Contos Sombrios: “Próxima Parada...!!!”.
–Ei senhor, senhor....!,seu ônibus....!, ei....!–. Charles desperta e percebe que a voz vinha de uma das atendentes da rodoviária.
Ele se desculpa com ela, pelo incômodo e com sua passagem em mãos, seguindo para o ônibus em que deveria viajar. A fila não era grande, indicando que poderia escolher um banco de sua preferência, caso não gostasse do que tinha sido reservado para ele, Charles ainda comemora, que com aquele clima chuvoso, poderia dormir a viagem toda. Durante o embarque dos passageiros, que mal totalizaram um total de 15 ocupantes fora, o motorista e um mecânico da empresa que iria descer na próxima rodoviária, os dois comentavam entre si sobre como detestavam viajar em dias com aquele clima chuvoso, ainda mais que na região, se tinha alta incidência de neblina durante fortes chuvas. Ele se dirigiu ao assento do fundo do veículo, e após sentar beirando a janela, colocou sua mochila no banco ao seu lado, como era uma viagem um pouco longa, ele colocou seus fones e deitou o banco em uma posição, confortável para tentar dormir, não demorou o mesmo pegou no sono.
Após algum tempo acordou, não era possível enxergar, nada lá fora, devido a neblina e a sua janela estar muito embaçada por causa da chuva. Enquanto limpava sua janela com seu casaco, o rapaz percebeu que estavam entrando em um túnel escuro, mas ao confirmar o horário em seu celular, percebeu que já deveriam ter passado aquele túnel a quase uma hora de viagem atrás, tudo bem que poderiam estar indo mais devagar devido a neblina e chuva, mas aquilo não justificava tanto atraso na viagem. Ele continua a limpar sua janela quando tem a impressão de um vulto passar rapidamente por sua janela, e ao olhar ao redor pelas outras também foi possível perceber um movimento sutil, que gerou comentários, entre os outros passageiros que ainda estavam acordados.
–Você viu aquilo...!?–
–Será que foi apenas ilusão causada pela neblina–
–Que coisas eram aquelas–
Vários comentários similares tomaram conta do ônibus, que após alguns minutos saiu de dentro do túnel deixando para trás, seja lá oque fosse que os passageiros viram.
A viagem seguia normalmente, até que próximo a adentrar uma pequena cidade, veio o som alto do pneu explodindo, seguido pelo som da lona batendo contra o asfalto. Seria uma grande sorte o pneu ter estourado, bem quando estavam entrando em uma cidade, se não fosse por um comentário, que vinha da cabine do motorista.
–No que nós furamos o pneu....!?, porque dessa cara....!, temos dois estepes, eu só vou descer e trocar para gente–. Disse o mecânico para o motorista.
–Não e o pneu que me preocupa seu burro, mais sim em que lugar estamos, quando passamos no túnel o GPS, sofreu interferência, não queria acreditar, mais acho que estamos perdidos, eu faço essa rota a anos e não era para haver uma cidade aqui...!–. Respondeu o motorista em um tom preocupado.
–Oque....!, para de brincadeira não tem como termos nos perdido, você não pegou nem um desvio após sair do túnel, tenta reiniciar a central do GPS, vou descer ver o estrago, avise os passageiros que logo iremos continuar viagem– disse o mecânico antes das portas do ônibus abrirem.
Assim que ele desceu o motorista desligou o motor, abriu a porta de acesso do corredor e informou os passageiros sobre o ocorrido que iria atrasar a viagem, em seguida desceu para ajudar o mecânico. Charles, tenta ver no GPS de seu celular, aonde estavam, já que ao olhar pela janela não reconhecia a cidade em que estavam, mas para sua surpresa, o mesmo apresentava erro, por falta de sinal de internet, o rapaz então se dirigi para fora do ônibus, a cidade parecia um local parado no tempo, com uma arquitetura, dos meados dos anos 70 a 90, com cabines telefônicas antigas e casas que lembravam está época.
–Ei motorista que cidade é essa que estamos...!?–. Questionou o rapaz
–Por favor aguardem no ônibus, logo iremos retornar a viagem–. Disse o motorista em um tom irritado.
Antes que o rapaz voltasse para o ônibus, um casal e um homem de meia idade descem do ônibus, eles pareciam irritados com algo, os três seguem na direção do motorista.
–Você pegou algum desvio, não deveria haver uma após o túnel, estamos perdidos...!?–. Perguntaram os três para o motorista, que novamente pediu para que voltassem para o ônibus.
Um adolescente desce do ônibus ao ouvir a conversa e diz que viu o nome da cidade na placa de entrada.
–Mist Hill....!, esse eo nome da cidade, eu vi na placa quando passamos pela entrada–. Disse ele aos demais.
O mecânico encara o garoto enquanto afrouxava os parafusos da roda e com um de irritado, responde ao mesmo que aquela brincadeira não tinha graça.
