Takashi, um sujeito com mais paixão por aquários do que senso comum (uma combinação, convenhamos, bastante peculiar), tinha um plano mirabolante: dominar o mercado de peixes raros. Ele imaginava-se um magnata aquático, um rei dos recifes, um… bem, um cara que ganhava muito dinheiro com peixes exóticos. A realidade, como sempre, tinha outros planos.
Takashi, munido de um guia de peixes exóticos tão desatualizado quanto a sua coleção de figurinhas da Copa de 94, embarcou em sua jornada. Seu primeiro alvo: o lendário Peixe-Dragão-de-Fogo-da-Amazônia (nome científico: Ignisdraco amazonicus, segundo o seu guia, embora a Wikipedia discordasse veementemente). Ele imaginava a cena: Takashi, o magnata, exibindo o peixe para compradores ávidos, recebendo montanhas de ienes em troca de uma criatura tão rara quanto um político honesto.
A realidade, porém, era um pouco menos… glamourosa. Seu contato, um sujeito chamado Yoshi com um bigode tão espesso quanto uma floresta de bambu, o recebeu com um sorriso enigmático e um aquário repleto de… caracóis. Caracóis de todos os tamanhos, cores e formatos imagináveis. Caracóis com conchas espiraladas, caracóis com conchas achatadas, caracóis com conchas que pareciam miniaturas de castelos medievais. Um verdadeiro exército de gastrópodes.
"O Peixe-Dragão…", começou Takashi, a voz tremendo um pouco.
Yoshi gargalhou, uma gargalhada que abalou os vidros do aquário. "Ah, o Dragão! Houve um pequeno… mal-entendido. Acontece que o navio que carregava os peixes foi atacado por uma… tempestade de caracóis. Uma tempestade… muito, muito intensa. Todos os peixes foram… digamos… substituídos."
Takashi ficou boquiaberto. Uma tempestade de caracóis? Era mais surreal do que um episódio de Spongebob. Mas Yoshi, com a destreza de um mágico de feira, começou a apresentar os caracóis. "Este aqui", disse ele, apontando para um caracol com uma concha em forma de pirâmide, "é o Caracol-Egípcio-Real. Extremamente raro! E este outro, o Caracol-Arco-Íris-do-Himalaia! Colecionadores pagam fortunas por ele!"
Takashi, inicialmente desapontado, começou a observar os caracóis com mais atenção. Eram, de fato, fascinantes. A variedade de cores, formas e texturas era impressionante. Yoshi, percebendo o interesse de Takashi, continuou sua apresentação com entusiasmo crescente, inventando nomes exóticos e histórias mirabolantes para cada um dos caracóis.
No início, Takashi era apenas um intermediário relutante, tentando desovar os caracóis indesejados. Mas, para sua surpresa, eles começaram a vender como água no deserto. O mercado japonês, aparentemente, estava faminto por caracóis raros. A mídia se interessou pela história, apelidando Takashi de "O Rei dos Caracóis" e seus gastrópodes de "joias ambulantes".
A febre dos caracóis se espalhou como um incêndio. Leilões exclusivos, com caracóis sendo vendidos por preços exorbitantes, se tornaram eventos sociais de alta classe. Takashi, de vendedor relutante, se transformou em um magnata bilionário, tudo graças a uma "tempestade de caracóis" e a um guia de peixes exóticos desatualizado.
Mas a vida de um magnata de caracóis não é fácil. A concorrência é feroz, com outros "investidores" tentando entrar no mercado. Takashi precisa lidar com falsificações, roubos e até mesmo com uma sociedade secreta de colecionadores de caracóis que planeja dominar o mundo (ou pelo menos, a indústria de cosméticos, já que a baba de caracol é um ingrediente popular em cremes anti-rugas).
Ele contrata um ex-ninja como guarda-costas (que, ironicamente, tem mais medo de caracóis do que de espadas) e uma equipe de cientistas malucos para criar novas raças de caracóis geneticamente modificados, com conchas brilhantes e cores fluorescentes. O mercado de caracóis raros se torna ainda mais louco, com caracóis que brilham no escuro, caracóis que cantam óperas e caracóis que jogam shogi (um jogo de tabuleiro japonês).
