Estava a assumir o meu posto na UTI, essa semana ficaria nesse setor. Ontem eu fiquei tão nervoso em conversar com a Juliana que acabei esquecendo-me de relatar-lhe sobre isso. Fiquei muito triste com a sua negativa a mim, saí de lá sem nenhuma esperança.
Mas fui positivamente surpreendido quando o meu meu colega que assumiu os cuidados com ela, o Cauã, veio dizer-me que a "minha paciente" sentiu a minha falta e que era para eu levar a análise dos exames para ela mais tarde. Mas como não poderia fazer isso agora, teria que ser quando o meu horário terminasse. Mas irei! Não perco essa oportunidade por nada.
Deu-me uma certa esperança saber que ela sentiu a minha falta e preocupou-se, pensando ter acontecido alguma coisa comigo. Ela realmente é especial. Sofro diariamente, quando me lembro do que fiz com ela no passado. Acredito que nunca irei perdoar-me por isso.
Fiquei tão ansioso, esperando o meu turno terminar, que as horas pareciam não passar, estava me maltratando aquela demora...
Juliana narrando
Não podia recebê-lo com aquela cara morta. Foi aí que pedi à minha mãe que me ajudasse a tomar um banho, disse estar me sentindo suja, mas como ela não é nada boba, percebeu tudo e mais do que depressa me ajudou.
Ela lavou os meus cabelos, ajudou-me num banho caprichado. Depois, ela ajudou-me a vestir uma roupa diferente da que eu estava e era de hospital e penteou os meus cabelos. Passou até o meu perfume em mim, nem sabia que ela havia trazido tantas coisas pessoais para o hospital. Ela é mesmo especial.
O tempo passava e ele não vinha, imaginei que tivesse ido embora e não viria mais, talvez ele não quisesse mesmo. Deu-me uma pontada no coração, eu estava triste só de pensar nessa possibilidade.
Ao perceber, a minha mãe aproximou-se de mim e disse:
— O que houve, meu amor?! Estava tão animada antes e agora está com uma carinha de tristeza. Quer conversar?
Juliana: Ele não vem, né mãe?! Já está tarde, ele deve ter tido coisa melhor para fazer. Eu sou uma boba mesmo! Sabia que não poderia confiar novamente, mas mesmo assim, estava a acreditar que ele viria.
Marina: Meu amor, não se esqueça que nós estamos num hospital e que imprevistos acontecem o tempo todo. Principalmente no setor onde ele está.
Juliana: Não tem problema, mãe. Vou dormir, esquece o que eu falei. Se ele tinha qualquer chance comigo, acabou de perder todas elas.
Marina: Não diga isso, minha filha.
Juliana: É sério, mãe. Para mim chega e quanto mais longe eu puder ficar, melhor. Quero sair logo desse hospital e não vê-lo nunca mais.
Marina: Não seja assim, minha filha. Deve ter acontecido alguma coisa.
Juliana: Não quero saber, mãe. Ele poderia pelo menos ter avisado, mas não fez questão. Está tudo bem. Vou esquecer isso.
Virei-me para o canto e tentei dormir. Senti uma lágrima teimosa querendo escorrer, mas não permiti. Amanhã será um novo dia e não quero que ele venha nunca mais.
Caio Narrando
Hoje foi um dia péssimo aqui nesse hospital. Infelizmente perdemos 2 pacientes na UTI, fiquei me sentindo o pior dos piores. Não consegui forças nem para ir ao encontro da minha paciente favorita. Mas também, quando consegui sair do hospital, já estava muito tarde, era quase madrugada. Não queria incomodá-la e sabia que o sono era fundamental para sua recuperação. Mas amanhã, quando eu chegar ao hospital, a primeira coisa que farei, será visitá-la e explicar-me sobre hoje. Sei que ela deve estar confusa e talvez pensando que não me importo, conheço ela e, na verdade, a minha moral com ela está quase em zero.
Chegando no meu apartamento, fui pego de surpresa. Assim que abri a porta, vi os meus pais sentados no sofá, com cara de poucos amigos, mas ao terminar de adentrar na sala, pude imaginar o motivo. Carolina estava sentada com eles.
Carolina é uma das minhas ex- namoradas, ficamos "juntos" por quase um ano e ela traiu-me desde o princípio de tudo. Não carrego raiva dela, mas não gosto de encontrá-la, o nosso término foi muito conturbado e isso aconteceu, poucos dias antes de eu vir para o Rio de Janeiro pela primeira vez.
Diálogo 💬
Caio: O que está acontecendo? Principalmente, o que você está fazendo aqui, Carolina?
Carolina: Vim conversar com você.
Caio: Sobre o quê? Veio enumerar um pouco mais os chifres que você colocou na minha cabeça?
Carolina: Não seja idiota, nunca traí você.
Caio: Ah! Não?! E estava conversando ou brincando de casinha pelada em cima da cama de um motel?
Clarice: Também não acredito nela, mas ela cismou em afirmar que está grávida e que o filho é seu. Segundo ela, vocês ficaram novamente dois dias antes de você vir para o Rio e que as contas batem com o período.
Jorge: Eu não acredito nela.
Caio: E nem deve, pai. Eu não fiquei com ela, eu estava bêbado, a única coisa que aconteceu, foi que nós acordamos nus numa cama, no outro dia após a festa em que nos encontramos. Tenho certeza que isso foi armação.
Jorge: Eu quero acreditar que você não foi burro o suficiente, meu filho.
Carolina: Na hora você gostou muito e chamou-me até de "meu amor", disse que me amava.
Caio: Eu nunca me referi assim a você, tenho certeza que está mentindo. Vamos agora então para o hospital, vamos ver se tem mesmo uma criança nessa sua barriga.
Carolina: Está duvidando da minha palavra?
Caio: Sim! Você deu-me vários motivos para fazer isso.
Carolina: Não é verdade.
Jorge: Chega! O que precisamos agora é confirmar se ela realmente está grávida e de quanto tempo e depois realizarmos um teste de “DNA” para saber se o filho é realmente seu.
Clarice: Exatamente. Amanhã vamos ao hospital, no primeiro horário e vamos tirar essa história a limpo.
Caio: No hospital?
Jorge: Onde mais seria, meu filho?
Caio: É que, talvez numa clínica seria melhor...
Clarice: O que está acontecendo, Caio?
Caio: Não é nada, vamos amanhã no primeiro horário e depois faremos o teste de “DNA”, quero acabar logo com isso.
💭 Tomara que a minha Ju não nos veja 💭
Carolina: eu não preciso de mais exames, eu já fiz e estou afirmando que estou grávida, Caio. 😥
Caio: Faremos mais alguns exames amanhã para tirarmos quaisquer dúvidas.
Essa história...
Clarice, 46 anos. Não trabalha fora, é formada em direito, mas nunca exerceu a função, a não ser na época em que fez o estágio obrigatório da faculdade. Preferiu cuidar do filho e da casa, pois casou-se muito jovem com o Jorge e logo tiveram o Caio.
Jorge, 50 anos, também é formado em direito e possui um escritório muito famoso e bem sucedido em Cruzeiro. Ele e Clarice se conheceram quando ela foi estagiar num escritório em que ele trabalhava. Desde então não se largaram mais. Dizem ter sido amor à primeira vista.
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Atualizado até capítulo 81
Comments
Gislaine Duarte
mulherzinha sem noção essa
2024-03-06
1
Ione barbosa
não deixa ser dele não autora e nem a Ju os verem
2023-12-03
2
Andrea Leite
mulher indecisa
2023-11-22
0