Após Pedro sair de casa e ir morar com a minha mãe, Suzana só fala o básico comigo.
—O que é isso no meu quarto? Invasão?
Levi e Bia estavam deitados debaixo do edredom com Suzana, vendo um filme infantil ,cada um com seu baldinho de pipoca.
—Apaga a luz vovô! - diz Levi
—E fica quietinho! - completa Bia
Dou uma risada.
—Tá bom, eu vou ficar mudo!
Entro debaixo da coberta, deito ao lado de Suzana, a agarrando por trás e dou um beijo no cangote. Ela está mais fria que um bloco de gelo e nem se mexe, então acabo dormindo. Quando acordo, nem ela e nem os nossos netos estavam lá.
—Samuca, cadê a sua mãe?
—Levou as crianças para verem o Pedro na casa da vovó. - ele estava no celular e não olha pra mim
—Hum...- vou saindo e depois retorno - Estão todos contra mim! Eu só estou fazendo isso pensando no bem do meu filho!
—Pai, o problema é que o senhor exagerou! O casamento até que não é má ideia, quem sabe ele não se acerta com a Rafaele? Tirar as regalias também, ele aprende a dar mais valor aos privilégios. Mas expulsar o Pedro de casa e mandá-lo embora da empresa? Desculpa, não dá pra aceitar !
—Ele está se virando ,não está?
—Ele não está achando emprego, o Pedro tem excelente formação, experiência, e é poliglota. Isso tem dedo seu ,não é?
Eu dou uma risadinha.
—Sou um homem influente...
—Pegou pesado demais, doutor Tomás!
—A sua mãe está chateada comigo. Só fala o básico e o essencial, e já se vão duas semanas! Ela está dormindo pelada de propósito e ainda empina a bunda para o meu lado! Tortura!
—Ai, pai... - ele fica vermelho e ri - Me poupe desses detalhes!
—Sua mulher nunca te deu um castigo desse?
—Não!
—Ainda não! Vocês só tem cinco anos casados, Esperem fazer vinte e seis!
—Pai, o senhor ainda não foi ver o Pedro, isso tem deixado a mamãe mais chateada ainda.
—No dia em que fui na casa da sua avó, ele me cumprimentou rapidamente e saiu em seguida.
—Poxa, ele também está magoado,é normal! Vai lá, tenta conversar com ele, pede para voltar pra casa.
—Não sei...
—Tenho certeza que se o Pedro entrar por essa porta com as malas dele, a mamãe acaba com o seu castigo hoje mesmo!
—Você acha?!
—Tenho certeza!
Troco as roupas e vou até a casa da minha mãe. Encontro todos conversando animadamente na sala, e as crianças brincando com os padrinhos,Fábio e Pedro.
—Vovô!! - eles correm para me abraçar.
—Já estão fazendo bagunça na casa da bisa?
—Adoro essa bagunça deles, só falta o Lipe!
Cumprimento a todos e percebo Pedro incomodado com a minha presença.
—Venho buscar a esposa ,Tomás? - pergunta o meu padrasto
—Tirei um cochilo essa tarde e quando acordei não tinha mais ninguém no meu lado.
Suzana continua a me ignorar enquanto acaricia os cabelos de Pedro.
—Pedro, eu posso falar com você em particular?
—Vai querer tirar mais o que de mim, minhas cuecas?
—Vai lá dentro conversar com o seu pai,meu filho! - diz minha mãe
—Vou , só porque a senhora pediu!
Entramos dentro do quarto dele e trancamos a porta.
— Como você está?- pergunto
—Bem...
—Hum...conseguiu emprego?
—Se você parasse de ligar para seus contatos pedindo para não me contratarem, eu conseguiria!
—Eu queria que você encontrasse um emprego sem precisar da influência do seu sobrenome.
—Só se eu deixasse de ser o seu filho! Quer fazer isso também?
—Deixa de falar besteiras ,garoto!
— Aí é que está, pai ! Eu não sou mais um garoto. Eu sou um homem, e o senhor me tratou como se eu fosse um moleque aquele dia!
— Mas você tem que se comportado como um moleque na maioria das vezes, Pedro! Só nessa comemoração do seu aniversário, tivemos problemas duas vezes, e em todas elas você se safou por pouco, meu filho! Eu não vou ficar para semente não! E quando eu não tiver mais aqui para poder livrar sua cara?
Ele abaixa a cabeça.
— Tudo bem, eu confesso! Pensei melhor e realmente acho que eu peguei pesado com você, não era para tanto te mandar para fora de casa e nem te demitir da empresa.
— Agora já era, me magoou!
—E você não pode perdoar o seu pai? Eu não fiz isso com a intenção de te machucar, mas foi o desespero de te proteger!
—A vovó contou o que aconteceu no seu passado, que o senhor teve um caso com a sua madrasta. Eu nunca faria uma coisa dessas, pai! Mas não estou aqui para te julgar,ainda por algo que se passou há muito tempo. E o vovô Salomão te deu uma segunda chance...