Takashi, no meio de todo esse caos, se diverte. Ele aprendeu que o sucesso nem sempre segue o plano, e que às vezes, as maiores fortunas são construídas sobre os mais inesperados acidentes. Ele continua a expandir seu império de caracóis, sempre com um sorriso no rosto e um olhar atento para a próxima "tempestade" que possa trazer novas e lucrativas criaturas para seu reino aquático. Afinal, quem precisa de peixes quando se pode ter caracóis? E caracóis raros, ainda mais!
A história de Takashi, o investidor de caracóis, é uma comédia aquática que mostra como o acaso pode nos levar a lugares inesperados, e como às vezes, o mais improvável se torna o mais lucrativo. E quem sabe, talvez ele até encontre o Peixe-Dragão-de-Fogo-da-Amazônia algum dia. Mas por enquanto, ele está muito ocupado administrando seu império de caracóis, o que, convenhamos, é muito mais divertido.
O auge do império de caracóis de Takashi chegou com o lançamento do "Caracol Dourado de Midas", um espécime geneticamente modificado que brilhava com um brilho intenso e possuía uma concha que parecia feita de ouro puro. O preço? Um milhão de ienes por caracol. A demanda? Insana. Takashi estava nadando em ienes, literalmente. Ele comprou uma ilha privada, um iate de luxo e até mesmo um robô gigante com formato de caracol (para diversão, claro).
Mas a felicidade, como um peixe dourado em um aquário pequeno, não dura para sempre. Um dia, Takashi acordou com uma notícia terrível: todos os seus Caracóis Dourados de Midas tinham sumido! Desaparecidos sem deixar rastros. Nem uma concha, nem uma trilha de baba brilhante. Era como se tivessem evaporado no ar.
A polícia investigou, mas não encontrou nada. Câmeras de segurança não registraram nada de anormal. Os guardas ninjas, apesar de sua habilidade em artes marciais, eram ineficazes contra caracóis invisíveis. Takashi estava desesperado. Seu império, construído sobre a baba reluzente dos caracóis, estava ruindo.
Então, um detetive particular, um sujeito peculiar chamado Inspector Kiko, com um chapéu de feltro torto e um olhar penetrante, apareceu. Ele era conhecido por resolver os casos mais estranhos, aqueles que deixavam até mesmo Sherlock Holmes com dor de cabeça. Kiko examinou a cena do crime (ou melhor, a cena do desaparecimento do crime) com cuidado. Ele cheirou o ar, examinou a água do aquário, e até mesmo entrevistou os robôs-caracóis (que, surpreendentemente, não tinham nada a dizer).
Após dias de investigação, Kiko apresentou sua teoria: os caracóis não tinham sido roubados. Eles tinham… evoluído. "Eles atingiram um nível de consciência tão elevado", explicou Kiko, com um brilho nos olhos, "que decidiram transcender sua forma física e se tornar… energia pura. Energia dourada, para ser mais preciso."
Takashi olhou para Kiko com descrença. "Energia dourada? Você está brincando comigo?"
Kiko sorriu enigmáticamente. "Não, Takashi. Eu não brinco com caracóis. Especialmente com caracóis dourados de Midas. Eles deixaram para trás uma pequena pista: um rastro de… brilho dourado. Um brilho que se assemelha… à aura de um Buda iluminado."
E assim, o mistério dos caracóis desaparecidos permaneceu um mistério. Takashi, apesar da perda financeira, encontrou consolo na ideia de que seus caracóis tinham atingido a iluminação espiritual. Ele até mesmo começou a meditar diariamente, na esperança de se conectar com a energia dourada dos seus caracóis transcendentais. E, quem sabe, talvez um dia, eles voltassem. Ou talvez não. Afinal, quem pode prever os caminhos misteriosos de um caracol iluminado? O mistério, cômico e divertido, permanece até hoje, uma lenda no mundo dos negócios de caracóis raros. E Takashi? Ele continua a prosperar, agora como um guru de meditação e um ex-magnata de caracóis espiritualizados. A vida, como um aquário bem cuidado, sempre reserva surpresas.
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Atualizado até capítulo 23
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