Que Deus te acompanhe, filha

Pov's Natália 

Estávamos presentes ao culto da igreja onde os meus pais eram pastores. Papai pregava no altar e assistíamos a pregação, queria tanto que as palavras da bíblia tocassem em Justin, mas ele se demonstrava tão frio.

Orava a Deus de joelhos, para que ele pudesse mudar o coração do Justin. Eu tinha muita fé que um dia ele pudesse mudar o seu comportamento e virasse um homem digno que honrasse os mandamentos.

 Quando encerrou o culto, logo o meu noivo foi para o lado de fora carregando a nossa bebê  nos braços.  Fiquei conversando com mamãe, que sempre dizia:

— Esse rapaz não é bom para você, Natália.

— É o jeito dele, mãe.— o defendi, perante ao seu olhar de julgamento. 

— Espero que seja, filha, mas eu não sinto uma boa energia nesse moço. — afirmou, enquanto segurava em minha mão.— Você é boa demais, Natália, não deixe que ninguém diga o que você tem fazer.— seu conselho veio seguido de um abraço caloroso.— Te amo, filha.

— Também te amo, mamãe.— afirmei, enquanto papai chegava próximo a nós duas.

— Será que posso me juntar a este momento?— o mais velho pediu brincalhão e abri um largo sorriso.

— Mas é claro!— também o abracei.

— A tempo que você não vinha a igreja, Natália.

— É falta de tempo, papai.

— Nunca diga para Deus, que você não tem tempo para ele.

— É verdade. — concordei. 

Meus pais me olhavam amorosamente, eu era para eles a filha de ouro. Os dois me abraçaram juntos uma última vez, antes de nos despedimos. 

— Que Deus te acompanhe, filha.

— Amém! — proferi.

— Bora logo, Natália!— meu noivo gritou impaciente do lado de fora, enquanto nossa bebê chorava sem parar.

Os olhares que recebíamos dos outros, era um grande vexame, até os meus pais se sentiam envergonhados. Ele era muito estressado, com qualquer coisinha surtava.

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Recebia seus gritos ao voltarmos para casa....  era sermão, atrás de sermão. 

— Para, Justin!

— Como posso ter calma? A menina morrendo de chorar e você de conversinha fiada.

Revirei os olhos, sem paciência. 

— São os meus pais, Justin. E eu mal os vejo.

— Não pediu grana não?— perguntou, querendo checar a minha bíblia.

— Claro que não.— o vi bufar.

— Os velhos não te dão um centavo!

— Porque eu não peço.

— VOCÊ PREFERE QUE A GENTE FIQUE NA MISERÁVEL, ENQUANTO OS VELHOS FICAM ESBANJANDO RIQUEZA AS CUSTAS DAQUELES OTÁRIOS.

— Respeite os meus pais!— gritei, ofendida.

— Falei alguma mentira?— seus olhos estavam irônicos— É lógico que eles roubam o dízimo da igreja, para bancar a boa vida que têm.

Lhe deferi um tapa estalado na sua cara, sem conseguir me controlar, era um insulto muito grande o que estava dizendo. Justin apertou o meu braço, levando-me a força para dentro do apartamento. Assim que chegamos, ele me jogou contra o sofá. 

— Você nunca mais encoste um dedo em mim, Natália!—repreendeu-me, completamente alterado.

Encolhi os ombros, com a minha cabeça encostada nos joelhos. 

Rapidamente ele largou nossa bebê no carrinho e depois puxou-me bruscamente pelos cabelos; minhas costas bateram de com força na parede e comecei gritar, ao sentir as suas mãos apertando o meu pescoço.

— Me larga, Justin!— implorei . — Você tá me machucando.— sentia medo dos seus olhos obscuros, que não havia um pingo de remorso. 

Daí me fez cair no chão, deferindo uma série de socos pelo meu corpo, onde aqueles sons se misturavam com os meus gemidos de dor.  Na medida que ele me chutava, sem a menor consideração, o choro ecoava. A nossa bebê assistia à cena da agressão, vendo o seu próprio pai batendo em mim.

E por instinto de sobrevivência, se ele  continuasse me batendo, eu acho que eu não resistiria. Então eu relutei, eu encontrei forças onde eu nem sabia que existia e peguei o lustre tacando sobre a cabeça dele.

Naquela hora ele caiu inconsciente e sai correndo, pegando a minha bebê para fugir. Não sabia se havia o matado, mas a única certeza que tinha era de escapar daquele monstro.

VIOLÊNCIA CONTRA MULHER É CRIME, NÃO ROMANTIZEM!

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Tinha feito um capítulo, resolvi apagar e refiz esse. Vou logo avisando eu acredito que os personagens não vão terminar juntos no final. No próximo capítulo a Naty vai conhecer um homem muito mais velho do que ela, que a ajudará, a diferença de idade entre os dois causará muito preconceito, tanto que até pensei no nome do título: DIFERENÇAS DE IDADE. Desde do início tinha esse enredo em mente, se vocês nao quiserem acompanhar a história, tudo bem. É melhor senhor bonzinho, do que um novinho filho da puta. essa é a minha opinião-

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Comments

Marcelly Maya

Marcelly Maya

está de parabéns autora abordando esses assuntos tão importantes w que muitas pessoas diminuem

2024-09-16

0

Gil Vania

Gil Vania

violência nunca presta , Nathalia já deveria ter saindo do caminho desde o primeiro dia que ele gritou com ela ., homem grita a primeira vez vai continuar sempre gritar e,e mesma coisa sempre vai bater .. então colocaria ela ser feliz com outra pessoa e o Justin fosse pra o inferno

2024-09-08

0

Roseli Santos

Roseli Santos

A violência por si já é uma barra contra a mulher é muito mais séria em muitos casos viram feminicidio.

2024-09-06

0

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