Capítulo 4

Depois do ocorrido, eu saio da empresa e pego um táxi, até o  centro de Leblon.

Paro na Avenida Delfim Moreira, a procura de uma pensão mais barata.

Depois de tanto andar, cansada e com fome, acho a pensão da dona Rosário, que me ganhou só pelo cheiro da comida.

E diferente de tantas outras pessoas, fui recebida e tratada super bem por ela.

--- Seja muito bem-vinda minha mexicana linda, fica a vontade.

--- Linda, tanto tempo que não ouço essa palavra dirigida a minha pessoa, tanto tempo não, isso nunca acontece.

Hihihihi.

Ela acaba se assustando um pouco com o meu modo de sorrir, mais disfarça.

--- Oh minha querida, te conheci agora, mais tenho uma intuição muito forte da beleza que você carrega aí dentro, o seu brilho no olhar não nega.

...

Dona Glória me amostrou toda a pensão, e depois me ofereceu um prato de comida típica do carioques, e ainda por conta da casa.  Agradeço a minha barriga por ter roncando enquanto ela me amostrava a pensão, embora a vergonha era algo perceptível.

Já no meu quarto da pensão, que é bem pequenininho, mais esse era o último quartinho disponível, já que todos estão lotados, guardo as minhas coisas que não é muito, ja que só tenho praticamente vestidos longos e saias, e meus casacos, ah, e não poderia faltar, meus bichinhos de pelúcia, sim! Só consigo dormir com eles.

Minha sexta passa voando. Cansada, acabo apagando e só Acordo no outro dia.

Decido tomar um banho rápido, e coloco o meu vestido de gola preto com bolinhas, e um colete vermelho por cima, ah, não podia faltar as minhas meias longas com pontinhos também e minhas botas de coro.

Coloco o meu arco de laçinho e pego minha bolsinha pequena de crochê em forma de flor.

Abro a janela e vejo o sol no fervo já, e não são nem 10h da manhã ainda.

Desço no primeiro andar da pensão, e mais uma vez a minha perna reclama de cansaço, além do meu quarto ser o último dos 50 quartos que tem por aqui, a escada é longa, e como minhas perninhas é muito curtas, acaba se cansando rápido.

Vejo a dona Rosário, preparar o café da manhã e decido ajuda-la,

depois de insistir muito.

--- Minha flor, ainda muita coisa para você fazer, já tá de bom tamanho essa ajuda.

--- Ah, não se preocupa dona Rosário, eu já estou acostumada. Fazia muitos docinhos em grandes quantidades com minha mamá para vender na escola, nas ruas e nas feiras.

--- Mais aqui você é uma hóspede minha querida.

--- Se esse é o problema, então em troca da minha ajuda com a comida, eu fico só com a despesa do aluguel do meu quarto, e a comida a sr me da de graça.

--- Você é comilona demais Florzinha, nem pensar... vai assaltar minha geladeira todinha.

Dona Rosário fala sério demais.

Vixii, mais que idiota de tratado foi esse que fiz?

Mais para a minha surpresa ela solta uma gargalhada.

--- Duas comilonas em um mesmo ambiente não vai dar certo juntas, mais eu gostei da ideia. E me conta, filhinha... vai da conta fazer isso e trabalhar ao mesmo tempo?

--- Eu amo cozinhar nas horas vagas, e tenho uma ideia para a sr, já pensou em amh fazer comidas típicas mexicanas? E doces também?

--- Como assim minha filha?

--- Eu poderia fazer comidas e doces típicos do México, tenho certeza que atraria não só os clientes que estão aqui hospedados, como os de fora também, a sr poderia colocar um cartaz avisando e com um preço justo. E quem optar por querer comer a comida tradicional daqui, a senhora não sairia perdendo, pois é só colocar no cartaz ali, que na compra de um almoço e sobremesa, leva um doce mexicano de graça. Assim ninguém sai perdendo, e sim satisfeitos.

---- Minha filha, de onde você caiu? Que ideia maravilhosa.

Dona Rosário me beija na bochecha e me abraça.

--- Ah, não precisa me agradecer, quer saber, precisa sim! Me dá um cafézinho com leite e com esse bolo que está me dando água na boca só de olhar já.

--- É todo seu minha linda.

Depois de tomar o café com a dona Rosário, ajudo ela com outros afazeres, e já posso ver alguns clientes sentando na mesa, mais ela tem empregados para servir, entao não fica tão pesado para ela.

