Assim que Otávio deixou o escritório, ele subiu diretamente para o seu quarto, fechando a porta atrás de si com força. A discussão com sua mãe o havia abalado profundamente, e ele precisava de um momento de solidão. Trancado, sentou-se na cama, o peso de suas emoções finalmente o alcançando. Tudo o que ele vinha reprimindo, toda a dor da traição de Lúcia, o estresse de ser um pai solteiro, e a frustração de sua mãe não entender e aí da defender a Lúcia, transbordaram.
Enquanto isso, Rebeca ainda passou algum tempo na sala, brincando com Helena. A pequena estava feliz, rindo enquanto se divertia com a babá, mas a tensão que pairava no ar. Mas logo Rebeca se despediu, um tanto abatida, e foi embora.
Bianca, por sua vez, estava inquieta. Após dar a janta e colocar Helena para dormir, ela não conseguia ignorar o sentimento de que algo estava errado. Com receio, decidiu verificar como Otávio estava. Subiu as escadas, hesitante, e parou em frente à porta do quarto dele. O silêncio lá dentro era pesado, quase insuportável. Ela respirou fundo e, com um pouco de medo, bateu suavemente.
— "Otávio? Você está bem?" perguntou ela, a voz baixa.
Quando ele não respondeu, ela tomou coragem e entrou. O que viu a surpreendeu. Otávio estava sentado na cama, o rosto molhado de lágrimas que ele nem se deu ao trabalho de esconder. O homem forte e confiante que ela conhecia agora parecia devastado, e aquilo mexeu com ela.
— "Otávio..." murmurou ela, aproximando-se com cautela.
Sem pensar muito, Bianca sentou-se ao lado dele, suas mãos suavemente tocando o ombro dele em um gesto de conforto. Ela não disse nada, apenas ficou ali, sua presença silenciosa sendo sua forma de apoio. Sentindo-se acolhido pela proximidade dela, Otávio virou o rosto na direção de Bianca, e seus olhos, cheios de dor, a fitaram profundamente. Havia algo naquele momento que o impulsionou.
Antes que pudesse racionalizar, ele se inclinou e a beijou. Foi um beijo inesperado, cheio de sentimentos contidos, mas suave, carinhoso. Bianca, surpreendida, inicialmente tentou recuar. Ela sabia que aquilo não deveria acontecer. Ele era seu chefe, e ela, apenas a babá de sua filha. Mas a intensidade do momento a envolveu, e ela cedeu, retribuindo o beijo, mergulhando naquele instante que parecia ser maior do que ambos.
No entanto, quando as mãos de Otávio começaram a percorrer seu corpo, Bianca rapidamente recuou. O calor do momento se dissipou, e a realidade a atingiu como um balde de água fria. Ela interrompeu o beijo, levantando-se rapidamente, o coração acelerado.
— "Eu... eu preciso ir..." disse ela, a voz trêmula, antes de sair apressadamente do quarto, deixando Otávio sozinho.
Ao fechar a porta atrás de si, o coração de Otávio estava acelerado, mas sua mente rapidamente foi tomada por culpa. Ele passou a mão pelo rosto, sentindo o peso de suas ações, certo de que havia cometido um grande erro.
Bianca correu para seu quarto, seu coração batendo descompassado, ainda tentando processar o que acabara de acontecer. Ela nunca havia feito nada parecido antes. Sempre foi uma pessoa reservada, cautelosa, e aquela situação a deixava completamente desorientada. Sentia uma mistura de medo, confusão e, talvez, um pouco de arrependimento. "O que foi que eu fiz?", pensou, o pânico crescendo em seu peito. Sua mente logo se encheu de dúvidas. E se aquilo lhe custasse o emprego? E se Otávio agora a visse de maneira diferente?
Ela se jogou na cama, respirando profundamente, tentando se acalmar. Tudo o que sempre quisera era um trabalho para recomeçar sua vida, e agora, com um único beijo, tudo parecia estar em risco. Mas, ao mesmo tempo, uma parte dela sentia algo novo, algo que ela não sabia como lidar.
