— Casar? Como assim? Não! Eu não posso me casar com o Liam, mãe. — Elora disse nervosa. Não conseguia em ter um diálogo com Liam, quem dirá casar com ele. Isso não fazia sentido.
— Isso é realmente necessário? — Liam perguntou para Anna.
— Sabe o que não era necessário, querido e amado afilhado. Vocês dois fazerem sexo, nem muito menos dona Elora engravidar. Isso sim, é totalmente desnecessário. Vocês estão a escola. Não concorda comigo? Ou depois do que fez, acha que vai deixar ela sozinha para cuidar da criança? Sua mãe não vai permitir orfanato. Sobra casar ou aborto. Que vocês decidam. — Anna disse seria para Liam.
— Quem te viu, quem te ver, dona Anna. Vamos respirar um pouco? Ouvir o que eles tem para falar? — Aurora tentou acalmar.
— Fala isso, mas seu marido estava correndo atrás do seu filho com uma vassoura. — Anna disse debochada.
— Em minha defesa, minha esposa que correu antes. Eu apenas estava tomando seu lugar. — Jean disse olhando para o teto.
— O que você está pensando, Jean? — Guilherme olhou para o amigo de longa data.
— Que não sei o que é correto. De um lado, vamos unir duas pessoas de forma forçada para conviverem juntos quando claramente não estão preparados e nem tem um bom relacionamento. Do outro, haverá uma criança que vai precisar de apoio e não é justo apenas um deles tomar responsabilidade por isso. Então, se quer saber o que eu acho? Eu não sei. De verdade. — Jean respondeu sem nem olhar para o amigo.
— E vocês duas? — Guilherme perguntou para Anna e Aurora. Que se olharam por algum tempo e depois sorriram.
— Eles vão casar! — disseram as duas na mesma hora.
— Vocês duas enlouqueceram? Vão decidir dessa forma? — Jean perguntou olhando para esposa.
— Eles não são mais crianças. Sabia muito bem o que estavam fazendo. E acho que nenhum dos dois deve arcar com as consequências sozinhos. Não é justo com a criança ou com eles. — Aurora respondeu para o marido.
— Não pode ser. Minha vida acabou. — Elora gritou e saiu correndo para o lado de fora.
— Eu vou falar com ela. — Anna disse indo em direção da porta, mas Aurora segurou ela
— Posso ir no seu lugar? Eu mais ou menos entendo o que ela está passando. Você sabe muito bem o que quero dizer. Deixa que falo com ela. Enquanto isso, você poderia ver o que Liam acha de tudo isso? — Aurora propôs a amiga.
— Bom, vai ser bom aterrorizar meu futuro genro. — Anna concordou com um sorriso maléfico.
— Pega leve com ele, senhora. — Aurora disse. Liam sempre foi um bom garoto, daqueles que nunca ao menos chegou atrasado na escola ou fez birra.
Aurora segue para o lado de fora procurando por Elora, encontra ela sentada na beira da piscina balançando as pernas dentro da água e soluçando de tanto chorar.
— Podemos conversar? — Aurora perguntou sentando ao lado de Elora
— Eu não quero me casar. Não quero ficar grávida. Eu gosto da minha vida como era. Não quero isso. Por favor, tia Aurora. — Elora clamou com os olhos abarrotados de lágrimas.
— Posso te contar uma história? — Aurora pediu, Elora balançou com a cabeça. — Havia uma orfã, que acabava sendo expulso do orfanato de forma equivocada, por erro dos outros. Ela saiu de lá com uma bolsa com poucas roupas e muitos sonhos que até aquele momento, era impossíveis. Ele sonhava com uma linda casa, a faculdade, fazer especialização fora, conhecer várias pessoas e o mundo. Mas ela sabia que seus sonhos estavam longe. Precisava se manter e sobreviver a vida. Algum tempo depois, ainda sem nada ter alcançado seus sonhos, se descobriu grávida, isso deixou ela no chão. Não sabia o que fazer ou ao menos pensar. — Aurora contou sentindo um nó na garganta.
— O que ela fez? — Elora perguntou
— Agarrou aquilo que sua vida lhe trazia, com ajuda de duas amigas, ela abraçou aquela mudança. E aquilo realmente mudou ela. Seus caminhos, como pessoa e percebeu que nem sempre os sonhos são melhores que a realidade. Não vou mentir, ela teve grandes batalhas, mas teve grandes aliados. O que quero dizer com tudo isso, às vezes o que pensamos que é ruim para nós, pode se tornar a melhor coisa que aconteceu em nossas vidas. Somos pequenos demais. Não vemos o futuro. Então, querida Elora, se agarre a cada oportunidade da vida, o importante não é o acontecimento, mas como você reage a ele. Pode se tornar seu maior acerto ou pior. Para descobrir, você precisa sair da sua zona de conforto com frequência. Assim um novo mundo vai se abrir ao redor. — Aurora disse para a menina, que olhava para ela um pouco chocada.
— Mesmo se o acontecimento for bem maior que eu? Mais do que consigo pensar? Mesmo assim acha isso? — Elora questionou.
— Sim, ainda continuo acreditando fielmente, a vida é 10% o que acontece e 90% como você reage as situações. — Aurora afirmou
— E se eu não for capaz de nada disso? Casamento, gravidez. E se eu não souber reagir. Se eu colocar os pés pelas mãos? Eu não sou madura suficiente para isso. Eu nunca cuidei de uma criança. Nem gosto de criancas. — Elora falou pensativa.
