Capítulo 19
A ansiedade de Luiza era palpável enquanto aguardava a chegada de Valentina na casa dos seus pais. Mesmo sem rotular o que tinham, esse encontro parecia um marco, e ela mal conseguia conter a euforia. Carol, sempre atenta, percebeu o nervosismo da irmã e logo começou a provocá-la.
— E aí, Lu? Vai ficar nervosa até quando? — Carol zombou, com um sorriso maroto.
Luiza revirou os olhos, prestes a responder, mas foi interrompida pelo toque da campainha. Seu coração deu um salto, e tanto Carol quanto Sônia riram da situação.
— Não vai atender, filha? Ou vai deixar a moça esperando lá fora? — Sônia incentivou, sorrindo.
Luiza respirou fundo, tentando manter a calma, e foi até a porta. Ao abri-la, encontrou Valentina com um sorriso brilhante, que iluminou ainda mais seu rosto. Luiza, sem hesitar, abriu um sorriso igualmente radiante e deu um selinho em Valentina, sem perceber que Carol e Sônia as observavam com olhares cúmplices.
— Mãe, Carol, essa é a Valentina — apresentou, puxando Valentina mais para dentro. — Tina, essa é minha mãe, Sônia, e minha irmã, Carol.
Sônia foi a primeira a cumprimentá-la, abraçando Valentina com firmeza e um sorriso divertido.
— Seja muito bem-vinda, querida! A Luiza já falou tanto de você. — Sônia disse, com um brilho no olhar.
— Ah, espero que só tenha falado bem! — Valentina respondeu, um pouco tímida, mas sorrindo.
Carol também cumprimentou Valentina de forma carinhosa, fazendo-a sentir-se acolhida. Valentina entregou uma garrafa de vinho para Sônia, que agradeceu com entusiasmo.
— Obrigada, querida! Vamos lá para fora antes que o Alexandre comece a gritar por nós — brincou Sônia. E, como se soubesse o momento exato, ouviram Alexandre chamando-as para a área da churrasqueira, arrancando risadas de todos.
A caminho do jardim, Valentina se inclinou para sussurrar no ouvido de Luiza:
— Você está linda… e muito gostosa hoje.
Luiza riu, piscou para ela e devolveu o elogio no mesmo tom:
— Você também está maravilhosa, Tina.
Ao chegarem à área da churrasqueira, Luiza segurou a mão de Valentina e a apresentou ao pai.
— Pai, essa é a Valentina.
Alexandre abriu um sorriso acolhedor e deu um abraço caloroso em Valentina.
— Seja muito bem-vinda, Valentina! Aqui, você já é de casa.
— Obrigada, senhor Campos — Valentina respondeu com um sorriso tímido.
— Nada de "senhor" aqui. Pode me chamar de Alexandre — ele disse, piscando para Luiza.
Enquanto Alexandre oferecia uma cerveja gelada para Valentina, Carol aproveitou para perguntar:
— Pai, e o Lucas e a Maria? Onde eles estão?
— Ah, o Lucas foi trocar a fralda da Maria. Já devem estar voltando.
A conversa fluía animada, e Valentina se envolvia aos poucos, ainda que de forma tímida, com a família de Luiza. Alexandre, sempre brincalhão, lançou a pergunta que Luiza temia:
— E então, vocês estão namorando sério?
Sônia e Carol caíram na risada, enquanto Luiza lançou um olhar de “você me paga” para o pai, sentindo o rosto corar.
Valentina, porém, surpreendeu todos ao responder, com um sorriso entre tímido e divertido:
— Ainda não… A Luiza não me pediu.
A resposta pegou Luiza de surpresa, arrancando gargalhadas de todos, exceto dela, que ficou momentaneamente sem palavras. Antes que pudesse responder, ouviram Lucas chegando, chamando por "Tina", com Maria no colo.
— Tina! — Lucas exclamou, com um sorriso, enquanto se aproximava. — Quanto tempo! Estava com saudade de você.
Valentina riu e o abraçou, desculpando-se pela ausência.
— Desculpa, Lucas! Ando atolada com trabalho…
Lucas sorriu e deu um leve beliscão em Valentina, arrancando um “ai” brincalhão dela.
Curioso, Alexandre olhou para os dois.
— Ué, vocês se conhecem de onde?
Valentina sorriu, tentando explicar.
