Capítulo 7

No dia seguinte, Valentina acorda com um sentimento diferente. Algo que não conseguia identificar bem, mas que mexia com seu humor. Ela encara o teto, ainda deitada, e sente uma leveza pouco comum. A noite anterior passava como um filme em sua mente: as risadas ao lado de Igor, Duda e, principalmente, Luiza. A forma como a morena olhava para ela, com um brilho curioso nos olhos, a fazia sorrir sozinha.

Ela se levanta, espreguiçando-se e indo direto para a cozinha preparar seu café. O silêncio do apartamento era acolhedor, mas, dessa vez, parecia quase incompleto. Enquanto tomava seu café e folheava algumas revistas, sua mente voltava repetidamente a Luiza. Ela se lembrava da sensação de estar sob o olhar atento da outra, algo que a fazia sentir-se viva, quase... exposta. Pela primeira vez em muito tempo, a vontade de compartilhar uma parte de si mesma parecia natural.

Sentada à mesa, Valentina avista sua câmera, deixada sobre o balcão da cozinha. Instintivamente, ela a pega e começa a folhear as fotos que havia tirado na semana passada. O amor pela fotografia era seu refúgio, uma maneira de expressar emoções que dificilmente conseguia colocar em palavras. De alguma forma, naquele momento, a ideia de compartilhar isso com alguém parecia menos assustadora. Ou, melhor dizendo, a ideia de compartilhar isso com Luiza parecia... certa.

"Hoje eu vou fotografar," pensa ela, determinada. Tinha um almoço marcado com seus pais, mas sentia que antes disso precisava estar com a câmera em mãos, capturando algo que traduzisse o que sentia. Algo que a conectasse com aquele novo despertar.

Depois de tomar seu café, veste uma calça jeans confortável, uma blusa clara e prende o cabelo em um rabo de cavalo. Com a câmera pendurada no pescoço, Valentina deixa seu apartamento e decide caminhar até um dos seus lugares favoritos: um parque no coração da cidade. Era um espaço onde os sons da cidade desapareciam, dando lugar ao silêncio entre as árvores e ao som do vento.

Ao chegar, ela encontra um banco sob uma árvore e se senta por um instante, respirando fundo. Começa a observar ao redor, o clique da câmera registrando o verde das folhas, o reflexo do sol na água do lago e os detalhes dos rostos das pessoas que passavam. Cada foto trazia uma sensação de paz, como se fosse um pedaço de um quebra-cabeça que ela mesma ainda estava tentando montar. E, a cada clique, a imagem de Luiza parecia surgir em sua mente.

O que será que Luiza pensaria ao ver essas fotos? Será que conseguiria entender o que ela sentia ao fotografar? Essas perguntas faziam o coração de Valentina acelerar levemente, e ela se via novamente sorrindo. Lembrava-se das palavras de Luiza na noite anterior, quando a chamou de "intensa". Ela nunca tinha pensado em si mesma dessa forma, mas, de alguma forma, sentia que Luiza a via de um jeito diferente. Talvez um jeito que ela mesma não enxergava.

De repente, Valentina nota uma cena particular: uma jovem mãe brincando com seu filho pequeno, rindo enquanto ele tentava pegar bolhas de sabão. Ela posiciona a câmera, ajusta o foco e captura o momento, a felicidade genuína no rosto da criança e o amor estampado nos olhos da mãe. A cena traz uma sensação de ternura, quase como se aquele amor fosse um reflexo do que ela começava a sentir por alguém.

Depois de algumas horas, Valentina percebe que está quase na hora do almoço e decide voltar para casa. No caminho, a câmera ainda pendurada no pescoço, ela recebe uma mensagem de Duda:

Duda: "Bom dia, Tina! E então, como está a ressaca emocional? Haha. A noite de ontem foi incrível, né?"

Ah é a Duda aqui kkkk

Valentina sorri e responde:

Valentina: "Oi, Duda! Sim, foi uma noite especial. Amei te conhecer melhor e... a Luiza também. Vocês são ótimas juntas. Espero que possamos repetir a dose."

Duda responde rapidamente:

Duda: "Com certeza! Ah, e peguei seu número com o Igor. Ele jurou que você não se importaria. ;) A propósito, a Luiza gostou muito de você. Disse que você é intrigante, no melhor dos sentidos. ;)"

Ao ler aquilo, Valentina sente o rosto esquentar. Era raro que alguém a considerasse interessante. Por mais que sua posição como CEO e seu jeito reservado a tornassem uma figura de respeito, muitas vezes isso a afastava das pessoas. Mas, com Luiza, parecia que ela não precisava usar máscaras. Era como se a morena pudesse ver além das camadas que Valentina sempre mantinha cuidadosamente erguidas.

Após um momento de hesitação, Valentina digita uma resposta:

Valentina: " Sem problemas Duda para você poderia passar. Você poderia me passar o número da Luiza? Gostaria de compartilhar algo com ela."

Duda: "Claro, amiga! Eu já mando."

Poucos minutos depois, Valentina recebe o contato de Luiza. A sensação de frio na barriga aparece novamente, mas ela decide seguir o impulso. Ao chegar em casa, tira a câmera da bolsa e revê as fotos do parque. Em um impulso, escolhe uma foto particularmente significativa – a da mãe e da criança sorrindo. Sem pensar muito, envia a imagem para Luiza com uma breve mensagem:

Valentina: "Hoje saí para fotografar e capturei algo que achei bonito. Espero que goste."

Ela espera alguns minutos, nervosa. Finalmente, o telefone vibra com a resposta de Luiza:

Luiza: "Valen, que foto linda! É como se você capturasse o amor em sua forma mais pura. Quero saber tudo sobre essas suas saídas fotográficas. Quem sabe você me ensina a ver o mundo como você vê?"

Valentina lê a mensagem várias vezes, um sorriso tomando seu rosto. Por mais que hesitasse em se abrir, a ideia de que Luiza queria conhecer seu mundo a deixava entusiasmada. Quem sabe, pela primeira vez, ela estava pronta para deixar alguém entrar.

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