As ruas de Lisboa estavam movimentadas como de costume. O som das buzinas e das conversas se misturava com o aroma das pastelarias locais, criando um cenário típico da cidade. Luna Black, com seus 23 anos e recém-formada em Psicologia Clínica, caminhava pelas calçadas de pedras irregulares com passos firmes. Apesar de sua pequena estatura, ela transmitia uma presença marcante, reforçada por seus longos cabelos cacheados que balançavam ao ritmo do vento.
Lisboa era sua casa, mas também um lugar onde ela escondia memórias difíceis. Desde que perdera o pai aos cinco anos, sua vida fora marcada por mudanças. Sua mãe e o padrasto viviam em Luxemburgo, deixando Luna sozinha com suas lembranças e uma nova fase para enfrentar. Ela não reclamava. Era independente e orgulhosa de sua trajetória, mas carregava as cicatrizes de um passado que preferia manter escondido.
Naquela manhã, Luna tinha sua primeira consulta como psicóloga em uma clínica renomada. Não era apenas o início de sua carreira, mas também uma chance de recomeçar. Vestindo um elegante blazer preto, ela entrou no edifício, respirou fundo e seguiu para a sala de espera.
— Doutora Black? — chamou uma recepcionista sorridente.
Luna assentiu, ajustando a alça da bolsa em seu ombro.
— É a minha vez? — perguntou, tentando esconder a ansiedade.
— Sim, pode entrar. Seu paciente já está esperando.
Ao abrir a porta da sala, Luna foi recebida por um jovem de olhar inquieto. Ele parecia perdido, mexendo nos dedos como se quisesse fugir dali.
— Olá, sou a doutora Luna Black — disse ela com uma voz calma, sentando-se à frente dele. — Você pode me chamar de Luna, se preferir.
O jovem levantou o olhar hesitante, estudando-a por alguns segundos antes de responder.
— Eu sou Miguel... Não sei por onde começar.
Luna sorriu. Sabia que cada história tinha um ponto de partida e que, muitas vezes, esse começo era o mais difícil.
— Não se preocupe, Miguel. Vamos começar no seu tempo.
Enquanto ouvia o paciente, Luna percebeu algo familiar em suas palavras. Ele falava sobre perdas, medos e a sensação de estar sozinho, temas que ressoavam com as próprias experiências dela. Naquele momento, Luna entendeu que seu trabalho não era apenas ajudar os outros a superar seus traumas, mas também usar cada história como uma forma de curar a si mesma.
Ao fim do dia, enquanto caminhava de volta para casa, Luna refletiu sobre o que significava começar de novo. Lisboa podia ser cheia de lembranças difíceis, mas também era um lugar onde ela poderia escrever um novo capítulo de sua vida.
“Nem morta vou me meter em um relacionamento”, pensou, rindo sozinha. Mas, no fundo, sabia que a vida era imprevisível e que, talvez, o destino tivesse outros planos para ela.
Sala da Luna

O sol começava a se pôr, tingindo o céu de Lisboa com tons alaranjados. Luna Black girou a chave da porta de casa e foi recebida por um som inconfundível: o latido animado de Alaska, seu Husky Siberiano. O cachorro correu em direção a ela, balançando o rabo de forma frenética.
— Calma, garoto! — disse Luna, ajoelhando-se para acariciar a cabeça de seu fiel companheiro. — Eu também senti sua falta.
A sala estava quente e acolhedora, decorada com almofadas coloridas e quadros abstratos que Gabriela, uma das melhores amigas de Luna, adorava colecionar. Sentada no sofá, Mirella segurava uma xícara de chá, enquanto lia um livro de mistério.
— Finalmente em casa! — disse Mirella, levantando o olhar para Luna. — Como foi o primeiro dia na clínica?
Luna suspirou e se jogou no sofá ao lado dela, enquanto Alaska subia e se aninhava em seu colo.
— Foi intenso, mas acho que sobrevivi. Tive um paciente que me fez lembrar de... coisas do passado.
Gabriela apareceu da cozinha segurando uma tigela cheia de pipoca.
— Isso é um sinal de que você está no lugar certo — disse ela, sentando-se no chão. — Trabalhar com psicologia é meio que se reconectar com as próprias cicatrizes, não é?
— Você está sempre tão filosófica — brincou Luna, rindo.
Mirella colocou o livro de lado e olhou para Luna com seriedade.
— Mas, falando sério, você está bem? Sabe que não precisa carregar tudo sozinha, né? Estamos aqui pra você.
Luna sorriu. Gabriela e Mirella não eram apenas amigas, eram como irmãs. Desde que decidiram dividir a casa, formaram uma pequena família. Gabriela era extrovertida, sempre cheia de ideias e opiniões. Mirella, por outro lado, era a calma em pessoa, com uma paixão por livros e um talento para resolver qualquer problema com paciência.
— Eu sei. Vocês são as melhores. — Luna fez uma pausa e olhou para Alaska, que parecia concordar com um leve abanar de cauda. — E você também, garoto.
Enquanto a noite avançava, as três amigas conversaram sobre o dia, riram de histórias antigas e planejaram o fim de semana. Alaska, como sempre, era o centro das atenções, roubando pipocas e recebendo carinho de todas.
Luna se sentiu grata. Apesar dos desafios que enfrentava, sabia que tinha um porto seguro ali, com Gabriela, Mirella e Alaska. A vida podia ser imprevisível, mas com eles ao seu lado, ela sentia que podia enfrentar qualquer coisa.
Alaska
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Atualizado até capítulo 51
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