— Assim como aquela orfã, você tem não apenas aqueles seres maravilhosos que ajudaram a vida dela, mas tem muito mais que isso ao seu lado. E você tem o Liam. Eu sei que parece errado agora, mas quando você tiver o bebê, vai compreender o motivo pelo qual é importante essa união. Vocês dois ficaram bem. Não vamos deixar os dois sozinhos nessas nova caminhada. Sua família estará ao seu lado e se cair, vamos todos está para estender a mão. — Aurora não queria que Elora tivesse medo, em um passado distante, foi tão assustador quando foi agora, sem o apoio que teve, as mudanças da sua vida teriam destruído com ela. Abraçou Elora naquele momento como se tivesse abraçando a sua "Eu" do passado, que precisou de muitos abraços e apoio para sobreviver.
— Obrigada, tia Aurora. Eu... acho que ... vou tentar com o Liam, mas posso pedir uma condição apenas? — Elora pediu a Aurora, sabia que com sua mãe seria complicado, ela costuma ter reações um pouco explosivas e imediatista.
— Qual seria? — Aurora perguntou receosa com o que a menina pediria.
— Na escola, posso esconder o casamento e a gravidez? O ano está acabando, as aulas também vão terminar. Próximo ano penso o que vou fazer — Elora não estava pronta para admitir aos mundo uma gravidez e nem que agora era casada.
— Tudo bem. Vou conversar com seus pais e Liam sobre isso. Não devem ser contra. Talvez Anna surte um pouco. — Aurora sabia muito bem o que a garota temia, além disso, ela precisará de um tempo para digerir toda sua nova situação.
Ambas estavam aliviadas com a conversa, decidiram entrar. Assim que entraram na casa de surpreenderam com a cena. Liam estava ajoelhado no meio da sala e Anna estava em pé na frente dele. Jean estava desesperado tentando conversar com Anna para impedir ela e Guilherme a segurava. Aurora se aproximou dando uma tapa de leve na cabeça da amiga.
— Fica quieta e senta. — Aurora sabia que a amiga não machucaria Liam, mas amava um show e desesperar as pessoas. Guilherme sofreu um bocado na mão de Anna.
— Espero que seja bom ou acabo com o seu pirralho mimado. — Anna disse rindo, relaxada depois do desespero que provocou no Liam.
— Bom, conversei com Elora que concordou com o casamento. — Aurora informou a todos.
— Quê? Como assim? — Liam perguntou chocado.
— Calado, pirralho ou você vai conhecer a vassoura de perto. — Anna o ameaçou.
— Sim, ela concordou com uma condição, os colegas da escola não precisavam saber da situação deles dois. Nem do casamento ou da gravidez. Achei justo com eles. Desde que respeitem um ao outro. — Aurora frisou a última parte apontando para os dois. Os outros não saberem não mudava o fato de estarem casados ou Elora grávida.
— Ela faz as merdas e não quer que os outros saibam. Não menos. Amanhã vou na escola com um carro de som contar a todos. — Anna gritou, mas Guilherme puxou ela, fazendo ela sentar no seu colo.
— Me parece uma condição justa. Concordamos, mas assim como Aurora deixou claro, mesmo que ninguém saiba que vocês estarão casados, vão estar. Então, respeitem e zelem um pelo outro. — Guilherme deixou claro.
— Quando querem fazer isso? — Jean estava ainda receoso sobre deixar dois adolescentes se casarem e nem ao menos se amavam.
— Amanhã mesmo vamos ao cartório. — Anna decretou. Não queria dar tempo de Elora ou Liam mudarem de ideia.
— Onde eles vão morar? — Jean perguntou.
— Eu serei expulsa de casa? — Elora perguntou em choque.
— Merecia, mas não. Será sempre bem vinda em casa. Contudo estará casada e parece mais saudável que vivam sozinhos. Sem a interferência diária de seus sogros. Vocês vai entender no futuro o motivo de ser melhor assim. — Guilherme respondeu tampando a boca de Anna que era certo que sairia outro desaforo.
— Tem uma casa aqui no condomínio mesmo vendendo, fica um pouco distante daqui, em outra rua, mas vão está perto caso precisem de algo — Aurora respondeu. Tinha certeza que era apenas o começo do caos ali.
— Com a condição da senhora Elora, acho justo ter uma condição nossa. Os dois devem trabalhar pro meio expediente três vezes por semana. Pode ser na cafeteria — Anna disse rindo. Eles precisavam lutar por eles mesmo. Como a cafeteria era dela, de Helena e Aurora, podiam organizar para ser meio período e em dias alternados, até porque eles ainda estavam na escola e precisavam estudar.
— E quando eu entrar na faculdade? Tenho que desistir dela? — Liam perguntou triste. Havia estudado o ano inteiro para o vestibular.
— Não precisa. Quando você entrar em medicina você vira o meu estagiário. — Anna sempre pensou em ter Liam como seu estagiário.
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Atualizado até capítulo 76
Comments
Luciana 🥰
esse casamento vai ser hilário kkkkkk
2024-09-25
0
Rafa Queiroga
Só não entendi pq jogam a culpa toda em Liam, é certo que eles erraram, mas a Elora tá caladinha e foi ela que não sossegou até ele ceder e eles transarem
2024-07-22
0
Nil
Isso aí pais está certo em dar responsabilidades a eles, agiram sem pensar, agora assumi os atos, pois toda escolha tem sua consequência.
2024-05-22
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