O Show de Talentos Empresariais

Rikajake estava sentada em sua mesa, observando o mar de papéis à sua frente. O escritório vazio ecoava com o som de sua caneta riscando uma folha de papel, traçando um plano. Ela havia sido atriz por anos, mas após um escândalo envolvendo um papel controverso, teve que deixar as câmeras de lado. A fama passou, mas o desejo de ser reconhecida nunca se foi. Agora, a nova ideia que queimava em sua mente era uma: montar um show de talentos para investidores. A fórmula parecia simples: atrair novos talentos e, quem sabe, encontrar uma mina de ouro que fosse seu bilhete de volta à fama. Ela olhou para o cronograma da reunião que ela mesma havia preparado. Era tarde demais para voltar atrás.

“Tudo vai dar certo”, ela murmurou para si mesma, passando os dedos sobre os papéis.

O telefone tocou e ela quase pulou da cadeira. Era Vanessa, a produtora do evento.

— Rikajake, já fechamos o local para o show, mas tem uma coisa que precisamos conversar. Aconteceu algo meio… inusitado. — Vanessa soava nervosa.

— Inusitado? O que aconteceu, Vanessa? — perguntou Rikajake, inclinando-se para frente.

— Bom, o pessoal que se inscreveu não são exatamente o que eu esperava. Eles são… como posso dizer? Peculiares.

Rikajake suspirou fundo. Não tinha tempo para isso. Ela precisava que o show fosse um sucesso. Mas, quando Vanessa falou sobre os participantes, ela não sabia se riria ou choraria.

— O primeiro é o Pedro. Ele se inscreveu dizendo que é um cantor… mas parece mais uma mistura de grito com gemido. Ele insiste que é uma nova tendência, uma coisa que vai revolucionar o mercado. — Vanessa soltou uma risada nervosa.

— O quê? — Rikajake ficou em silêncio por um momento. — E quem mais?

— Tem também a Beatriz. Ela entrou como dançarina, mas o que ela faz parece mais uma luta livre do que dança. E não para de gritar o tempo todo: "Eu sou a fera!". E tem o Carlos. Ele se acha um mágico, mas na última vez que tentamos ver um truque, ele acidentalmente prendeu a mão em um cofre e precisou de ajuda para sair. — Vanessa parecia estar se acostumando com a ideia.

Rikajake se encostou na cadeira e fechou os olhos. Seu sonho de ser uma empresária de sucesso estava desmoronando diante dela.

— Tá, tá… E o que mais? — perguntou, já sem paciência.

— Ah, tem o José. Ele é um artista… mas ele só desenha retratos de frutas. Está convencido de que o futuro da arte está nas bananas, maçãs e laranjas. — Vanessa fez uma pausa, provavelmente esperando que Rikajake explodisse de frustração.

— Eu vou te matar. — Ela falou em tom baixo, quase como um sussurro.

— Rikajake, calma. Não é o fim do mundo. Ou talvez seja, mas é só uma ideia, certo? Quem sabe essa loucura não dê certo?

Rikajake sentiu um calafrio. Ela pensou por um segundo, tentando analisar a situação. O que ela poderia fazer? Podia ser o desastre da sua vida ou o sucesso viral que tanto desejava. Decidiu seguir em frente. Se o show de talentos tinha de ser uma palhaçada, que fosse.

— Vanessa, monta tudo. Vamos fazer o show, e que o destino nos ajude.

O dia do show chegou rápido demais. A primeira coisa que Rikajake fez foi dar uma olhada no local, o teatro estava razoavelmente vazio, com algumas cadeiras ainda por organizar. Vanessa correu até ela.

— Está tudo pronto! Acho que os participantes estão prontos para subir ao palco. Só que… bem, não esperava que eles fossem tão… excêntricos.

Rikajake tentou se concentrar. Pensou: "A fama vem de qualquer lugar, não importa o quão bizarro seja." Ela vestiu uma máscara de confiança e foi para o palco.

