Enquanto observava Nicholas, notei uma expressão peculiar em seu rosto. Ele assentia a cada palavra de Dominik, como se buscasse aprovação ou validação. Seu olhar parecia buscar respostas não apenas nas palavras, mas também nos silêncios. Havia uma mistura de curiosidade e cautela em seus gestos. Percebi que Nicholas estava absorvendo cada informação, como se tentasse entender melhor meu pai e o mundo ao seu redor. Sua postura tensa revelava uma vulnerabilidade que ele mal conseguia disfarçar.Meu olhar permaneceu fixo nele, quase enfeitiçada pela complexidade de suas emoções. A luz suave do ambiente realçava as sombras de seu rosto, acentuando a intensidade de seus pensamentos. Senti uma onda de empatia e curiosidade, querendo desvendar os segredos por trás daqueles olhos profundos. Nicholas sentiu meu olhar e se virou, nossos olhares se encontrando por um breve momento, criando uma conexão silenciosa.
Senti meu rosto aquecer e rapidamente desviei o olhar, procurando escapar da intensidade do momento. Meu olhar vagou pela sala e encontrou Sally, que estava admirando Dominik com uma expressão admirada e corada. Seu olhar brilhava com uma mistura de curiosidade e admiração. Notei uma ponta de sorriso em seus lábios, e meu coração sentiu uma leve pontada de alegria.
Aproximei-me de Sally, interrompendo silenciosamente seu devaneio. Ao passar entre ela e Dominik, quebrei o contato visual, rompendo o encanto. Sally corou ainda mais, desviando os olhos, enquanto Dominik, percebendo a tensão, sorriu discretamente. "Precisamos conversar", eu disse, guiando Sally gentilmente para um canto da sala, longe dos olhares curiosos.
Sally rapidamente negou, seus olhos evitando os meus. "Não, claro que não! Ele é seu pai, Luna." Sua voz tremia levemente. Mas seu rubor intensificado e o olhar furtivo para Dominik contradiziam suas palavras. Seu sorriso forçado apenas reforçou minhas suspeitas. "Então por que está olhando para ele dessa maneira?", perguntei, curiosa e um pouco protetora.
Luna sorriu gentilmente para Sally. "Ele é incrível, não é? Meu pai sempre foi um homem carismático e bondoso. Sua inteligência e coragem são inspiradoras." O olhar de Sally se encontrou com o meu, e por um momento, vi uma centelha de admiração não disfarçada. "Sim...", ela concordou baixinho, antes de desviar os olhos novamente.
Meu sorriso permaneceu enquanto eu preparava minha próxima frase, mas foi interrompido pela entrada de Dominik e Nicholas na sala. O garoto tinha uma expressão confusa, como se tentasse decifrar um enigma, enquanto seguia meu pai. Dominik sorriu, percebendo a tensão no ar. "Tudo bem, meninas?" Ele lançou um olhar curioso para Sally, que rapidamente se recompôs. Nicholas, por sua vez, me dirigiu um olhar breve, antes de desviar os olhos, intensificando minha curiosidade.
Os dias se passaram, e minha mente permaneceu capturada pelas imagens de Nicholas. Seu sorriso tímido, olhos brilhantes e inteligência aguçada me fascinavam. Enquanto cozinhávamos juntos, o aroma de especiarias e o som de panelas tilintantes criavam uma atmosfera acolhedora. Meu olhar se encontrou com o dele, e senti um arrepio. Nicholas sorriu, e eu desviei rapidamente, tentando esconder minha admiração. "Precisa de ajuda?", perguntei, tentando soar casual.
Nicholas corou levemente, desviando os olhos, e assentiu com um sorriso discreto. "Pode me passar a pimenta, por favor?" Ao estender a mão para pegar a pimenta, nossos dedos se tocaram, enviando um arrepio delicado pela minha pele. O choque foi como uma descarga elétrica, deixando-me sem fôlego. Seus olhos voltaram-se para os meus, surpresos e curiosos. O tempo parecia ter parado.
