O salão está lotado. É uma festa de imprensa, cheia de famosos e pessoas da mais alta classe; eles riem, conversam e brindam, mas eu só consigo pensar em uma coisa: Lorenzo D'Castelli. Maldito Lorenzo. Por que ele tem que aparecer justo ali, justo agora?
Agora eu sou quase famosa. Eu consigo frequentar os mesmos lugares que ele, eu deveria esperar que isso acontecesse, mas não esperava que seria tão rápido. Afinal, faz apenas um ano que a minha carreira realmente acabou dando alguma coisa.
Me sento no bar, pedindo ao barman um copo de uísque duplo. Preciso de algo forte para lidar com o choque. Não nos vemos há quase oito anos, e estou perfeitamente bem com isso. Tudo o que eu quero é continuar fingindo que ele não existe, que ele não foi uma parte tão intensa da minha adolescência.
Antes que o barman possa me entregar o copo, ouço uma voz familiar. Aquela voz que eu tanto odeio, mas que, de alguma forma, parece sempre encontrar um jeito de me perseguir.
— Então, Ísis. Parece que as crianças crescem, não é?
Lorenzo se aproxima, sorrindo daquele jeito arrogante que me dá vontade de socá-lo.
— Lorenzo — respondo, pegando meu copo e virando o uísque de uma vez. O calor do álcool desce queimando minha garganta, mas não o suficiente para tirar a irritação que sua presença causa. — Achei que tinha sumido do mapa. Estava tão feliz sem você por perto.
Ele ri, aquela risada provocadora que eu conheço tão bem.
— Ah, Ísis, você nunca foi boa em esconder suas emoções. Sempre tão fácil de ler. Quem diria que você acabaria num evento de quinta como este?
Reviro os olhos e peço mais uma dose ao barman.
— Pois é, as coisas mudam. Quem diria que eu me tornaria uma atriz e acabaria frequentando os lugares do príncipezinho herdeiro insuportável da minha sala do ensino médio...
Ele se inclina no balcão, ficando perigosamente perto de mim. O cheiro de seu perfume caro invade meus sentidos. Lembranças de todos os confrontos que temos no passado vêm à tona.
— É mesmo? Quem diria que eu me encontraria com a menininha bolsista prodígio que parecia não ser humana de verdade? — Ele faz uma pausa, me avaliando com aquele olhar azul intenso que quase me faz perder o fôlego. — Você é um desafio pra mim.
Ignoro o arrepio que percorre minha espinha e me concentro em não perder a calma.
— Um desafio? Eu? — Sorrio, um sorriso que espero ser tão falso quanto o dele. — Lorenzo, o que você não entende em "vá se ferrar"? Porque, honestamente, estou cansada desse joguinho infantil.
Ele sorri de novo, inclinando-se ainda mais. Nossos rostos estão a apenas alguns centímetros de distância. Posso sentir o calor que emana de seu corpo.
— Ah, Ísis, mas e se eu não quiser parar de jogar? Afinal, você sempre foi tão boa nisso quanto eu. Talvez até melhor.
Tomo mais um gole de uísque, desta vez sentindo a cabeça começar a girar levemente.
— Talvez, Lorenzo. Mas não estou aqui para brincar de "quem é o mais insuportável". Agora, se você me der licença, vou procurar algo mais interessante para fazer, sei lá, qualquer coisa que não envolva falar com você.
Quando tento me levantar, ele segura meu braço suavemente, mas com firmeza.
— Não vai fugir de novo, vai? — Seus olhos brilham de diversão, mas há algo mais ali; algo que eu não consigo decifrar.
— Fugir? Eu? — Puxo meu braço sem sucesso. — Não estou fugindo. Só estou cansada dessa sua necessidade patética de atenção.
Ele ri de novo e aquela risada combinada com o álcool já começando a fazer efeito me faz sentir um misto de raiva e algo que eu não quero admitir.
— Atenção? Ísis, você deveria saber melhor do que ninguém que se eu quisesse atenção poderia consegui-la de qualquer um aqui. Você é um caso à parte... podemos dizer assim.
Eu sei que deveria sair dali, deveria simplesmente ignorá-lo, mas as palavras dele me prendem. Ele sempre soube exatamente como me provocar; como me manter naquele jogo ridículo que nós dois jogamos desde a adolescência.
— Um caso à parte? — Repito com minha voz carregada de sarcasmo. — Que elogio, Lorenzo. Vou guardar isso no fundo do coração.
— Você não mudou nada, sabia? — Ele diz finalmente soltando meu braço. — Sempre tão dura; tão... teimosa.
— E você sempre o mesmo idiota presunçoso — respondo sem perder a oportunidade de provocá-lo. Ele me olha por um longo momento; o sorriso finalmente desaparecendo de seus lábios.
— Talvez eu tenha mudado mais do que você imagina, pirralha. — Sua voz agora é baixa, quase um sussurro, e pela primeira vez naquela noite, sinto algo diferente em seu tom. Algo que me faz hesitar.
Mas antes que eu possa responder, ele pede ao barman duas doses de tequila.
— Vamos fazer uma aposta? — Ele diz, sua voz voltando ao tom brincalhão de antes.
— E qual seria? — Pergunto, desconfiada.
— Quem cair primeiro paga a conta da noite. — Ele empurra um dos copos de tequila na minha direção. — Ou está com medo?
— Medo? — Eu rio, pegando o copo e virando-o de uma vez. — Lorenzo, você ainda tem muito o que aprender.
E assim, começamos uma maratona insana de bebidas. Cada dose de tequila, cada gole de uísque, nos aproxima mais e mais. Nossas provocações ficam mais afiadas, nossas risadas mais altas. Em algum momento, começo a sentir que o chão está se movendo debaixo dos meus pés, mas me recuso a ser a primeira a ceder.
Horas depois, o salão começa a esvaziar, e eu sei que estou bêbada. Muito bêbada. Lorenzo também, mas ele ainda mantém aquele ar de autoconfiança irritante.
— Sabe... — Eu digo, as palavras saindo meio emboladas. — Você tá bem bonito agora, até melhor do que na época da escola.
Ele sorri, um sorriso que, dessa vez, parece sincero.
— Você, Ísis... É indescritível.
Depois disso não lembro mais de nada. Não me lembro de como cheguei em casa; acho que acabamos saindo do evento juntos...
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Atualizado até capítulo 65
Comments
Luzia Helena
começando a ler agora
2024-10-22
1
Ana Lúcia De Oliveira
interessante
2024-10-21
0
ynara santos
bom gostando
2024-08-14
3