— Seu avô me amava muito, ele passou por cima da dor e do orgulho dele para me dar uma chance de mudar, eu sei que você não fez nem metade do que eu cheguei a fazer, foi por isso que eu tomei essas atitudes drásticas, para que você não chegue nesse patamar. Me perdoa por te amar demais?
Olho para ele e vejo as lágrimas circundando seus olhos cor de mel, eles cruza os braços e balança a cabeça afirmativamente.
— Será que você também pode abraçar o seu pai?
Ele vai se chegando timidamente com os braços cruzados e a cabeça baixa, então eu o puxo e eu coloco dentro do meu peito com toda força que eu tenho. Sinto que ele começa a soluçar em seu choro, o beijo os cabelos castanhos e digo o quanto o amo.
— Não quero que a nossa família fique assim, seus irmãos com raiva de mim, sua mãe com raiva de mim, você com raiva de mim.... Vocês são tudo o que há de mais importante na minha vida , eu não suporto não ter vocês rindo do meu lado todos os dias. A minha família é o que eu tenho de mais precioso!
— Me perdoa também, pai ...por todas as vezes que eu fiz o senhor se sentir mal por minhas atitudes!
—Claro que eu perdoo! Agora arruma as suas coisas e volta pra casa comigo!
Eu o ajudo e fazer as malas.
—Na segunda feira você também pode voltar à empresa, você faz muita falta por lá, não posso perder o meu futuro diretor.
—Obrigado, não vou te decepcionar!
—Mas o casamento continua de pé!
—Sério,pai?!
—Sim! Você tem seis meses para arrumar uma noiva e casar!
— Por que isso, pai? Sabe que eu tenho horror a ideia de me casar!
— No momento certo eu te explico o porquê, mas siga adiante com esse propósito.
— Qualquer mulher?
—Uma boa mulher, de bom caráter, afinal, ela terá que conviver com você, com a nossa família por dois anos, no mínimo...
— Posso fazer um contrato com ela?
—Pode, e as únicas regras que eu imponho é que esse casamento dure no mínimo dois anos e que a moça escolhida, não sofra!
—Tudo bem, eu aceito...
—Agora vamos logo, sua mãe vai ficar contente e irá acabar com a greve de sexo!
—Ah...então é isso! Dona onça está te negando as safadezas! Por isso veio me buscar , não foi por se arrepender!
—Não é isso! Eu realmente me arrependi, e o castigo da sua mãe me fez refletir muito!
Ele dá uma gargalhada e voltamos para a sala. Suzana nos vê e abre um largo sorriso, assim como a minha mãe. Pegamos as crianças ,colocamos no carro e Pedro segue conosco para casa. Durante o caminho de volta, Suzana já era outra, estava cantando com os netos, sorrindo para mim, brincando com o nosso filho e o meu coração voltou a ficar aquecido!
Em casa, o clima mudou, ficou mais leve e feliz novamente, olho os meus filhos conversando alegremente, Aninha e a Pietro chegaram com Lipe para jantarem conosco, e a noite de domingo terminou em pizzas, que eu mesmo fiz junto com Suzana. Ela me vê de costas na pia, e me abraça por trás.
—Hum...que bom sentir esse carinho de novo!
—Obrigada por trazer o nosso filho de volta! Eu te amo!
—Eu também!
—Só por isso, você merece um agradinho...
Ela passa a mão pela minha cintura, entra dentro da minha bermuda e aperta o brinquedo favorito dela.
—Ai...não vejo a hora de nos trancarmos dentro do nosso quarto!
Ela sai dando uma risada safada, levando a garrafa de vinho para a sala de jantar...a minha família voltou!
......................
Voltei a trabalhar na empresa da família, meu pai devolveu o meu carro e meus privilégios.
Agora, só falta eu arrumar uma noiva, mas aonde!
—Pedro, preciso que você vá até o centro da cidade para reunião com os empresários daquele grupo francês.
—Que horas, pai?
—Às quinze.
Separo documentos, chamo o meu assistente e parto. Meu pai está começando a delegar todas as responsabilidades para nós três.
A reunião acontece em um prédio na Avenida Rio Branco, e na saída pegamos engarrafamento.
—O trânsito aqui é uma droga! Que caos!
No cruzamento com a Sete de Setembro, pessoas atravessam loucamente, assim que o sinal abre pra mim, eu avanço,mas acabo atropelando uma moça.
—De onde essa mulher saiu ,Pedro?!
—Eu não sei! Mas não tive culpa!
—E agora?!
—Não sei! Só espero que o meu pai não me mate de vez!
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Atualizado até capítulo 72
Comments
Sabrina Gonçalves
os filhos e a esposa estão chateado com Tomás ele.errou sim mas eles pararam pra pensar também que ele poderia ter morrido de um infarto e o filho iria estar aproveitando a vida e eles sem o Tomás e o Pedro não foi pra rua foi pra cada da avó de tão moleque que é na idade dele não tem nem dinheiro reservado nem um apartamento
2025-03-04
4
Luzia aparecida Araújo
Emocionante a reconciliação de pai e filho! Espero que Pedro tenha aprendido a lição! Não é fácil para um pai repreender um filho adulto!
2025-03-23
0
User12345678
Acabou de atropelar sua esposa.rsrs
2025-03-22
0