Nicholas rapidamente se afastou, concentrando-se na receita, tentando disfarçar o rubor. Era incrível como meu pai, com paciência infinita, havia ensinado esse jovem, que mal sabia ler e escrever, a preparar pratos sofisticados. Agora, Sally e eu o ajudávamos a decifrar as letras e palavras. Sua determinação era inspiradora. Enquanto misturava os ingredientes, seus olhos encontraram os meus, e um sorriso furtivo revelou sua gratidão.
Juntos, Nicholas e eu servimos o almoço, enquanto Sally e Dominik arrumavam a mesa com elegância. O aroma de ervas frescas e especiarias encheu o ar, misturando-se com o som de risos e conversas. Nicholas me lançou um olhar de orgulho ao apresentar seu prato principal. "Está perfeito!", eu disse, admirada. Dominik e Sally se sentaram, sorrindo, e nós quatro compartilhamos um momento de alegria e conexão.
Nicholas corou novamente, desviando o olhar, e sentou-se ao meu lado, um sorriso discreto nos lábios. Ele se serviu, e nosso contato visual foi breve, mas intenso. Dominik iniciou uma conversa animada, enquanto Sally elogiava o prato. A atmosfera era acolhedora e familiar. Nicholas, ainda ruborizado, me lançou um olhar rápido, e eu sorri, sentindo uma conexão crescente entre nós.
Um sorriso caloroso espalhou-se pelo meu rosto enquanto olhava em volta da mesa. Meu pai, Sally, Nicholas e eu compartilhávamos momentos que eu nunca imaginei serem possíveis. Era como se tivesse encontrado um pedaço que faltava. Meu coração transbordava de gratidão e amor. "Isso é felicidade", pensei, sentindo-me completa.
Horas se passaram, e a casa mergulhou no silêncio. Incapaz de dormir, levantei-me e fui até o quarto de Nicholas. Bati suavemente na porta, recebendo murmúrios assustados em resposta. Entrei e encontrei Nicholas agitado, suor escorrendo por seu rosto. Seu corpo se contorcia, como se preso em um pesadelo. Aproximei-me, preocupada, e sacudi suavemente seu ombro. "Nicholas, acorde!"
Nicholas se remexeu, ainda preso no pesadelo. Sentei-me ao seu lado, segurando suavemente sua mão. "Nicholas, estou aqui. Você está seguro", sussurrei, tentando acalmá-lo. Seu aperto foi forte, mas gradualmente relaxou. Seus olhos se abriram, confusos, e então se fixaram nos meus. Um suspiro profundo sacudiu seu peito. "Luna?", murmurou, ainda desorientado. Seu olhar suplicava conforto.
Aproximei-me mais, envolvendo-o em um abraço caloroso. Nicholas se aninhou, buscando conforto. Soluços abafados escaparam por seus lábios, enquanto sua respiração desacelerava. Seu coração ainda batia forte, mas seu olhar, agora fixo no meu, começava a se acalmar. "Estou aqui", repeti, suavemente. "Não está sozinho." Seu abraço apertou-me forte, como se precisasse da minha presença para se manter seguro.
Nicholas tremia, não apenas de emoção, mas também de febre. Seu corpo ardia sob meu abraço. "Nicholas, você está doente?", perguntei, preocupada. Ele assentiu fracamente, dentes batendo. Corri para buscar um cobertor e um copo de água. Ao retornar, seu olhar suplicava ajuda. "Vou chamar meu pai", disse, tentando acalmá-lo. Mas ele segurou minha mão, como se temesse ficar sozinho.
Acalmei Nicholas com palavras suaves: "Não se preocupe, estarei de volta logo. Vou buscar meu pai para ajudar." Ele assentiu fracamente, ainda segurando minha mão. Com cuidado, soltei sua mão e corri na direção do quarto de meu pai. "Papai!", chamei, ansiosa. "Nicholas está doente, com febre alta!" Dominik acordou rapidamente, seguindo-me até o quarto de Nicholas.