--- Dona Rosário, essa avenida é muito grande? Tô querendo da uma volta para conhecer o bairro.

--- É sim minha filha, mais não precisa se preocupar em se perder não. Aqui tem vários caminhos, e é cercado por centros turísticos, você vai amar! E aproveita que o dia tá lindo. A praia não fica tão longe daqui... mais você é nova, pode ser que se sente insegura, mais sempre tem os turistas lá no centro. Gostaria muito de apresentar esse bairro com você, mais estou cheia de afazeres, principalmente com essa ideia incrível que você me deu.

--- Não se preocupe dona Rosário, eu sei me virar, e além do mais não tenho dinheiro para pagar um turístico, prefiro ir sozinha mesmo hihihi.

--- Tabom minha filha, só toma cuidado para não voltar depois do por do sol, para o caso de você não se perder.

--- Eu vou chegar muito mais cedo que isso, dona Rosário hihi.

--- Você vai assim?

Ela me olha de cima abaixo.

--- Sim dona.

--- Não está sentido calor minha filha? O sol está quente.

--- Ah não, já estou acostumada hihihi.

--- Então ok minha flor, bom passeio.

Saio da pensão, e pego um táxi até o centro, chegando lá, fico radiante com a beleza dessa lugar, ah, Rio! Como você é lindo, que ciudad hermosa.

Visito os museus que estão abertos e em exposições, só não entendo do porque de eu estar recebendo muitos olhares, será que gostaram do meu look, sorrio de volta, sendo simpática, mais a maioria se assusta, até um bebêzinho que ao me olhar, começou a chorar sem parar.

A mãe então, fez uma cara feia para mim, me culpando pelo seu filho ter chorado, o que chegou a me dá calafrios. Não demorei muito tempo, e me retirei dali.

Parei em uma barraquinha de sorvete na praça principal, e pedi uma casquinha

E fui caminhando, entrei em uma galeria de artes moderna. Distraída, acabo esbarrando com alguém, e pior do que isso, caio no chão passando o maior mico.

--- Olha só o que você fez em mim, garota! Por acaso é cega? Não olha para onde anda não?

Olho para uma mulher alta morena e esbelta, mais já dá para ver o quão esnobe é.

--- Perdão senhora, eu realmente não vi.

--- Senhora? Ainda por cima tá me chamando de velha. Você sabe o quanto me custou esse vestido para você estragar com esse sorvete? Suaaaaa... argh.

Ela diz aos berros, fazendo todo mundo olhar para essa cena.

Ela acabou se ofendendo por eu ter chamado ela de senhora, ela queria que eu chamasse ela de que? Não que ela seja velha, mais é por respeito. No meu país, se eu trato alguém quem eu nunca vi de uma forma informal, sou xingada e tudo.. é uma forma até de desrespeito!

Agora se ela acha, que vou ficar quieta, enquanto ela berra assim comigo por algo fútil, está muito enganada. Fala sério, foi só um acidente, não fiz de propósito! Cadê o nível de empatia dessa modernidade de hoje? Qualquer situação é motivo de lançar pedras e disseminar palavras de ódios.

--- Agora quem está agindo como uma sem classe e sem educação, é a senhora! E não grita comigo, porque eu não sou nada sua. E não foi minha intenção sujar o seu vestido de gala com um sorvete de 1,50.

Falo irônica, e sinto seus olhos se encher de raiva.

---- Hã, ainda tem a audácia de me responder. Olha para você, uma verdadeira pirralha e palhaça com esse vestido horroso. Devia ser crime a moda vê você saindo assim

Já pronto para colocar essa Alice 2 em seu devido lugar, uma voz grossa ecoa até nós.

--- Que gritaria é essa aqui Alana?

Olho para o homem que até então está de costa para mim.

--- Ah, foi essa mal educada aqui que esbarrou o sorvete no meu vestido, olha só amor.

--- Acidentes acontecem Alana, não acredito que você armou esse show todo, por um vestido, sendo que você tem vários deles? Desnecessário essa sua atitude.

E quando ele vira o rosto, meu coração acelera.

Meu Deus, isso não pode ser um homem, e sim um Deus grego. Nunca vi tamanha beleza assim..

Sinto ele andando até a mim, e sinto um frio na barriga, como nunca senti antes.

