Matteo
Deitado em minha cama, observo o desenho que eu fiz do rosto de Sofia na sala de aula. Seus olhos, seu nariz afilado, seus lábios carnudos e perfeitamente delineados. Essa boca... Tão gostosa como eu imaginei que seria. A atração que sinto por essa garota é nítida. Meu corpo todo está implorando por mais dela.
"O que deu em você, idiota?". - Grita o meu subconsciente. É como se eu estivesse obcecado por aquela garota.
Quero tocá-la novamente. Beijá-la novamente. Sentir o seu cheiro novamente.
Sofia, Sofia.
Meu corpo te quer, Sofia.
Você será minha.
A minha mãe bate na porta despertando-me dos meus pensamentos libidinosos:
"Filho?".
Rapidamente escondo o desenho de Sofia embaixo do meu travesseiro.
"Entre, mãe.".
Ela abre a porta do meu quarto e entra. Eu me sento na cama e dou duas palmadas no colchão para que ela se sente ao meu lado.
"Como foi seu primeiro dia de aula?". Pergunta-me.
"Foi muito bom. Muito bom mesmo.". Respondo lembrando-me do beijo que dei em Sofia.
"E o seu, mãe? Como foi o seu primeiro dia no Hospital?". Pergunto.
A minha mãe é médica cardiologista. Nos mudamos para Niágara Falls porque foi o primeiro lugar que ela conseguiu um emprego e precisávamos sair o mais rápido possível de Toronto. Ela tem um amigo que também é médico que vive nessa cidade e foi ele quem conseguiu esse emprego para ela.
"Foi bom! Eu fui muito bem recebida pelas enfermeiras e a equipe médica do Hospital.". Diz.
Ela encara-me em silencio por alguns segundos. Seu olhar preocupado estampa em sua face que ela quer falar comigo sobre algum assunto delicado pelo qual eu provavelmente não quero ouvir.
"Diga-me o que a senhora está pensando, dona Andrea.", falo dando liberdade para que ela possa me falar que a está afligindo.
"Eu descobri que tem uma excelente psicóloga no Hospital onde eu trabalho...". Externa.
"Mãe... eu estou bem. De verdade.". Falo.
"Filho, eu sei que os pesadelos ainda continuam atormentando você.", diz preocupada.
"Uma hora eles irão se dissipar.", eu inclino-me para ficar de frente para ela e seguro as suas duas mãos com as minhas. "Eu prometo que eu ficarei bem. São apenas pesadelos. Eu posso lidar com isso sozinho. Então fique tranquila.".
"O problema não está nos pesadelos, Matteo. E sim, no real motivo deles existirem. Você precisa conversar sobre isso com alguém e o sensato seria que conversasse com um profissional.". Mamãe livra uma de suas mãos da minha e acaricia o meu rosto com ela. "Eu me preocupo muito com você, meu filho. Eu tenho muito medo que...", seus olhos por um momento ficam pensativos e assustados.
Eu aperto as minhas mãos sobre a dela e, com um olhar confiante e sério, falo:
"Isso nunca vai acontecer! Eu jamais faria isso com a senhora, mãe! Por favor, nem pense nisso. Jamais a abandonaria dessa forma. Jamais!", garanto olhando fixamente em seus olhos para que ela consiga sentir segurança em minhas palavras.
"Você ainda está tendo paralisia do sono?". Pergunta-me.
Eu esboço um sorriso terno e tranquilizador, para acalmá-la.
"Não.". Minto. A última paralisia do sono que eu tive foi nessa manhã. Ela não é contínua, como são os pesadelos. Porém, quando ela vem, eu fico o dia inteiro assombrado.
"Vou preparar alguma coisa para comermos. O que você quer comer?", pergunta mudando de assunto.
"Deixa que eu faço a comida hoje, mãe. Vá descansar um pouco. Sei que ainda está cansada por causa da mudança.". Falo.
"Eu agradeço aos céus por ter esse lindo menino que cuida tão bem de mim.". diz colocando as suas mãos sobre as minhas bochechas e aperta-as levemente.
Eu e a minha mãe sempre fomos muito unidos. Ela diz que eu sou tudo que ela tem na vida. E ela é tudo que eu tenho também. Algumas vezes, a mamãe fica muito brava e triste comigo. Diz que eu me comporto igual ao meu pai em relação às mulheres com quem eu me envolvo. Odeio admitir que me pareço com ele. O problema é que eu nunca me apeguei emocionalmente a nenhuma mulher.
Em meus 18 anos de vida, eu já tive muitas mulheres. Umas mais jovens, outras mais velhas que eu. Talvez o meu desapego emocional em relação ao namoro, seja devido a minha imaturidade. Ou talvez seja porque eu não consiga me apaixonar mesmo. E, como de costume, aqui estou eu pensando na minha próxima presa.
***
Chego cedo na sala de aula. Estou esperando por Sofia. Sei que ela não vai demorar a chegar. E como se eu estivesse sentindo a presença dela, logo ela aparece na porta da sala.
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Atualizado até capítulo 41
Comments
sandra helena barbosa
Tomara que ele não faça a Sofia sofrer 😞
2024-12-30
2
elenice ferreira
um doente que precisa de tratamento, achando que seguirmos passos de quem tanto crítica," o pai" vai resolver! SQN !
2024-08-29
0
Josi Gomes
SERÁ QUE ESSE AMIGO É O PAI DA SOFIA
2023-10-23
1