O dia seguinte chegou com o sol brilhando forte, mas o peso na mente de Luna parecia um véu escuro que não queria se dissipar. Ela acordou com a sensação de que algo estava errado, como se estivesse vivendo uma espécie de conflito interno que ela não sabia como resolver. O que havia acontecido com Dean no shopping ainda ecoava em seus pensamentos, e ela não conseguia esquecer o modo como ele a olhava, como se ele quisesse algo mais, mas ela não estava pronta para isso.
Alaska, como sempre, parecia ser a única coisa que a fazia sentir um pouco de paz. Ele estava sentado ao seu lado na cama, olhando para ela com seus grandes olhos castanhos, como se entendesse sua dor. Luna acariciou o cão e se levantou, decidindo que precisava sair para limpar a mente.
Enquanto ela se arrumava, seu telefone vibrou. Era uma mensagem de Mirella.
"Ei, vamos sair mais tarde? A gente pode fazer algo leve, tomar um café ou ir para o parque. Sei que está tudo confuso, mas precisamos de você."
Luna olhou para a mensagem por um momento e respirou fundo. Ela precisava de um pouco de companhia, de algo que a distraísse daquela sensação sufocante que a envolvia. Então respondeu rapidamente: "Sim, vamos. Preciso sair de casa."
Quando chegou ao café onde havia combinado de encontrar as amigas, Mirella estava lá com Gabriela, ambas pareciam preocupadas, mas Luna não queria tocar no assunto de Dean ainda.
"Como você está, Luna?" perguntou Gabriela, com um sorriso acolhedor, embora seus olhos demonstrassem preocupação.
"Estou bem", Luna mentiu. "Só cansada, você sabe como é."
Mirella percebeu a evasiva resposta, mas não pressionou. Elas passaram algum tempo conversando sobre coisas mais leves, como os últimos acontecimentos no trabalho e outras fofocas da vida cotidiana. Porém, Luna não conseguia afastar o pensamento de Dean. O que ele realmente queria? Será que ele realmente se importava ou estava apenas tentando resolver um erro que ele sabia que cometeu?
Enquanto as amigas conversavam, Luna observou ao longe, pela janela, as pessoas passando apressadas. Então, sem perceber, seus olhos caíram sobre um grupo de pessoas que estavam no lado oposto da rua. Entre elas, estava Dean, com os amigos, rindo e conversando. Seu coração deu um salto, mas ela tentou disfarçar. Não queria que ninguém percebesse o quanto a presença dele ainda a afetava.
Mas Dean parecia perceber algo. Ele olhou na direção do café e, ao ver Luna, fez um leve aceno com a cabeça, como se estivesse esperando que ela o olhasse de volta. Luna desviou os olhos rapidamente, tentando não ceder à tentação de olhar para ele. Mas, como sempre, a sua presença parecia magnetizar tudo ao seu redor.
"Eu não entendo, Luna", disse Mirella, quebrando o silêncio. "Você já passou por tanta coisa com o Dean, mas ele ainda te afeta assim."
Luna olhou para ela, a expressão neutra, mas dentro dela, um turbilhão de emoções estava prestes a explodir. "Ele me feriu, Mirella. E não é algo que eu possa simplesmente esquecer."
Gabriela colocou a mão sobre a de Luna, tentando confortá-la. "Sabemos que foi difícil para você, mas não precisa lidar com isso sozinha."
Luna sentiu o calor da amizade delas, mas ao mesmo tempo, sabia que a maior parte da batalha era interna. Ela precisava decidir o que fazer com seu coração, se ele ainda pertencia a Dean ou se estava finalmente pronto para seguir em frente.
O restante da tarde passou rápido, mas Luna ainda se sentia perdida. O grupo de Dean já havia saído do café quando ela decidiu voltar para casa. Ela deu um último olhar na direção onde ele estivera, mas ele não estava mais lá.
Ao voltar para casa, a sensação de estar em conflito consigo mesma aumentava. Ela queria se afastar, mas a ideia de distância parecia impossível quando se tratava de Dean. Como poderia seguir em frente quando ele ainda a atraía de uma forma que ela não entendia?
