Otávio acelerou o carro, seus dedos firmemente agarrados ao volante, o som do motor ecoando na estrada. Seus pensamentos eram um turbilhão de raiva e frustração. Lúcia havia voltado, e, como ele temia, estava tentando recuperar o que ela mesma havia destruído. Ele sabia que teria que ser firme não por ele, mas por Helena.
Ao chegar em casa, Otávio avistou Lúcia do lado de fora, com os braços cruzados e o rosto impassível, mas ele podia ver a tensão em seus olhos. Sem dizer uma palavra, ele saiu do carro, caminhando com passos firmes até onde ela estava.
— “Otávio,” Lúcia começou a falar, sua voz carregada de emoção, mas ele a interrompeu bruscamente.
— “O que você está fazendo aqui?” A frieza em sua voz era evidente.
Lúcia hesitou por um momento, mas manteve o olhar fixo no dele.
— “Eu cometi um erro, Otávio,sei que errei ao deixar você e a Helena, mas estou aqui para consertar isso. Eu quero minha família de volta.”
Otávio soltou uma risada amarga, incrédulo.
— “Família? Você abandonou a nossa filha, Lúcia. Saiu de casa com um amante e sumiu sem dar notícias,sem nem se despedir da Helena,você acha que pode voltar e fingir que nada aconteceu?”
Lúcia deu um passo à frente, seus olhos implorando por compreensão.
— “Eu estava confusa, fiz escolhas erradas, mas me arrependi. Eu ainda sou a mãe de Helena, Otávio. Eu a amo e quero estar na vida dela.”
Otávio sentiu a raiva crescendo em seu peito.
— “Você a ama? Se amasse, nunca a teria deixado. Desde o momento em que saiu por aquela porta, Lúcia, você perdeu todos os seus direitos. Eu estou criando Helena sozinho. Eu estive aqui enquanto você estava fora, vivendo a sua vida com outra pessoa.”
Lúcia piscou, segurando as lágrimas que ameaçavam cair.
— “Eu estava cega, Otávio. Acreditei que aquele homem me daria o que eu precisava, mas me enganei. Ele me deixou assim que o dinheiro acabou.”
Otávio balançou a cabeça, sem um pingo de surpresa em sua expressão.
— “Eu sabia que isso aconteceria. Sempre soube que ele não duraria ao seu lado. Ele estava com você por conveniência, e quando você não tinha mais o que oferecer, ele a trocou por outra. E agora você volta, achando que pode recuperar sua vida aqui?”
Lúcia se remexeu, claramente desconfortável com as palavras de Otávio, mas ainda determinada.
— “Eu quero tentar, Otávio. Eu posso mudar, ser uma boa mãe para Helena. Eu só preciso de uma chance.”
Otávio deu um passo à frente, sua voz ficando mais firme.
— “Você já fez sua escolha, Lúcia,quando você saiu daquela porta, não pensou em nós. Não pensou em Helena. Agora, você quer voltar porque não tem mais nada. Mas aqui você também não tem nada. Não vou deixar você brincar com a vida da nossa filha. Helena é feliz sem você, e não vou permitir que você volte e destrua isso.”
Lúcia abriu a boca para argumentar, mas as palavras ficaram presas na garganta. Otávio estava implacável, e ela sabia que não conseguiria reverter a situação facilmente.
— “Agora, vá embora,”( ele disse friamente.) “Você não faz mais parte da vida de Helena, e no que depender de mim nunca mais fará. Se você realmente se importa com ela, vai aceitar isso e seguir em frente.”
Lúcia respirou fundo, lutando para não ceder às lágrimas. Ela olhou para Otávio uma última vez antes de se virar e caminhar lentamente em direção ao portão. Quando ela desapareceu de vista, Otávio soltou um suspiro longo, sua raiva ainda fervendo, mas aliviado por ter colocado um ponto final naquela história.
Ao entrar em casa, encontrou Bianca na sala, visivelmente nervosa, ainda segurando o telefone. Helena dormia no andar de cima, alheia à tempestade que acontecia ao seu redor.
— “Ela foi embora?” Bianca perguntou hesitante.
Otávio assentiu, os traços rígidos de seu rosto suavizando um pouco.
— “Sim, ela foi. Não vai mais voltar.”( Ele olhou para Bianca, apreciando o fato de que, ao menos, havia alguém ali com quem podia contar.) “Obrigado por me ligar. Você fez a coisa certa.”
Bianca sorriu timidamente, aliviada com a situação resolvida.
— “Eu só queria ter certeza de que você soubesse o que estava acontecendo.”