Do outro lado, Otávio também estava com a cabeça cheia. Após Bianca sair do quarto, ele ficou sentado, refletindo sobre o que havia acontecido. Sim, ele havia cruzado uma linha que talvez não devesse. Bianca era a babá de sua filha, e qualquer envolvimento emocional poderia complicar tudo. No entanto, apesar de sua mente lhe dizer que tinha cometido um erro, seu coração dizia outra coisa.
Naquele beijo, ele percebeu algo que vinha tentando ignorar: estava sentindo algo por Bianca. O carinho dela com Helena, sua gentileza, a forma como ela o ouvira sem julgamento... tudo isso o fez ver Bianca de uma maneira diferente. Mas esse sentimento vinha acompanhado de medo. Medo de se abrir novamente, de permitir que outra mulher entrasse em sua vida depois de tudo o que passou com Lúcia.
Otávio se levantou, passou a mão pelo rosto e suspirou. Sabia que precisava tomar cuidado, tanto por ele quanto por Bianca. Mas, mesmo assim, ele não conseguia se arrepender do que tinha acontecido.
Bianca passou a noite inquieta, seu corpo exausto, mas sua mente não parava de revisitar o que havia acontecido. Ela tentava convencer a si mesma de que precisava manter tudo profissional, mas aquele beijo... aquele beijo havia despertado algo que ela não conseguia ignorar.
Na manhã seguinte, Bianca acordou mais cedo do que de costume, determinada a evitar Otávio e focar apenas em cuidar de Helena. Ela sabia que não podia deixar aquele momento interferir em seu trabalho. Descendo as escadas, encontrou a pequena já acordada e pronta para mais um dia de brincadeiras. Bianca sorriu para a menina, tentando se recompor, e dedicou toda sua atenção a ela.
Enquanto isso, Otávio se preparava no quarto, mas estava longe de estar tranquilo. Ele não sabia como agir diante de Bianca depois da noite anterior. Queria manter distância, pelo bem de ambos, mas também sabia que ignorar o que sentia não seria fácil. Respirou fundo, vestiu-se rapidamente e decidiu que tentaria manter tudo sob controle, mantendo o foco em sua filha e na empresa.
Quando Otávio desceu para o café da manhã, encontrou Bianca e Helena na sala de estar. Bianca estava concentrada em brincar com a pequena, rindo com ela como se nada tivesse acontecido. Ele hesitou por um momento, admirando a cena. A forma como Bianca lidava com sua filha o encantava, mas também o deixava ainda mais confuso.
— "Bom dia " disse Otávio, sua voz calma, mas com um leve nervosismo.
—" Bom dia, senhor Otávio " respondeu Bianca, evitando contato visual enquanto ajudava Helena a organizar os brinquedos.
Otávio observou a tensão no ar e percebeu que Bianca também estava tentando ignorar o que aconteceu. Decidiu respeitar isso, pelo menos por enquanto.
— "Preciso sair mais cedo hoje"( ele comentou, tentando soar casual. ) Vou passar o dia no escritório. Se precisar de algo, me avise.
Bianca apenas assentiu, mantendo o foco em Helena. Ela sabia que esse seria o padrão dos próximos dias. Otávio se distanciaria para evitar confrontar seus próprios sentimentos, e ela faria o mesmo. Mas, dentro dela, sabia que aquilo não resolveria nada. Eles teriam que lidar com o que havia acontecido, mais cedo ou mais tarde.
Enquanto Otávio saía de casa, Bianca sentiu um leve alívio por ele não ter mencionado nada sobre a noite anterior. Ainda assim, não pôde evitar se perguntar até quando essa tensão duraria e como isso afetaria sua vida dali para frente.
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Atualizado até capítulo 61
Comments
Ana Frias
a história é boa , mas realmente faltam personagens , cadê a governanta e os empregados na empresa não tem funcionários e os amigos dele , pelo menos a Bianca tem uma amiga
2025-03-07
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Ana Frias
a história é boa mas só eles aparecem a ex , a mãe e a clara cadê os seguranças, cadê a empregada que dá em cima do patrão implica com a babá
2025-03-07
1
Rejane Ferreira de Souza
esse casa é estranha, nao tem governata, nem faxineira nem nenhum outro funcionário. e nem segurança.
2025-02-15
2