Em um gesto inesperado, ele pega a minha mão, e me levanta. Não só os meus pelos, como todo o meu corpo se arrepia.

Olho para ele, sem reação, só admirando a sua beleza.

--- Senhorita.. Senhorita...

Pisco os meus olhos sem parar , até me dá conta que estou igual um robô.

--- Euuu...

Guagejo

--- Você está bem? Se machucou?

--- Não, quer dizer sim, estou bem senhor

--- Tem certeza? você levou um tombo feio.

--- Paulo, pelo amor de Deus, quem é que está precisando de ajuda aqui sou eu, não essa daí.

Sua namorada, ou mulher, sei lá que espécie essa mulher pode ser dele, o que só lamento por ele. Um homem tão cavaleiro com essa esnobe.

--- Allana, não sei o porque desse seu comportamento agressivo por causa de um vestido.

--- Bom de qualquer maneira, me desculpa por ela senhorita, tenha uma boa tarde.

Ele sai andando me deixando sem o que falar, pega a mão da sua namorada nojenta, que ainda continua me olhando com raiva ainda, e eles vão embora.

Depois do ocorrido, volto o caminho todo até a pensão, pensando nesse homem gentil e irrestivelmente lindo, será que um dia vou ter a dádiva de reencontrá-lo?

---Paulo.

falo saboreando o seu nome, sorrindo e em voz alta, sem me dá conta que já havia chegado na pensão.

--- Minha filha, o que aconteceu com a sua roupa?

Dona Rosário me para, e conto do ocorrido para ela.

--- Ah, mais que vaca! Desculpa a expressão minha filha.

--- Vaca, hihihihi! Gostei.

--- Ah Lety, esqueci de te dizer, embora essa cidade seja maravilhosa, tem muitas pessoas soberbas que gostam de insultar e humilhar os outros, só pelo fato de ser superiora.

--- Ah, mais isso tem em qualquer lugar Mimi! E muitos até acabam vendo isso como uma qualidade, e esquecendo da principal virtude, a humildade! Que é base sólida para qualquer coisa. E infelizmente está cada vez mais em escasso na sociedade em que vivemos.

--- Ah, minha flor, isso é a mais pura verdade..

E o final de semana passou correndo, acordo, sem ter dormindo quase nada. A ansiedade me consumiu a noite inteira. Hoje é o meu primeiro dia de trabalho na Interprise, não sei se isso é um sonho e que estou delirando, e daqui a pouco serei acordada com um balde de água fria pela Bruxa da minha tia, me obrigando a limpar aquela masmorra que ela chama de casa.

Pego a minha roupa que deixei toda passadinha no meu cabide. Um vestido longo que cobre todas as minhas coxas. Elas são muito grossas e grandes, ainda levo trauma do ensino médio...

"Betty, perna de Vovózona" "Já tem o rosto feio, ainda foi nascer gorda nas pernas?"

Isso era só um dos bullying que eu sofria. Não querendo mais ser chacota, comecei a usar roupas mais longas, constrangida. Hoje eu amo usar elas, me sinto mais avontade e não recebo muitos olhares para o meu corpo.

Já de banho tomado, após colocar um vestido, venho com o meu blazer azul favorito que vem acompanhada de uma flor superficial. Mamá que fez para mim! Na verdade todas as minhas roupas eram feitas por ela. Minha mãe era costureira de mão cheia...

Coloco também as minhas meias calças que não abro mão, e os meus sapa-tênis.

No cabelo, deixo ele solto como de costume e venho com o meu arquinho. Sim, sou apaixonada por arcos, tenho muitos deles e com variedades de cores. Escolho um arco azul, para combinar com o meu blazer.

No rosto eu opto por não passar nada. Não gosto muito de maquiagem, e também quase não tenho.

Pego a minha bolsa, e tranco a porta do quarto.

Desço sentindo o cheirinho do café da dona Rosário.

--- Hm, só pelo cheirinho desse café em minhas narinas, já consigo sentir o com gostoso deve  está.

Sorrio para a Dona Rosário.

--- Oh, minha Flor! Já está acordada?

--- Sim! Hoje é o meu primeiro dia de trabalho na Interprise! Esqueceu?

--- Oh! É verdade minha querida, acabei me esquecendo. Nem acredito que tenho uma cliente da maior empresa de toda América Latina, é isso? Que honra hein! Lá só trabalha gente de alto porte.

