Ligo para minhas irmãs angustiado, tentando demonstrar firmeza na voz, depois de meu pai é em mim que elas se apoiam, não posso fraquejar..., já estava abalado com a conversa difícil que estava tentando ter com Alice, não sei se ela entendeu a última coisa que lhe disse, espero que não esteja me odiando..., e agora essa tragédia com meu pai, nem sei de onde tô tirando forças para me manter em pé e ter o mínimo de autocontrole.
Explico a cada uma delas que algo aconteceu com o nosso pai e indico o endereço do hospital para nos encontrarmos lá..., só espero que elas estejam mais perto do que eu, nossa mãe estava muito abalada e sozinha..., pego um táxi e peço ao motorista que vá o mais rápido que puder..., quase meia hora depois consigo chegar ao hospital, peço informações na recepção e sigo direto para a sala de espera em que minha família está...
Minhas irmãs já estão aqui e meu cunhado também..., Keila ta abraçada a nossa mãe e Sandra ao marido, quando elas me vêem, as três caminham em minha direção, praticamente se jogam em meus braços..., elas dão espaço para nossa mãe me abraçar chorando, tentando contar os detalhes do que aconteceu, mas fala coisas confusas..., a faço sentar apoiando a cabeça em meu ombro, Keila senta ao nosso lado e Sandra lhe traz um pouco de água.
Só depois de alguns minutos, nossa mãe consegue se acalmar um pouco e explica mais claramente..., meu pai teve um AVC e está na sala de cirurgia, ainda não tem notícias, mas segundo minha mãe ele não reagia aos primeiros socorros...
Infelizmente só nos resta orar e esperar..., tento acalma-las, tenho esperanças de que ele irá se recuperar..., as últimas horas não estão sendo fáceis, minha cabeça ta uma grande confusão e preciso ser forte para apoiar minhas três mulheres..., agora entendo a gravidade da situação, ainda assim não demonstro o pavor..., cada vez que minha mãe se desespera, busco palavras de consolo e de esperanças para todos nós, agradeço a Sandra que também tenta ser forte...
Késsid:_ Ele vai ficar bem..., ele é o cara mais durão que conheço..., mãe, não pense o pior...
Dona Lena:_ Ele tá muito mal, Kessi..., estou com medo filho..., dessa vez...
Késsid:_ Não fala isso, vamos esperar..., papai está vivo, logo receberemos boas notícias..., precisamos ter fé e manter as esperanças..., vou buscar os melhores médicos, tratamentos..., prometo que farei o impossível para ele sair dessa.
Keila:_ Mas e se ele?...
Sandra:_ Keila, não pensa assim..., Kessid tem razão, não podemos nos desesperar..., papai está vivo...
Muitas horas depois, já estamos exaustos de esperar, essas cirurgias tendem a demorar em média umas 5 horas... Um médico enfim aparece para nos dar um parecer, segundo ele, nosso pai teve uma grave lesão em virtude de um rompimento de um vaso cerebral, foi preciso fazer a retirada do sangue, controlar a hemorragia e colocar um cateter para aliviar a pressão dentro do crânio.
No momento ele está na UTI, em coma induzido e provavelmente não acordará tão cedo..., o pior é que o médico não nos deu se quer uma palavra de esperança, apenas disse que fizeram tudo o que pôde para mantê-lo vivo.
Agora sim, nosso mundo parece estar desmoronando, e sou eu quem tem que segurar toda a estrutura, ou vamos afundar todos juntos, a situação é muito pior do que pensei..., até Sandra que parecia mais forte, desaba num choro compulsivo, minha mãe está sem chão e Keila se agarra em mim como se eu pudesse fazer algo..., apenas tento consola-las, me convenço de que ele ainda está vivo, então existe uma chance..., mas a verdade é que não sei o que fazer, tô tão desesperado quanto elas, só não posso demonstrar, não posso fraquejar.
Agradeço ao meu cunhado por estar aqui me ajudando, as faço sentar, não tem muito o que fazer..., procuro novamente o médico e ele repete tudo da mesma forma, me aconselha a ir para casa e voltar só amanhã..., volto para junto da minha família, controlando o desespero, o medo, a dor..., explico de um jeito menos doloroso, convenço Sandra e Keila em levarem nossa mãe para casa, com a promessa de que ficarei no hospital aguardando novas notícias, passarei a noite se for preciso..., na verdade, eu sei que não adianta ficar aqui, ele não vai acordar, só quero tira-las desse hospital, elas precisam dormir e ficar bem, reunir forças porque vamos precisar..., também quero ficar sozinho, não tô mais aguentando fingir ser forte, me sinto acabado...
Consigo convencê-las, meu cunhado leva as três para casa..., assim que elas saem, sento destruído, me permitindo chorar e pôr pra fora ao menos um pouco dessa carga de sentimentos ruins que acumulei desde quando tentei falar a Alice quem sou..., já é mais de meia noite, estou praticamente jogado em uma poltrona da sala de espera, liguei para minhas irmãs as tranquilizando, disse que ele estava na mesma, mas ao menos não piorou.
Levanto lentamente para ir até a cantina em busca de um café, me sentindo destruído, quase sem forças..., olho para a roupa que estou vestindo, é o maldito uniforme do Gabriel, nem minhas irmãs e nem minha mãe notaram ou não se importaram..., lembro imediatamente de Alice, seguro as lágrimas que se fazem em meus olhos..., desisto da cantina e vou ao banheiro lavar o rosto, preciso me acalmar ou vou enlouquecer.
Passo horas no hospital e nada..., já passa das duas da manhã, preciso ir em casa trocar de roupa e voltar para o hospital antes de amanhecer, estou exausto.
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Entro em casa me sentindo destruído..., é como se tivesse perdendo dois amores ao mesmo tempo, só que cada um, dói de uma forma diferente, meu pai é minha maior preocupação, mas também não quero perder Alice..., só agora posso pôr para fora toda a tristeza, o medo, o sentimento de incapacidade, o desespero..., me livro do maldito uniforme o jogando longe, entro embaixo do chuveiro e choro, pensando em tantas coisas ao mesmo tempo, me sinto confuso, perdido, incapaz..., não posso ser fraco na frente das minhas irmãs , da minha mãe..., tudo ia se resolver com Alice, estava disposto a contar a verdade..., e agora isso, não posso perder meu pai..., quero Alice aqui comigo e não posso te-la..., sinto que estou enlouquecendo...
Reúno o pouco de forças que ainda tenho..., termino meu banho, me visto, pego meu carro e volto para o hospital..., é a única coisa que posso fazer nesse momento...
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Atualizado até capítulo 46
Comments
Virginia Rolin
estou amando essa história, linda ❤️
2024-12-24
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Sineia Soares
Ainda bem que ele deve consciência e não foi até o fim
2025-01-03
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Cirene Bandeira
parabéns autora que história linda eu estou amando 👏 👏 👏 👏 👏 👏 👏 👏 👏 💘💘💘💘💘💘💘💘💘💘💘💘💘💘💘💘💘💘💘💘💘💘💘💘💘💘💘💘💘
2024-10-23
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