AQUELA NOITE DE AGOSTO
Aconteceu no ano de 2018.
Coincidentemente no mês de agosto , não há como esquecer aquela noite do dia 22/08.
Sou engenheiro agrônomo e recebi uma proposta de emprego p trabalhar num laboratório de uma grande empresa no interior do sudeste do país, mais precisamente em MG.
Estava muito feliz com minha conquista , pois em meio a muitos candidatos , num super difícil processo seletivo, fui selecionado . E após todos os trâmites de testes, apresentações de títulos e exames admissionais , o lugar seria meu.
Ficaria responsável por supervisionar as fazendas as quais fosse designado por todo o Brasil, ou seja, viajaria muito.
Chegando a BH , me hospedei num hotel , aluguei um carro e parti para o município onde se localizava a fazenda a qual me foi designada.
Para adiantar o serviço, peguei a estrada às 16:00h , já sabendo que iria dirigir noite a fora, caso precisasse descansar , me hospedaria em alguma pousada ou hotel pela estrada.
Ouvindo minha play list dirigia e admirava a paisagem local.
Me chamou a atenção, muitas cruzes nas beiradas da BR.
Seriam acidentes automobilísticos ocorridos no local e/ou atropelamentos? Pensei comigo...
Viagem tranquila e trânsito bom , estradas em não tão boas condições.
A noite começou a cair , assim como a temperatura.
Avistei uma parada , estacionei o carro, comi alguma coisa , me agasalhei e segui viagem.
Até hoje me pergunto, " PQ NÃO POUSEI ALI NAQUELA NOITE E SEGUI VIAGEM PELA MANHÃ?"
Me arrependi ...
Passado algum tempo, uma névoa densa pairava em frente e só meu carro na estrada , alguns grandes caminhões por vezes passavam por mim .
Escuridão total , somente os faróis do carro iluminavam a via e seguiu-se este cenário ...
Lá pelas 21h , percebi que um carro se aproximava , não me ultrapassou , ficou atrás de mim e com farol alto.
O pouco que consegui distinguir, era que se tratava de um carro antigo, grande e escuro.
Achei estranho , passei para outra pista e o carro também passou , permanecendo desta vez, colado em mim.
Mudei novamente de faixa e ele fez o mesmo.
Eu acelerava e ele também...
Eu dava seta dando passagem, mas ele não saía de trás.
Meu coração já estava a mil...
Eu tentava ver pelo retrovisor o motorista , já que estava tão próximo da minha traseira , mas devido ao farol alto em meus olhos e a névoa , não conseguia.
Até que próximo a uma curva , ele arrancou com o carro , saiu de minha traseira e emparelhou-se ao meu lado .
Em meio a cerração e a escuridão , tentei visualizar o motorista e o que eu vi, nem que eu viva mil anos, esquecerei.
Vi um corpo sem cabeça ao volante.
Era um corpo masculino de terno , segurando o volante , porém , não havia cabeça.
Apavorado , diminui a marcha já em cima da curva e em alta velocidade , rodopiei com o carro e felizmente consegui controlar a máquina.
Após esses instantes de terror, o carro que me persegui, simplesmente desapareceu.
Só eu , encontrava-me naquela estrada escura , meu farol ligado , aquela maldita neblina e o barulho do pisca alerta do meu carro.
Transpirando e tremendo muito e com muito medo, não sei como consegui dirigir até uma posterior parada.
Um barzinho , uma espécie de parada de caminhoneiros.
Ao entrar , o atendente do balcão e uns senhores que tomavam umas cervejas , notaram meu desconforto e palidez.
O rapaz perguntou se eu estava bem .
Eu disse que precisava me sentar um pouco .
Um dos idosos sentado a outra mesa, perguntou-me com a voz pausada e espantada : " VOCÊ VIU ELE NÉ MEU FILHO? "
Eu nada respondi.
Não tinha condições de falar.
Meu coração estava apertado e doía.
Dali não me lembro mais de nada...
Acordei no hospital, monitorizado e com uma máscara de oxigênio...
O médico explicou que o pessoal da pousada, chamou o SAMU e me resgataram quando desmaiei.
E que eu tive uma taquicardia importante e que eu deveria depois procurar um cardiologista para investigar mais a fundo a causa , mas que no momento, estava tudo sob controle...
Mas eu sei o que vi, eu sei o que causou aquela dor no peito...
Depois que tive alta , voltei para casa e pedi demissão daquele serviço.
Trabalho com outra coisa que nada tem a ver com minha formação.
Eu nunca mais quis saber de estradas e muito menos de dirigir ...
Quando tomo um táxi, procuro não olhar para os lados , tenho medo de quem possa estar emparelhado comigo...
Tomo remédios de tarja preta.
Faço tratamento com psiquiatra e psicoterapeutas.
Sei que eles não acreditam em mim e/ou no que eu digo, mas não me importo...
Eu sei o que vi...
( Por Sílvia Restani)
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Atualizado até capítulo 23
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