Otávio apenas assentiu, exausto emocionalmente. Aquele dia tinha sido longo, mas ele sabia que agora, com Lúcia fora de suas vidas, as coisas finalmente poderiam seguir em frente, sem mais fantasmas do passado para assombrá-los.
Ainda exausto pela discussão, Otávio afundou no sofá da sala. Ele passou as mãos pelo rosto, tentando aliviar a tensão que ainda latejava em suas têmporas. Bianca, que havia observado tudo de longe, hesitou por um instante, mas a imagem de Otávio tão cansado e abatido a incomodava.
Ela se aproximou, parando perto dele, com a voz baixa e suave.
— "Você está bem?"
Otávio levantou a cabeça e a encarou por um momento. Ele não estava acostumado a ter alguém preocupado com ele. A pergunta, apesar de simples, o pegou desprevenido.
— "Sim... quer dizer, não," (ele respondeu, soltando um suspiro pesado. )"Eu já deveria estar acostumado com essa situação, mas parece que toda vez é uma nova decepção."
Bianca se sentou na poltrona em frente a ele, mantendo uma distância respeitosa, mas demonstrando apoio.
— "Quer falar sobre isso? Às vezes, desabafar pode ajudar."
Otávio ficou em silêncio por alguns segundos, ponderando se deveria compartilhar seus sentimentos com ela. Apesar de ser nova, Bianca havia demonstrado maturidade e sensibilidade desde o momento em que chegou. Ele sentiu que podia confiar nela, pelo menos um pouco.
— "Lúcia e eu... estávamos juntos há anos. Eu era completamente apaixonado por ela, fiz de tudo para que nossa família fosse feliz. Mas, no final, não foi suficiente. Ela me traiu e, pior, abandonou nossa filha. Isso, Bianca... eu nunca vou perdoar." Sua voz estava carregada de dor e frustração, como se ainda estivesse tentando processar tudo.
Bianca, ouvindo atentamente, o interrompeu com cuidado.
— "Você não tem que perdoá-la não agora,o que ela fez foi errado, e você tem todo o direito de se sentir assim. Mas não deixe que isso te consuma. Você é um ótimo pai para a Helena. Isso é o que importa."
Otávio sorriu levemente, surpreso com a simplicidade e a verdade nas palavras dela.
— "Helena é tudo para mim, mas eu não sei se estou fazendo o suficiente. Eu tento, mas é difícil fazer isso sozinho."
— "Você não está mais sozinho," (Bianca respondeu calmamente. )"Estou aqui para ajudar com Helena, e também para o que você precisar. Sei que a responsabilidade é grande, mas você não precisa carregar tudo sozinho."
Otávio olhou para ela, admirado. Havia algo em Bianca que o fazia se sentir... compreendido. Ela era jovem, mas sua perspectiva era clara, sábia. Isso o surpreendeu.
— "Você é muito madura para a sua idade, sabia?" ele comentou, a admiração em sua voz evidente.
Bianca deu um sorriso tímido, abaixando os olhos por um momento.
— "Eu acho que a vida me obrigou a crescer rápido. Mas isso só me fez querer ser uma pessoa melhor e ajudar onde eu posso."
Otávio balançou a cabeça em concordância. Ele se sentia confortável conversando com ela, algo que não acontecia há muito tempo com ninguém. Bianca parecia entender suas preocupações, e sua presença era, de alguma forma, reconfortante.
— "Obrigado,"( ele disse, sua voz mais suave agora.) "Por me ouvir e... por estar aqui. Eu acho que não disse isso o suficiente, mas já sinto que você é uma parte importante na vida da Helena. E, talvez, na minha também."
Bianca sorriu novamente, dessa vez um sorriso mais sincero, e acenou com a cabeça.
— "Fico feliz em poder ajudar, Otávio. O que importa é que Helena tenha um lar feliz e que você também se sinta bem."
O silêncio entre eles se estabeleceu, mas era um silêncio confortável, cheio de compreensão mútua. Otávio sentiu que, pela primeira vez em muito tempo, tinha encontrado alguém com quem podia contar.
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Atualizado até capítulo 61
Comments
Dú Andrade
O Otávio tá sendo ingênuo em achar que tá tudo resolvido. Sqn!
Essa mulher ainda vai aprontar e muito. Quem concorda comigo?
2025-01-20
3
Janaina Fátima
Otávio tu se liga e seja mais esperto e como ser rico e não ter empregados nem seguranças?
2025-03-06
1
Zilda Barbosa
ninguem come nessa casa
2025-02-06
1