A Última Música

A Última Música

Ana sempre amou música. Seu pequeno rádio antigo, herdado da avó, era sua companhia em noites solitárias. Apesar da aparência desgastada, o rádio tinha um som claro, quase hipnotizante. Ana acreditava que ele possuía algo especial, algo quase mágico.

Certa noite, enquanto o vento uivava lá fora, Ana estava deitada em sua cama ouvindo sua estação favorita. No entanto, o sinal começou a falhar. Estática invadiu o quarto, e ela franziu o cenho, batendo no rádio na tentativa de corrigir o problema. De repente, a estática cessou, e uma voz suave e melancólica começou a cantar uma melodia que ela nunca tinha ouvido antes.

Era linda, mas profundamente triste. A voz parecia vir de outro mundo, cheia de sofrimento e saudade. Ana ficou paralisada, incapaz de mudar a estação. Quando a música terminou, a voz sussurrou:

— "Você me ouve?"

O coração de Ana disparou. Era impossível. Radios não falam com pessoas. Ignorando o medo crescente, ela desligou o rádio e foi dormir, tentando esquecer o ocorrido.

Na noite seguinte, a curiosidade foi mais forte. Ligou o rádio novamente, mas nenhuma estação pegava. Tudo o que ouviu foi estática... até que a mesma melodia começou a tocar. Desta vez, a voz estava mais clara, mais próxima.

— "Você me ouve agora?"

Ana, assustada, desligou o rádio novamente. Mas a música continuou ecoando pelo quarto. Ela tampou os ouvidos, mas era inútil. A melodia parecia vir de dentro de sua própria mente.

Na terceira noite, ela tentou se convencer de que era apenas uma ilusão causada pelo cansaço. Porém, ao ligar o rádio, não houve música, apenas a voz:

— "Por que você não responde? Estou presa aqui há tanto tempo..."

— Quem está aí? — Ana finalmente perguntou, a voz trêmula.

Houve um silêncio, seguido de um som baixo, quase como um choro. A voz respondeu:

— "Eu era como você. Uma garota que adorava música. Um dia, ouvi uma melodia que nunca devia ter escutado. Agora, estou presa neste rádio, e só alguém como você pode me libertar."

— Libertar? Como? — Ana perguntou, sentindo um arrepio gelado subir pela espinha.

— "Basta ouvir a música até o fim."

Contra o instinto, Ana ficou. A melodia começou, mais sombria do que antes, cheia de notas que pareciam ecoar diretamente em sua alma. À medida que a música avançava, imagens estranhas e perturbadoras surgiam em sua mente: uma menina sentada sozinha em um quarto escuro, um rádio igual ao dela, e algo... algo na escuridão atrás da menina.

Quando a última nota soou, o rádio desligou sozinho. Ana sentiu algo mudar ao seu redor. O quarto parecia mais frio, mais apertado. Então, ouviu passos atrás dela.

Virou-se rapidamente, mas não havia ninguém. O rádio, no entanto, estava ligado novamente, apesar de ela não ter tocado nele. A mesma voz suave, mas agora com um tom de satisfação, sussurrou:

— "Obrigada por me libertar."

Na manhã seguinte, a mãe de Ana entrou no quarto e encontrou o rádio desligado, empoeirado, como se não tivesse sido usado há anos. Ana não estava em lugar nenhum.

Na cidade, boatos começaram a surgir sobre uma nova melodia que ecoava à noite em rádios antigos. Aqueles que a ouviam diziam que a música era linda, mas... ninguém sabia explicar o que acontecia depois da última nota.

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