–Nao e uma brincadeira e sério, esse nome que tava na placa da entrada da cidade...!–. Respondeu o jovem enquanto questionava o porquê o mecânico achava que aquilo era uma brincadeira.
Quando estava quase soltando a roda do ônibus, o macaco hidráulico, sede ao chão, dando um solavanco no veículo.
–Que merda, como sempre, essas merdas estão dando problema, vou ter que ir até um posto para buscar um emprestado–. Disse o mecânico enquanto jogava a chave no chão com raiva.
–Quem vai junto para me ajudar...!?–. Perguntou o mecânico olhando para os passageiros que tinham descido do veículo.
Charles eo primeiro a se prontificar, seguido pelo adolescente, que se indentifica como Matheus, que em resposta tem os nomes do motorista e do mecânico revelados.
– Eu sou o Gabriel e esse gordo ranzinza que nos trouxe, até este fim de mundo eo Cris–. Disse o mecânico enquanto o motorista avisava os passageiros que poderiam descer para ir nos comércios da cidade ou esticar as pernas.
Os quatro anda por algumas quadras, até perceberem algo estranho, apesar do tamanho razoável da cidade, ainda não tinham visto nem um sinal de vida, além de algumas faixadas iluminadas de alguns comércios, e veículos parados e vazios, parecia uma daquelas cidades fantasmas de filmes de terror, que junto a neblina e fina chuva, reforçaram ainda mais o ar macabro.
– Ei garoto, você tem certeza que tava escrito Mist Hill na placa da entrada da cidade...?–. Perguntou o mecânico a Matheus, que afirmou novamente que sim.
Uma pequena discussão entre o motorista e o mecânico se inicia devido ao assunto do nome da cidade, até que Charles os questiona firmemente, de o porquê daquela fixação referente ao nome Mist Hill.
–Porque não pode ser verdade simples assim, deve ser alguma pegadinha de mal gosto. A cidade de MIST HILL, e uma lenda urbana entre as empresas de transporte, a lenda diz que é uma pequena cidade que desapareceu do mapa na decade de 80 , ela era uma para frequente na rota e do nada em um belo dia, quando o ônibus chegou aonde deveria estar a cidade, não existia nada lá, ela tinha evaporado no ar, sem deixar pistas, os motoristas mais velhos da empresa afirmam que e verdade e que foi na época deles que a cidade sumiu, mais eu não acredito que uma cidade inteira possa evaporar do nada, isso aqui deve ser uma pegadinha ou algo do tipo–. Afirmou o motorista para os outros membros do grupo.
Eles andam por mais algumas quadras quando avistam um grande posto de gasolina, junto a ele havia ao lado uma oficina e borracharia, enquanto o mecânico eo motorista se dirigem a borracharia, Charles e Matheus, decidem que iriam a loja de conveniência, comprar alguma coisa para comerem. Mas ao adentrarem a porta, encontram o local vazio, sem clientes ou funcionários, o local parecia abandonado, sem nem um sinal de vida. Enquanto andavam entre as prateleiras, Charles acha algo que o deixa bastante feliz, um marca de chocolate que a muito tempo não via mais no comércio, ele abre e começa a comer, oque o trás lembranças da infância, ele oferece para Matheus que ao pegar a barra e provar, começa a olhar a embalagem e diz.
–Ei essa coisa tem mais de 20 anos aqui está escrito, validade até mês 2 de 1984–. Disse o rapaz enquanto pegava outros itens das prateleiras para observar a data de fabricação.
Os dois olham vários ítens das prateleiras, todos tinham datas de vencimento semelhante, porém ao abrir, eles pareciam estar em bom estado de consumo, como se fossem novos, achando tudo aquilo estranho, Charles decide adentrar o balcão, aonde havia até mesmo uma estufa com hambúrgueres, que ao serem abertos revelaram estar quentinhos e frescos, ele e o adolescente, chamam novamente, no intuito de saber se o local realmente estava abandonado, antes de irem, até o escritório nos fundos aonde encontram, uma arma com balas sobre a mesa e um carta escrita a mão bem próximo da mesma.
