Pov's Natália.
Cemitério
Havia tantas dores que já havia sofrido nessa vida, mas essa era uma das piores. Quando eu estava sem nada e nem ninguém, eu encontrei Adam. E agora eu o havia o perdido para sempre.
O amor da minha vida havia morrido e eu não sabia o que fazer.
Estar diante desse caixão, chorando o luto e tendo que dizer um último adeus, deixava o meu coração em pedaços. Eu questionava a Deus: por quê?
Havia aquele sentimento de revolta, injustiça. Fora que eu era obrigada na cerimônia de despedida ter que engolir a presença de Justin. Eu odiava aquele homem, a sua pose e sua arrogância me fazia crer, que sequer lamentava. Ele não tirava o óculos escuros da cara e não derramava nenhuma lágrima.
Me retirei de perto do caixão, puxando Esther e Júlia pelo braço. Minha bebê havia ficado em casa, sob os cuidados da irmã de Adam.
Enxuguei o meu choro e caminhei, saindo para fora do cemitério. Eu não queira ver o meu marido sendo enterrado; a lembrança que eu queria guardar, era dele vivo.
Fiquei observando de longe, com aquela tristeza me invadindo. Foram 10 anos juntos. Esses 10 anos havíamos vivido uma linda história.
Fui puxando as meninas até uma parada de ônibus: assim como eu, elas estavam mal. Júlia principalmente, ela era tão apegada à Adam.
Nesse silêncio que pairava, eram mistos de sentimentos diferentes. Eu não tinha ideia o que seria da minha vida daqui para frente. Como ia seguir sozinha, com três crianças pequenas.
O carro de luxo estacionou e o vidro foi abaixado.
— Quer uma carona?— o indivíduo indagou, retirando os óculos escuros do rosto.
— Nem morta eu entraria nesse carro.— rebati, com o olhar amargurado.
— Qual é, estamos indo pro mesmo lugar, vou buscar a minha tia.— insistiu e lhe encarei perplexa.
— Bora, mamãe! — minha filha me puxou pela mão. —Estou cansada, o ônibus vai demorar a passar.
— Eu não vou, Júlia.– neguei, a parando.
Foi daí que então o meu ex desceu do veículo e abriu a porta do bagageiro, me contrariando e usando as minhas filhas. Elas entraram no automóvel e quis ir atrás também, porém:
— É melhor você ir na frente.— escancarou a porta do passageiro e continuei relutante.
A contragosto entrei e lhe vi abrir um sorriso de canto, através do retrovisor. Virei a cara, pondo o cinto de segurança. Eu me odiava só em estar respirando o mesmo ar que aquele homem.
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O trajeto inteiro fui em silêncio, até que o meu ex-noivo ligou na rádio e estava tocando um louvor.
Naquele momento o choro me invadiu e eu escutava aquele hino que tocava lá no fundo da alma.
🎶🎵🎶
Tá chorando por quê?
Se você tem um Deus
Que cuida de você, oh, oh
E jamais te esqueceu
Ele sabe de tudo
Que você tá passando
E mandou te dizer
Que Ele está cuidando
Não chore
Quem cuida de você não dorme
Levanta
Tem muita gente que te ama.
Deus mandou te dizer, que vai acontecer
Deus mandou te falar, que tudo vai passar, oh, oh🎶🎵🎶
— Por que está desviando o caminho?— aumentei a voz.
— Preciso te levar um lugar antes, Naty.— me chamou pelo velho apelido e entreolhei pro fundo dos seus olhos azuis, mexida. — Abre o porta-luvas aí, por favor.— pediu, acenando.
No início hesitei, contudo, receosamente fiz e enxerguei de cara a bíblia. Essa bíblia era tão familiar. E a peguei em minhas mãos e abri, vendo a dedicatória que eu mesma havia escrito.
" Meu amor, espero que você conheça um dia Deus, como eu o conheço. Eu te amo! Feliz aniversário<3" - Naty
Eu havia o presenteado e dedicado com tanto carinho aquelas palavras.
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Ele estacionou o carro e abriu para mim, quis negar, pois eu não me sentia bem psicologicamente.
— Por favor, Naty.
Implorou e resolvi descer, para encarar de frente os meus próprios fantasmas do passado.
As meninas foram na frente e nós dois mais atrás. Era um clima tão estranho ao entrar de novo no antigo prédio onde morávamos. Onde eu tive que sair correndo com a minha bebê nos braços, para escapar dele.
— Por que está fazendo isso comigo, Justin?
— Quero te mostrar como seríamos, se tivéssemos ficado juntos. — declarou e nossos olhos se cruzaram momentaneamente;
— Seu pai acabou de morrer!— choraminguei, o empurrando. —VOCÊ FICOU LOUCO?— gritei.
— Eu ainda te amo, Naty.— afirmou e de imediato o encarei abismada.— Eu nunca te esqueci.
— PARA COM ISSO!— briguei, tampando os meus ouvidos.— Você é um homem casado.— olhei para aliança em seu dedo.
— Casado com a sua irmã.
A frase saiu da sua boca e meus olhos se arregalaram incrédulos.
— O quê?
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Pelo menos Justin foi honesto e contou sobre ele e a Hailey, o que acharam?
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Atualizado até capítulo 48
Comments
Mônica Santos
o fato dele ter contado do casamento com a irmã dela não justifica nada e o que ele fez com ela não conta não
2024-09-24
0
Marcelly Maya
achei que teve uma atitude de homem.quw lá atrás não teve mais e agora o que será como vai ser pois é mitido que ele não ama a Hailey
2024-09-16
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Michele Pereira Pacheco de Oliveira
Pelo menos não foi um covarde,a irmã dela sabe muito bem que ele ainda ama a Naty,por isso que fez com que eles fossem morar na Europa
2024-09-15
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