O Início do Sonho e o triunfo do pum

Hiroshi sempre foi o tipo de pessoa que acreditava que um código perfeito poderia mudar o mundo. Com seus óculos de aro grosso e sua camiseta do "Futuro Programador", ele estava decidido a criar algo revolucionário, algo que faria as pessoas pararem de pensar em redes sociais inúteis e passassem a focar em questões realmente importantes, como... bem, sei lá, como melhorar a saúde mental ou compartilhar dicas de economia sustentável.

"Eu vou criar um app que vai transformar vidas", dizia ele para si mesmo enquanto tomava um gole de café, o qual, pela décima vez naquela semana, era mais café do que leite. Hiroshi acreditava que o universo estava conspirando para que ele criasse algo épico. Afinal, todos os grandes inventores começaram assim, certo? Em uma garoa de café, sonhos e um bom fluxo de código.

Ele passou dias e noites no computador, teclando freneticamente, sem parar para respirar — ou dormir. O que poderia dar errado? Só porque ele tinha acabado de aprender a programar na semana anterior, não significava que ele não estava pronto. Aliás, quem não quer um aplicativo que vai transformar a sociedade? Ele já havia feito toda a pesquisa: "Aplicativos de sucesso: Como fazer algo útil para a humanidade", "Como salvar o planeta com um app" e "Apps que fizeram a diferença — Ou não".

Quando finalmente terminou seu projeto, ele estava animado. "Esse vai ser o próximo grande sucesso! O mundo vai agradecer", pensou, com um sorriso meio insano no rosto. O aplicativo estava pronto para ser lançado: LifeChanger. O nome já dizia tudo. Ele esperava que a galera compartilhasse dicas sobre saúde mental, sustentabilidade, talvez até como economizar água. Uma revolução social em suas mãos.

Na verdade, Hiroshi se surpreendeu com a rapidez com que as pessoas começaram a se cadastrar. Porém, algo estava... errado. Não era bem como ele imaginava.

O app, ao invés de ser uma plataforma cheia de postagens significativas e motivacionais, virou um espaço onde as pessoas postavam fotos de suas refeições. E quando digo "fotos de refeições", não estou falando de pratos bonitos, artísticos ou saudáveis, não! Eram simples pedaços de pizza, saladas murchas e hambúrgueres em embalagens de fast-food com hashtags como #MinhaVidaÉIsso #ComiIssoHoje #NãoSouFitMasTôTentando.

Hiroshi não entendeu. Ele ficou confuso por alguns dias, tentando achar um bug no sistema que explicasse aquela avalanche de pratos de arroz e feijão, mas não havia nenhum. Tudo parecia perfeito... tecnicamente falando. Foi então que ele olhou os dados e percebeu que o app estava se tornando viral. Mas o que ele não conseguia entender era por que as pessoas estavam tão interessadas em compartilhar comida. "Mas... isso não é o que eu planejei!", gritou, enquanto olhava seu feed repleto de fotos de sushi e yakisoba.

“Não! Eu queria uma plataforma para discutir mudanças globais, não o melhor jeito de fritar um ovo!” Hiroshi quase entrou em pânico. "Como posso reverter isso? Como arrumo isso?!" Mas, ao mesmo tempo, ele não podia negar: a coisa estava ficando grande.

"Ei, Hiroshi, você viu isso? O aplicativo está bombando!" disse seu amigo Kenji, um entusiasta de fitness que, em sua opinião, achava que qualquer comida que tivesse menos de 300 calorias e fosse postada com uma legenda motivacional era um conteúdo relevante.

"Eu sei, mas... não era isso que eu queria. Eu queria mudar o mundo, não alimentar o ego de pessoas postando fotos de pizza!", Hiroshi respondeu, com um tom de frustração.

Mas o pior estava por vir.

Enquanto Hiroshi tentava desesperadamente tentar inserir hashtags que encorajassem a galera a discutir temas como "reciclagem" e "autoajuda", o app começou a gerar algo totalmente inesperado. As fotos de comida estavam sendo compartilhadas em massa... mas agora, elas estavam sendo comentadas com as coisas mais aleatórias que ele jamais poderia imaginar.

"Wow, esse hambúrguer parece o meu ex-namorado, mas sem o queijo", dizia um comentário sobre um sanduíche de carne.

"Me lembrou meu cachorro quando tenta roubar comida na mesa", dizia outro sobre uma salada que, segundo Hiroshi, nem deveria estar ali.

O caos estava se instalando, mas Hiroshi se viu impotente para controlar aquilo. O app estava, de algum jeito, viralizando. Ele observou com um misto de choque e, ao mesmo tempo, uma leve sensação de orgulho, como se, de alguma maneira, ele tivesse criado algo revolucionário — só que a revolução não tinha nada a ver com salvar o mundo.

