Desligo o telefone e penso rapidamente no que fazer.
Ligo para a Rafaele e desmarco o nosso compromisso, dou a desculpa de que estou muito gripado e febril, o que não era de todo mentira, eu realmente estou doente.
De lá ,eu vou correndo até a casa da minha irmã para chamar o meu cunhado Pietro, com certeza eles tem conhecimentos que podem me ajudar nesse momento.
— Cadê o Pietro, Aninha?!
— Está no banho,aconteceu alguma coisa?!
—Depois ele te explica, preciso que ele saia comigo agora!
Eu vou subindo até o quarto deles,e entro.
—Ah porra! Que susto! Está maluco,Pedro?!
Ele estava acabando de vestir a cueca.
—Eu preciso que você venha comigo agora mesmo até Coelho Neto!
—Está usando drogas?!
—Não,mas preciso de um antitérmico, estou gripado e com febre,pega lá pra mim Ana Carolina!
—Então é isso, está delirando!
—Anda logo ,Aninha!
Enquanto a minha irmã pega o medicamento, eu explico a situação para o Pietro.
—Então vamos, mas deixa que eu dirijo. De lá eu ligo para os meus contatos e providenciamos a transferência do homem.
Tomo o remédio que a minha irmã me dá, e saímos.
Chegamos no hospital municipal aonde o pai da Marina está internado e a encontro do lado de fora com o rosto vermelho,e os olhos inchados de tanto chorar.
—Oi,como está o seu pai?
—Na mesma...aguardando ou a melhora ou a morte...
Ela leva as mãos ao rosto e chora.
— Não fica assim, esse aqui é meu cunhado, Pietro. Ele é médico ,você o viu lá na clínica ontem, né?
—Sim, eu me lembro dele.
— Então, ele tem muitos muitos contatos vai providenciar a transferência do seu pai para o melhor hospital cardíaco que nós temos no estado. Me leva lá dentro para a gente poder conversar melhor e pegar os dados do seu pai.
Ela nos acompanha até os médicos, meu cunhado começa a acertar o trâmites da transferência e se intera da situação real do pai da Marina.
—É uma corrida contra o tempo, preciso que a sua mãe venha até aqui para poder autorizar a transferência dele o mais rápido possível, eu já consegui um hospital e eles estão se preparando para receber o seu pai.
Eu a acompanho até aonde estava reunida a família dela, o hospital estava lotado, uma confusão sem tamanho! São nessas horas que eu geralmente tomo ciência do tamanho do privilégio social e econômico que eu tenho.
Todos me olham de cima a baixo como se eu fosse de outro planeta, primeiro porque eu era uma pessoa estranha ao lado da Marina, e segundo devido provavelmente os meus trajes.
—Mãe, eu consegui a transferência do papai para um hospital particular de ponta, mas eu preciso que a senhora vá até lá na administração para providenciar a documentação.
— Marina, pelo amor de Deus ,que história é essa?! Como nós vamos pagar por esse hospital?! Nem juntando os empréstimo de todo mundo da família e vaquinha dos amigos, não dá o valor que a gente precisa!
— A senhora não precisa se preocupar, está tudo por minha conta! - eu digo e a família toda me encara ainda mais intrigada.
—Desculpa, meu rapaz,quem é você? - pergunta a mãe dela
—Mãe,esse é o Pedro,ele é...
—Eu sou o namorado da Marina!
—Namorado???!!!! - os familiares falam juntos e surpresos
—Pedro...- ela me olha espantada.
—Nós iremos nos casar, esqueceu? Tudo se começa com um namoro! - falo baixinho, a dou um sorriso e ela fica vermelha.
—Espera aí...eu não sabia de nada disso!
—Nem eu! E desde quando essa sonsa namora? Ainda mais um... cara bonito.. desse jeito ... - a moça me estende mão - Prazer,Samanta! Irmã da Marina.
Um rapaz a puxa com uma cara descontente.
—Podemos explicar tudo com a maior calma e paciência do mundo, mas primeiro precisamos da senhora para providenciar a transferência do seu marido o mais rápido possível e salvar a vida dele ,vem conosco?
A mãe dela nos acompanha, Eu apresento a Pietro e os dois juntos com os médicos e administração do hospital, resolvem os trâmites burocráticos.
A minha mãe me liga preocupada.