Quando Luna entrou em casa, percebeu que o ambiente estava quieto. Ela se jogou no sofá, fechando os olhos por um momento. Ela queria pensar, mas as palavras de Dean, o olhar que ele lhe dera no shopping, tudo isso a impedia de tomar qualquer decisão concreta. Ela sabia que, eventualmente, teria que tomar uma decisão. Mas naquele momento, o futuro parecia distante demais.
E então, sem aviso, o telefone dela vibrou novamente. Era uma mensagem de Dean.
"Luna, eu sei que não podemos voltar ao que éramos antes, mas quero que saiba que estou disposto a fazer o que for necessário para te mostrar que mudei. Por favor, me dê uma chance para mostrar o quanto você é importante para mim."
Luna olhou para a tela do telefone por um momento. Ela não sabia o que fazer com aquelas palavras. Ela queria acreditar nele, mas não sabia se estava pronta para mais uma decepção.
Ela suspirou e guardou o telefone na bolsa. Não tinha respostas agora. Só o tempo diria o que o futuro traria para eles dois.
Mas, enquanto isso, o silêncio de sua casa era a única coisa que Luna sabia lidar por enquanto.
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O ambiente estava tenso, mas ao mesmo tempo excitante, quando Luna e suas amigas se preparavam para sair à noite. O dia seguinte marcaria o retorno a Portugal, mas antes de partir, elas estavam decididas a aproveitar ao máximo as últimas horas em Moçambique. Mirella tinha sugerido uma ideia inesperada, mas atraente: sair com o grupo de Dean.
Luna hesitou quando Mirella mencionou a ideia. Embora tivesse sentimentos confusos sobre Dean, a ideia de reviver a companhia de seus amigos, de ter uma última noite livre, parecia a oportunidade de encerrar as férias de uma forma mais leve. As semanas intensas haviam sido uma montanha-russa emocional para ela, e sair com os amigos de Dean parecia uma forma de distração.
— Vamos sair com eles — Mirella disse com um sorriso malicioso. — A gente aproveita a noite e, quem sabe, você também dá uma resposta ao Dean.
Luna olhou para Mirella, um pouco surpresa com a sugestão, mas não podia negar que a ideia de ter algum tipo de encerramento a atraía. Ela sabia que, se continuasse adiando a conversa com Dean, acabaria voltando para Portugal com a sensação de que algo estava em aberto.
Gabriela estava mais tranquila sobre o assunto, como sempre, mas a preocupação de Luna com o que poderia acontecer com Dean ainda a consumia.
— Vai ser uma boa oportunidade para você dar uma posição, Luna. E quem sabe se divertir um pouco antes de voltar a Portugal, não é? — disse Gabriela, com uma risada suave.
Luna deu um suspiro profundo. Ela não queria que a situação com Dean continuasse a pesar sobre ela, mas também não sabia como agir com ele. Ela estava dividida entre o desejo de finalmente liberar a dor que sentia e a cautela de não se deixar levar por promessas vazias.
Após algum tempo, Luna aceitou a ideia, decidida a não deixar que a ansiedade a paralisasse. Ela se preparou para sair, tentando se concentrar na noite e na possibilidade de se divertir, enquanto tentava manter suas emoções sob controle.
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À medida que a noite caía, o grupo se encontrou no ponto de encontro combinado. O local escolhido por Dean era um bar sofisticado, com luzes suaves e uma música agradável, onde todos poderiam se reunir e conversar com conforto. Luna, Mirella e Gabriela chegaram juntas, e quando entraram, logo foram cumprimentadas pelos amigos do grupo de Dean. A presença deles no ambiente era indiscutivelmente notável: Vincent estava em uma conversa animada com Danilo, enquanto Dean estava na ponta da mesa, o olhar fixo em Luna assim que ela entrou no local.
Luna sentiu seu coração acelerar ao ver Dean, mas tentou manter a postura tranquila. Ela sentiu seus olhos a observarem, intensos e carregados de um desejo contido, como se ele estivesse tentando fazer algo com o olhar, como se esperasse uma reação dela.
Mirella logo foi se sentar ao lado de Danilo, trocando algumas palavras, e Gabriela fez o mesmo, se misturando com o grupo. Luna, no entanto, permaneceu de pé por um momento, hesitante. Ela sabia que, independentemente do que acontecesse, a noite seria importante para as respostas que ela precisava. A sensação de ser observada por Dean, no entanto, aumentava a tensão.
