Yuki sempre teve um sonho simples: abrir sua própria loja de sorvetes e tornar-se a rainha do verão. Como vendedora de sorvetes há anos em uma pequena barraca no parque da cidade, ela sabia o que as pessoas gostavam. E também sabia o que elas não gostavam. Sorvete de morango era um clássico, mas ela estava cansada de ser apenas uma vendedora de clássicos. Ela queria ser diferente. Queria inovar. E, para isso, ela sabia que precisaria de algo grande.
E foi aí que ela tomou a decisão de dar o próximo passo. “Eu vou abrir uma franquia! Mas não será qualquer franquia, será uma loja de sorvete tão incrível que ninguém jamais vai esquecer.”
Yuki, com seu espírito sonhador e talvez um pouco impulsivo, pegou todo o dinheiro que economizara durante os últimos três anos de trabalho e, com um sorriso no rosto, fez uma compra grandiosa: uma máquina de sorvete de última geração. Era grande, brilhante e cheia de botões. Parecia mais um robô futurista do que algo que se usaria para fazer sorvete.
Ela imaginava o sucesso: sorvete cremoso, colorido, com sabores inovadores que fariam todos os outros vendedores de sorvete se arrependerem de não terem pensado nas ideias dela antes.
Quando a máquina chegou, Yuki estava empolgadíssima. Ela tirou a caixa com cuidado, quase reverenciando o que achava ser o início de sua jornada milionária. A máquina parecia até mesmo brilhar sob a luz da loja nova, com sua estrutura de aço inox e painel digital piscando com destaques coloridos.
Mas, quando ela começou a olhar os botões e manual, as coisas começaram a dar errado.
“Como é que liga isso aqui?” Yuki pensou, olhando o manual que parecia mais um manual de navegação para Marte. A máquina tinha tantos botões e funções que ela se sentiu como se estivesse tentando pilotar um avião em vez de fazer sorvete. Ela apertava um botão e uma luz vermelha piscava. Apertava outro e começava a sair um sinal sonoro estranho, como se a máquina estivesse tentando falar com ela, mas Yuki não fazia ideia do que estava acontecendo.
“Ok, talvez eu tenha me empolgado um pouco...”, Yuki disse para si mesma, tentando manter a calma, enquanto o painel da máquina piscava como um semáforo quebrado.
Ela olhou ao redor, desesperada por ajuda, mas sua loja ainda estava vazia. Nenhum cliente para perguntar, nenhum mestre sorveteiro para guiar seus passos. Ela sabia que precisava fazer acontecer, então se a máquina não sabia como fazer sorvete, ela teria que improvisar.
“Por que não testar um sabor novo e inesperado?” pensou Yuki, buscando inspiração nos ingredientes espalhados por toda a loja. Ela olhou para o molho de wasabi que sempre usava como tempero para os pratos de sushi, e então olhou para o mel ao lado. Um sorriso travesso apareceu em seu rosto. "É isso!"
Ela jogou um pouco de wasabi na máquina, misturando com o mel e um toque de manteiga de amendoim. Yuki não sabia exatamente o que estava fazendo, mas estava se divertindo. Ela colocou o recipiente para armazenar o sorvete e, com um clique, a máquina fez um barulho estranho. De repente, o sorvete começou a sair, com um tom de verde vibrante e uma textura surpreendentemente cremosa. A sensação de orgulho tomou conta dela.
“Ok, vamos testar. Se der errado, pelo menos vai ser divertido ver a reação das pessoas”, Yuki pensou, colocando uma colher do sorvete esverdeado em um copinho.
Quando o primeiro cliente entrou na loja, Yuki estava nervosa, mas determinada. Ele parecia hesitante, olhando para o sorvete como se fosse alienígena. Yuki não pensou duas vezes. Ela se aproximou e disse com um sorriso:
“Você já experimentou o nosso novo sabor? Ele é uma mistura de wasabi, mel e manteiga de amendoim. Pode parecer estranho, mas garanto que vai surpreender!”
O cliente olhou desconfiado, mas Yuki, com a confiança de uma vendedora experiente, não desistiu. “Vai por mim. Você vai amar ou vai dar uma boa história para contar!”
O cliente deu uma colherada hesitante, e então seus olhos se arregalaram. Ele olhou para Yuki e, antes que ela pudesse se desesperar, ele sorriu. Ele riu e disse: “Eu não sei o que é isso, mas é... interessante! Eu vou levar um pote!”
Yuki ficou boquiaberta, mas não teve tempo de questionar. Ela sabia que acabara de criar algo que ninguém jamais imaginaria, mas que alguém, em algum lugar, iria amar.
Nos dias seguintes, algo inesperado aconteceu. O sabor de wasabi, mel e manteiga de amendoim virou uma espécie de fenômeno local. As pessoas começaram a chegar na loja dizendo: “Ouvi dizer que o sorvete maluco está aqui!” Outros clientes, mais corajosos, vinham pedir o “sabor surpresa”. Yuki estava vendendo potes e mais potes daquele sorvete estranho, mas as pessoas simplesmente amavam. As críticas eram hilárias, mas elas sempre vinham acompanhadas de elogios.
“Eu nunca imaginei que uma combinação dessas funcionaria, mas é viciante!”
“Isso aqui é uma explosão de sabores. Eu nem sei o que pensar, mas meu cérebro adora!”
Com o sucesso do sorvete maluco, Yuki percebeu que poderia criar ainda mais sabores inusitados. Mas, ao mesmo tempo, sabia que tinha que se concentrar na expansão de sua franquia.