📲Pedro, onde você está? A Aninha me ligou dizendo que você esteve na casa dela e saiu correndo com o Pietro para a zona norte. O que aconteceu? Alguns dos seus amigos se acidentou?
📲 É uma questão de saúde mesmo, mas não é com nenhum amigo meu, é como o meu futuro sogro.
📲O que aconteceu com o pai da Rafaele?!
📲 Não é nada o pai da Rafaele,ou com a família dela. Quando eu chegar em casa eu converso com a senhora e com papai direito. Mas está tudo bem, não se preocupe.
📲 Ela também me disse que você estava com febre, como você está agora?
📲Agora estou bem, parece que a febre baixou. Eu não vou demorar muito aqui porque o que vim para fazer já está quase resolvido.
Me despeço dela e olho para Marina que estava atenta na minha conversa.
—Isso é muita loucura...mas nk meu despero...
—Eu posso imaginar.
—Você está doente?
—Um resfriado, acho que foi daquela chuva de ontem no centro da cidade.
—Tudo por minha culpa! Eu só te trouxe problemas...
—Pelo contrário, Marina! Você só trouxe a solução dos meus problemas.
Nos olhamos fixamente por alguns segundos e somos interrompidos pela chegada de Pietro e da mãe dela.
—Tudo resolvido, ele já está sendo preparado para ser transferido.
—Obrigada por tudo, meu rapaz! Depois que tudo isso passar, aparece lá em casa para conversarmos.
— Eu irei com certeza ,agora a senhora consegue se concetre apenas na recuperação do seu marido e não se preocupe, da cirurgia à estadia dele no hospital está tudo por minha conta!
—Me desculpe, mas...você é rico? Bom...tem cara! - ela fala sem graça
—É...eu sou! - dou uma risada.
—Obrigada, Pedro! - Marina me abraça - Eu não sei como te agradecer!
— Casando comigo... - falo no seu ouvido
Ela dá um sorriso tímido.
—Não conte sobre o contrato com ninguém, nem com a sua mãe. Tudo bem?
—Pode deixar...
O pai dela é levado até o hospital que fica na Barra da Tijuca. Pietro, o meu padrinho e meu pai, são conhecidos do dono, então, eles vão tratar o Flávio, pai da Marina, como se estivesse em um hotel cinco estrelas.
Eu volto para casa assim como meu cunhado e fico de voltar no dia seguinte para visita-lo.
Chego em casa já no meio da madrugada, os meus pais me esperavam cochilando no sofá da sala.
—Velho e sofá não combinam, vão ficar doloridos!
—Velho é a sua bunda! - meu pai tira a minha mãe do seu colo e levanta com as mãos nas costas.
—Hãn...ele chegou ? Oi filho,vem cá!
Ela o coloca as mãos na minha testa.
—Está com febre! Vá tomar um banho morno, que eu vou preparar um mingau de aveia com canela e levar um antitérmico.
—Espera, ele tem que nos explicar o que aconteceu, meu amor!
—Deixa o menino deitar primeiro, Tomás!
Assim que me acomodo confortavelmente na cama, minha mãe me dá os remédios e o mingau na boca,enquanto o meu pai torce a cara enciumado.
—Um homem desses...
—Eu faço isso com você quando está doente! Um homem velho de barba branca, não vou fazer com meu filho que não tem nem trinta anos?
Eu a abraço a cintura e olho com deboche pra ele.
—Ai...mãe! Dói o meu corpinho todo! Pede para o papai fazer massagem nos meu pés?
Ela pega um óleo corporal e entrega a ele.
—Isso é sério, Suzana?!
—Não reclama!
Enquanto sou mimado por meus pais, conto o que aconteceu.
—Então, encontrou a moça. Mas nessa situação,meu filho!
—Eu fiz a proposta antes, mãe! Ela recusou, mas devido a essa tragédia, resolveu reconsiderar.
—Parece ser boa moça? - pergunta o meu pai
—Pelo menos aparenta ter uma família unida e querida, pois, amigos e familiares estavam tentando juntar economias e até dispostos a fazer empréstimos para salvar o pai dela.
—Amanhã irei no hospital com você, faremos uma visita e aproveito para saber aonde você está se metendo!
......................
Na manhã seguinte, antes de irmos ao escritório,passamos no Hospital aonde o pai da minha futura nora de mentirinha está internado. Ah, meu Deus! Espero que tudo dê certo para os dois!
—Olha ali, mãe! São elas!