— Olá, Luna — Dean disse, se aproximando. Sua voz estava mais suave do que o habitual, quase como se fosse uma tentativa de suavizar a distância entre eles.
Luna olhou para ele, ainda sem saber o que dizer, e respondeu com um simples "Oi". Ela sentiu um calor subir por sua espinha, mas se concentrou em não deixar que ele visse o impacto que ele ainda tinha nela.
Dean sorriu, notando sua resposta distante, mas sem parecer incomodado. Ele percebeu que Luna ainda estava em conflito, mas isso não o impediu de continuar tentando. Ele passou a mão pelo cabelo, tentando parecer relaxado, mas não conseguia esconder o quanto ainda estava afetado pela presença dela.
— Vai ficar em pé a noite toda? — ele perguntou, inclinando-se um pouco para perto.
Luna hesitou novamente, sem saber se deveria se sentar ao lado dele ou não. Ela olhou para o grupo, vendo todos conversando e se divertindo, e respirou fundo antes de decidir se juntar a eles.
Ela sentou-se em uma cadeira perto de Dean, tentando manter a calma, mas o simples fato de estar tão perto dele a fazia sentir um turbilhão de emoções.
Enquanto o tempo passava, o grupo continuava a se divertir. Luna tentava focar em outras conversas, mas sempre sentia os olhos de Dean sobre ela, como se estivesse esperando algo. Ela não sabia se ele queria um sinal dela, se estava esperando que ela fizesse o primeiro movimento, ou se ele estava simplesmente tentando encontrar uma maneira de se desculpar.
O álcool começou a fazer efeito, e as conversas se tornaram mais descontraídas. Bruna, que também estava presente, fazia de tudo para chamar a atenção de Dean. Ela ria de maneira exagerada e se aproximava dele com frequentes toques sutis, na tentativa de reacender o que haviam vivido. Luna observava tudo com um misto de frustração e impotência, não querendo admitir que a cena a incomodava.
Porém, o foco de Luna não estava em Bruna. Ela olhava para Dean, tentando entender por que ele ainda não a deixava em paz. Ele não parava de olhar para ela com intensidade, seus olhos fixos, como se esperassem algo que ela ainda não podia dar.
— Luna, podemos conversar? — Dean perguntou, finalmente se levantando para se aproximar dela. Sua voz estava mais séria agora, sem o tom descontraído que ele usara antes.
Luna suspirou, o peso de sua decisão a atingindo novamente. Ela sabia que aquela conversa seria um ponto crucial entre eles, mas o que ela faria com relação a tudo isso?
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O Retorno a Portugal
Cinco dias se passaram rapidamente. Luna estava sentada na varanda de casa, olhando para o horizonte, com o pensamento perdido. O último mês tinha sido um mix de sentimentos e situações intensas. As férias haviam proporcionado momentos de relaxamento e também de grande turbulência emocional. A vida parecia ter parado por um momento, mas agora estava prestes a recomeçar com o retorno a Portugal.
Os últimos dias no país tinham sido tranquilos, apesar da tensão interna que Luna carregava. Ela havia tentado se afastar das complicações com Dean, mas sabia que, assim que chegasse a Portugal, sua vida voltaria ao ritmo acelerado e a confusão emocional que ele causava. Estava consciente de que não poderia fugir para sempre.
Mirella e Gabriela estavam no seu quarto, arrumando as malas para a viagem de volta. Luna ainda não havia começado a embalar as suas coisas, o que só aumentava a sensação de procrastinação que ela sentia. A ideia de retornar para a realidade, para os estudos, para o trabalho e para tudo o que ela estava deixando para trás, parecia ainda mais difícil de enfrentar depois de tantas emoções intensas nos últimos dias.
Ela sentiu o celular vibrar novamente e, ao olhar, percebeu que era uma mensagem de Dean.
"Luna, só mais uma vez… Eu entendo que você precise de tempo, mas preciso que saiba que vou estar aqui esperando. Eu sei que te machuquei, e se me der a chance, vou provar que posso ser diferente. Não desista de nós."
