Enquanto o relógio marcava cada minuto da madrugada silenciosa, eu não conseguia afastar o pensamento de Dominik. Seu rosto estava gravado em minha mente como uma imagem persistente, mas a memória de onde o havia visto antes se esquivava de mim como uma sombra fugaz. Eu revirava as páginas do meu passado, procurando por qualquer detalhe que pudesse me levar ao momento exato em que nossos caminhos se cruzaram. Cada tentativa de recordação parecia levar a um beco sem saída, até que, exausto, eu finalmente caí no sono, com a esperança de que o amanhã traria a resposta que eu tanto buscava.
Acordando cedo, senti uma energia renovada. O sol ainda estava nascendo, lançando tons de rosa e laranja no céu. Resolvi começar o dia com uma caminhada pela praia, sentindo o ar salgado e a areia quente sob meus pés. O som das ondas quebrando na costa criava uma melodia suave, enquanto observei o mundo despertar ao meu redor. Enquanto caminhava, notei as gaivotas voando baixo, à procura de seu café da manhã, e as pequenas conchas espalhadas pela areia, como pequenas obras de arte. Foi um momento de paz e conexão com a natureza, que me deixou preparado para enfrentar o dia com otimismo e vitalidade.
Enquanto as ondas quebram suavemente na praia, minha mente começa a divagar, revivendo lembranças esquecidas. Meu pai, Alfred, sempre teve uma fascinação inabalável por Dominik. Sua obsessão era tão intensa que nossa casa se tornou um santuário dedicado a esse enigmático personagem. Quadros, pinturas e recortes de jornais cobriam as paredes, cada um contando uma história, um capítulo da vida de Dominik. Meu pai passava horas estudando cada detalhe, cada gesto, cada palavra dita por ele. Eu me lembro de ter ouvido histórias sobre as conquistas de Dominik, suas paixões e till mesmo seus segredos mais bem guardados. Agora, enquanto o sol se põe sobre o mar, começo a questionar: o que realmente aconteceu com Dominik? Por que meu pai estava tão obcecado por ele? As ondas continuam a quebrar, e minha busca por respostas acaba de começar. De repente uma mão toca meu ombro e eu dou um pulo.
Luna estava com um sorriso enigmático no rosto, seus olhos brilhavam com uma mistura de curiosidade e preocupação. "O que aconteceu?" ela perguntou, enquanto sua mão ainda repousava levemente sobre meu ombro. Eu tentei recuperar o fôlego, ainda tentando processar o que havia acabado de acontecer. "Eu... eu não sei", respondi, ainda confuso. "Eu estava perdido em meus pensamentos e então..." Eu hesitei, procurando as palavras certas. Luna inclinou a cabeça, interessada. "E então?"
Coro, balançando a cabeça, voltando a olhar para o mar, suspirando.
...enquanto as ondas quebravam suavemente na praia, o sol começava a se pôr no horizonte, criando um cenário sereno que contrastava com o turbilhão de emoções que sentia. Meus pensamentos ainda estavam presos na conversa que havíamos acabado de ter, e não conseguia afastar a sensação de que algo havia mudado entre nós. O vento leve acariciava meu rosto, mas não conseguiu aliviar a sensação de calor que ainda permanecia após o nosso encontro recente.Luna se aproximou, seus dedos roçando suavemente os meus. "Nicholas, preciso te dizer algo", sussurrou, olhos brilhando com intensidade. Antes que eu pudesse reagir, seus lábios encontraram os meus, um beijo surpreendente e ardente. Meu coração saltou, confuso. Por um instante, fiquei paralisado, sem entender o que estava acontecendo. Então, uma onda de emoções misturadas tomou conta de mim. Eu me afastei abruptamente e comecei a correr pela praia, deixando Luna para trás, com o som das ondas e o eco do meu próprio coração martelando em meus ouvidos.
Ao entrar correndo em casa, meu coração ainda acelerado, encontrei uma cena que me deixou petrificado. Sally e Dominik estavam sentados no sofá, conversando tranquilamente, como velhos amigos. Meu olhar saltou de um para o outro, tentando processar a realidade. Dominik, o homem que meu pai estava obcecado, o mesmo que eu havia visto em quadros e recortes de jornais, estava agora na minha sala, com uma expressão serena. Sally, por sua vez, parecia completamente à vontade. "Nicholas, o que houve?" ela perguntou, notando minha expressão atordoada. Mas antes que eu pudesse responder, Dominik se levantou, seus olhos cravados nos meus, e disse: "O que aconteceu?."Sacudi a cabeça, tentando recompor-me. "Nada, só... uma corrida na praia", murmurei, evitando olhar para Luna, que entrava ofegante pela porta. Seus olhos encontraram os meus por um instante, cheios de perguntas não formuladas. Dominik, entretanto, não pareceu notar a tensão. "Peço desculpas, mas preciso ir", disse, verificando seu celular. "Meu chefe precisa me ver na central, é urgente." Ele se levantou, e Sally o acompanhou até a porta. "O que está acontecendo?" Luna perguntou baixinho, aproximando-se de mim. Eu apenas encolhi os ombros, ainda tentando processar os eventos.
