Saímos do último compromisso do dia, uma entrevista filmada para um programa de TV que vai ao ar no fim de semana. Sinto um alívio imenso ao saber que terminamos tudo o que tínhamos para hoje. Fingir ser um casal apaixonado durante horas é cansativo, mas a parte mais difícil ainda está por vir. Tenho que levar Ísis para casa, afinal, que tipo de homem eu seria se não fizesse o mínimo. Mas isso significa mais tempo juntos, mais conversas, e mais oportunidades para ela me tirar do sério.
— Deixe-me te levar para casa. — Digo, mais por impulso do que por vontade. Talvez seja a exaustão falando, mas parte de mim quer prolongar a noite um pouco mais.
— Por que não? — Ísis responde, com um olhar que mistura cansaço e uma ponta de curiosidade. — Desde que você não me enlouqueça no caminho.
O carro nos espera do lado de fora do estúdio. O motorista abre a porta para Ísis, que entra sem dizer uma palavra, ainda mantendo aquela postura impecável que me irrita e fascina ao mesmo tempo. Eu entro logo atrás dela, e assim que as portas se fecham, o silêncio entre nós é quase palpável.
A cidade passa ao nosso redor como um borrão de luzes e sombras. Por alguns minutos, nenhum de nós fala nada, o silêncio entre nós é confortável, mas também carregado de tudo o que aconteceu nas últimas horas.
— Você percebeu que Alex e Clara estão cada vez mais... próximos? — Começo, quebrando o gelo.
— Difícil não perceber. — Ela responde, olhando para mim com um leve sorriso. — Eles realmente parecem bons juntos. Clara não para de falar sobre como o Alex é diferente de qualquer cara que ela já conheceu.
— Alex sempre foi o mais centrado de nós dois. — Admito, sem desviar o olhar da estrada à frente. — Mas nunca o vi tão... encantado por alguém.
— Ela também está encantada. Mas, sinceramente, é estranho ver Clara desse jeito. Ela sempre foi tão... focada, quase fria no trabalho. — Ísis comenta, mexendo distraidamente em uma mecha de cabelo. — Mas quando fala de Alex, ela parece... eu não sei, mais leve.
Dou uma risada curta, pensando no quanto Alex se transformou nos últimos dias. Ele, o cara sério e sempre tão no controle, agora parece um adolescente descobrindo o primeiro amor. Acho que ele e Clara estão conversando bastante por mensagem.
— E Matteo? — Ísis pergunta, me pegando de surpresa. — Ele pareceu bem interessado na Alana.
— Matteo... — Respiro fundo, ponderando como responder. — Meu irmão sempre foi o mais calmo entre nós, mas ele tem esse... dom de deixar uma marca. É o tipo de cara que entra na sua vida e, antes que você perceba, já está fazendo parte dela.
Ela me lança um olhar curioso.
— Parece que ele realmente se interessou pela Alana. — Continuo, escolhendo as palavras com cuidado. — Ela tem algo que o cativou, talvez aquela energia dela. Sabe, Matteo não se apaixona fácil, mas quando acontece, ele se joga de cabeça.
— Parece que você fala isso com uma pontinha de inveja. — Ísis provoca, levantando uma sobrancelha.
Reviro os olhos, mas não consigo conter um sorriso.
— Inveja? — Rio. — Não, Ísis. Mas acho interessante como você parece querer saber tanto sobre o Matteo. Se eu não soubesse que você me odeia tanto, diria que está tentando se aproximar da família.
Ela ri, aquele riso que é ao mesmo tempo divertido e provocador.
— Ah, Lorenzo, não se iluda. Só estou tentando entender em que tipo de família eu fui me meter. Mas agora que você mencionou, talvez eu devesse considerar isso como uma estratégia. Matteo parece ser bem mais fácil de lidar do que você.
Sinto o sangue ferver por um momento, mas me controlo. Não vou cair tão facilmente nas provocações dela.
— Matteo pode ser fácil de lidar, mas não se deixe enganar. Ele tem um lado que poucos conhecem. — Digo, mantendo o tom calmo. — E além disso, Ísis, você já tem o suficiente para se preocupar comigo. Não precisa adicionar mais um D'Castelli à sua lista.
Ela ri de novo, mas dessa vez há algo mais em seu riso. Talvez uma concordância de que, apesar de tudo, estou certo.
— Não se preocupe, Lorenzo. Eu sei lidar com vocês dois. E além disso, se você está tão preocupado, talvez devesse pensar em ser mais... amigável.
A palavra "amigável" sai de sua boca com um tom que deixa claro que essa ideia é ridícula. Amigáveis, nós? Jamais.
— Amigável? — Respondo, rindo. — Não sei se estou pronto para esse tipo de transformação. Além disso, onde estaria a diversão se não nos provocássemos o tempo todo?
— Talvez haja mais diversão em sermos civilizados. — Ela retruca, mas posso ver o brilho de desafio em seus olhos.
O carro para em frente ao prédio dela, e o clima de provocação ainda está no ar. Abro a porta e a sigo até a entrada, onde ela para e se vira para mim.
— Bem, foi... interessante. — Ela diz, sem realmente parecer satisfeita com a noite, mas também não aborrecida.
— Interessante é uma maneira educada de dizer que foi suportável. — Respondo, dando um passo para mais perto dela. — Mas vou levar isso como um progresso.
Ela ri de novo, mas dessa vez há algo diferente. Um certo desconforto que antes não estava lá.
— Quem sabe? Talvez a gente consiga ser civilizado, afinal. — Diz, mas seu tom deixa claro que nem ela acredita nisso.
Enquanto me viro para ir embora, sinto a necessidade de adicionar algo.
— Boa noite, Ísis. — Digo, com um sorriso que, espero, seja tão enigmático quanto intencional. — Nos vemos amanhã.
Ela me olha por um segundo, avaliando minha expressão, antes de acenar brevemente e entrar no prédio.
Quando volto para o carro, o sorriso ainda está no meu rosto, e não sei exatamente por quê. Há algo nela que me deixa curioso, uma parte dela que eu ainda não consegui decifrar.
Mas uma coisa é certa: estou mais envolvido nisso do que gostaria de admitir.
Assim que entro no carro, meu telefone vibra. Uma mensagem de Matteo aparece na tela:
Ei, parece que você teve uma noite interessante. Vamos conversar amanhã.
Reviro os olhos, mas não consigo evitar o sorriso. Ele sabe mais do que está dizendo, e de alguma forma, isso me faz pensar que os próximos dias serão mais complicados do que eu previ.
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Atualizado até capítulo 65
Comments
Ana Lúcia De Oliveira
gostando da história
2024-10-21
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