Guilherme

Continuamos andando pelo corredor até a saída da escola, e o silêncio entre nós se estendeu. Eu não conseguia mais falar, mas sentia o olhar de Josi queimando em minha pele, cheio de expectativa. Ela parecia ter perdido a paciência, e logo a tensão explodiu.

Então? Vai me falar ou não? – Ela perguntou, a voz tensa, quase ansiosa demais.

Eu olhei para ela, sentindo uma raiva crescente. Já estava saturada de tanto suspense.

Afff, tá bom! Você quer saber mesmo? – falei irritada, sem conseguir segurar mais.

Eu passei em uma prova, e agora eu tenho que escolher se vou ficar aqui ou sair para o exterior! Satisfeita? – As palavras saíram com um tom de exasperação, mas logo notei que a expressão de Josi havia mudado. Seus olhos se arregalaram, e uma rápida felicidade piscou por um momento em seu rosto, antes de desaparecer e dar lugar a uma tristeza profunda. Ela não estava feliz, não da maneira que deveria estar uma amiga.

Não brincaaa... Nossa, isso é... Isso é... Como posso dizer... Legal? Não é? – Ela respondeu, mas as palavras estavam soltas, como se ela estivesse forçando um entusiasmo que não existia. Eu a conhecia bem o suficiente para perceber a frustração, o desconforto e, principalmente, a inveja que começava a transparecer. Josi sempre fora competitiva, e eu sabia que esse tipo de notícia mexia com ela de uma forma difícil de esconder.

E até que é uma boa notícia, sabe... – falei, confusa, tentando entender o que estava acontecendo. – Na verdade, nem sei o que dizer. É algo novo para mim também, e... também não sei se quero ir, pelo menos não agora, é...

Para, Aurora! Eu te conheço! Você vai, não vai? – Ela me interrompeu, seus olhos começando a se encher de lágrimas. Sua voz, embora parecesse preocupada, estava carregada de uma frustração que eu nunca imaginei que sentiria vindo dela.

Eu não sei, Josi... – respondi, tentando encontrar as palavras certas, mas parecia que ela estava mais irritada do que preocupada.

Responde logo, Aurora! Você vai? – Ela insistiu, mais uma vez me interrompendo, e seu tom agora era mais ríspido. As lágrimas estavam prestes a cair, e eu podia ver como a ideia de me deixar ir para longe estava acabando com ela por dentro. Não era só uma amiga preocupada, era uma amiga que se sentia ameaçada.

Eu fiquei em silêncio. Não sabia o que responder, nem eu mesma sabia o que queria. O que eu queria era que as coisas fossem mais fáceis. Eu não queria deixá-la, mas não podia ignorar a oportunidade que surgia na minha frente.

Você vai me deixar? Achei que éramos amigas! Mas, pelo visto, não é o que parece... – A voz dela tremia, e eu percebi que ela estava mais magoada do que qualquer coisa. Suas palavras me cortaram, mas a inveja que eu via nos seus olhos era inegável.

Nós somos sim amigas! – Falei, tentando me defender. – E que surto é esse, Josi? Eu não decidi nada ainda!

Ela me olhou com uma frieza que eu nunca tinha visto antes. Os olhos dela estavam cheios de dor, mas também havia algo mais... Uma raiva disfarçada de mágoa.

Nossa... Achei que, como minha amiga, você iria me apoiar. Ou, sei lá, me parabenizar... talvez. – Ela falou, quase sem conseguir se controlar. Sua voz estava tão baixa e carregada de ressentimento que me fez parar por um momento.

Eu te apoio para tudo! Menos em ir embora e me deixar aqui! – Ela gritou, e, de repente, o ar entre nós ficou pesado. As palavras saíam dela com um rancor evidente, e o olhar de inveja e ciúmes não disfarçava o quanto ela temia perder a amizade para essa nova oportunidade que eu estava recebendo.

Antes que eu pudesse falar mais alguma coisa, ela se virou e saiu correndo, indo em direção à rua como se estivesse fugindo de algo. Eu fiquei ali, sem palavras, vendo-a correr em meio aos carros, ignorando totalmente o perigo.

Josi, espera! Por favor, vamos conversar! – Gritei, desesperada, mas ela não olhou para trás. Ela simplesmente foi embora, como uma louca, passando por entre os carros. Eu gritei para ela, mas ela não se importou.

Droga! – Falei, irritada. – Eu só faço besteira!

A Josi era minha melhor amiga desde o fundamental. Ela sempre foi a única que quis brincar comigo, quando os outros não gostavam de mim. Quando os pais dela brigavam, ela subia até a janela do meu quarto, entrava e eu cuidava dela como se fosse minha irmã. Sempre a apoiei, mas hoje parecia que algo tinha mudado. Eu sabia o que estava por trás dessa reação toda... A sensação de abandono. O medo de ficar sozinha, de perder a única pessoa que sempre esteve ali para ela. Mas ela não seria a única a ficar sozinha. Eu também ficaria. Quem iria conversar comigo quando eu estivesse triste? Ela sabia que meus pais não tinham tempo para mim, que não se importariam se eu fosse embora. Acho que é isso que nos conecta, essa dor silenciosa de ter pais ausentes.

