Caio Narrando
Após um mês, estou de volta ao Rio de Janeiro. Precisei voltar para a casa dos meus pais, logo após o ocorrido com a Juliana.
Fui passar uns dias por lá, pois com a residência, não sei ao certo quando poderei retornar a Cruzeiro novamente. Obviamente, contei aos meus pais tudo o que aconteceu naquele dia e os mesmos repreenderam-me por tudo o que aconteceu, tanto no passado, quanto atualmente.
O pior de tudo, foi ter feito os meus pais passarem por uma situação chata na época, eles não sabiam o que eu havia feito e defenderam-me com todas as suas forças, quando o Sr. Júlio veio questionar-me sobre o que eu havia feito. Quando eles procuraram saber da história, eu inventei qualquer coisa e eles acreditaram. Eu só queria livrar-me daquela situação que eu mesmo causei.
Mas eu paguei por tudo o que fiz a ela, durante todos esses anos. Namorei algumas pessoas e fui traído em todos os relacionamentos que tive. Pelo jeito não soube mais escolher uma pessoa para me relacionar, acredito que tenha sido um castigo, por causar tanta dor a uma pessoa tão inocente e doce quanto ela.
Ela conseguia extrair o melhor de mim, fazia-me sorrir apenas com o seu olhar e quando ela se entregou a mim, aí mesmo que senti que o que tínhamos era para sempre. Mas eu mesmo joguei o nosso "para sempre" dentro da lata de lixo.
Enfim, estou morando num condomínio aqui em Copacabana, soube que ela não mora muito longe de mim, então eu tenho oportunidades de vê-la sempre.
Quando eu soube que a sua escolha profissional foi pela área da saúde, logo pensei que somos o par perfeito. Porém, nem tudo é perfeito.
Estava a jantar num restaurante aqui no Rio e acabei por vê-la chegando com o tal Rodrigo, que se dizia amigo dela. Mas eles estavam tão íntimos, que acredito que de amigos, já passaram e faz muito tempo...
Ela estava linda, como sempre. Usava um vestido que a deixou com um corpo para causar inveja em qualquer mulher e chamar a atenção de qualquer homem que tivesse a oportunidade de estar diante da sua beleza. A minha vontade era tirá-la da mesa daquele cara e levá-la embora dali para qualquer outro lugar.
Ela não possui mais aquele ar de menina, o qual presenciei há um mês, ela agora mostra-se mais como uma mulher feita, decidida e com poder nas suas mãos. Isso encantou-me ainda mais por ela.
Pensei:
— "E se eu for até eles e mostrar-me a eles."
Mas logo repreendi-me e deixei esses pensamentos de lado. Acredito que já causei sofrimento demais a ela. Mas não consegui tirar os olhos dela em nenhum momento, ela parecia muito feliz com o cara. Sei que ele dizia safadezas a ela, pois em determinado momento, pude observar um leve rubor nas suas bochechas.
Aí mesmo que eu quis tomá-la nos meus braços e arrancar ela de perto dele.
Mas a todo o momento, percebi que ela estava sorridente, parecia muito feliz. Pelo menos, ele faz bem a ela. Não posso ser egoísta a ponto de mais uma vez tirar a felicidade dela.
Mas mesmo que ela esteja com esse ar de mulher, percebo que a minha menina ainda está presente ali. O seu jeitinho meigo, suas palavras doces e sua risada gostosa, mostram que ela carrega consigo a mesma essência de anos atrás.
Quando eles estavam a sair, ouvi quando ele disse para onde iriam: Búzios. Ele estava a levar ela como uma ovelha para o matadouro, mas sinto que ela também queria estar com ele nesse "matadouro".
Naquela noite eu cheguei em casa e chorei. Tudo o que não me permiti sofrer todos esses anos, sofri essa noite e o pior, fui eu mesmo quem procurei isso com as minhas próprias mãos. Eu mandei-a para os braços de outro.