— Conheço o Lucas desde que vim para o Rio com a minha família.
Lucas, rindo, percebeu que a resposta de Valentina só aumentou a curiosidade da família Campos.
— Na verdade, conheci a Tina e o irmão dela, o Igor, na escola. Eles eram da turma da minha irmã, a Manu. Valentina e Manu eram inseparáveis!
Luiza sentiu uma leve pontada de ciúmes ao ouvir sobre a proximidade de Valentina com outra amiga, mas disfarçou, embora Valentina parecesse notar. Logo, ela se virou para Luiza e completou:
— A Manu e eu éramos melhores amigas desde crianças.
Lucas, ainda rindo, disse:
— Duvido que a Manu acredite que a Tina está quase namorando minha cunhada. Que mundo pequeno!
Valentina sorriu e completou:
— Ah, a Manu já sabe. Está só esperando a Luiza oficializar a coisa — disse, com um olhar brincalhão para Luiza.
Alexandre, vendo a filha desconcertada, não perdeu a oportunidade de brincar.
— E aí, Luiza? O que está esperando para fazer o pedido?
Luiza, rindo para disfarçar a surpresa, respondeu:
— Eu que estou esperando ela me pedir, ué.
Valentina, com um sorriso confiante, olhou para Luiza e piscou.
— Pode deixar, Lu. Eu faço isso por você.
As risadas ecoaram pelo quintal, e a conversa seguiu leve e divertida. Valentina sentia-se acolhida, e Luiza, apesar das provocações da família, estava feliz por vê-la interagindo tão bem com todos. Ela sabia que aquele encontro, sem dúvida, era especial e um passo importante para ambas.
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Maria, a pequena sobrinha de Luiza, ficou encantada com Valentina assim que a viu. Com seus olhinhos curiosos, observava cada movimento de Valentina e, de vez em quando, lançava risadinhas tímidas, como se estivesse em um jogo só dela. Valentina, percebendo a admiração da menina, retribuía com sorrisos e até fazia algumas caretas, arrancando risadas ainda mais animadas de Maria.
Enquanto isso, Carol e Valentina engataram uma conversa animada sobre arquitetura e projetos. Carol, que tinha grande interesse por design e construção, descobriu que alguns dos projetos que admirava eram assinados por Valentina.
— Sabe, Valentina , se eu não fosse tão apaixonada pela medicina, acho que teria seguido arquitetura — confessou Carol, com um brilho nos olhos.
— Pode me chamar de Tina, Carol. – Diz Valentina
— Tá ok, Tina. – diz Carol rindo
— Você realmente parece entender bastante do assunto! — Valentina respondeu, surpresa. — Talvez ainda dê tempo de fazer uma transição de carreira — brincou.
— Quem sabe? Mas, por enquanto, me contento em admirar as construções e os projetos dos outros. Seus projetos são incríveis, Tina! Tem um toque muito original.
A admiração era mútua, e Valentina agradeceu o elogio com um sorriso tímido, feliz por perceber o quanto Carol realmente apreciava o seu trabalho.
Mais adiante, Sônia e Alexandre também aproveitaram para conversar com Valentina. Ambos estavam encantados com a personalidade e a humildade dela, e a conversa fluiu naturalmente.
— É raro encontrar alguém tão jovem e talentosa que ainda mantém essa simplicidade — disse Sônia, com um sorriso orgulhoso. — Você e Luiza fazem um par bonito.
— Ah, obrigada, Sônia. Fico feliz em ouvir isso. — Valentina sorriu, sentindo-se cada vez mais acolhida por aquela família.
Alexandre, aproveitando o momento, acrescentou:
— Acho que você se encaixa bem aqui, Valentina. Já sabe como é essa bagunça, mas parece que levou numa boa.
Valentina riu e disse que se sentia à vontade, ainda que não estivesse acostumada com tanta descontração. A sensação de pertencimento a deixava feliz.
Em outro momento, Valentina e Lucas tiveram a chance de conversar sobre a trajetória de vida de ambos desde a época da escola. Valentina recordou-se de momentos divertidos da adolescência e como ambos haviam mudado com o tempo.
— É engraçado como tudo mudou, né, Lucas? Nunca pensei que um dia nos reencontraríamos nessas circunstâncias, aqui, com sua cunhada — Valentina comentou, dando uma risadinha.