Retornamos rapidamente ao quarto de Nicholas, meu pai, Sally e eu. Ao entrar, vimos Nicholas adormecido, seu peito subindo e descendo lentamente. Meu pai se aproximou, verificando sua pulsação e temperatura. "Precisamos abaixar essa febre", disse, preocupado. Sally foi buscar um compresso frio enquanto eu me sentei ao lado de Nicholas, segurando sua mão. Seu rosto, normalmente forte e determinado, agora parecia frágil e vulnerável.
Com cuidado, comecei a passar o pano molhado pelo corpo de Nicholas, ajudada por meu pai e Sally. A temperatura dele parecia diminuir gradualmente. Seu rosto, ainda pálido, começou a relaxar. Meu pai verificou sua pulsação novamente, aliviado. "A febre está cedendo", disse, sorrindo fracamente. Sally cobriu Nicholas com um cobertor leve e eu segurei sua mão, sentindo uma onda de alívio e preocupação simultaneamente. "Vai ficar tudo bem", sussurrei, olhando para ele.
Exausta, mas serena, minha cabeça pousou suavemente sobre o abdômen de Nicholas. Seu respirar suave e regular era calmante. Sua mão, ainda quente, encontrou a minha. O sono chegou silenciosamente, enquanto eu escutava o ritmo de seu coração. Meu pai e Sally saíram do quarto, deixando-nos imersos em uma paz vulnerável.
Nicholas murmurou palavras desconexas, seu voz baixa e rouca. "Luna... seguro... não vá..." Seu corpo se moveu levemente, como se buscasse me aproximar. Minha mão foi apertada delicadamente pela dele. Aconcheguei-me mais, sentindo seu calor e respiração suave. "Estou aqui", sussurrei, sonolenta. "Não vou a lugar nenhum."
Deitei-me ao lado dele, envolvendo-o em um abraço gentil. Nicholas suspirou, relaxando em meus braços. Seu coração batia mais calmamente agora. "Luna...", murmurou novamente, voz quase inaudível. Seu olhar encontrou o meu, um lampejo de conexão. Aconcheguei-me mais, sentindo nossa respiração sincronizada. "Estou aqui", repeti, beijando suavemente sua testa.
Nós dois nos deixamos levar pelo sono, unidos em um abraço caloroso. Respirações sincronizadas, corações batendo como um só. O mundo exterior desapareceu, deixando apenas o silêncio e a paz que encontrávamos um no outro.
O dia amanheceu suavemente, com raios de sol infiltrando-se pelas cortinas. Meu pai e Sally entraram silenciosamente no quarto, sorrisos nos rostos ao nos verem dormindo abraçados. "Parecem dois anjos", sussurrou Sally. Meu pai assentiu, acariciando minha cabeça. "Acho que ele vai ficar bem." Eles saíram, deixando-nos ao som suave da manhã.
Acordei suavemente, observando Nicholas adormecido ao meu lado. Seu rosto, antes marcado pela dor, agora exibia um sorriso sereno. Sua respiração era tranquila, e sua mão ainda segurava a minha. O sol iluminava seu perfil, realçando sua beleza. Senti um arrepio de amor e gratidão. Beijei sua testa, sussurrando: "Estou aqui." Seus olhos se abriram lentamente, encontrando os meus. Um sorriso mais amplo surgiu em seu rosto,e ele automaticamente corou.
Nicholas se levantou cuidadosamente, ainda um pouco fraco, mas com um sorriso nos lábios. Juntos, escovamos os dentes, trocando olhares carinhosos no espelho. Em seguida, descemos para o café da manhã, onde meu pai e Sally nos aguardavam com um sorriso.
"Como vocês estão hoje?", perguntou meu pai, servindo panquecas quentes.
Nicholas sorriu. "Melhor, obrigado."
Sally nos serviu xícaras de café. "Hoje vai ser um dia lindo."
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Atualizado até capítulo 29
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