A VELHA GENOVEVA
Quando mudaram -se para aquela fazenda , aquele casal recém casado e cheio de sonhos estava muito feliz.
Ele seria empregado do dono das terras e ajudaria nos cuidados com os animais.
Sua esposa era professora "primária " (como se dizia naquela época, o que corresponderia hoje em dia , ao primeiro segmento do ensino fundamental) e tentaria uma vaga no colégio municipal da cidade.
O patrão cedeu-lhes uma casinha junto à vila onde moravam os demais empregados.
Foram bem recebidos pelos colonos que lhes eram sempre solícitos.
E assim a vida prosseguia.
A moça então, recebeu a alcunha de
" professorinha".
Dava aulas pela manhã e à tarde, para ajudar no orçamento, fazia bolos e compotas de doces para vender.
Naquela semana , a professorinha amanheceu "enjoada" e naquele dia não teve apetite.
No caminho para a escola que era relativamente distante, encontrou uma senhora aparentando já muita idade, vestida de trapos e que carregava um feixe de lenha nas costas e mancava.
A professorinha a cumprimentou e a velha a olhou estranha e maliciosamente dizendo:
" D'IA MOÇA ! EM BREVE VC VAI TER CRIANÇA E SERÁ MENINA! "
E seguiu caminhando, resmungando e rindo sozinha , a velha capenga.
A moça chegou à escola e comentou com suas colegas o que havia acontecido .
Elas referiram que se tratava da velha Genoveva, uma andarilha, que por vezes aparecia nas redondezas e assim como surgia, desaparecia por longos períodos , algumas ao ouvirem seu nome, até se benzeram.
Os dias passaram e confirmou-se a gravidez da professorinha.
O casal ficou muito contente.
Porém, começou um período onde tudo parecia estar meio estranho.
Alguns animais adoeceram, perderam o apetite.
As criações apesar de bem tratadas e alimentadas, estavam visivelmente magras e ficavam inquietas à noite.
O leite misteriosamente antes de ser fervido , talhava.
Os cachorros estavam nervosos, ladravam sem cessar.
Com o passar do tempo, todos reparavam nestes acontecimentos.
O tempo ficou muito seco.
As plantações e a colheita não foram satisfatórias naquele período.
E os mais antigos diziam :
"É a velha Genoveva...
Sempre quando ela chega , essas coisas acontecem..."
E alguns se benziam dizendo:
" Credem cruz"...
Até que chegou a hora do parto da professorinha.
As dores começaram , foram correndo chamar a parteira e nasceu de um parto muito difícil , uma linda menina.
Felizmente ficou tudo bem.
A mãe após amamentar a criança tomou um caldinho feito por uma vizinha que a ajudava e deitou-se ao lado da criança para descansar .
Tarde da noite a professorinha pediu ao marido que a ajudasse a levantar para ir ao banheiro , que ficava fora de casa e ao voltarem ao quarto , viram com horror que a criança estava sendo sugada por uma estrutura que parecia um filete muito comprido e viscoso, que descia das telhas da casa.
O marido mais que depressa pegou um facão que ficava pendurado na parede e cortou aquele fio . Foi quando ouviram um grito horripilante vindo do telhado e passos como se estivessem correndo por cima da casa.
Após aquela gritaria os vizinhos correram para ver o que havia acontecido.
Aquela língua comprida sugou o cordão umbilical do bebê como se fosse um canudo.
Chamaram na hora o padre da cidade e a benzedeira , que fez uma oração pela criança que ficou muito agitada e chorava muito.
A benzedeira colocou uma moeda no umbigo da criança e o enfaixou .
O padre batizou o bebê que tranquilizou-se.
Disseram que aquilo "era coisa de bruxa"!! Que se alimentava de sangue de recém nascido que ainda não havia sido batizado.
Os dias se passaram e a professorinha então , encontrou na estrada novamente , aquela velha , que a olhava com expressão de raiva .
Quando a professora a cumprimentou , a velha limitou-se a balançar a cabeça sem responder verbalmente ao cumprimento.
Desta vez, não estava sorridente ...
Nunca mais a velha Genoveva foi vista por aquelas bandas.
( Por Sílvia Restani)
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 23
Comments