Nós nos beijamos tão intensamente, que cheguei a perder o fôlego. Parecia que os nossos corpos precisavam disso há muito tempo, nem sei por quantos minutos ficamos nessa situação, só sei que quando dei por mim, o Rodrigo estava na porta com uma bandeja nas suas mãos e olhando aquela cena e por um instante, cheguei a ter vergonha do que acabara de acontecer.
Perguntei:
— Há quanto tempo está aí?
Rodrigo: desde que você quase caiu.
Juliana: E por que não me chamou?
Rodrigo: Você estava ocupada demais, preferi esperar vocês desocuparem-se. Mas já estou de saída, acredito que vocês precisam conversar. Porém, precisa ser rápido, logo o doutor vem dar-lhe alta.
Juliana: Não preciso conversar com ninguém.
Caio: Linda...
Juliana: Não me chame assim! Isso não deveria ter acontecido. Entre Rodrigo, por favor!
Rodrigo: Não, Ju! Vocês têm muito o que conversar. Precisa colocar tudo para fora, prometo que estarei aqui na porta e ao menor sinal, grite-me.
Caio: Por que ela gritaria?
Rodrigo: Você já fez mal a ela uma vez, quem garante que não fará novamente?
Caio: É justamente por isso que estou aqui. Preciso reparar o meu erro. Não a farei sofrer novamente.
Rodrigo: Assim espero.
Juliana: Ei, eu ainda estou aqui. Não temos nada para conversar, Caio. Peço que se retire.
Rodrigo: Não, Ju! Ouça o que ele tem a dizer, acredito que o seu pai não permitirá outro momento. Mas sinto que vocês precisam falar, nem que seja para enterrar o assunto de uma vez.
Juliana: Eu não quero e não tenho nada a falar, não aceito.
Rodrigo: Você precisa, coloque tudo para fora.
Caio: Nem que seja apenas para gritar comigo, como fez ontem...
Juliana: Você merece é que eu lhe dê um tapa bem dado. Pensa que eu esqueci o que fez? Você só não conseguiu matar-me, mas do restante, fez tudo. Veio terminar o serviço? (Rodrigo sai do quarto de fininho)
Caio: Linda, eu preciso tentar explicar-me.
Juliana: Já pedi para não me chamar assim. Não preciso das suas explicações, já basta o que eu vi.
Caio: É por esse motivo, que preciso que me ouça. Eu prometo ser rápido, mas deixe-me explicar para você?
Juliana: Seja rápido, o Dr. logo entra para assinar os meus documentos. Preciso ir para casa tirar esse cheiro de hospital e os meus pais estão me esperando.
Caio: Ok! Dois dias antes daquela cena que você presenciou, eu recebi o resultado do vestibular que havia feito para a universidade, eu iria estudar medicina... (conta tudo o que aconteceu)
Juliana: Você foi pior que eu pude imaginar durante todos esses anos. Eu amava você, entreguei-me a você, cheguei a sonhar que me pedia em namoro e que um dia nos casaríamos. Isso que você fez foi muito baixo...
Caio: Eu sei, eu fui muito idiota, mas você tem que entender que eu era extremamente imaturo e não passou pela minha cabeça, naquela época, que iria causar tudo isso a você. Eu cheguei a ir atrás de você, mas já era tarde demais, pois você já havia se mudado e eu não tinha contato nenhum seu, nos perdemos e eu nunca tive a oportunidade de desculpar-me com você. Eu cheguei a procurar as suas redes sociais, mas não encontrei. Tentei com algumas amigas suas da época, mas ninguém tinha informações.
Juliana: Eu queria tanto livrar-me daquilo tudo, que acabei por bloquear nas redes sociais, todas as pessoas que conhecia naquela cidade e nunca mais pisei naquele lugar.
Caio: É, eu sei.
Juliana: Não, você não sabe. Você não passou o que eu passei, você viveu uma vida normal durante todo esse tempo. Você não teve depressão, ansiedade, pânico, medo de se relacionar com as pessoas, bloqueio emocional. Nada! Você não teve nada disso. Eu olho para você e arrependo-me de ter me entregado a você. Quando me lembro, a única vontade de que tenho, é de voltar ao passado e apagar esse acontecimento. Você não imagina uma vírgula de tudo o que eu passei.
Caio: Não imagino mesmo, mas eu preciso, pelo menos, tentar reparar o meu erro. Sei que tudo o que fiz foi horrível e sinto-me extremamente mal em saber tudo o que lhe causei. Espero que um dia, você possa dar-me o seu perdão. Esse beijo que nós demos agora, mostra que esse sentimento ainda não morreu, ele está aí em você e aqui dentro de mim.
Juliana: Não! Você beijou-me e eu espero que você não repita isso, nunca mais. Isso não deveria ter acontecido e você aproveitou-se do momento em que eu me desequilibrei. Não sinto mais nada por você.
Caio: Não adianta tentarmos negar, linda. Esse amor ainda não morreu.
Juliana: Pode até não ter morrido, mas eu vou fazer questão de matá-lo e você, não chegue mais perto de mim. Nunca mais! Agora saia daqui, preciso esperar o médico e ir embora para casa.
Caio: Pense em nós, minha linda. Vamos tentar viver o que não podemos antes
Juliana: Não repita isso novamente, essa história está enterrada.
Caio: Ok, não vou mais insistir. Mas sei que em breve, você vai perceber que não podemos ficar longe um do outro. Estou de mudança para o Rio de Janeiro, vou fazer a minha residência num hospital daqui. Espero que possamos nos encontrar novamente.
Juliana: Espero não precisar ver você.
Caio: Enfim, vou deixar o meu contato com o seu amigo, quando precisar, estarei aqui para você.
Juliana: Espero não precisar nunca.
Caio: Tchau, Ju. Até breve.
Ele aproximou-se, deu-me um beijo na bochecha e saiu do quarto. E eu fiquei ali, com cara de boba.
Mas pelo menos consegui colocar um ponto final nisso e agora, seguirei a minha vida.
Logo em seguida, o Rodrigo entra e conto tudo a ele. O doutor também entrou, assinou os meus documentos e liberou-me. Solicitou para eu procurar meu psiquiatra novamente para uma avaliação mais aprofundada.
Assim, fomos a caminho da minha casa. Eu estava em silêncio e Rodrigo respeitou isso, como sempre...
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 81
Comments
Fatima Deroni Lucas Da Silva
Não gosto de certo tipos de comentários assim como esse aí de chamar ela de vaca.
2025-03-07
0
Edja Marques Bezerra
ele cara de pau e a vaca inda vai ficar com ele
2024-03-09
2
Gislaine Duarte
ele é bem cara de pau 😅
2024-03-06
2