Capítulo 6
Vai Nascer
Meredith
Enquanto lá fora a tempestade se intensifica, aqui dentro minhas dores pioram muito, por instinto tiro a calça que estou usando, coloco um vestido e fico sem calcinha, não tem como esperar ela vai nascer aqui apenas nós duas.
Enquanto posso andar, ando pela casa coloco bolsa de água quente nas costas o que não deu muito certo, já que eu não conseguia ficar parada.
Em um momento depois de uma contração muito forte eu sinto como se tivesse sido alargada e também sinto queimar a minha vagïna. Me lembro em meio a tudo que estou vivendo um medo terrível, ainda assim me lembro de um documentário que assisti onde soube que as índias tem os seus filhos de cócoras ''agachadas'', procuro um canto da minha casa pego toalhas limpas e me agacho, descubro que nessa posição as dores diminuem, e com três contrações fortes Alicia nasce, eu a seguro com minhas duas mãos, com uma toalha limpo o rostinho dela e ela chora e isso me deixa mais tranquila.
Eu não me reconheço não chorei mais, depois que o trabalho de parto começou efetivamente.
Espero o cordão umbilical parar de pulsar o corto e amarro uma linha várias vezes para ficar bem firme. A neném não para de chorar e claro eu a coloco para mamar, nesse momento a placenta sai é tão grande que acho que saiu inteira.
Meu coração parece que vai sair pela boca, acho que se não fosse assim Alicia não iria mamar em mim e eu não teria nenhum tempo com ela.
Me acalmo e percebo que ainda estou no canto da sala de cócoras Alicia dormiu, mas está bem respirando certinho e quentinha. Eu tomo um banho, guardo a placenta em uma sacola plástica, a médica precisa ver para saber se saiu tudo. Esquento uma água e limpo a Alicia com pano úmido, no meu país não se dá banho em recém-nascidos antes dos sete dias.
Ela é linda branquinha tem a mesma marca de nascença que eu tenho no braço, só que em mim é no braço direito e nela é no braço esquerdo. E ela tem uma marca na barriguinha também, só é mais escura que a do braço. Ela é tão cabeluda loirinha como eu, ela já abriu os olhos, mas não consigo definir a cor parecem mais claros que os meus.
-- Eu preciso te guardar na minha mente filha, para nunca esquecer nenhum detalhe seu.
Meu celular descarregou por completo eu não vou conseguir fotografar a bebê.
Faz três horas que Alicia nasceu, e eu não tenho fralda. A enrolei em uma toalha e deixei ela no meu peito assim ela não chora. Sinceramente fico preocupada pelo fato que depois ela vai querer o peito e não vai ter. Mas agora não posso negar o alimento para minha filha.
Não me canso de olhar para ela estou apaixonada, a cheiro o tempo todo beijo os seus pezinhos, sua boca é tão perfeita bem desenhadinha e carnuda, eu estou preparada para morrer de saudades.
Quase oito horas após o parto a luz voltou e a Mia chegou e veio me ver, e ela me encontrou parida com a neném nos braços, eu nem tinha percebido, mas estou sangrando além do normal.
-- Você está tão pálida, está sangrando demais. Vou chamar socorro. Cadê seu celular?
Mia pergunta após ligar para o 911.
-- Está sem carga.
-- Eu vou carregar pra você. E arrumar umas coisas para você levar para o hospital.
-- Obrigada Mia.
-- Até o celular do mascarado está sem carga?
-- Está.
-- Lá fora está um caos caíram muitas árvores. Eles vão demorar um pouco para chegar. A neném é linda.
-- Avisa ele que ela nasceu.
Falo para Mia, quase não conseguindo mais ficar acordada.
-- Dorme você ainda não dormiu?
Faço que não com a cabeça.
-- Pode dormir eu cuido de vocês.
Me agarro a minha menina e acordo quando os paramédicos chegam, eles me levam na maca com a bebê em cima do meu peito. Assim seguimos para o hospital.
Eu falo para a minha bebê, pois sei que quando nos separarem eles não vão me devolvê-la.
-- A mamãe vai te amar para sempre. Você é muito amada.
Nesse momento uma enfermeira pegou a bebê do meu colo, outros enfermeiros cuidaram de mim. Como imaginei que seria não trouxeram mais a neném para eu ver ou amamentar, melhor assim para que prolongar o sofrimento.
Já no quarto ouço o meu celular, que a Mia deu uma carga rápida, apitar chegou mensagem, olho e é mensagem do banco caiu o restante do dinheiro na minha conta. Nesse momento eu soube ele já tem conhecimento que a bebê nasceu e está com ela.
*****
Dias depois
Fiquei internada três dias, por ter perdido muito sangue e não ter tido um atendimento adequado na hora.
A impressão que tenho é que saí do hospital mais pálida do que entrei, emagreci muito e estou muito triste. Em meu país não é crime ser barriga de aluguel, então ali no hospital todos sabiam do meu caso e tive um atendimento adequado em relação a isso.
Uma psicóloga veio até mim. Depois veio um psiquiatra que queria me medicar, disse que a minha tristeza poderia virar depressão. Contei a eles os meus motivos. Não aceitei medicamento. Eu vou sair dessa vou me recuperar, um dia sei que a vida vai me colocar frente a frente com a minha filha.
O carro de aplicativo me deixa no portão do prédio, o porteiro vem me receber com cara de piedade coitado, com certeza imaginou que a bebê faleceu e eu não vou explicar nada.
Nos próximos dias não vou para faculdade a médica me deu 30 dias de atestado, mas não vou ficar tudo isso em casa assim que melhorar volto, eu amo o curso que faço e daqui dois meses tem processe seletivo para estágio remunerado nas escolas da minha cidade e quero fazer e passar.
Nos dias que se seguem comprei mais um apartamento no prédio agora tenho três, comprei um carro novo nada muito caro, mas vai me ajudar.
Já voltei para faculdade e os conhecidos me procuram para dizer que sentem muito pelo ocorrido comigo. Eu sei poderia dizer que eu era apenas barriga de aluguel, mas realmente me sinto uma mãe que perdeu o seu bebê.
*****
Nota da autora
Obrigada minhas melhores por embarcarem nessa comigo. Vocês arrasam. Prometo voltar com os outros livros amanhã. Mas não poderia deixar de postar hoje e deixar a Meredith com dores de parto né. Beijos
Sheyla Bito
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Atualizado até capítulo 102
Comments
Carleuza Almeida
🥺🥺🥺🥺 que triste 😢
2025-02-01
2
Maya
A filha tirou-lhe o cabaço
2024-11-07
1
Jucelia Oliveira
cade as fotos autora por favorzinho
2024-10-08
0