Sally observava discretamente de longe, fascinada pela cena. Dominik, com paciência infinita, ensinava Nicholas técnicas de autodefesa. A concentração de Dominik era admirável. Seu corpo se movia com uma graça fluida, demonstrando cada golpe com precisão. Sally sentiu seu coração acelerar, admirando a curvatura de seus músculos. Uma onda de calor a invadiu. Sentindo-se desconfortável com suas próprias emoções, Sally se afastou silenciosamente e saiu para caminhar pela praia, deixando o som das ondas apaziguar seus pensamentos confusos.
Luna aproximou-se de Dominik, observando-o com preocupação. "Papai, você notou como Sally saiu correndo?" perguntou, baixinho. "Ela parecia estar mal. O que aconteceu?" Dominik ergueu os olhos, interrompendo a aula, e seguiu o olhar de Luna em direção à praia, onde Sally caminhava sozinha. Uma expressão de preocupação surgiu em seu rosto.
Dominik aproximou-se de Sally, que fitava o horizonte. "Sally, você está bem?" perguntou, gentilmente. Ela assentiu, sem olhar. Dominik sentou-se ao lado dela. "Eu não aguento mais esconder", confessou, sua voz baixa e emotiva. "Depois da morte de minha esposa, pensei nunca mais me apaixonar. Mas você... você entrou na minha vida e despertou sentimentos que eu julgava enterrados. Eu sinto algo por você, Sally. Algo forte, algo verdadeiro." Seus olhos buscaram os dela, suplicando compreensão.
Sally sentiu o calor dos lábios de Dominik, um beijo suave e intensamente carregado de emoção. Ela fechou os olhos, permitindo-se se perder por um instante. Mas então, memórias dolorosas e medo da vulnerabilidade tomaram conta. Com um movimento rápido, ela empurrou Dominik, sua mão conectando-se com uma sonora bofetada em seu rosto. "Não!", gritou, os olhos arregalados de choque e confusão. Dominik recuou, surpreso e magoado.A voz de Sally ecoou pela praia. "Pensei que você fosse diferente, Dominik! Pensei que você entendesse minha dor!" Seus olhos queimavam de raiva e desapontamento. "Mas você provou ser igual aos outros, apenas querendo o que quer, sem se importar com meus sentimentos!" Dominik levantou-se, o rosto marcado pela bofetada, olhos suplicantes. "Sally, por favor... me ouça!" Mas ela já havia se virado, correndo para longe, deixando-o sozinho na praia.
Sally trancou-se no quarto, lágrimas escorrendo pelo rosto. Dominik correu atrás, batendo suavemente na porta. "Sally, por favor, me ouça! Eu não queria machucá-la. Eu realmente me importo com você." Sua voz era repleta de desespero. "Eu sei que errei, mas não quero perder você. Abra a porta, por favor." Sally permaneceu em silêncio, cercada pelas sombras da noite, seu coração dividido entre raiva e tristeza.Sally ouviu os passos de Dominik se afastando lentamente, seguidos pelo som da porta da casa se fechando. Ela se deitou na cama, o corpo sacudido por soluços. Lágrimas quentes escorriam pelo seu rosto, enquanto a tristeza e a confusão a consumiam. Seu choro gradualmente cedeu lugar ao cansaço, e ela adormeceu, envolta em um abismo de incerteza e dor.
Sally acordou abruptamente com os gritos de pânico vindo do quarto de Dominik. Reconhecendo a voz de Nicholas, ela correu para lá, preocupada. Ao entrar, viu o garoto encolhido no chão, tremendo, enquanto Dominik, apenas de toalha, tentava acalmá-lo. A preocupação inicial deu lugar a uma sensação diferente ao contemplar o belo corpo de Dominik, seus músculos definidos, a curva de seus ombros, a pele suada. Por um instante, ela esqueceu a dor e a confusão, substituídas por uma atração intensa.
Sally recuperou-se do transe, seu rosto corado. O olhar se desviou de Dominik para Nicholas, que soluçava, encolhido. Raiva e medo tomaram conta. "Você é um monstro!", gritou, apontando para Dominik. "Pedófilo! Como pôde?" Ela agarrou Nicholas, puxando-o para longe. "Vamos embora daqui! Nunca mais quero ver você!" Dominik, atordoado, levantou-se, ainda apenas de toalha. "Sally, não! Você não entendeu!" Mas ela já havia saído, levando Nicholas consigo.
Sally lançou um último olhar para Dominik, seu corpo ainda parcialmente nu, antes de virar-se rapidamente. Levou Nicholas para a cozinha, tentando acalmá-lo. "Vai ficar tudo bem, querido", sussurrou. Enquanto preparava um chá calmante, seu mente fervilhava com dúvidas e medo. O que realmente aconteceu? Será que julgou Dominik erroneamente? Mas agora não importava; precisava proteger Nicholas.Sally ajudou Nicholas a sentar-se à mesa, servindo o chá. "O que aconteceu, querido?" perguntou, preocupada.
Nicholas olhou para ela com olhos arregalados. "Eu me assustei", disse, tremendo.
"O que te assustou?" Sally pressionou, suavemente.
Nicholas hesitou antes de responder: "A marca que o homem tinha no peito." Seus olhos se encheram de lágrimas.
Sally sentiu um arrepio. "Que marca?"
Nicholas apontou para o próprio peito, mostrando uma cicatriz irregular. "Essa... aqui", disse, tremendo.
Sally arregalou os olhos, horrorizada. "Quem fez isso, Anjo?" perguntou, tentando conter a emoção.
O garoto olhou para baixo, voz quase inaudível. "Meu pai... ele fez."
Sally sentiu um nó na garganta. "Seu pai?" repetiu, incrédula. "Por quê?"
Nicholas olhou para cima, lágrimas escorrendo. "Ele disse que eu era... imperfeito. Que eu não era digno de amor. Ele tentou me matar várias vezes."
Sally envolveu-o em um abraço protetor. "Você está seguro agora, Nicholas. Eu nunca deixarei ninguém te machucar novamente."
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Atualizado até capítulo 29
Comments
Malu
Ah o amor ❤️
2025-02-20
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