"Eu criei uma rede social para compartilhamento de comida... Eu realmente criei uma rede social de comida", Hiroshi sussurrou, ao perceber que seu aplicativo estava, na verdade, sendo considerado a nova sensação da internet. O caos estava apenas começando.

Após alguns dias de euforia, Hiroshi começou a perceber que, por mais absurdo que fosse, o LifeChanger estava realmente decolando. Fotos de comida inundavam o aplicativo como se fosse um festival de gastronomia digital, e ele não podia negar: o aplicativo estava viralizando. Começou a ser mencionado em blogs, memes foram criados, e até programas de TV começaram a falar sobre ele.

"Eu sou um gênio!", Hiroshi pensou, com uma mistura de alívio e uma ponta de orgulho. Finalmente, algo que ele criou estava chamando a atenção mundial. O app estava se tornando um fenômeno global.

Mas logo ele percebeu que o sucesso não vinha sozinho — e nem com um cheque grande na conta.

Hiroshi, com seus olhos brilhando de excitação, fez algo que pensou ser uma jogada de mestre: ele decidiu monetizar o app. Ele imaginava que, com a popularidade crescente, o dinheiro logo começaria a cair como chuva. Anúncios de restaurantes, influenciadores postando pratos de comida, e quem sabe até uma linha de produtos com o logo do LifeChanger?

“Se as pessoas estão gastando horas postando suas marmitas, por que não ganhar dinheiro com isso?”, ele pensou, com um sorriso maquiavélico.

Então, Hiroshi passou a incluir banners de anúncios, inseriu um botão de "assinar premium" para ver receitas exclusivas e ainda pensou em criar uma loja dentro do aplicativo para vender utensílios de cozinha e receitas especiais de chefs desconhecidos. Ele achava que estava criando uma máquina de fazer dinheiro.

Porém, nada disso funcionou como ele imaginava.

Primeiro, os anúncios eram mais ignorados do que uma olhada sem graça para uma pizza que já esfriou. Os usuários simplesmente não estavam interessados nas publicidades — afinal, se o app era sobre comida, as pessoas só queriam saber de mais comida, não de mais "promoções de lojas". E, claro, cada vez que ele colocava um banner de anúncio, surgiam reclamações de "spam" e "poluição visual" nos comentários.

Segundo, a versão premium? Ah, bem... ninguém queria pagar por receitas exclusivas de alguém que mal sabia cozinhar, e a única coisa exclusiva que as pessoas realmente queriam eram as fotos de comida de graça. Hiroshi tentou criar uma versão "VIP", onde o usuário teria acesso a "pratos secretos", mas as pessoas estavam tão felizes com a simplicidade do app que não viam necessidade de pagar para ver mais o quê? Fotos de comida, só que mais caras?

Terceiro, a loja de utensílios de cozinha. Quando ele lançou a funcionalidade, imaginando que as pessoas estariam desesperadas para comprar utensílios da marca "LifeChanger", foi um desastre total. Ele viu seus primeiros números de vendas e quase desmaiou ao perceber que, ao invés de utensílios de cozinha, os usuários estavam comprando... adesivos de comida. Sim, adesivos. De comida.

Hiroshi tentou vender os utensílios com nomes sofisticados, como "Espátula do Futuro" ou "Panela Espacial". No entanto, as pessoas estavam comprando, sem querer, apenas adesivos de "taco de rua" e "ramen com estampa de emoji". Ele não conseguia entender: como aquelas fotos de comida se tornaram a estrela do aplicativo, mas nenhum usuário estava interessado nas opções de monetização que ele oferecia?

"Mas o que está acontecendo?!", Hiroshi gritou, enquanto olhava seu gráfico de receita que descia mais rápido do que sua confiança. Ele estava começando a perceber que a única coisa que estava se espalhando mais rápido do que seu sucesso era o fracasso financeiro.

Ele se sentou, de cabeça baixa, olhando para o computador e se perguntando onde foi que ele errou. Ele criou um aplicativo, sim, mas o que as pessoas queriam não era o que ele tinha planejado. Era só... comida.

E assim, Hiroshi encontrou a triste realidade: ele tinha feito sucesso, mas não sabia como lucrar com ele. O LifeChanger estava, na verdade, sendo apenas mais uma plataforma de "fofoca de comida" — uma nova rede social de preguiçosos culinários, onde o único resultado tangível era o aumento da barriga de quem passava horas rolando pelo feed de alimentos.

"Talvez o mundo não precise de um app que transforme vidas... talvez ele só precise de um lugar para mostrar o que come", Hiroshi pensou, enquanto se afundava em seu sofá com um prato de macarrão instantâneo, mais uma vez se perguntando se o mundo estava pronto para o que ele queria oferecer — ou se ele mesmo estava pronto para aceitar o que ele realmente havia criado.