Me aproximo da mãe e da moça, as duas aparentam exaustão.
—Bom dia! Como o seu pai passou a noite?
—Ah...oi Pedro! Ele ficou bem, a cirurgia foi ótima,mas ele está sedado, só deve acordar amanhã.
—Que bom! Deixa eu apresentar a minha mãe vocês...ah...eu não sei o nome da sua mãe!
—Adriana, e você não precisa me apresentar a sua mãe, eu sou uma grande fã dela, eu acompanho todos os seus stories, Suzana, as suas postagens, dicas... você é uma grande inspiração para as mulheres maduras! Você é linda!
—Fico lisonjeada! Pena nos conhecermos nessa situação. Vocês já tomaram café?
—Ainda não...
Elas fazem uma cara sem graça e eu compreendo que provavelmente elas não se alimentaram por falta de dinheiro, ainda mais em um hospital como aquele, aonde tudo é muito caro. E como o Flávio ainda está na UTI, elas não tem direito a refeição como acompanhante porque ele ainda não está no quarto.
— Então, vamos fazer o seguinte? Estou convidando vocês para tomarem um café da manhã conosco, assim, podemos conversar um pouco,nos conhecer melhor e vocês podem se distrair de toda essa tensão. Depois peço ao nosso motorista para deixá-las em casa, já que não adianta ficar no hospital. Fiquem tranquilas, nós conhecemos a diretoria e qualquer intercorrência seremos avisados imediatamente.
Elas se olham e aceitam. As levo para uma cafeteira fora do hospital e enquanto fazemos o desjejum, conversamos um pouco.
—Marina...eu amo esse nome! O Pedro seria batizado com ele se fosse menina.
Dou um sorriso para a moça, senti algo bom nela, uma identificação...algo da Suzana jovem e obstinada naquele olhar.
—Eu não sabia que a Marina estava namorando, quanto mais com um rapaz como o Pedro. - diz Adriana
—Também só ficamos sabendo desse namoro ontem.
—Como vocês se conheceram? - ela pergunta a filha
—É, filho, como? - debocho
Os dois se olham pálidos e não sabem o que responder, tomo um gole do meu café e dou um risada dentro da xícara.
—Hum...agora estou lembrando! Você me disse que havia conhecido uma moça no elevador de um prédio no centro da cidade,quando ela procurava emprego.
—Isso! Foi desse jeito mesmo mãe! Não é, amor?
—Amor?! - ela se assusta - Ah...é sim...foi sim, amor...
—Mas por que nunca nos contou nada,Marina?
—Por que estávamos só nos conhecendo e ele é um rapaz de outra classe social,não sabia se daria certo.
Adriana se deu por satisfeita com as explicações, ou fingiu acreditar. A coitada está tão exausta e abalada emocionalmente, que esse deve ser o menor dos seus problemas.
Antes de partirem, ela me abraça.
—Obrigada por tudo o que fizeram por nós! Não sei nem o que dizer...
—Não agradeça, esperamos que o seu marido se recupere logo para as nossas famílias se conhecerem melhor. Qualquer coisa, não exite em me ligar.
Abraço a Marina.
—Fique bem, minha menina! Em breve vou ligar para marcamos uma conversa.
—Ah então...tchau! Temos que ir trabalhar! - Pedro não sabe como agir.
—Ué, filho não vai dar um beijo na sua namorada?
—Vou sim...mãe! - ele gagueja - O que você está fazendo? - fala baixinho entre os dentes.
—Vai Pedro, temos que ir logo para o escritório!
Ele se aproxima da Marina, os dois estão tão sem graça! Pedro se abaixa e beija delicadamente os lábios dela em um rápido selinho.
—Eu te ligo mais tarde...- ele diz
—Tá...tá bom...
Seguimos para os nossos destinos, Pedro segue em um estranho silêncio durante o trajeto.
Acho que o coração do meu bebê será fisgado logo,logo...
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Atualizado até capítulo 72
Comments
Nubia
eu gosto da Suzana ser tranquila e não ter preconceito ir mais na intenção de perceber o caráter da futura nora, e não classe social
2025-03-12
5
Mônica Santos
gostando da história
mas essa irmã dela vai aprontar é invejosa se acha a última bolacha
2025-03-13
0
Luzia aparecida Araújo
Amando sua história autora! Marina terá uma sogra amiga e carinhosa!
2025-03-24
0