O problema é que, a cada novo sabor, ela sentia uma pressão interna para criar algo ainda mais inusitado. E então, começou a misturar ingredientes como ketchup com sorvete de chocolate, ou até sorvete de pepino com pimenta, tudo com a promessa de algo novo e único.
A loja de Yuki virou um sucesso, mas a caminhada até o topo ainda estava cheia de surpresas e desafios. Ela havia começado com um simples sonho, mas com seus sabores esquisitos, ela agora era a vendedora de sorvetes que o mundo nunca esqueceria.
Yuki estava no meio do seu turno, servindo clientes empolgados que se amontoavam na frente de sua loja, ansiosos para experimentar os sabores mais malucos e inusitados que ela pudesse inventar. Ela estava feliz, sentindo que finalmente sua loja estava começando a se destacar na cidade.
O sorvete de wasabi e mel foi um sucesso tão grande que agora os clientes estavam pedindo tudo o que ela criava, desde sorvete de pizza até sorvete de bacon. A loja estava uma verdadeira festa de sabores!
Mas em meio a todo esse frenesi, algo aconteceu que ela não esperava. Enquanto servia um cliente e falava sobre seu mais novo sabor, o sorvete de abacaxi com molho de soja, Yuki não conseguiu segurar... um arroto gigantesco!
Ela olhou para baixo, completamente constrangida. O som foi alto o suficiente para que todos na loja parassem de conversar, e os olhos de todos se voltaram para ela. Foi como se o mundo tivesse parado por um segundo. O arroto parecia ecoar nas paredes da loja como um grito de vitória — mas, na verdade, foi tudo menos isso.
A clientela ficou em completo silêncio. Yuki, com a cara vermelha como um tomate, não sabia onde enfiar a cabeça. Ela tentou rir, mas estava tão sem graça que parecia mais uma sardinha tentando nadar em um rio de vergonha.
“Ah… desculpem…”, ela murmurou, olhando para o chão. “Eu... ah, parece que… a pizza de ontem me pegou de jeito. Eu... hum… desculpem! Vou continuar, prometo!”
Os clientes a olharam atônitos, alguns com a boca aberta, outros tentando controlar o riso. O mais estranho de tudo é que, em vez de ficar completamente humilhada, Yuki deu um passo para trás e fez uma cara engraçada.
“Ok, ok! Acho que isso significa que meu corpo não está muito feliz com meu sorvete de bacon, mas... sabe, eu sou humana!” ela disse, rindo nervosamente. Então, com uma piscadela, ela pegou uma colher e deslizou para o cliente que estava esperando, como se nada tivesse acontecido. “Aqui está o seu sorvete de abacaxi com molho de soja! Não se preocupe, é uma explosão de sabores e não de ruídos!”
E então, algo inusitado aconteceu. O cliente, que parecia ser um pouco mais velho, olhou para ela e soltou uma gargalhada tão alta e sincera que todos na loja, em um piscar de olhos, começaram a rir também. Ele até levantou a mão, como se tivesse feito um grande brinde.
“Sabe de uma coisa, Yuki? Eu nunca vi uma vendedora tão autêntica! Não tem nada mais verdadeiro que um arroto no meio do trabalho!” ele disse, ainda rindo. “Isso aqui é o verdadeiro espírito do Japão: fazer o que você ama e não ter medo de ser você mesma!”
O riso se espalhou como fogo em palha seca. Yuki, agora aliviada, se uniu à risada geral, sentindo que a vergonha tinha se transformado em algo muito mais leve.
“Acho que eu deveria ter feito isso mais cedo!”, Yuki brincou, com a mão sobre a barriga. “Ouvi dizer que o melhor remédio para o stress é dar um arroto bem alto de vez em quando!”
Os outros clientes, não querendo ficar atrás, começaram a brincar também. Um deles fez um arroto baixo e disfarçado e disse, com uma cara séria: “Aqui, Yuki! Agora somos uma grande família! Todos temos o mesmo ‘talento’!” E, antes que Yuki pudesse responder, outro cliente fez um “arroto sonoro” seguido de um aplauso teatral.
Em questão de minutos, a loja de sorvetes não estava mais apenas cheia de clientes; agora era uma verdadeira festa de arrotos e risadas. Yuki, ainda sem acreditar no que estava acontecendo, se jogou de cabeça na brincadeira. Ela dançou, fez caretas e até improvisou um pequeno show de stand-up, dizendo que todo sucesso de sua loja agora poderia ser atribuído ao “sorvete especial de gás natural”.
A cada risada, Yuki sentia o peso da vergonha desaparecer. E foi então que um dos clientes mais antigos, um senhor idoso com óculos grandes e um sorriso de avô, se aproximou dela e, entre uma gargalhada e outra, disse:
“Yuki, você deveria colocar isso no menu: o 'sorvete de surpresa com aroma natural'! Acho que vai vender muito mais do que qualquer sabor exótico!”
Todos os clientes aplaudiram e começaram a gritar: “Sorvete de surpresa com aroma natural!”
E assim, o arroto de Yuki se transformou no maior marketing viral da cidade. Sua loja foi mencionada em blogs, sites e redes sociais. Em uma semana, a “Loja de Sorvetes de Milhões” virou o local mais procurado na região. E o melhor de tudo, ela nunca mais teve vergonha de ser ela mesma. Afinal, se o mundo estava rindo com ela, então o caminho do sucesso estava pavimentado com risadas.
Naquela noite, enquanto fechava a loja e olhava para os potes vazios, Yuki deu uma última gargalhada. “Afinal, o sucesso vem de onde você menos espera, mesmo que seja de um arroto!”
E com isso, a loja de Yuki continuou a fazer história, uma colher de sorvete e um arroto por vez.
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Atualizado até capítulo 23
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