Ao ligar o telefone, Luci encontrou algumas mensagens que Matheus já tinha enviado e ela respondeu dizendo que estava bem.
Os primeiros dias de Luci no apartamento trouxeram consigo desafios que ela não esperava encontrar. Acostumada a um ritmo frenético de trabalho, ficar sem fazer nada era quase que insuportável. A solidão incomodava, as horas pareciam se arrastar.
Sem a habitual ocupação com os afazeres da empresa, cada segundo parecia se esticar, e o silêncio do apartamento tornava-se uma trilha sonora melancólica. A ausência das demandas constantes do trabalho revelava a desafiadora tarefa de preencher o tempo livre com propósito, mas ela não encontrava nada que deixasse satisfeita. O único momento que ela se sentia bem, era era quando conversava com Matheus a noite.
Enquanto buscava formas de lidar com essa inquietação, a questão que mais lhe importante permanecia sem resposta: como reunir as provas necessárias contra Diego? Cada tentativa de raciocínio a levava a becos sem saída, e ela começava a pensar que ele tinha criado o plano perfeito contra ela.
E essa tipo de pensamento revoltava Luci. O confinamento no apartamento, tornou-se uma prisão e afetava suas emoções. A sensação de estar acuada, impedida de estar do lá fora, gerava em seu íntimo um sentimento avassalador de impotência.
Mas Luci tinha medo que Diego pudesse estar à espreita, prontamente esperando sempre uma oportunidade de atacar. Cada ruído no corredor, cada sombra além da janela, alimentava seus temores.
A vontade de sair, de retomar o controle sobre sua própria vida, era como uma chama que queimava dentro de Luci. Mas a cautela, ancorada no receio das ameaças desconhecidas, prendia seus passos.
A noite, as paredes pareciam se aproximar, e o teto, antes alto e aberto, agora pesava sobre seus ombros.
_ Chega! Luci estava determinada a encontrar uma solução para ter a sua vida de volta, não importando o quanto isso a desafiasse. A a escolha entre permanecer cativa ou arriscar-se pela chance de recuperar a autonomia perdida, tinha que ser dela.
Depois de mais uma noite mal dormida, a sensação de confinamento no apartamento, somada à solidão que envolvia Luci, tornava-se quase insuportável. Em meio a pensamentos tumultuados e sentimentos pesados, uma ideia libertadora surgiu: correr.
Correr para longe das sombras do que a acompanhavam, correr em busca de ar fresco, correr para encontrar uma versão mais forte de si mesma. E correr seria bom para gastar as energias acumuladas e relaxar.
Com roupas leves e tênis nos pés, e mesmo Luci sentindo muito medo, ela saiu pelas ruas ainda de madrugada, horario que as ruas estavam vazias, buscando na corrida uma forma de liberar as amarras emocionais que a prendiam. O vento cortava seu rosto, as passadas ressoavam como um ritmo acelerado, e a cidade testemunhava a jornada interior de alguém em busca de liberdade.
Enquanto seus pés tocavam o asfalto, a mente de Luci viajava por labirintos de lembranças, especialmente sobre sua relação com Diego.
_ Ele nunca me amou … Luci chegou a uma conclusão dolorosa. Ela percebeu que, apesar das aparências, nunca havia sido amada de verdade por ele. As palavras de carinho eram superficiais, os beijos motivados por interesses egoístas. O amor que ela acreditava existir por parte dele revelou-se uma ilusão construída sobre alicerces frágeis.
Correndo sob a luz do sol que começava a nascer. Luci sentiu uma grande tristeza. A tristeza pela desilusão, pela quebra de uma expectativa que moldou grande parte de sua vida. E ela se perguntava se ela merecia mais do que uma farsa disfarçada de amor.
Luci correu pelas ruas da cidade até alcançar o mirante, onde a visão do sol que começava a nascer pintando o horizonte com tons dourados. A necessidade de liberar as emoções acumuladas a impulsionou a gritar, como se o seu grito pudesse dissipar tudo os sentimentos ruins que a envolviam.
O eco de seu grito reverberou , misturando-se com o silêncio da manhã.
Enquanto Luci soltava suas angústias, Gael que também tentava acalmar o seu coração a observava. Ele, que passou mais uma noite em claro, também teve a mesma ideia, sair para a correr, e em suas corridas ele sempre chegava ate ao mirante para observar a cidade do alto. O silêncio da cidade adormecida criava um ambiente propício para a reflexão, uma trégua momentânea para o dor de ser trocado por outro.
_ Gritar faz bem... Disse Gael chamando a atenção de Luci que olhou para ele surpresa ao descobrir que não estava sozinha.
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Atualizado até capítulo 60
Comments
Valeria Grossi de Almeida
O encontro do casal, /Heart//Heart//Heart//Heart/
2025-01-29
1
Paulinha da Silva
Deus é bom demais hein faltando cada um no seu caminho é entre eles dois que vai acontecer a derrota dos dois eles vão se juntar
2025-01-28
2
Heloisa Franciscani
O reencontro do casal
2025-03-01
0