O primeiro a se apresentar foi Pedro, o cantor que se achava revolucionário. Ele subiu ao palco com uma energia estranha, tão vibrante que quase parecia não estar no controle de seu próprio corpo. Quando começou a cantar, não foi um grito, mas uma série de gemidos, mais parecendo uma pessoa sendo puxada por uma corrente.

— Uhhhh! Uhhhhh! — Pedro cantava, os braços levantados como se estivesse em transe.

O público, que estava curioso, não sabia como reagir. Uns riam, outros pareciam estar confusos, mas ninguém conseguia tirar os olhos dele.

Rikajake ficou boquiaberta, tentando disfarçar o nervosismo. Mas, quando o show terminou, Pedro foi cercado por um grupo de jovens fãs, todos rindo e aplaudindo. O que era um desastre para ela, parecia ser um sucesso inesperado para eles.

— Não é possível… — Rikajake murmurou, observando a cena.

O segundo a se apresentar foi Beatriz, a "dançarina". Ela entrou no palco com uma energia explosiva, gritando "Eu sou a fera!" enquanto começava a se mover de forma completamente errática. Seus movimentos eram mais próximos de uma briga de rua do que uma coreografia, mas a plateia adorou. O público começou a aplaudir, e Beatriz foi chamada para uma entrevista em um programa de TV local na mesma noite. A fama estava começando a acontecer, mas de uma forma completamente inesperada.

O mágico, Carlos, também teve sua chance. Quando ele tentou fazer um truque de desaparecimento, foi claro que ele não tinha o domínio da mágica. Ele ficou preso no cofre e teve que ser resgatado por segurança. Mas, em vez de ser um fiasco, o acidente foi transmitido ao vivo nas redes sociais. As imagens de Carlos preso em um cofre se tornaram virais. O “desastre” o fez ainda mais famoso. Agora, ele era conhecido como o mágico “mais desastrado” da história.

O último a se apresentar foi José, o artista das frutas. Ele começou a desenhar uma banana de forma tão detalhada que, de alguma forma, parecia algo artístico. O público ficou em silêncio, tentando entender. Mas quando José explicou seu conceito revolucionário sobre a arte das frutas, muitos ficaram fascinados. Ele falava com tanta paixão sobre bananas e laranjas que, no final, ele foi convidado para fazer uma exposição de arte em uma galeria local.

Rikajake observava tudo com um sorriso de satisfação, ainda incrédula. O show de talentos, que ela achava que seria seu grande fracasso, estava se tornando um sucesso. As redes sociais estavam bombando com os nomes dos participantes. As entrevistas com eles se multiplicavam. Todos estavam sendo transformados em celebridades.

Ao final da noite, Rikajake se dirigiu aos bastidores, onde todos estavam comemorando.

— Eu não acredito que isso aconteceu. — Ela estava exausta, mas sorrindo.

Vanessa se aproximou com uma taça de champanhe. — Você viu, não? Acho que acabamos de descobrir a fórmula do sucesso: quanto mais estranho, melhor.

— E como eu me encaixo nisso tudo? — Rikajake perguntou, rindo.

Vanessa deu de ombros. — Quem diria que o show de talentos mais desastroso da história se tornaria uma febre? E você, bem, está na frente disso tudo.

Rikajake sorriu. Ela não imaginava que, depois de anos tentando se reinventar, o caminho para o sucesso seria tão, bem… caótico. Mas, no final, talvez fosse exatamente isso que ela precisava: um desastre tão grandioso que se tornaria sua maior vitória.

O cenário estava irreconhecível para Rikajake. Em poucas semanas, ela viu sua vida virar de cabeça para baixo. O show de talentos, que no início parecia um pesadelo prestes a desmoronar, rapidamente se tornou o maior fenômeno da temporada. Com o imenso sucesso dos participantes – Pedro, o cantor excêntrico, Beatriz, a dançarina furiosa, Carlos, o mágico desastrado, e José, o artista das frutas – o evento, que foi transmitido ao vivo e viralizado nas redes sociais, garantiu a ela uma popularidade imprevista.

