[•capítulo 2•]

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Respirei fundo, sentindo o cheiro do carpete velho e o som abafado dos meus passos ecoando pelos corredores silenciosos da escola. A pressão no meu peito aumentava a cada segundo, e as paredes pareciam se fechar à minha volta. Quando cheguei à porta da sala da diretora, vi a maçaneta brilhando à minha frente, como se estivesse me desafiando a tocar nela. Com as mãos tremendo, girei a maçaneta e entrei. A sala era ampla, com estantes cheias de livros antigos e uma mesa grande, onde a diretora estava sentada, olhando para mim com um olhar curioso.

Com licença, a senhora mandou me chamar? – perguntei, a voz tremendo mais do que eu gostaria. A diretora me olhou calmamente, seus olhos transmitindo uma serenidade que, de alguma forma, me deixava mais nervosa.

Ela deu um leve sorriso, quase como se estivesse tentando me tranquilizar, mas foi em vão.

Claro! É com você mesma que eu queria falar, Aurora. – disse ela, apontando para uma cadeira à sua frente. Coloquei um sorriso forçado no rosto e fui até a cadeira, tentando ao máximo esconder o nervosismo. Minha mente estava acelerada, e eu repetia para mim mesma, como um mantra: "Não vai acontecer nada. Não vai acontecer nada! Vai ficar tudo bem."

Bom... – começou ela, pausando de forma que meu coração deu um salto no peito. – Você pode se sentar, Aurora. Nossa conversa vai ser rápida. – Ela fez um gesto com a mão, indicando a cadeira em frente a ela. Eu me sentei, tentando manter a postura mais confiante possível, mas meu corpo denunciava o nervosismo. Minhas mãos estavam suadas, e meu coração parecia bater mais forte a cada palavra que ela dizia.

Aurora, eu não sei como te dar essa notícia... – ela fez uma pausa. O silêncio foi como uma lâmina cortando o ar, e a tensão na sala se tornava quase palpável. Eu estava paralisada, minha mente já correndo com pensamentos aterradores. "Será que ela sabe? Será que ela descobriu tudo?" A imagem da minha expulsão começou a se formar na minha mente, mais real a cada segundo.

Ela continuou, e sua voz parecia agora distante, como se estivesse vindo de outro mundo:

Eu fiquei sabendo disso hoje, e como diretora, eu tenho que fazer o que deve ser feito. – Sua expressão mudou, e eu quase pude ouvir o som da minha respiração pesada. Aquelas palavras... Elas eram a sentença. "Ela sabe... ela sabe!" pensei, desesperada.

Antes que ela pudesse dizer mais alguma coisa, eu não consegui me conter e falei, desesperada:

Me desculpe, senhora! Eu juro, mas eu juro que eu não sabia que ele era seu! E... E... Eu prometo que eu não vou enfiar uma bola de papel na boca dele, ou... ou... Eu nem em outro lugar do corpo dele! Eu juro, mais eu juro que isso não vai acontecer! Foi tudo uma brincadeira, foi só o calor do momento, é...

Calma, Aurora! – ela me interrompeu, e eu quase engasguei com as palavras. Ela parecia um pouco confusa, mas também estava tentando entender a situação. A diretora me olhou com uma expressão de quem não estava entendendo nada, e foi aí que percebi que o assunto da nossa conversa não era o que eu pensava.

Então... e o que... e o quê...? – Eu gaguejei, sem saber mais o que dizer.

E o que? – ela disse, arqueando as sobrancelhas, parecendo intrigada. – O que o meu filho fez?

Nada, senhora! Foi só um pequeno desentendimento, mas já está tudo resolvido. – Eu sorri, mas meu sorriso estava nervoso, forçado. Na verdade, eu ri tanto que parecia até que eu tinha ouvido uma piada. "Burra, Aurora. Você só faz besteira!" Eu pensava, me xingando internamente.