--- Ah, dona Rosário! Nem eu estou acreditando que eu vou trabalhar lá. Na verdade, nem estou acreditando que estou empregada.

Falo com os olhos brilhando.

--- Você merece minha filha! Já te vejo como una grande empresário de sucesso.

--- Ah dona Rosário, só a senhora mesmo..

Depois de tomar o café reforçado, me despido da dona Rosário. Ela me explicou direitinho como faço para pegar uma condução que deixa até a empresa.

Queria poder pegar um Uber para chegar mais rápido, mais estou sem dinheiro, o pouco que eu tenho é para pagar a minha hospedagem da pensão.

Vou andando até uma estação de BRT, acho que é assim que se fala.  Vejo o número do ônibus que deixa na Interprise. E me perco... Dios mío, é muitos ônibus que que tem aqui. Não consigo achar o ônibus certo... pergunto para várias pessoas, mais me disseram que acabou de sai.

Apavorada, pergunto para uma desconhecida. --- Ele já saiu? Como assim? Que horas vai chegar o outro?

--- Só daqui a meia hora!

Ela nem se quer levanta o rosto para me olhar, fala na maior normalidade. Claro né, não é você que vai chegar atrasada no seu primeiro dia de trabalho.

--- Meia Hora? Não pode ser! Para que direção ele foi?

Dessa vez, ela levanta o olhar para mim.

--- Minha querida! Não acredito que você está me fazendo essa pergunta idiota. Você não sabe que todo BRT situada nesse lugar, passa pela estação da avenida A.

Respiro fundo. Calma Betty, nada de se estressar agora... por mais que a minha língua esteja coçando para dar um fora nessa mulher.

--- Avenida A?

--- Sim, Avenida A!

Vejo que ela parece está se divertindo por eu não saber onde é.

--- Obrigada por nada, e antes que eu me esqueça. Idiota é a senhora  que nem se quer sabe fornecer uma informação direita e paciente.

Ela me olha com os olhos arregalados, não esperava eu retruca-la desse jeito.

Viro as costas para ela, e saio andando. Melhor dizendo... correndo.

A todo instante pergunto para alguém onde é essa avenida A. Uns dizem que é para direita, outros para esquerda.

Corro igual uma barata tonta.

Até que vejo o próprio ônibus andando na outra rota. Nesse momento eu acho que encarnei o Flash. Pois no corro numa velocidade surreal.

Consigo chegar a tempo. Aceno para o ônibus, suada, e toda exausta.

O motorista abre a porta para mim. Entro no ônibus, e quando olho para frente. Me assusto..  está lotado, gente colada uma na outra. E literalmente todo mundo olha para mim.

Uns com pena, outros debochando e fazendo piadinhas de mal gosto.

Vou andando até o final, e quase caio. Esse motorista corre muito rápido.

Depois de quase meia hora, eu chego na empresa.

Só espero não estar atrasada. Ando correndo, chego no hall da empresa, vejo um elevador que está quase fechando, corro rápido, e coloco a minha bolsa impedindo dele fechar. Entro com dificuldade, mais entro.

--- Dios mío.

Falo pegando a minha bolsa no chão distraída.

--- Cuidado para não se machucar moça, era só ter esperado o outro elevador chegar. É perigoso fazer o que a senhorita acabou de fazer.

Tomo um susto, não sabia que tinha alguém no elevador, olho para o lado e vejo quem eu menos esperaria.

Paulo?

Ele está distraído, olhando no seu IPhone, olho para ele, que está impecável de terno. Cabelo todo para trás, em perfeito estado, sem nenhum fio fora do lugar. Esse homem é a perfeição, com certeza estou com a boca aberta, babando nessa hora.

Droga Beatriz fala algo.

--- Éhhh, foi mau senhor..

Nossa, me senti patética agora com o linguajar que acabei de falar.

--- Foi mau?

Ele ri de canto, achando graça.

Ele riu? E que sorriso maravilhoso.

O elevador para, e ele sai, sem olhar para mim.

--- Ele nem me reconheceu. Quem será que ele é aqui nessa empresa?

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Comments

Fatima Gonçalves

Fatima Gonçalves

seu chefe ou patrão

2024-04-17

0

Pimenta🌶

Pimenta🌶

seu chefinho

2023-06-15

1

Pimenta🌶

Pimenta🌶

diariamente 😬🤭

2023-06-15

0

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