A mídia estava obcecada. Não demorou muito até que grandes investidores aparecessem, oferecendo propostas para patrocinar a próxima temporada do show e expandir o projeto para uma plataforma global. O "Show de Talentos Empresariais", como começou a ser chamado, foi transformado de uma ideia simples em uma máquina de dinheiro.

Rikajake, que antes pensava que a única forma de sucesso seria pelo talento e beleza, aprendeu que a chave do sucesso estava no inesperado, no bizarro e no inusitado. Ela foi convidada para palestras, entrevistas e apareceu em programas de TV. Cada evento que ela organizava, cada participação de seus excêntricos "artistas", gerava mais repercussão. O mundo agora conhecia seu nome, e, mais importante, ela estava ganhando milhões de dólares.

Ela sabia que precisava agir rápido. Em uma manhã fria de inverno, quando a pressão da fama começava a ficar mais intensa, ela tomou uma decisão ousada. Decidiu investir o que havia conquistado. Rikajake, com a ajuda de seus novos assessores financeiros, mergulhou no mercado de ações. Ela investiu pesadamente em empresas de tecnologia emergente e startups que se alinhavam ao tipo de "fama viral" que ela estava promovendo.

“Eu não vou apenas ser famosa, eu vou ser rica”, pensou ela, sentada em sua mesa, observando os números subirem nas telas do computador.

Ao longo de meses, seus investimentos começaram a dar frutos. Ela viu as ações de algumas empresas subirem exponencialmente, principalmente as que estavam relacionadas a conteúdo digital e plataformas de entretenimento. O valor da sua fortuna cresceu de forma exponencial. Enquanto o mundo se divertia com os desastres e vitórias de seus participantes, Rikajake estava se tornando uma das empresárias mais influentes do mercado. Ela sabia usar as manchetes para sua vantagem, sabia como capitalizar em cima da popularidade de seus desastrados "talentos".

O auge do sucesso chegou quando um grande conglomerado de mídia a procurou para fechar um contrato milionário, transformando seu show de talentos em uma série semanal transmitida globalmente. A proposta era tentadora demais para recusar. Ela sabia que, com esse contrato, seu império estaria consolidado.

Mas foi nas conversas com seus investidores que ela percebeu o verdadeiro poder de sua ascensão. Eles a viam como alguém que, embora tenha começado no mundo da atuação, sabia ler o mercado e entendia o que as pessoas realmente queriam: entretenimento puro, sem filtros, sem máscaras.

— Você fez o que ninguém ousou fazer. Transformou um fracasso em um espetáculo de sucesso. Agora, você é uma verdadeira empresária. — disse um dos investidores em um encontro privado.

Rikajake sorriu para si mesma. Sua visão do mundo de entretenimento nunca mais seria a mesma. Ela não precisava de um roteiro, de uma direção complexa ou de um papel perfeito. Ela sabia que o segredo estava na autenticidade, na capacidade de abraçar o caos e transformá-lo em algo grandioso.

Seu próximo movimento foi ainda mais audacioso: ela decidiu diversificar seus investimentos, comprando participações em grandes empresas de mídias sociais, algo que ela nunca imaginou fazer. "Agora sou parte do show global", pensou, enquanto observava os lucros se multiplicarem a cada mês.

O que começou como uma tentativa desesperada de reconstruir sua carreira foi agora uma revolução. Ela não era mais apenas Rikajake, a ex-atriz esquecida. Ela era a empresária que havia desafiado todas as expectativas, criado um fenômeno global e transformado sua vida em um espetáculo de sucesso. Os participantes do show de talentos agora estavam em turnês internacionais, gerando lucros para todos os envolvidos, enquanto Rikajake se tornava uma das figuras mais poderosas do mercado de entretenimento.

E, no final, enquanto todos os holofotes estavam voltados para seus talentos excêntricos, Rikajake sabia que o verdadeiro show era o dela. Ela estava no auge da sua carreira, rodeada de milhões de dólares e de um império que ela mesma havia construído.

E, quem diria, tudo começou com um bando de desastrados tentando conquistar um palco.

Fim

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