Tem certeza? – Ela me perguntou, ainda desconfiada. Eu assenti com a cabeça, tentando parecer calma, mas meu coração estava em um turbilhão de emoções. Ela me observou por mais um momento, como se estivesse me analisando, e então disse:

Tudo bem. Mas, por via das dúvidas, eu irei conversar com o meu filho.

Eu fiquei ali, em choque. Como assim? Ela não parecia brava. Ela parecia... calma. Estranho. Ela acabara de saber que alguém ameaçou o filho dela e não parecia se importar. Em vez disso, ela queria "conversar com ele". Isso era o meu fim. Eu estava ferrada. "Burra! Como você falou antes dela dizer alguma coisa?!" – eu me xingava mentalmente. Mas que culpa eu tinha do filho dela ser um... imbecil?

Aurora? Você está aí? – A voz dela me tirou dos meus pensamentos.

Sim! Claro... Desculpe, estava no mundo da lua – falei rápido demais, e ela pareceu perceber. Ela continuou com um tom mais suave:

Ok, então! Bom, acabamos fugindo do assunto...

É verdade... – eu sorri sem graça, tentando aliviar a tensão.

Bom, antes de tudo, eu queria dizer, em nome de toda a escola, que nunca tivemos uma aluna como você. – Ela me olhou com afeto, e, por um momento, aquilo me pareceu sincero. Confesso que achei fofo, mas a situação estava tão tensa que eu mal conseguia processar o que ela estava dizendo.

Bom, você lembra da prova de línguas estrangeiras que fez no ano passado, não é? – Ela me perguntou, e eu assenti com a cabeça, já começando a sentir uma leve ansiedade.

O resultado saiu hoje pela manhã... e VOCÊ FOI UMA DAS SELECIONADAS! – Ela disse, a alegria em sua voz contrastando com o pânico que se instalava no meu peito.

Eu fiquei em silêncio, absorvendo a informação. Não consegui responder de imediato, minha mente estava em um turbilhão.

Você não gostou da notícia? – Ela perguntou, um pouco chateada, mas sua expressão mostrava que ela estava tentando me entender.

Não... Quer dizer, sim! Eu gostei, mas... Eu estou surpresa. Não sei como meus pais vão reagir... e também...

Não se preocupe com essa parte. Eu já conversei com eles e, para eles, tudo bem. O que resta agora é a sua decisão. – Ela me interrompeu, antes que eu pudesse terminar de falar. Fiquei em choque. Como ela já havia conversado com eles? Isso não fazia sentido! Eu olhei para ela, totalmente confusa, e ela percebeu, pois a expressão em meu rosto era impossível de esconder.

Olha, Aurora, é uma chance única. Você vai ter a oportunidade de conhecer novas pessoas, fazer novos amigos... – Ela falou com um tom encorajador.

Eu sei... É só que essa notícia me deixou... surpresa. – Eu falei no tom mais calmo que consegui, ainda tentando processar tudo.

Tudo bem, isso é normal. Olha, você não precisa me dar a sua resposta agora. Você tem duas semanas para pensar sobre isso... Tudo bem?

Tudo... – Eu murmurei, sentindo que minhas pernas estavam prestes a ceder. – Já posso ir?

Eu sabia que estava pedindo para sair rápido demais, mas não conseguia mais ficar ali. Ela assentiu com a cabeça, e eu percebi que ela notou meu desânimo.

Aurora? – Ela me chamou antes que eu saísse. – Espera. Eu sei que é algo novo, algo que vai mudar a sua vida. Mas só pense com carinho, ok?

Eu vou pensar. – Eu disse, saindo da sala rapidamente, como se o ar fresco do corredor fosse me dar algum alívio.

No corredor, Josi estava andando de um lado para o outro, visivelmente ansiosa. Quando me viu, correu até mim.

E aí? O que ela queria? Que demora foi essa? Eu já estava quase invadindo aquela sala!

Ela percebeu a expressão no meu rosto, e eu suspirei fundo antes de responder:

No caminho eu te explico. Vem, é uma longa história...

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8 [•CAPÍTULO 8•]
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