bezerra
Mulher qnd ele dormisse bêbado,vc metia a panela de pressão na cabeça dele e gritava por socorro.mavho safado idiota.
2025-04-02
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Luisa Nascimento
Nossa mais que fdp, vagabundo, imundo, cafajeste, escroto, devia ter saído e deixado uma comida batizada para ele. esse infeliz das costas ocas!😠😠😠😠
2024-12-15
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