A mensagem de Dean trouxe uma dor inesperada. Luna fechou os olhos, tentando processar as palavras. Ela queria que ele fosse sincero, mas, ao mesmo tempo, sentia o medo de se envolver novamente. Ela não sabia se conseguia confiar nele, se seu coração estava disposto a correr o risco de se machucar mais uma vez.
Ela não respondeu imediatamente, apenas trancou o telefone na bolsa e se levantou. Sabia que, ao voltar a Portugal, a rotina apertada de faculdade e trabalho voltaria a exigir sua atenção. Talvez fosse a melhor maneira de tentar seguir em frente, mas o que Dean dizia ainda pesava em sua mente.
— Luna, você já começou a arrumar as coisas? — Gabriela perguntou, entrando no quarto.
Luna forçou um sorriso e sacudiu a cabeça. — Não, ainda não. Acho que estou procrastinando.
Mirella entrou logo atrás de Gabriela. — Você não pode escapar da realidade para sempre, amiga. Está na hora de voltar, e sei que isso te preocupa, mas você é mais forte do que pensa.
Luna assentiu, embora não se sentisse tão confiante quanto as amigas pareciam acreditar. Ela sabia que o retorno a Portugal significava enfrentar muitas coisas, incluindo seus sentimentos por Dean. Ela não queria mais ser uma prisioneira do passado, mas também não conseguia ignorar a força de sua atração por ele.
Ao longo do dia, Luna arrumou suas coisas, mas a sensação de estar deixando algo inacabado a incomodava. As conversas com as amigas giraram em torno do que elas fariam quando voltassem, as tarefas da faculdade, e o que o futuro reservava, mas Luna não conseguia se concentrar completamente. O retorno parecia simbólico de um recomeço, mas o que ela realmente queria recomeçar?
Quando a noite chegou, Luna estava deitada na cama, olhando para o teto. O som do vento do lado de fora era a única coisa que preenchia o silêncio. De repente, o celular de Luna vibrava mais uma vez, interrompendo seus pensamentos. Era uma mensagem de Dean novamente.
"Luna, sei que pode estar se perguntando se vale a pena. Só queria que soubesse que nunca te esqueci, e que, se você me der uma chance, vou mostrar a você o que realmente significa ser importante para alguém. Eu te amo."
Luna suspirou pesadamente. As palavras de Dean eram gentis, mas ao mesmo tempo, a faziam sentir um nó no estômago. Ela queria acreditar, mas a dor do passado ainda estava muito viva dentro dela. Ela sabia que, ao dar uma resposta, estaria tomando uma decisão importante para o futuro deles. Mas, nesse momento, ela não estava pronta.
Ela colocou o celular de lado e fechou os olhos, tentando afastar os pensamentos. No fundo, sabia que a única pessoa que poderia decidir o que fazer era ela mesma. Mas, por agora, ela precisava de mais tempo.
A manhã seguinte chegou com uma sensação de despedida. Luna se despediu das amigas, todas com malas prontas para a viagem. Elas estavam empolgadas para voltar a Portugal, para recomeçar suas rotinas e voltar ao ritmo normal. No entanto, Luna não conseguia se livrar do peso emocional de saber que uma parte dela ainda estava em um limbo, entre o que ela queria para si mesma e o que Dean representava em sua vida.
Quando chegaram ao aeroporto, o ar estava carregado de um silêncio reflexivo. Luna sentou-se com as amigas enquanto esperavam o voo, e seu olhar se perdeu por um momento, imaginando o que a aguardava. O retorno a Portugal parecia uma ponte entre o presente e o futuro, mas ela sabia que a questão de Dean ainda estava pendente.
Naqueles últimos minutos antes do embarque, Luna recebeu uma última mensagem. Era de Dean, mais uma vez.
"Luna, vou esperar o tempo que for necessário. Eu quero estar ao seu lado, quando você estiver pronta."
Ela olhou para a mensagem, sentindo uma mistura de dor e esperança. O que ela faria? Ela poderia tentar seguir em frente, ou ainda havia uma chance para o que ela e Dean tiveram?
Com um suspiro profundo, Luna guardou o telefone e olhou para frente. O que quer que o futuro trouxesse, ela enfrentaria de cabeça erguida.
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Atualizado até capítulo 51
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