Isadora trouxe-me até o Leme, como essa parte da cidade é tão mais bonita, a vida as vezes é uma injustiça que só, poucos tem muito e muitos tem pouco… fazer o que né! Quando o porteiro viu-nos, imediatamente abriu o portão,ela apresenta-me ao porteiro e diz que sou sua substituta na casa da dona Tânia, um senhor de meia-idade muito simpático, ele aperta a minha mão e deseja-me sorte… e com certeza vou precisar! Tudo que é novo assusta, e eu uma bobona do interior, precisaria de toda que estivesse disponível no mundo.
Chegamos ao andar da senhora, apertamos a campainha do apartamento e ela mesma nos atendeu. Ela é uma senhora de boa aparência, bem cuidada e bonita, não parece ser mesquinha, pois,apertou a minha mão e foi afetuosa. Respirei aliviada, a minha mãe sempre diz que as pessoas que mais tem dinheiro, são mesquinhas e fazem pouco caso das mais pobres. Isadora explica-me o serviço e naquele dia, dividimos a diária, pois fizemos tudo juntas para eu poder fazer do jeito que a dona gostava, não foi tão cansativo, mas eu tinha noção que dá próxima vez seria,pois, estaria só.
Era uma terça feira,e todas as terças eu teria o compromisso de estar lá às duas da tarde,a dona da casa preferia as diárias de manhã,mas como já confiava em Isadora,me deixou no mesmo horário pois sabia que eu também estudava de manhã.
A outra faxina foi no Leblon, ainda mais bonito que o Leme,já essa senhora nem um copo d'água nos ofereceu.Assim como na primeira,dividimos a diária e assim foi o primeiro semestre do ano.Eu tinha essas duas diárias que eram certas,fazia um bico no quiosque da praia aos fins de semana e quando tinha vaga,fazia festa infantil como animadora.Eu precisava me virar,a mesada que meus pais mandam era a conta do aluguel e um pouco da minha alimentação,os livros da faculdades são caríssimos,e não tem como toda hora pegar emprestado,precisamos deles todo o tempo.
_Vamos a praia Mayara?_Veridiana pergunta.
_Ah... não _respondo rindo_estou morta de cansada.
_Só trabalhar e estudar não tem graça,vamos sim.
_Estou na praia todo fim de semana,não aguento mais ver praia.
_Lembra quando chegou?"Vamos a praia Veridiana,por favor"_ela diz me imitando.
_Tá bom!"Vamos a praia!_digo e caio na gargalhada.
Fomos a praia em Ipanema,somos pobres ousadas se é pra ir,vamos na melhor!Afinal a praia não é paga,e levamos tudo que vamos consumir,assim não gastamos mais que a passagem do ônibus.
_Quero logo terminar essa faculdade,poder trabalhar na aérea e ficar rica!Me imagine rica Mayara,vou ficar um nojo._ela diz num tom irônico.
_E Deus dá asas a cobra?_digo morrendo de rir.
_Você é chata,pode nem sonhar!Mas já imaginou,ter tudo que quer?Uma pessoa pra fazer sua comida,gastar sem precisar somar...comer o que quiser a hora que quiser...hein?
_Quem não né! Só que prefiro não pensar naquilo que não posso ter,só isso.
_E o que é a vida sem os sonhos?
_A minha!Eu só sonho com o que pode se realizar!
_Como o que por exemplo?
_Me formar, consegui um emprego melhor que seja de carteira assinada.
_Ah que menina chata,se não for pra sonhar alto nem sonha então...sonhar com emprego de carteira assinada?Fala sério, sonha com um velho rico caramba,tenha um filho dele e pá!Problemas nunca mais na sua vida.
_Credo,e ter que passar o resto da vida com um velho lambão? Tô fora, prefiro contar as moedas mesmo.
Rimos juntas de nossa conversa sem futuro e fundamento,passamos um tempo ali e dali mesmo fui pro quiosque que trabalho.A noite seguiu normal,me aborreci com clientes que acham que estou inclusa no cardápio,recebi também boas gorjetas,e ri também tem coisas interessantes que acontece com quem bebe demais.
Cheguei já eram quase três da manhã, certamente dormiria até meio dia do domingo,agora entendo por que todos dormem até tarde,quando eu cheguei eu achava quer eram todos preguiçosos...agora entendo.
Acordo no dia seguinte descansada, dormi mesmo até quase meio-dia e dormiria mais se, o José não desse o ataque diário dele, todos os dias ele xinga sozinho pensando que comeram as coisas dele, já é rotina aqui. Levanto tomo banho, vou a cozinha e faço um café,olho o meu celular com seis chamadas perdidas da minha mãe… #¿$?%!¡ algo aconteceu. Ligo de volta, porém sem sucesso,desespero-me e ligo pro o meu irmão mais velho, ele atende e logo pergunto.
_Henrique, aconteceu alguma coisa?_nem boa tarde dou.
_Oi minha irmã,boa tarde...sim nossa vó passou mal,foi internada as pressas e não está nada bem.
_A mamãe deve está arrasada, como ela está?
_Então,ela assustou-se tanto que a pressão subiu e ela também está hospitalizada,porém, só de observação.
_Eu vou para aí!
_Não precisa, você já é bolsista se perder as aulas perderá também a bolsa,está tudo sob controle qualquer coisa eu aviso.
_Tem certeza?E se precisarem de mim?Tô preocupada com a mamãe.
_Tenho certeza sim,fica aí e fica tranquila,mais tarde a mamãe liga pra você.
_Ok,mas me mantenha informada por favor.
_Sim fique tranquila.
Desliguei o telefone e fiquei com o coração na mão, minha mãe sempre foi muito apegada a minha avó,assim como sou com ela,com minha avó doente e eu longe,ela deveria estar sofrendo muito.O domingo pra mim foi só preocupação,fiquei com o celular na mão o tempo todo nem conseguir estudar direito,estudo em casa todos os dias,mas não hoje.
Minha mãe me ligou assim que saiu do hospital,sua pressão baixou porém minha avó continuava lá,os médicos não sabiam ainda o que era, hospital público é complicado,fui pro quiosque e trabalhei meio aérea nem os clientes chatos conseguiram minha irritação.
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Atualizado até capítulo 86
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