Estou muito nervoso,faz anos que eu meu pai não nos falamos,lembro do dia em que brigamos,ele disse que não tinha mais filho,e eu entendi que não tinha mais pai.Um enorme vazio se instalou dentro de mim,um misto de angústia e desespero tomou conta do meu ser...eu não era mais o mesmo!Aos dezenove anos cursando a faculdade,eu era totalmente dependente dele...e de minha mãe.Ela entrou em total desespero,tiveram uma vida difícil no sertão da Paraíba,e minha mãe optou por ficar só comigo,não quis mais filhos por medo de não conseguir sustentar.Meu pai sempre quis mais,mas ela se revusou.Meu disse palavras duras,palavras essas que estão marcadas no meu coração e visita sempre meus pensamentos.
"Você não é homem..."Se não vai casar com uma mulher,como vai nos dar netos?"Não quero um filho afeminado"
Me colocou pra fora somente com a roupa do corpo,minha sorte que seu Júlio e dona Marta me acolheram,continuaram pagando minha faculdade de direito que,era o sonho dele pro Wagner,me vestiu e calçou e meu deu um quarto em sua casa.
Foi a umas das épocas mais difíceis da minha vida...por mais que,eu tivesse um teto e pude continuar meus estudos,meu pai fazia muita falta em minha vida,meu pai me ensinou valores,os mesmos que ele não foi capaz de compreender,achava que ser LGBT,significava ser ladrão, desonesto ou doente.Nunca fui capaz de compreender.
Meu pai adoeceu após a morte de minha mãe,fazem dois anos que ela faleceu,viveram uma vida inteira juntos,ele não só perdeu a esposa mas a amiga.Minha mãe por sua vez, sofreu muito com a decisão insana de meu pai mas nunca deixou de me visitar e amparar,me dava dinheiro escondido,levava seus quitutes pra mim...me dava carinho e me apoiava,ela também não entendia,mas me dizia aceitar a maneira que eu escolher pra ser feliz.
Wagner sempre bate de frente comigo por causa do meu pai,mas que culpa tenho se ele não quer contato? Não posso ultrapassar o limite que ele impôs entre nós,não fui eu rompi foi ele.Tenho vontade de o trazer pra perto, Alexandre meu marido é enfermeiro,cuidados não vão lhe faltar,mas como abrir a cabeça de um senhor de idade e jogar essa ideia lá dentro? Só o fato de saber minha orientação sexual já o fez me expulsar de casa,imagina se ver minha rotina com meu esposo, certamente não aceitará.Tenho noção que ele precisa de mim,afinal somos só nós dois agora,mas como me achegar?Tenho medo de ser rejeitado novamente...
Eu sabia que chegaria o dia em que, nós dois teríamos que nos encara,sabia que o inevitável iria acontecer, só não imaginei que fosse ser assim...
Aguardei do lado de fora do apartamento, enquanto Wagner entra pra anunciar minha presença, minhas mãos suavam frio.Wagner ficou lá dentro sozinho com ele por cerca de cinco minutos,mas pra mim pareceu uma eternidade.
Ele sai de lá sorrindo pra mim,então já respiro aliviado,um sorriso uma esperança! Entrei no apartamento e,meus olhos já se encheu de lágrimas via as fotos de minha mãe,fotos minha e as lágrimas rolaram,foi inevitável.Quando o vejo,já estou com os olhos marejados,ele nota minha emoção e também chora...choramos juntos...e muito.Nos abraçamos e ficamos ali por alguns minutos,matando a saudade e nos perdoando,eu também precisava pedir perdão a ele, também errei por falta de maturidade.
_Pai me perdoa_disse enxugando minhas lágrimas.
_Você que precisa me perdoar meu filho.
Passo minhas mãos em seu rosto...ele está tão diferente da última vez que o vi,ele está sendo castigado pela idade e pelo cansaço.
_Pai me deixe cuidar do senhor.
Ele chora ainda mais ao ouvir minhas palavras.
_Não mereço seus cuidados,fui rude e mal com você.
_Não pai,o senhor me educou,me alimentou,me protegeu dos perigos dessa vida... é o mínimo que posso fazer.
_Sinto muito por toda a dor que lhe causei,eu não entendia nada na época,como ainda não entendo,mas eu amo tanto você,você é a única coisa boa que tenho,a única lembrança de sua mãe.
Tento me recompor de toda a emoção que sinto,não sei se já posso pedir pra ele vir morar comigo,então sugiro algo que não o assuste.
_Posso vir diariamente?
_Claro que sim filho, o seu quarto está do mesmo jeito que deixou, pode até dormir aqui.
_Virei então, pelo menos duas vezes ao dia e se por acaso não puder, Wagner vem ok.
_Pode trazer o seu marido também se quiser, ele é um bom homem?
Me desabo em lágrimas ao ouvir suas palavras,eu nunca imaginei ouvir tal coisa de meu pai.
_Sim pai, ele é um bom homem! É enfermeiro, trabalha no hospital do câncer está sempre ajudando as pessoas.
_Traz ele pra mim conhecer.
_Pai,por que não vem morar comigo?Tenho espaço o suficiente para o acomodar,posso te ver toda hora.
Vejo as lágrimas rolarem do seu rosto.
_Tem certeza filho?
_Claro que sim pai, o senhor também é tudo que eu tenho _choramos nos abraçando.
Fiquei com ele por mais algumas horas,desmarquei todos os meus compromissos e matei a saudade que pendurava em mim a anos.
Quando cheguei em casa conversei com Alexandre,eu fiz o convite a meu pai sem antes o consultar,contei a ele cada detalhe do nosso reencontro e ele como sempre,me apoiou e aceitou meu pai em nossa casa.
_Precisamos pintar o quarto e trocar os móveis, são muito velhos_ele disse.
_Acha que damos conta?_pergunto me achegando a ele.
_Ja demos conta de enfrentar meio mundo pra ficarmos juntos,o que é um quarto?
Nos sentamos e planejamos a reforma,teremos que adaptar algumas partes da casa a ele,e nos adaptarmos também,Alexandre sempre tão compreensivo comigo,como tenho sorte por tê-lo!
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Atualizado até capítulo 86
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