Mas agora, o que me deixava confusa era o momento. Por que isso teria que acontecer agora? Por que tudo se precipitou justo quando eu estava mais insegura?

Meus pensamentos foram interrompidos por um barulho alto de moto vindo em minha direção. Um cara todo de preto, pilotando uma moto de luxo, passou por mim a mais de 100km/h, fazendo uma curva brusca e parando bem na minha frente.

Eu congelei, minha respiração parou. O que esse louco está fazendo?! Ele queria me matar? O homem ficou parado, me olhando, e as pessoas ao redor começaram a encarar, a situação ficando cada vez mais constrangedora.

TÁ MALUCO, É?! VOCÊ QUASE ME FEZ VIRAR PARTE DO ASFALTO! SEU BÊBADO! – Gritei, mas ele parecia não se importar, desligou a moto e desceu dela com calma, como se nada tivesse acontecido.

VOCÊ É SURDO?! – perguntei, agora eufórica, sem acreditar na falta de cuidado do cara. Ele só sorriu, retirando o capacete.

Guilherme? – Eu fiquei completamente sem reação. Que loucura era aquela? O cara era um verdadeiro doido.

Olha, kkkkk, você lembra do meu nome! – Ele falou, debochando, e eu revirei os olhos.

Olha, me solta, garoto! Você está maluco? – Falei, puxando a minha mão de volta, mas ele não parecia entender a mensagem.

Calma! – Ele disse, surpreso com a minha reação. – Eu só quero me desculpar e conversar com você... Talvez ser...

Me solta! – Repeti, agora irritada, querendo sair dali. Ele ainda não me deixava em paz.

Calma, só quero me desculpar. – Ele insistiu, mas eu não queria mais nada com ele. Ele tinha sido insensível, e não entendia a mensagem de que eu queria ficar sozinha. Ele se aproximou mais uma vez e parou na minha frente.

Bom, já me desculpei. Agora, e você? – Ele disse com um sorriso, e, apesar da situação, algo nele parecia engraçado de tão irritante.

Eu não aguentei mais. Já estava saturada de tudo.

Tá tudo bem, ok? Agora sai da minha frente, porque eu tenho que ir para casa! – Falei ríspida, mas ele parecia não se importar.

Foi mal... – Ele disse sem graça, mas seu sorriso ainda estava lá. – Mas se quiser, eu te faço companhia. Assim nos conhecemos melhor...

Meu coração... espera, Aurora! Não caia no jogo dele! Foco, foco!

Não, obrigada! Eu prefiro ir sozinha! Além disso, minha casa não é tão longe. – Falei rapidamente, tentando manter a compostura, mas ele não desistia.

Então eu te dou uma carona! – Ele disse, com aquele sorriso.

Não precisa! Eu agradeço, mas... Eu tenho pernas e sei andar! – Tentei me afastar, mas ele continuava atrás de mim, insistente.

Sinceramente, eu não entendo sua implicância comigo... O que você tem contra mim?

Eu não tenho nada contra você, tá legal? Só me deixa em paz! – Falei, já irritada, mas ele insistiu.

Quer saber? Vamos começar de novo? – Ele disse, estendendo a mão para mim, tentando começar uma conversa civilizada. – Oi, prazer, eu sou o Guilherme, e como a senhorita se chama?

Eu não pude evitar. Sorri com a atitude dele. Ele parecia tão... bobo. Apertei a mão dele.

Oi, eu sou a Aurora. Um prazer te conhecer.

Viu? Não é tão difícil conversar civilizadamente. – Ele sorriu, e eu dei um breve sorriso também. Mas meu coração ainda estava em mil.

Bom, agora eu tenho que ir. Já nos conhecemos, e como eu disse, foi um prazer! – Eu falei, tentando soltar minha mão do contato dele, mas ele ainda parecia satisfeito.

Ele assentiu com a cabeça e foi para a moto. Antes

eu o observei ir embora e continuei o meu caminho mas com os pensamentos na atitude da Josi

Capítulos
1 [•capítulo 1•]
2 [•capítulo 2•]
3 Guilherme
4 ■capítulo 4■
5 { _ capítulo 5_ }
6 [ •capítulo 6• ]
7 [•capítulo 7•]
8 [•CAPÍTULO 8•]
9 THOMAS
10 ●capítulo 10●
11 ■ capítulo 11■
12 ■ capítulo 12■
13 ■capítulo 13■
14 ■ CAPÍTULO 14■
15 ■capítulo 15■
16 ■capítulo 16■
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Capítulos

Atualizado até capítulo 62

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