Capítulo 8: O Conflito Interno de Luiza

Luiza olhava pela janela do apartamento enquanto a cidade se iluminava com as luzes noturnas. As luzes da cidade piscavam ao longe, refletindo-se na janela e iluminando-a com um brilho suave, mas seus pensamentos estavam longe de qualquer calmaria. Desde o recente encontro com Valentina, uma inquietação crescia em seu peito, misturada com um desejo que parecia ir além de qualquer relacionamento que já tivera. Ela sabia que precisava entender melhor o que realmente buscava em um relacionamento, mas a cada nova ideia surgiam outras dúvidas.

Tomou um gole de cerveja, sentindo o sabor amargo se espalhar pela boca enquanto as lembranças de seus relacionamentos passados desfilavam em sua mente. Todos haviam sido intensos, cheios de paixão, mas pareciam sempre esbarrar na mesma barreira: faltavam profundidade e companheirismo. Ela desejava alguém que enxergasse além de sua beleza, além de sua energia contagiante e espírito livre. Contudo, o que geralmente encontrava eram olhares que a admiravam sem realmente compreendê-la. Era como se fosse apenas um troféu nas mãos dos outros, seu valor resumido à superfície.

Perdida nesses pensamentos, Luiza foi despertada pelo som do celular vibrando na mesa. Era uma mensagem de Duda: “E aí, como foi falar com a ‘Tina’ hoje?” Ao ler a mensagem, um sorriso escapou de seus lábios. Mesmo cheia de dúvidas, sabia que Valentina era diferente. Não conseguia explicar ao certo o porquê, mas sentia algo mais profundo a conectando a ela. Essa sensação a deixava reflexiva, levando-a a confrontar suas próprias inseguranças e desejos de forma que há muito tempo evitava.

Para se distrair um pouco, Luiza foi até o armário, pegou uma garrafa de vinho e serviu-se de uma taça. Era um tinto encorpado, seu favorito, com aroma de frutas vermelhas e uma cor que ela adorava. Deixou o líquido descansar na taça por um instante e, em um impulso, trocou de roupa, vestindo algo mais confortável, e foi para a sala onde um grande espelho ocupava uma das paredes. Colocou uma música latina e deixou o ritmo tomá-la por completo. A dança era seu escape, seu jeito de se reencontrar. Quando dançava, sentia-se livre. Era um espaço só seu, onde a mente se aquietava e apenas o corpo falava.

Com cada movimento, sentia-se mais leve, como se o peso das dúvidas fosse se esvaindo. Dançava com força e determinação, mas também com uma vulnerabilidade que poucas pessoas conheciam. Seu reflexo no espelho mostrava uma mulher forte, mas, ao mesmo tempo, alguém que desejava ser compreendida.

Então, enquanto girava, um flash de memória a atingiu: o olhar intenso e reservado de Valentina durante o último encontro. Valentina era sempre atenta, quase introspectiva, e essa postura a intrigava profundamente. De repente, a dança, que antes era uma fuga, agora a fazia imaginar como seria compartilhar esses momentos com alguém que realmente a compreendesse. Alguém que não só a observasse, mas que mergulhasse com ela na mesma intensidade. Talvez… talvez Valentina pudesse ser essa pessoa.

Mas, apesar da ideia tentadora, Luiza sentia um medo profundo. O medo de se envolver, de se expor e, quem sabe, de se machucar novamente. Lembrava-se das dores que alguns relacionamentos deixaram e da sensação de vazio quando percebia que faltava algo essencial. Queria alguém com quem pudesse compartilhar tanto os momentos leves quanto as crises internas, sem precisar esconder nada. Era uma demanda alta, e ela sabia disso. Será que Valentina estaria disposta a embarcar em algo assim?

Após o último passo da dança, Luiza respirou fundo, sentindo o coração acelerado, não só pelo esforço físico, mas pela intensidade dos pensamentos. Decidiu que precisava de mais clareza antes de se abrir para qualquer possibilidade com Valentina. Afinal, seu histórico amoroso estava repleto de casos onde confundira paixão com compatibilidade, e não queria repetir os mesmos erros.

Ainda com o celular na mão, voltou ao sofá, pensando em como responder à mensagem de Duda, mas as palavras não vinham. Duda era a única pessoa que conhecia cada detalhe de sua vida, de seus medos e sonhos. E foi ela quem sempre incentivou Luiza a buscar algo mais genuíno, alguém que realmente fizesse seu coração vibrar. Sabia que a amiga já notara o quanto Valentina mexera com ela, mesmo que Luiza tentasse esconder.

“Eu só não quero errar de novo”, murmurou para si mesma. Lembrando das conversas que teve com Duda sobre o que buscava em um parceiro, percebeu que talvez nunca tivesse encontrado alguém que realmente combinasse com sua intensidade. Ela queria alguém com quem pudesse crescer, alguém que estivesse ao seu lado em cada aventura e que, ao mesmo tempo, trouxesse estabilidade para sua vida.

Sorriu consigo mesma ao pensar em como foi que Valentina conseguiu seu número. Foi Duda, claro. Aquela amiga safada sempre dava um jeito de bancar o cupido, mesmo que Luiza nunca tivesse pedido por isso. Ela girou a taça lentamente, admirando a cor do vinho, enquanto a lembrança da última conversa com Valentina surgia em sua mente. Por trás daquela fachada reservada, sentia que existia uma mulher cheia de nuances, tão complexa quanto o próprio vinho que estava bebendo.

Mas o que será que Valentina pensou de sua última mensagem? Será que estava se perguntando por que Luiza ainda não havia respondido? Esse pensamento a fez sorrir levemente. Talvez eu a esteja deixando um pouco curiosa. Por que não?

Essas questões pesavam como um fardo, e Luiza percebeu que, por mais que estivesse intrigada por Valentina, precisava se conhecer melhor antes de entrar em um novo relacionamento. Talvez a chave fosse se permitir ser vulnerável novamente, sem medo de julgamentos ou decepções. Mas, para isso, ela precisaria superar as feridas do passado e estar pronta para se abrir verdadeiramente.

A noite avançava, e com ela, a cidade continuava viva, pulsante, como um reflexo dos próprios desejos e incertezas de Luiza. Era como se o brilho das luzes urbanas a encorajasse a se permitir sentir, a aceitar que nem tudo precisa de uma resposta pronta. Decidiu que, dali em diante, não se esconderia mais de seus próprios sentimentos, nem das possibilidades que a vida e, quem sabe, Valentina poderiam trazer.

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