Tá tarde, não seria melhor outra hora?
Não, por favor
Tá ok, mas vou parar em meia hora, depois não reclame, vai, vamos começar
Jamais esquecerei aquele dia 27 de maio de 1945, o dia que inaugurou a loja de doces ao lado da minha casa, maldita hora que fui querer aquele doce, o destino muitas vezes é cruel
Eu era uma jovem sonhadora, porque aconteceu isso? Eu não me conformo, nem aqui me conformo
Meu nome é Jane a caçula de 3 irmãos, maltês era um tonto, por ser o irmão mais velho, não cansava de me dar ordens, como alguém de 15 anos dá ordens a alguém de 13? Acho que nem pra minha querida irmã que era mais velha um ano
Cesária era totalmente diferente, aí que saudade de Cesária, jamais passará na terra alguém como minha irmã e foi por causa dela que infelizmente tudo aconteceu
Era o dia da inauguração, sábado, logo às 06:00 quando o Miguel o fazedor de bolos descarregava farinhas e botijas de óleo e azeite
Minha irmã já estava a se agitar, eu inocente perguntava o que era sua inquietação, mas ela apenas dizia que eu não ia entender, ela dizia que nem ela estava entendendo tudo aquilo
Amor! Paixão, fogo, muitos nomes, o que eu sei que foi a desgraça de nossa família
Tudo bem?
Sim, sim! é emoção, continue
Nossos pais estavam em são Paulo, se eu me lembro bem um tio ou uma tia tinha falecido, maltês tinha ficado responsável por nós, acho que isso que inflou meu irmão, se achou o homem da casa
Eu insistia em dizer o que era toda a inquietação, mas Cesária sorria, cantava e olhava pela janela o jovem português Miguel a desembarcar as coisas
Meu irmão fazia na sala um papelão, ele era burro, tonto, mal sabia ler, mas a responsabilidade incumbida a ele, mexeu com sua cabeça
Era o cúmulo vê-lo sentado no sofá com o pé na mesa de centro com aquele jornal aberto, ele só tinha esquecido de desvirar o jornal, ou era um tonto de marca maior ou um gênio pra conseguir ler de cabeça para baixo
Por favor, se rir não consigo
Perdão, foi engraçado
Cesária fez sinal para que eu não fizesse barulho, ela pulou a janela, carambolas ela nunca tinha feito traquinagens, ela era pacata, mas o tal do amor tinha deixado ela maluca
Ela simplesmente pulou a janela e foi para a cerca de nossa casa, eu estava achando aquilo uma loucura, maltês não ia admitir, na verdade eu sabia bem o que acontecia, eu era mais nova mas já conhecia bem as obscenidades que existiam dentro da cabeça de maltês
Graças a DEUS a primeira investida de Cesária não deu certo, ela ouviu nosso irmão nos chamar, e com medo voltou correndo pro quarto, se eu tinha desconfiança, ela se acabou naquele dia
Maltês percebeu algo diferente em Cesária, ela estava sorrindo de forma desproporcional, ele perguntava se ela tinha visto o passarinho azul e ela sorria, ela sorria por estar avoada, não pela gafe de nosso irmão
Já eu sorria porque era inacreditável como meu irmão era estúpido em tudo, até um simples dito popular ele errava, caramba! O passarinho era verde, até isso ele errava
Nossa! Ele era idiota como você
Há! Vai se catar
Silêncio..........Eu vou interromper a sessão
Não, por favor! Não vamos mais atrapalhar
Era clara a inquietação de meu irmão, ele não tinha escrúpulos, sabia que a ausência de nossos pais abria caminho para sua mente suja, Cesária coitada, ainda não tinha notado nada
Por volta das 11:00 fui pro quarto e notei que ela já não estava mais, no fundo do meu coração eu já sabia onde ela estava, mas me recusei acreditar, fiquei rezando pra maltês não aparecer, se ele aparecesse no quarto e notasse sua ausência, seria o fim
Enquanto eu fazia minhas preces, orando pra que maltês ficasse longe e que Cesária tivesse juízo, em minha mente o enredo do que estava prestes a acontecer se construía, não demorou dois minutos pra porta se abrir e tudo começar
Meu irmão entrou parecendo já saber da ausência de Cesária, suas palavras mostram o tamanho da sua obsessão e da sua doença
Cadê Cesária? Ela pensa que me engana?