— A vida dá voltas! É bom ver que você está bem, Tina — respondeu Lucas, sorrindo.
Valentina mantinha contato visual frequente com Luiza, que brincava com a sobrinha enquanto acompanhava a interação de Valentina com sua família. De vez em quando, trocavam olhares cúmplices e sorrisos discretos. Cada vez que os olhares se encontravam, parecia que uma conversa silenciosa acontecia entre elas, um diálogo de sentimentos que ia além das palavras.
Luiza estava encantada em ver o carinho de Valentina com Maria, que logo não largava mais a nova amiga. A cada troca de olhares, o coração de Luiza parecia acelerar, sentindo que, de algum modo, o momento ao lado de Valentina era algo que ela queria para sempre.
Com a tarde avançando, o clima era de risos, conversas e uma cumplicidade crescente entre Valentina e a família Campos. Valentina, percebendo o carinho e a aceitação de todos, não podia conter a sensação de felicidade e gratidão por estar ao lado de Luiza e daqueles que eram tão importantes para ela.
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À medida que o sol começava a se pôr, o clima de despedida foi tomando conta da casa dos Campos. O churrasco estava chegando ao fim, e Valentina, já totalmente à vontade com a família de Luiza, sentiu que era hora de ir, embora relutante.
Maria, a pequena sobrinha de Luiza, que não desgrudou de Valentina durante toda a tarde, segurava sua mãozinha e não queria soltá-la de jeito nenhum.
— Não vai embora, Tia Tina! — pediu Maria com uma vozinha manhosa, fazendo Valentina sorrir com ternura.
— Ah, meu amor, eu volto, prometo — respondeu Valentina, ajoelhando-se para ficar na altura da pequena e afagando seus cabelos. — E da próxima vez, você me mostra todos os seus brinquedos, combinado?
Maria assentiu, finalmente sorrindo, e correu para os braços de Carol. Sônia e Alexandre, vendo o carinho entre Valentina e a menina, trocaram olhares de aprovação e afeto, admirados pela forma como ela já parecia fazer parte da família.
Sônia, sempre calorosa, foi a primeira a abraçá-la.
— Valentina, foi um prazer imenso te conhecer hoje. Esperamos que você volte muitas outras vezes.
— O prazer foi todo meu, Sônia. Obrigada por me receberem tão bem — Valentina respondeu, emocionada com o carinho que recebeu ao longo do dia.
Quando chegou a vez de Alexandre, ele não perdeu a oportunidade de fazer uma brincadeira.
— Espero que você venha sempre! E, da próxima vez, traga o pedido que a Luiza está esperando, hein? — ele piscou, arrancando risos de todos, exceto de Luiza, que deu um sorriso envergonhado.
Valentina riu, trocando um olhar cúmplice com Luiza, e respondeu:
— Prometo considerar a proposta, Alexandre.
Carol também a abraçou com carinho, deixando claro que já a considerava parte da família. Lucas, por sua vez, fez questão de se despedir com um abraço apertado, rindo ao lembrar das histórias que compartilhou com ela ao longo da tarde.
Quando todos estavam ocupados se despedindo dentro da casa, Luiza acompanhou Valentina até o jardim, onde elas poderiam ter um momento só delas. A noite estava tranquila, e as duas ficaram em silêncio por um instante, apenas aproveitando a presença uma da outra. Valentina tomou a mão de Luiza e a apertou, olhando-a nos olhos.
— Foi incrível passar o dia com você e sua família, Lu. Obrigada por me trazer aqui.
— Eu também amei. Eles já adoram você… e eu também — confessou Luiza, sem disfarçar o carinho no olhar.
Valentina deu um passo à frente e, com um sorriso envolvente, deu um beijo suave em Luiza, um selinho cheio de promessas.
— Vou esperar você pedir, hein — brincou Valentina, piscando.
Luiza riu e a abraçou forte, antes de vê-la partir, com o coração aquecido e a certeza de que, para elas, aquele era apenas o começo.
Valentina, com um último olhar para Luiza, entrou no carro, acenando antes de partir. Luiza ficou no jardim, observando as luzes traseiras desaparecerem pela rua, com um sorriso nos lábios e uma sensação boa de que aquele dia marcava o início de algo muito especial.
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Atualizado até capítulo 64
Comments
Vandreia Oliveira
perfeito 🤩😸
2025-01-11
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