A conversa entre Luna e Dean estava no limiar de se tornar insuportável para ela. Mas, de repente, uma lembrança veio à tona, uma lembrança que ela tentou manter enterrada ao longo dos anos. Dean sempre a chamava de Borboleta.
A palavra ecoou em sua mente enquanto ela olhava para ele, que parecia mais distante do que nunca. Ele sempre dizia que ela era como uma borboleta – leve, vibrante e, acima de tudo, a fonte de sua felicidade. Ele acreditava que, assim como as borboletas trazem alegria com sua presença, Luna era a razão pela qual ele sentia que seu mundo estava completo.
Dean parecia perdido nos próprios pensamentos, e Luna sentiu algo se remexer dentro dela. Um misto de raiva e saudade. Como ele tinha ousado afastá-la com tanta facilidade? Como ele poderia simplesmente desaparecer, deixando-a com todos aqueles sentimentos não resolvidos?
— Você costumava me chamar de Borboleta, lembra? — ela disse, a voz mais baixa do que o normal, mas cheia de um peso que não podia ser ignorado.
Dean a olhou, os olhos se suavizando por um momento, como se a palavra tivesse o poder de abrir uma porta para o passado.
— Eu ainda acho que você é a borboleta da minha vida, Luna — ele respondeu, quase sussurrando. — Mas não sei se você me perdoa o suficiente para deixar eu ser parte disso novamente.
Luna sentiu um nó apertar em sua garganta. Ele ainda usava a mesma expressão, o mesmo olhar intenso, como se nunca tivesse a deixado ir. Mas era tarde demais para se arrepender, não é?
— Eu sou a borboleta, Dean... mas você foi quem me deixou na tempestade. Agora não sei se tenho forças para voar novamente para você — ela disse com firmeza, mas a dor estava estampada em seu rosto.
Dean deu um passo à frente, como se tentasse alcançar uma parte de Luna que ele sentia que ainda existia ali, uma parte que talvez ele tivesse perdido. Mas ela se afastou, não mais disposta a ceder às palavras vazias.
— Eu entendo — ele disse, a tristeza evidente em sua voz. — Mas, por favor, me dê a chance de mostrar que posso ser a mudança que você precisa.
Ela o olhou por um instante, sentindo seu coração apertar. Era uma luta entre o amor que ainda existia e o orgulho ferido que ela tinha guardado por tanto tempo.
Luna respirou fundo, tentando afastar as emoções que estavam prestes a dominá-la. Não podia se permitir ser vulnerável novamente.
— Não é sobre dar chances, Dean. É sobre eu me reconstruir sem precisar de você. Se você realmente me ama, então eu preciso de tempo para entender o que isso significa para mim agora.
Dean não a interrompeu. Ele sabia que ela estava certa. Eles precisavam de tempo. Mas, por dentro, ele sentia como se estivesse perdendo uma parte dele mesmo. A Borboleta que sempre o fez sorrir e se sentir completo.
Mas Luna não o olhou novamente, em vez disso, ela virou-se e foi em direção às suas amigas, deixando Dean para trás. Ele ficou ali, de pé, com um vazio maior do que imaginava que pudesse existir entre eles.
Era uma sensação amarga, a sensação de que as palavras não podiam consertar tudo o que eles haviam perdido.
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Atualizado até capítulo 51
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