Assim que Dominik fechou a porta atrás de si, eu me virei para Sally e Luna, sentindo uma mistura de emoções. "Vocês não vão acreditar no que eu descobri", comecei, a voz baixa e hesitante. "Dominik... ele é a obsessão do meu pai, Alfred. A casa inteira está cheia de fotos, recortes de jornais e pinturas dele. Eu sempre pensei que era apenas uma fascinação passageira, mas agora... não sei o que pensar."
Luna arregalou os olhos, curiosa. "O que você quer dizer com 'obsessão'?"
Sally se aproximou, interessada. "Conte tudo, Nicholas."
Respirei fundo e continuei: "Desde que me lembro, meu pai sempre teve uma fixação por Dominik. Ele tem pastas cheias de artigos, análises de seus discursos, até mesmo profecias associadas ao seu nome. E as pinturas... são como se meu pai tentasse capturar sua essência. Sempre achei estranho, mas nunca imaginei que um dia eu o encontraria aqui, em nossa casa."
Luna e Sally se entreolharam, surpresas. "Isso é incrível", disse Luna. "Você acha que seu pai sabia que Dominik viria aqui?"
Luna dirigiu-se à cozinha, enquanto Sally e eu continuamos a conversa em voz baixa. "Acho que meu pai esconde mais coisas do que imaginamos", eu disse, quando, de repente, o som de palmas ecoou pela sala.
Meu sangue gelou ao ver meu pai, Alfred, na porta da sala, com um sorriso cínico estampado no rosto. "Parabéns, pestinha", ele disse, os olhos brilhando com uma mistura de orgulho e malícia. "Você finalmente lembrou."
Sally arregalou os olhos, assustada. "Alfred, o que está acontecendo?"
Ele deu um passo à frente, seu sorriso se alargando. "Nicholas, você está pronto para saber a verdade,antes de morrer?"
Meus olhos arregalaram-se de terror ao ver os guardas do chefe da máfia, leais apenas a meu pai, aproximarem-se. Eles agarraram Sally e eu pelos braços, imobilizando-nos.
Meu pai, com um sorriso cruel, ergueu a bengala e desferiu um golpe preciso nas minhas costelas. O impacto foi violento, e eu caí de joelhos, dormente e ofegante.
Nesse momento, Luna irrompeu na sala, apontando um revólver diretamente para meu pai. "Solte-o!" ela gritou, sua voz firme e determinada. "Não vou deixar que você o machuque novamente!"
Arfando de dor, eu observei, horrorizado, meu pai apontar o revólver para Luna. "Solte a arma, garota", ele ordenou, sua voz gelada. "Não quero machucá-la. Vocês dois", ele olhou para Sally e eu, "são meus objetivos. Vocês têm informações que me pertencem."
Luna hesitou, seus olhos buscando os meus, antes de se fixarem em meu pai. "Você não vai nos machucar", ela disse, tentando manter a firmeza.
Meu pai sorriu, um sorriso sinistro. "Acho que sim. Você não tem escolha."
James, um dos guardas de meu pai, tentou retirar seu revólver da camisa, mas Luna reagiu rapidamente. Com um movimento preciso, ela disparou e atingiu a mão de James, fazendo-o gritar de dor. O revólver caiu no chão com um som metálico.
Meu pai franziu a testa, irritado. "Idiota!", ele gritou para James. "Agora!"
Luna aproveitou o momento de distração para se aproximar de mim. "Nicholas, tente se levantar!", ela sussurrou urgentemente.
Alfred, com raiva nos olhos, se aproximou de mim, apontando a arma para Luna. Ela recuou, mas não conseguiu escapar. No momento em que ele disparou, eu, desesperado, mordi sua perna com força, fazendo com que a direção da bala mudasse.
A bala atingiu Luna na cabeça, e ela caiu no chão, imóvel. Um grito de horror ecoou dentro de mim.
Furioso, Alfred começou a me agredir com bengaladas, cada golpe mais violento que o anterior. Eu me encolhi, sentindo dor e desespero. Sally gritava, tentando intervir, mas era impedida pelos guardas.
Luna... não! Meu coração estava
Caí no chão, cercado pela escuridão que se aproximava. A dor intensa e a visão de Luna inerte ao meu lado foram demais. Meu corpo relaxou, e eu perdi a consciência, enquanto o som de Sally gritando meu nome se dissipava ao longe. Tudo se tornou preto. despedaçado. O que eu havia feito?
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Atualizado até capítulo 29
Comments
Malu
que tragédia
2025-02-20
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