Mas, como toda boa história de fracasso, Hiroshi não desistiria. O sonho ainda estava vivo, pelo menos em sua mente. Mas a monetização? Ah, essa era uma história que ele precisava entender... e rapidamente.

Hiroshi estava sentado em sua pequena mesa de trabalho, rodeado por papéis amassados e xícaras de café vazias, quando algo aconteceu. Sua cabeça estava cheia de ideias, todas tão boas quanto um pedaço de bolo de chocolate em uma dieta — absolutamente ineficazes. Ele olhava para o gráfico de receitas do app, que mais parecia uma linha de montanha-russa no fim de um parque de diversões.

Foi então que, de repente, uma centelha brilhou em sua mente, como se fosse a luz de um farol no meio de uma tempestade de erros de código. Ele teve uma ideia brilhante. Não uma ideia qualquer, mas a ideia.

"Que tal se... eu transformasse a comida em um produto? Em vez de simplesmente mostrar as fotos de comida, as pessoas poderiam comprar a comida direto do app!", Hiroshi disse para si mesmo, com os olhos brilhando como o sol refletido na tela do seu computador.

Ele saltou da cadeira, derrubando o café da mesa e batendo o joelho na quina do móvel (como um bom programador que ainda não sabia como organizar o espaço de trabalho, aliás). Mas a dor não o impediu. Ele estava inspirado!

"Sim! Vamos vender comida!", ele exclamou, enquanto tentava evitar que o café se espalhasse mais e suas ideias caíssem pela janela junto com a bagunça. Ele se lembrou de algo que tinha visto em algum lugar: uma aplicação onde você poderia enviar comidas para amigos. Claro, ele não estava pensando em entregas gourmet, mas em algo mais simples, mais... engraçado.

Ele olhou para o feed do LifeChanger e teve uma revelação. As pessoas estavam postando tudo o que comiam, mas será que estavam compartilhando isso com outras pessoas? Não! Mas, e se ele permitisse que os usuários comprassem as comidas que viam no feed? Ele já tinha os dados de localização dos usuários. Já tinha as fotos. O que faltava? A conexão entre a fome e o desejo de comer!

"Sim, sim, sim! Eu vou criar um sistema de troca de refeições virtuais!" Hiroshi gritou, com tanta empolgação que quase acordou seu vizinho debaixo, que já estava acostumado com os altos e baixos do sono de Hiroshi (principalmente quando ele estava tendo suas epifanias).

A ideia era simples, mas estranha: as pessoas poderiam comprar "refeições digitais", que seriam basicamente cupons para comprar a comida que viam postada no feed, como uma espécie de "presentinho culinário". Quem postasse uma comida poderia ganhar um cupom para escolher outro prato de um restaurante perto de sua casa, ou até mesmo de um "comerciante local". Era como um match de comida, mas de forma online!

"Eu vou me chamar de... LifeGrub!" ele disse, já começando a escrever os códigos para adicionar o novo sistema. "Vamos ver o que acontece quando misturamos fome com tecnologia, pessoal!"

Ele imaginava como seria. As pessoas poderiam, agora, comer o que viam, literalmente! E, claro, Hiroshi finalmente teria uma fonte de receita real para o aplicativo, onde, ao invés de apenas ver fotos de uma pizza, o usuário poderia clicar e enviar a pizza para a casa do amigo, pagando uma taxa bem pequenininha.

"Eu posso até criar camisetas LifeGrub, como uma linha de moda gourmet. E quem sabe... uma assinatura premium com descontos especiais de restaurante!", Hiroshi riu sozinho, já se sentindo o Rei da Internet Culinária.

Ele estava tão empolgado que esqueceu de tomar o remédio para dor de cabeça que sempre tomava depois de tanto tempo sem dormir. Mas, ao mesmo tempo, ele não se importava. Ele estava pronto. Sua ideia estava pronta para ser a revolução. Agora ele só precisaria de parceiros.

Ele procurou nos contatos de seu celular e mandou mensagem para todos os restaurantes que conhecia, todos os pequenos comerciantes e até para aquele sushi-bar que ele sempre gostava, mas que nunca tinha coragem de entrar. Ele estava mais determinado do que nunca.

"Vai ser a maior venda de comida virtual da história", Hiroshi pensou, já se vendo celebrando com uma pizza gigante, que ele compraria com os primeiros lucros da sua brilhante ideia.