“Foi a alguns meses, eu estava em mais um dia normal de trabalho, quando senti o tremor logo pela manhã, em seguida veio a interferência nos rádios e telefones que apresentaram muitas vezes, falta de sinal, assim como os relógios que pararam de funcionar durante o tremor, não sei oque aconteceu, mais acho que estamos em outra dimensão ou algo parecido, o ônibus não apareceu mais aqui, e logo na primeira noite, aquelas coisas surgiram da escuridão, com seus mantos negros e mãos esqueléticas, arrastando os desavisados para Deus sabe onde, isso foi a um ano atrás, a maioria da pessoas que tinham carros, passaram abastecer aqui e seguiram viagem rumo ao desconhecido, foi nas primeiras semanas que descobri, que aquelas coisas se escondem em locais escuros, como o túnel da rodovia, um casal de moto entrou lá e foi atacado no mesmo instante, aprendemos que eles só entram nas casas se estiverem com as portas abertas ou luzes apagadas. Ficam lá a espreita se escondendo, em porões e sótão escuros, não tenho coragem de entrar em casas estranhas que eu não tenha certeza que passaram a noite trancadas, nas últimas semanas, sobraram poucas pessoas na cidade perdida de MIST HILL, eu sou um dos últimos, com o tempo nesse lugar esquecido, descobrir algo que me deixou chocado, apesar de ter um ciclo normal de dia e noite, acho que o tempo não está passando, pelo menos não como deveria, comidas não estragam, a primeira vez que percebi foi com as dezenas de lanches que estavam nas estufas, quando fui, pegar eles para descartar devido as semanas que já estavam na estufa, percebi que pareciam como novos, estavam frescos e com bon gosto, como se fossem feitos a horas atrás, testei com refrigerante e outros alimentos, eles também não estragam ou ficam ruins com o tempo, só sei o passar dos dias porque anotava nas paredes do meu quarto improvisado no porão do posto, mais noite passada dormi aqui, pois sem querer, ao mudar alguns objetos de lugares, acabei acertando a lâmpada, hoje pela manhã a porta do porão estava só encostada, eu a lacrei e coloquei um aviso na mesma, não sei quanto tempo irei aguentar nesse inferno, talvez me mate essa semana ou me entregue para aquelas coisas, bom esse e meu desabafo, se estiver lendo isso, sinto muito voce, deve estar na mesma situação de merda e eu provavelmente ja devo estar morto”.
No verso da carta continha um nome e uma data: Samuel Rodriguez possível data de hoje 15/07/1983.
Ao ler aquilo Charles fica perplexo, aquilo não poderia ser realidade, ele então entrega nas mãos de Matheus para que o mesmo leia, enquanto o rapaz olhava a carta, Charles pega a arma da mesa e confere as munições, todas as seis balas do revólver estavam intactas, então se fosse verdade tudo aquilo, o homem da carta teria morrido de outra, forma ou estaria em algum lugar da cidade, para tirar suas dúvidas ele sai pela porta dos fundos e vê que realmente as portas que levavam ao porão estavam lacradas com madeiras e metais parafusados, escrito não abra perigo e uma enorme caveira pichados com tinta spray vermelha.
Eles então chamam os outros dois do grupo que já tinham conseguido achar as ferramentas que precisavam, ao verem aquelas coisas, o mecânico e o motorista, debatiam entre si, quais a chances daquilo ser uma enorme pegadinha, ou de terem sido levados para sabe se lá que raios de lugar era aquele.
–Qual é Cris, eu e você ouvimos a história dessa cidade ter sumido a décadas, você viu lá produtos a data deles, a maioria deles nem se fábrica mais, a carta está muito detalhada, ou isso e a pegadinha mais bem feita que eu já vi, ou estamos em outra dimensão ou algo assim, qual vai ser, vamos esperar lá fora no escuro, para tentar descobrir se e verdade ou pegadinha, ou podemos concertar o ônibus e tentar achar algum lugar seguro...?–. Disse o mecânico em um tom ansioso.
O grupo chega a um consenso que iriam, trocar o pneu do ônibus, vir ao posto abastecer, pegar galões reservas de combustível e tentar andar pela rodovia até encontrar algum local seguro, se a carta estivesse correta, desde que o ônibus ficasse trancando, estariam a salvo mesmo a noite, então com um caminhonete que estava que estava no patio do posto, com sua chave na ignição, o motorista e o mecânico foram buscar o ônibus, enquanto os dois rapazes, ficaram abastecendo, todos galões que encontraram no local. Quando o ônibus retornou, descobriram que alguns dos passageiros estavam desaparecidos, após entrarem em um casa que estava com as portas abertas, sem perde tempo, abasteceram o veículo e colocaram no bagageiro, os vários galões extras, o plano era andar por uns 400 quilômetros oque usaria um tanque de combustível do ônibus, se por acaso nem uma outra cidade fosse encontrada, retornariam para trás com o combustível dos vários galões que era equivalente a mais de um tanque cheio e pensariam em outro plano.
Enquanto o ônibus começava avançar na neblina que estava mais densa com o começar do cair da noite, Charles em seu acento no fundo do ônibus, se encontrava na janela, observando os movimentos sutis na escuridão ao longe, começando a adormecer e rezando para que tudo aquilo fosse um simples sonho, que fosse acordado na rodoviária, por algum funcionário da empresa de viagens ou que tivesse dormido, já dentro do ônibus, sendo desperto pelo som nos alto falante do veículo dizendo em alto e bom som.
–PROXIMA PARADA....!!!–
Conto:Contos Sombrios: “Próxima Parada...!!!”.
Autor: Carlos Alexandre Eurich.
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Atualizado até capítulo 23
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