Ele me pegou pelo braço com força, aí se meu pai visse aquela cena, maltês com certeza ficaria sem os dentes
Meu irmão sabia que aquela era a sua chance de mostrar todo seu jeito doente, da onde eu estava conseguia ver Cesária já no quintal da doceria, meu DEUS que atitude maluca da minha irmã, tudo isso pra ver o tal português de perto
Maltês estava tão cego de raiva que olhou pela janela e não viu Cesária a menos de 10 metros
Ele largou meu braço e saiu enfurecido em direção do quarto de meus pais, e logo eu saberia o porquê dele ter ido justamente lá
Só eu estou achando essa história incestuosa é?
Cala a boca irmão
Se você não seguir o conselho da sua irmã, eu vou parar a sessão, chega! Já estão falando demais
Não! Por favor, temos que saber a história de nossa família, o idiota do meu irmão vai calar a boca sim, nem que eu tenha que fazer isso eu mesma
Então!
Eu juro que tentei evitar, mas aquilo parecia estar escrito, parecia ser destino, karma ou qualquer outra coisa parecida
Meu irmão movido pelo ódio ou amor histriônico, pegou a arma de nosso pai, que sim! Eu sabia da existência, mas jamais pensei que meu irmão soubesse o esconderijo, e pensar que aquela maldita arma, aquele maldito gatilho e os dedos do meu maldito irmão, foram a ruína de nossa família
Tentei evitar, juro que tentei, mas não teve jeito, ele percebeu meu olhar amedrontado em direção a janela, maltês olhou justamente na hora em que Cesária conversava com o português Miguel, coincidência? Acho que não, o script daquele dia estava muito bem escrito
Não tinha ninguém na doceria, ela ia ser inaugurada no final da tarde e não tinha ninguém, nenhuma faxineira, nenhum funcionário, nada, era apenas o português e minha impulsiva irmã
Maltês pulou a janela com a arma na mão, pensei em gritar, mas não gritei, penso que meu grito poderia evitar tudo, mas por quê não gritei? Caramba, por quê não gritei?
De repente um silêncio pairou no ar, até os pássaros pararam de cantar, até os grilos, até o vento, tudo
Um tiro
Um tiro que ecoou em meus ouvidos, eu não podia imaginar aquela cena, meu irmão um assassino
Gritei o nome da minha irmã, mas não aparecia ninguém, foi um tiro, o que correspondia maltês ter matado o português Miguel, sendo assim minha irmã ainda estaria viva
Mas por quê ela não gritou? Minha angústia só aumentava, aquele silêncio gritante não condizia com o eco de um tiro, passaram-se alguns minutos angustiantes até que vi maltês voltando pelo jardim da doceria
Mas Cesária? Por que minha irmã ainda estava lá? Eu gritava por ela, gritava com meu irmão, mas ele estava com um olhar sombrio, um semblante malévolo, sangue no corpo, braços arriados, e não dizia nada
Maltês não voltou pela janela, entrou pela porta da frente de nossa casa, meu DEUS ! O quê tinha acontecido na doceria? Minha irmã, porque ainda não tinha saído de lá?
No mesmo momento que eu ouvia os passos de maltês já dentro de nossa casa, pela janela eu já podia ver os vizinhos entrarem na doceria, a aglomeração a se formar
Era o fim de meu irmão, era o fim do nome da nossa família, nossa vida seria um inferno
Os vizinhos apontavam para nossa casa gritando
Ali! Ali! Ele entrou ali policial
Eu paralisei na janela, meus músculos não conseguiam se mover, parecia que meu cérebro já soubesse o que estava prestes a acontecer
Maltês abriu a porta do meu quarto em prantos, ele estava soluçando e tentando me dizer algo, mas não pude escutar, não pude entender, não pude fazer mais nada
Meu irmão, o sangue do meu sangue me olhou nos olhos, apontou a arma pra minha cabeça e apertou o gatilho
No mesmo momento vi um clarão.....
Carraca! Ele matou a irmã?
É irmão, o maldito matou nossa parente, isso a tia não contou
E o maltês se matou? E a Jane morreu mesmo?
E Cesária! Morreu?
( 5 minutos depois )
Olha meus jovens, ela está cansada, não vai mais psicografar, agora só na próxima semana ok
E o final da história?
É! Como podemos ir embora sem o final da história? Estamos aqui pra isso, por favor, não pode nos deixar assim, com dúvidas
Me desculpem, agora só na próxima semana, por favor, eu tenho que fechar a casa, queiram se retirar
Fim
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Atualizado até capítulo 23
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