Porém, antes de ser engolido por sua própria visão do futuro, Hiroshi parou. Ele tinha uma última dúvida: o que as pessoas realmente fariam quando tivessem essa opção? Será que iam comprar comida de seus amigos só porque viram uma foto? Ou, talvez, o mais importante: ele conseguiria convencer os restaurantes a entrarem nessa doideira?

"Ah, é só testar. Se não der certo, pelo menos vou ter feito alguém rir... e quem sabe essa pessoa vai me pagar um lanche!", Hiroshi pensou, antes de apertar o botão que iria transformar seu app em algo... talvez menos útil, mas mais saboroso.

Hiroshi não acreditava que estava finalmente ali. Ele, um simples programador, havia conseguido investidores para o LifeGrub, sua ideia revolucionária de permitir que as pessoas comprassem as comidas que viam no feed, tudo através de um aplicativo. A sua ideia havia sido aceita por três investidores de uma grande startup de tecnologia. Eles acreditaram nele, acreditaram na revolução culinária digital. Ele, agora, estava prestes a se tornar o rei do universo da comida virtual.

Mas antes da grande reunião, Hiroshi cometeu um pequeno erro — talvez um erro estratégico. Ele estava tão nervoso e animado, que decidiu ir até o restaurante mais próximo e, como um homem com fome de sucesso, pediu a maior pizza que o dinheiro poderia comprar. Claro, ele estava morrendo de vontade de comer, mas... ele talvez tenha se empolgado um pouco mais com a pizza do que com a sua barriga.

A reunião aconteceu em uma sala sofisticada, com grandes janelas, luz suave e uma mesa de vidro que refletia a atmosfera de prosperidade. Ele se sentou, claramente ansioso, com seus investidores observando-o com um sorriso no rosto. A apresentação foi um sucesso até aquele ponto, as estatísticas estavam boas, o mercado estava a seu favor e até a sua visão inovadora estava sendo elogiada. Mas Hiroshi sentia algo dentro de si — e não era apenas o orgulho de estar ali.

Era uma sensação estranha, uma pressão no estômago, como se ele tivesse comido um relógio de parede ao invés de uma pizza.

"Agora, senhores, com o LifeGrub, vamos revolucionar a indústria da alimentação!", Hiroshi exclamou, já começando a ver o futuro brilhante à sua frente. Ele estava tão empolgado que o estômago deu um grande rosnado — algo que ninguém notou, mas ele sentiu que não seria bom ignorar.

Ele respirou fundo e tentou disfarçar. Mas logo, aquela sensação se transformou em algo mais imprevisível. Era como se o universo tivesse decidido que Hiroshi não poderia sair de uma reunião de sucesso sem um último teste de caráter. Foi então que o inevitável aconteceu.

No momento mais tenso da apresentação — quando ele estava falando sobre a expansão internacional do app e como a pizza digital seria uma inovação global — um som estrondoso ecoou pela sala. Não era um simples pum, era um som épico, como se uma trombeta tivesse sido tocada dentro de seu estômago. E, claro, estava justo no momento mais sério.

O tempo parecia parar. Hiroshi congelou. Os investidores olharam um para o outro, e o silêncio se instalou por um segundo que pareceu uma eternidade.

Então, algo milagroso aconteceu. Em vez de rir de Hiroshi, como ele temia, os investidores começaram a rir, mas não uma risadinha tímida, e sim uma gargalhada coletiva. Eles riam tanto que começaram a bater nas mesas e a se balançar para frente e para trás, sem conseguir controlar as risadas. Hiroshi ficou lá, com o rosto completamente vermelho, sentindo-se uma mistura de vergonha e alívio.

Mas o mais incrível aconteceu quando um dos investidores, o senhor Takahashi, que estava bem mais velho e com um terno elegante, enxugou as lágrimas dos olhos de tanto rir e disse, com uma voz séria, mas ainda com um sorriso nos lábios:

“Se você consegue fazer algo tão impactante quanto isso com um simples pum, Hiroshi, então você realmente tem potencial para mudar o mundo. Eu sempre gostei de pessoas que sabem rir de si mesmas. Agora, me fale mais sobre os próximos passos dessa ideia."

E com isso, Hiroshi percebeu que, em vez de estragar a reunião, o pum quebrou o gelo de maneira inesquecível. O resto da reunião foi um sucesso absoluto. Os investidores estavam tão divertidos e encantados com a forma como Hiroshi lidou com o incidente, que mal hesitaram ao fechar o contrato.

Hiroshi voltou para casa naquele dia com o coração leve. O LifeGrub estava oficialmente pronto para o lançamento. Ele conseguiu não só os investidores, mas também o respeito e o apoio deles, tudo por conta de uma pizza grande, um pum inesperado e um toque de sorte.

E, claro, ele jurou nunca mais comer uma pizza tão pesada antes de uma reunião importante.

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