Após passar um tempo chorando, levantei-me e tomei um banho gelado, tentei colocar os pensamentos no lugar, mas tinha uma certeza: não desistirei dela! Não posso fazer isso, eu nunca deixei de amar essa mulher e preciso recuperar o tempo perdido e isso começa amanhã.
Após muitos esforços, consegui dormir e acordei hoje com uma dor de cabeça muito forte, mas estava decidido que precisava correr atrás do tempo perdido e reconquistá-la. Levantei-me, tomei mais um banho e saí em busca dos meus objetivos.
Agora pela manhã, cumprirei o meu horário de residência, mas à tarde ela não me escapa... Sei onde fica o consultório de atendimento dela e darei um jeito de falar com ela.
Já no hospital, estava a atender alguns pacientes, atuarei como clínico geral, ainda não me interessei por nenhuma especialidade. Dentro dos atendimentos, fui surpreendido com a chegada de uma paciente, mas o que mais me chamou a atenção, foi que de longe, ela era muito parecida com a minha Ju, mas quando me aproximei, tive a certeza que era ela. Ela estava com alguns machucados no seu rosto e parecia ter acabado de sofrer algum acidente.
Corri para o atendimento e iniciei os procedimentos de primeiros socorros, como é padrão fazermos. Como ela estava desmaiada, solicitei alguns exames do crânio, e do tórax, dado que observei estar com um hematoma próximo à região do peito.
Verifiquei os seus sinais vitais e estava tudo bem, porém ela não acordava, isso é o que mais me preocupava.
Solicitei que entrassem em contato com a família dela, mas para a minha surpresa, o seu "namorado" invadiu o quarto feito louco e queria a todo o custo tirar-me de perto dela. Foi necessário chamar os seguranças para retirá-lo de lá e darmos continuidade nos procedimentos.
Ela simplesmente não acordava, foi necessário então fazermos um procedimento de entubação. Ainda não tínhamos informações sobre o que havia realmente acontecido, porém, precisávamos dar continuidade aos procedimentos que se fizessem necessários.
Após realizarmos os exames, notei haver um pequeno inchaço na região cerebral, dessa forma, procurei o melhor médico especialista na área e solicitei que ele fizesse um exame geral na paciente. Foi constatado um pequeno edema, porém, o neurologista afirmou-nos que logo sumiria e o motivo pelo qual a paciente ainda não havia acordado era esse.
Realizados todos os procedimentos padrões, fui atrás para encontrar contato da sua família. Chegando na recepção, novamente fui abordado pelo rapaz que ainda se encontrava alterado. Achei a sua atitude muito suspeita e procurei saber mais sobre esse pequeno acidente que a paciente sofreu. Após uma conversa com o mesmo, pude notar que a sua alteração era apenas nervosismo pelo que aconteceu com a sua, até então namorada.
Ele relatou-me estar a caminho do seu consultório, no momento em que foi informado sobre o acidente que a paciente havia sofrido e que estava justamente a caminho, pois achou muito estranho o fato de a mesma não estar atendendo o celular, pois já havia ligado inúmeras vezes e ela não atendia.
Após conseguir acalmá-lo, solicitei que o mesmo passasse o telefone dos familiares para podermos relatar sobre o ocorrido com a paciente. No mesmo instante, o referido rapaz informou o telefone de seu até então sogro para fazermos contato.
Passados alguns minutos, após conseguirmos contato com a família, o pai da paciente chegou ao hospital e fomos informá-lo sobre o ocorrido. Ele também estava bastante alterado e desesperado com o estado da sua filha.
Saindo do meu lado médico, também encontrei-me com o coração partido em vê-la naquela situação. Passados mais alguns minutos, sua mãe chega ao hospital e, após ser informada sobre a situação da sua filha, sentiu-se mal e foi preciso ser levada para uma sala de recuperação.
Meu Deus, a situação só piora!
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Atualizado até capítulo 81
Comments
Gislaine Duarte
agr tá vendo o q ela sofreu
2024-03-06
2
Gislaine Duarte
isso mesmo 👏
2024-03-06
0
Gislaine Duarte
acho bem feito 🤣🤣🤣
2024-03-06
0